Casais: Jensen/Jared, Chad+Daneel, Daneel+Jensen
Classificação: Slash, AU, Darkfic
Nota: Baseado no filme de mesmo nome.
Sangue e Chocolate - Capítulo três
Ele não sabia por que estava tão nervoso. Afinal de contas, Jensen ligara marcando o encontro, não fora? Não é como se o loiro fosse dar o cano e faze-lo esperar que nem um idiota naquele restaurante e...
- Jared.
O moreno ergueu os olhos, sua boca secando.
- Jensen.
Jensen sorriu enviesado, sentando-se na cadeira a frente do outro, mordendo o lábio inferior.
- Desculpa o atraso.
O moreno inclinou-se na mesa, a luz baixa do ambiente apenas reforçando o brilho nas íris verdes do outro.
- Estou feliz que não tenha me dado o cano.
Jensen riu, a pele em volta de seus olhos se enrugando e Jared sentiu sua boca ficar ainda mais seca.
Ótimo. Ele já estava ferrado.
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Foi o melhor encontro da sua vida.
Não sério, foi.
Para Jensen, sua vida girava em torno da matilha. As pessoas que conhecia eram da matilha. Seus amigos, sua família (por mais idiota que Chris fosse), tudo era preso naquele mundinho.
E sim, talvez Jared não desconfiasse de nada, mas para Jensen, aquela noite, conversando e jantando com o artista, foi a melhor da sua vida. Ele nunca sentira uma conexão tão instantânea que nem essa com alguém que não era da matilha.
Eles passaram a noite conversando entre a entrada e o prato principal, descobrindo terem gostos em comum. Jensen sorriu amargo quando Jared disse que era do Texas, logo revelando que sua família era de lá também.
Logo que eles terminaram de jantar eles saíram do restaurante, passeando pelas ruas iluminadas da Cidade Velha, seus passos ecoando nas ruas de pedra. Jensen sorriu e estendeu a pequena sacola que trouxera consigo.
- O que é isso?
- Nossa sobremesa. Eu quem fiz, espero que goste.
O moreno sorriu, pegando a sacola e abrindo-a, encontrando uma variedade de bombons dentro dela. Ele pegou um redondo, de chocolate ao leite com riscos de chocolate branco e mordeu. O creme trufado derreteu em sua boca e ele gemeu de prazer, fechando os olhos. Jensen riu baixo, enfiando a mão na sacola.
- Posso assumir que você gostou?
Jared abriu os olhos, encarando o loiro.
- Melhor chocolate que já provei. Foi você mesmo quem fez?
Jensen afirmou com a cabeça. Jared pegou mais um bombom, gemendo novamente quando o comeu.
- Isso está muito bom.
- Trufas também são meu chocolate favorito.
Jared riu, lambendo os lábios. Jensen parou de andar de repente e inclinou-se, erguendo-se nas pontas dos pés e lambendo o canto da boca do artista. Jared paralisou, seu coração pulando feito louco.
- Jensen?
- Pronto, tudo limpo agora. – respondeu o loiro maroto, voltando a andar, pegando mais um bombom. – Você precisa voltar para seu hotel agora?
Jared sorri.
- Não, eu não tenho nenhum toque de recolher, se é isso que está te preocupando.
Jensen ri, jogando a sacola de bombons nas mãos de Jared.
- Bom, como eu já sei que você adora lobos, acho que vai gostar do lugar que eu vou te levar. Me siga.
Jared encara as costas de Jensen, delineadas e definidas debaixo da camisa, e o segue sem hesitar.
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Eles conseguem chegar no topo da igreja, a porta dando para um pátio onde se consegue ver quase todas as construções da cidade velha de Praga. As estátuas se misturam entre seres humanos e lobos.
- Esse lugar é incrível! Como achou?
Jensen dá de ombros.
- Eu vivi aqui nos últimos vinte anos e às vezes gosto de explorar essa parte da cidade. Você sabia que existe um mito de que a dinastia iniciada pela princesa Libuse e seu marido Premysl era uma dinastia de loup-garous?
- Você está me dizendo que os fundadores de Praga eram lobisomens?
- Loup-garou. – corrigiu Jensen. Ele se aproximou do muro de pedra, sentando em cima dele – Lobisomen é a versão fictícia e hollywoodiana do nome.
Jared se aproximou e sentou-se ao lado dele. Ambos colocaram as pernas do lado de fora do muro, balançando-as, sentindo o ar frio da noite. Jared mordeu os lábios.
- Isso é verdade mesmo?
Jensen deu de ombros.
- Um mito. Dizem que é por isso que a disnatia durou tanto no poder, mesmo com aquela época de invasões por toda a Europa. E por isso que existem tantas igrejas com esculturas de lobos na Cidade Velha.
Jared sorriu, mordendo os lábios. Jensen virou-se de lado, uma perna ficando pra fora e outra pra dentro.
- Posso te perguntar algo?
O artista deu de ombros.
- Claro.
- Eu comprei seu graphic novel e descobri que você não usa seu verdadeiro nome para assinar seus desenhos.
- E como sabia que era meu então? – perguntou Jared com um sorrisinho.
- O desenho que você me deu e o da revista tinham o mesmo traço engraçadinho. – respondeu Jensen rindo – Posso perguntar porque você não usa seu nome?
Jared desviou o olhar, suspirando. Jensen se aproximou, tocando no ombro dele.
- Se você não quiser me contar...
- Não, não, tudo bem. – o artista respira fundo – Bom, eu sou filho único, sabe? Meu pai foi um ex-militar então nossa casa sempre foi cheia de regras e disciplina. Desde criança ele me ensinou a lutar, pois dizia que eu sempre deveria como me defender de qualquer coisa nesse mundo que pudesse me machucar um dia.
Jensen se aproximou mais, encorajando-o.
- Bom, por volta dos meus quinze anos, meu pai foi demitido. E ele não aceitou muito bem. Ele começou a beber. Muito. E começou a nos ameaçar quando estava naquele estado. Um dia, quando eu tinha dezoito anos...eu cheguei em casa e ouvi ele e a minha mãe brigando. – Jared respirou fundo – Eu entrei na cozinha e vi ele avançando nela, querendo machuca-la. Claro que eu interferi né?
- E o que aconteceu? – perguntou Jensen.
- Aconteceu que ele resolveu partir pra cima de mim ao invés da minha mãe. – Jared sorriu amargo – E ele me ensinou muito bem a me defender. Bem até demais. Quando eu me dei conta...minnha mãe estava me tirando de cima dele, gritando, dizendo que ia chamar a polícia, que eu tinha matado ele.
Jensen ofegou em surpresa.
- Eu saí correndo de casa e nunca mais voltei. Até hoje não sei se ele realmente morreu ou não. E é por isso que eu não uso meu verdadeiro nome nos meus desenhos.
- Jared...
- Sabe, é a primeira vez que eu conto isso pra alguém em quase sete anos.
Jensen se aproximou e tocou no queixo de Jared, delicadamente.
- Seu segredo está a salvo comigo.
O mais novo virou seu olhar pra ele, sorrindo levemente.
- Obrigado.
Eles ficaram se olhando e de repente o ar em volta ficou carregado de algo indefinível. O olhar de ambos mudou; ficou mais quente, mais elétrico. Jensen se aproximou mais dele e Jared engoliu em seco. As íris do mais velho estavam dilatadas, a cor verde uma tonalidade mais escura do que o normal. Ele se sentia como a presa prestes a ser atacada por um perigoso predador. Era uma sensação excitante.
- Jensen...
Algo parecido com um rosnar baixo saiu dos lábios cheios de Jensen e logo ele pegou Jared pela nuca, colando seus lábios com os dele. O mais novo ofegou mas logo devolveu o beijo com igual intensidade.
Sem que pudessem explicar como eles desceram do pequeno muro se beijando, andando a esmo pelo terraço até que Jared sentiu suas costas baterem contra a parede. Ele grunhiu dentro do beijo, agarrando as costas delineadas de Jesen, arranhando-as por cima da camisa. Ele era maior que Jensen isso era verdade; mas parecia que a força do mais velho era o dobro da que ele tinha. E conseguir ser manipulado assim, achar alguém mais forte que ele, que conseguisse colocá-lo onde bem entendesse era por demais excitante.
- Jensen...Jensen...
O loiro rosnou e quebrou o beijo, ofegando, beijando o queixo dele, seguindo para o pescoço, lambendo a pele bronzeada, seu nariz afastando o colar da camisa o suficiente para ele cheirar o outro. O cheiro cítrico e amadeirado invadiu seus sentidos, sua fome e excitação aumentando. Ele colou-se mais a ele, e gemeu quando sentiu a prova de que aquilo estava afetando Jared tanto quanto ele.
Jared por sua vez sentia seu coração sair quase pela boca, suas mãos arranhando e agarrando qualquer pedaço de Jensen que ele pudesse alcançar. A pedra fria da parede as susas costas o arranhava mesmo estando vestido e sua respiração saía acelerada.
Um barulho de metal batendo e corujas voando despertou os dois do torpor de luxúria em que se encontravam. Jensen termina o beijo e encosta o rosto contra o ombro de Jared, respirando ofegante. Seus olhos, agora dourados, brilham na penumbra e ele tenta fazer seu coração voltar às batidas normais.
- Maldita coruja.
Jensen ri da declaração de Jared e fecha os olhos antes de voltar a encara-lo, suas íris da cor verde novamente. Ele volta a beijá-lo, dessa vez com mais calma, apenas um preguiçoso roçar de lábios. Então se separa, colocando distância entre os dois, antes que seus instintos o dominasse novamente.
- Infelizmente meu toque de recolher já passou da hora.
Jared ri alto com a declaração, se aproximando e enlaçando seus dedos nos do loiro.
- Vem, eu te acompanho até a sua casa.
Jensen morde os lábios e eles trocam muitos beijos antes dele subir para o seu apartamento, localizado na parte superior da chocolateria. Quando vê que as luzes estão apagadas, sinal de que Chad está dormindo e Daneel não está lá, ele suspira de alívio. A última coisa que deseja é que a líder descubra Jared.
Mais para o bem do artista do que qualquer outra coisa.
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Chris sente suas costas baterem contra a parede de concreto e Daneel o segura pelo pescoço. Ela se aproxima e o cheira, carinhosamente.
- Quantas vezes eu já disse que não é permitido caçar humanos fora da matilha?
Os olhos azuis encaram sua líder, mentora, mãe que nunca teve. Ele desvia o olhar, perdendo toda pose que qualquer outro receberia. Daneel é a única que o desarma.
- Foi apenas um deslize.
Daneel se afasta dele, liberando-o. Ela passa a mão pelos cabelos e volta a encara-lo.
- Eu consegui me livrar das evidências do corpo antes que toda a matilha desconfiasse, mas não posso ficar livrando sua cara para sempre querido. – ela se aproxima e toca em seus cabelos, os fios longos e castanhos deslizandos entre seus dedos – Sabe que minha primeira escolha sempre será você, mas se continuar com essa irresponsabilidade, Jensen continuará sendo o líder quando eu morrer. Ele completará a profecia.
Chris rosna ante a menção do nome do primo e afasta a ruiva de si.
- Eu sou o sucessor dessa matilha! Jensen odeia a si mesmo, nega sua outra metade e não podia estar menos interessado nessa matilha. Porque continua insistindo em faze-lo seu novo par quando... – ele desvia o olhar – Quando Chad ainda está a sua altura.
Daneel caminha até uma das poltronas da sala e senta, suspirando.
- Porque ele é a profecia. Não gosto disso tanto quanto você, mas se eu quiser continuar sendo a líder, não posso ignorar isso!
Chris se aproxima e ajoelha-se perante ela, deslizando suas mãos pelas coxas encobertas pelo vestido.
- Por favor Daneel. Não continue com isso.
A ruiva rosna e se levanta, indo até a saída. Ela pára no batente e volta seu olhar para Chris, alguém que criou e educou como se fosse seu próprio descendente.
- Não tente desafiar minhas regras novamente, ou da próxima vez deixarei que a matilha cace você.
Chris vê a ruiva sair da sala e com um rosnado alto ele soca a parede. Porque Jensen tivera que aparecer em suas vidas, não poderia ter ficado lá nos Estados Unidos, morrido junto com a sua família?
O jovem sorri sádico quando algo lhe ocorre. Ele precisa ferir, precisa atacar quem o atacou, a tentação forte em seu sangue como sua herança loup-garou. Ele pega o casaco e sai do apartamento, indo em direção ao centro de Praga, em direção aonde o hotel que sabe que aquele humano, Jared, está hospedado.
Logo ele vai demonstrar a todos o quão Jensen é inadequado para ser o novo líder. Ele vai provar pra Daneel.
CONTINUA.
