Obrigada pelos comentários! Fiquem com mais um pouco desse casal maravilhoso.
~x~
Às sete horas da noite, Hermione andava em círculos na Sala Comunal. Harry e Rony olhavam-na de vez em quando enquanto faziam (copiavam) os deveres do dia, talvez perguntando a si mesmos se ela havia enlouquecido de vez.
A chuva avançava na diagonal nas paredes do castelo, fazendo-a voltar ao quarto e vestir um casaco mais quente que o anterior e soltar os cabelos. Devido ao fato de que ela havia feito uma trança naquela manhã, seu cabelo estava extremamente armado. Ela suspirou e pegou um creme em seu malão, passando-o de modo suave por toda a extensão. O creme deu certo controle no frisado, e ela sorriu satisfeita.
Hermione não conseguia deixar de pensar na maneira como Malfoy a estava tratando. Não pensava, nem por um segundo, que ele talvez pudesse ter mudado sua opinião sobre ela; afinal, nada de diferente havia acontecido para que aquela fosse uma opinião plausível. Aliás, a única coisa que havia mudado era o fato de que ela estava cada vez mais distante dos próprios amigos, de cada um por seu motivo.
A garota sentia bastante falta de ter alguém para conversar. Achava que era esse o motivo pelo qual teria aceito o convite de McLaggen. Fazia já algum tempo desde que Gina tinha tempo para ela, uma vez que agora estava namorando Dino Thomas; portanto, suas conversas também caíram escassas. Além disso, não aguentava mais ouvir Rony reclamando de Gina e de Lilá, e Harry reclamando de Lilá e Gina – cada hora seu ouvido era alugado por um deles. Às vezes, pelos dois ao mesmo tempo.
Hermione estava extremamente solitária.
Às sete e meia da noite, saiu de seu quarto na intenção de caminhar devagar até a sala de McGonagall para passar o tempo – que parecia ter resolvido parar, tamanha era sua ansiedade.
– Hermione, quer companhia até a sala da Minerva? – Perguntou Harry quando ela se aproximou da porta.
– Não precisa – respondeu ela, dando um pequeno sorriso e passando pelo quadro da Mulher Gorda.
Qual não foi sua surpresa ao dar de cara com Draco Malfoy.
– Está bem longe de sua Sala Comunal – comentou ela.
Malfoy corou.
– Só achei que não iria querer andar sozinha no castelo a essa hora. Tempos perigosos, sabe – ele respondeu de imediato, sendo um pouco sombrio.
– Ah.
Hermione balançou nos pés como naquela manhã, e Draco riu, deixando-a confusa de novo.
– Essa sua mania é engraçada. Vamos.
O garoto colocou a mão na base de suas costas como da outra vez, e, como da outra vez, Hermione sentiu um arrepio profundo desde o local onde ele tocou até sua nuca. Tentou disfarçar passando as mãos nos braços e fingindo sentir frio enquanto caminhava ao seu lado.
– E então? Sobre aquela pergunta que te fiz na aula. Não vai responder? – Ele quebrou o silêncio, olhando-a de rabo de olho.
Ela prendeu a respiração e pegou uma mecha do cabelo para brincar.
– Eu ia, é que...
– Sei, duvido muito – ele riu.
– Eu ia, Malfoy! – Hermione ficou muito brava nesse momento, corando de raiva.
– Então fala – ele desafiou, parando de andar.
Hermione hesitou. Malfoy não era seu amigo, não era de sua família, não tinha relações com ninguém que conhecia. Não sabia de onde havia tirado essa conclusão, mas, naquele momento, ele parecia alguém perfeito para conversar.
– Estou, sim, com tesão reprimido. E daí? – Ela disse, e, para sua surpresa, Malfoy soltou uma gargalhada, recomeçando a andar. Suas risadas ecoavam pelos corredores vazios, e suas bochechas ganharam um pouco de cor. Hermione notou que as olheiras ainda estavam lá.
– Você não tem ninguém para conversar sobre isso? Ou para dar uma aliviada? – Malfoy perguntou incisivo. – Vai me dizer que não dá um jeito nisso aí de vez em quando?
Hermione calou-se, corando até a raiz dos cabelos e se arrependendo de ter dado vazão àquele assunto.
– Nada? Nem sozinha?
– MALFOY! – Ela gritou, passando a andar na frente. – Isso não é da sua conta.
– Ah, vai, vem cá, vamos falar sobre isso – ele correu para alcançá-la, ainda rindo, e pegou seu braço na intenção de pará-la novamente. Ela não deixou com que ele a tocasse, com medo de que isso despertasse uma nova onda de "não sei o que se passa comigo" nela; apressou o passo e o garoto também.
Quando percebeu que estavam correndo, ela parou, colocou as mãos no joelho e começou a rir descontroladamente, e o garoto acompanhou. Ela viu novamente a cor atingir as bochechas de seu rosto muito pálido, e ele olhou-a com curiosidade.
– Não, Malfoy.
Ele ficou confuso.
– Não para qual das perguntas?
– Para todas – ela disse, olhando para baixo e corando. – Satisfeito?
– Nem um pouco – ele riu pelo nariz, mas de repente ficou sério.
Hermione chegou a pensar naquilo. Fazia muito tempo desde que tinha beijado Victor Krum; suas correspondências eram frequentes, apesar de eles nunca terem chegado a fazer nada além de dar uns amassos na seção reservada da biblioteca. Córmaco havia tentado beijá-la na festa de Natal, mas isso era só. Não sabia se a raiva de Rony com Lilá contaria como tesão reprimido; o que sabia era que fazia muito tempo desde que tivera algo de sexual em sua vida. Ela era dedicada a ajudar Harry e a isto apenas. Ficou com raiva ao pensar nisso.
– O que foi? – Malfoy perguntou, porque a testa da garota havia vincado fundo.
– É que... – Ela não sabia nem por onde começar.
Ele recomeçou a caminhar, e ela o acompanhou em silêncio.
– Pode falar. Nada do que você contar sai daqui – ele fez um sinal de 'x' na frente da boca.
– Não é isso... – Ela não sabia como explicar.
– Não vou zombar de você, Granger. Acho que ambos aqui percebemos que precisamos de pessoas para conversar. Além do mais, não tem muito do que eu zombar, aposto. – Ele deu um sorriso de lado, formando a covinha do lado direito.
Hermione continuou em silêncio até quando não aguentou mais.
– Eu, literalmente, não tenho nenhuma vida sozinha. Eu vivo pelos meus amigos e eles me deixam muito de lado, e quando estou sozinha não sei quem sou, porque gosto muito de ser útil e me sentir útil, o que é muito ruim porque com frequência as pessoas se aproveitam disso e-
– Ei, calma, Granger. Um pouco de cada vez. – Ele colocou uma mão sobre o ombro dela. Mesmo sob todas as camadas de panos que ela vestia, ainda sentiu a mão dele mandar uma corrente de calor por seu corpo. Ele percebeu. – Nossa, o negócio está feio.
– Disse que não ia zombar de mim, Malfoy. – Ela fingiu estar chateada, mas adorou se sentir no poder quando ele baixou a guarda.
– Desculpa – ela o ouviu dizer, olhando para baixo e enfiando as mãos no bolso.
O silêncio reinou até que chegassem na sala de Minerva.
– Ah, Granger e Malfoy. Estão adiantados. – Minerva vestia um robe e bobs no cabelo. Transfigurou imediatamente o robe num vestido e tirou os bobs com um aceno de varinha, deixando a cascata de cabelos grisalhos solta em leves ondas. – Entrem, por favor.
Ela abriu espaço e Malfoy deixou que Hermione entrasse na frente. Até McGonagall vincou a testa nesse momento. Ambos se sentaram em cadeiras de frente para sua mesa, onde ela se sentou também.
– Quero que ambos entendam que a pontualidade é algo essencial, não só aqui no colégio, como na vida. Uma vez que você se atrasa, você está mostrando às claras que não dá a mínima para o tempo da outra pessoa e que o seu é muito mais importante. – Hermione baixou a cabeça na mesma hora. – Portanto, quero que ambos fiquem cientes de que hoje a detenção será simples, mas para que não se repita.
Minerva pegou dois rolos de pergaminhos.
– O senhores escreverão para mim, cada um, sobre o que planejam para seu futuro e em quanto tempo querem alcançar esse futuro. – Eles se entreolharam e deram de ombros.
– Professora Minerva, será que eu poderia tentar me justificar? Não estou discordando do castigo, só queria que a senhora soubesse. – Hermione perguntou quando a mais velha se calou.
– Claro, senhorita Granger.
– Eu só me atrasei para a aula porque minha mochila rasgou e minhas coisas se espalharam pelo corredor, e o pessoal estava passando com pressa para as aulas e isso acabou me atrapalhando...
– Ora, Granger, mas sua mochila rasgou assim, do nada? – McGonagall se interessou.
Hermione não tinha a intenção de dedurar Pansy Parkinson, então ficou calada. Mas Malfoy não.
– Foi a Pansy. Eu a vi puxando a mochila da Granger depois de zombar com ela. – Disse ele, já escrevendo em seu pergaminho.
As mulheres olharam-no incrédulo.
– Isso é verdade, senhorita Granger?
– Sim, professora. Eu só não queria-
– Amanhã terei uma conversa com a senhorita Parkinson. Mas por enquanto os dois estão avisados. – A mais velha disse, retirando-se para seus aposentos.
Houve um momento de silêncio quando Hermione ficou incrédula por Malfoy ter dedurado a própria amiga para tentar aliviar a barra dela. Começou a pensar sobre o futuro. Decidiu escrever sobre o que sempre sonhara, ser Ministra da Magia, e pôs-se a redigir o texto.
– Por que soltou seu cabelo? – Malfoy perguntou de repente.
– Hm? – Hermione estava distraída.
– Seu cabelo. – Ela o olhou, procurando seus olhos. Eles estavam gentis. – Estava bonito hoje cedo.
– É que eu estava... – Hermione calou-se, quase revelando a Malfoy que estava na Sala Precisa praticando feitiços que não deveria. – Exercitando. Aí ficou bagunçado.
– Granger, você já transou?
Hermione engasgou, e Malfoy tirou a confirmação dali.
– Que tipo de pergunta foi essa? – Ela sibilou, corando muito.
– O tipo de pergunta que não precisa de resposta com palavras, pelo visto – ele deu uma risadinha, e voltou a escrever.
Ambos ficaram em silêncio por um tempo, Malfoy concentrado e Hermione constrangida.
– Só acho que você é muito tensa. Precisa relaxar – ele comentou, do nada.
– Ah, é? – Ela pensou em dar uma resposta malcriada, mas a professora poderia estar escutando. – Eu posso... fazer... eu consigo a hora que eu quiser. – Ela se atrapalhou com as palavras.
Malfoy gargalhou, fazendo com que Hermione lançasse um "Abaffiato" na porta do quarto da professora.
– Consegue a hora que quiser? Não consegue nem falar sobre o assunto. – Ele zombou novamente.
– Está zombando de mim, Malfoy?
– Não, desculpe – ele disse pela terceira vez, desconcertando a garota. – Então tá. Eu vi que o McLaggen te chamou para ir à Hogsmeade, por que não se "alivia" – ele fez as aspas no ar – com ele?
– Talvez eu faça isso mesmo – ela disse sem se deixar abalar dessa vez.
Ele levantou uma sobrancelha, sorrindo de lado e olhando fundo em seus olhos.
– Você vai ver que é bem relaxante. Só faça o favor de usar proteção. Não deve ser nada agradável estar grávida de uma "mini você" no penúltimo ano de escola e com uma guerra prestes a estourar. – Malfoy disse com escárnio, terminando a redação. – Quer companhia para voltar à Sala Comunal?
Hermione abriu a boca para responder, e fechou novamente.
– "Mini mim"? – Ela decidiu não passar recibo na pergunta.
– É, toda sabe-tudo e irritante. – Ele riu e ela também, para variar. Achava que era aquilo mesmo.
A garota terminou a redação logo em seguida e levantou, dirigindo-se à sala de Minerva. Retirou o feitiço e bateu na porta. A professora disse aos dois que estavam liberados, levando-os até a porta.
– Pode me acompanhar? – Ela pediu, finalmente tomando coragem.
– Se for para te ver tropeçar de novo, posso.
