Notas da Autora
Com os resultados dos exames realizados em Lyanna, Spock desconfia que...
Enquanto isso, Lyanna decide...
Capítulo 4 - Indesejavél parte IV
- Exato. Foram criadas para klingons como eu. Mais especificamente, o termo 'Ghatlh 'segatlh' sahichalpu'e', foi criado especialmente para mim pelos demais sahichalpu'e', que era um título dado aos demais, próximo do que sou e dos quais, todos foram exterminados. Propositalmente, eu seria a última a ser executada como um símbolo do fim. Do fim de uma evolução que os Klingons não desejavam e queriam parar. No fim, creio que obtiveram êxito, pois sou a única remanescente e serei caçada até o fim dos meus dias, se descobrirem que eu ainda estou viva.
- Então, representa uma evolução? - Sulu pergunta.
- Não só uma evolução física, além de emocional e sim, mental. Não é isso, Lyanna? - Spock pergunta em tom de confirmação.
Ela se surpreende e depois sorri discretamente, como se estivesse satisfeita, fazendo Uhura fica irritada pelo sorriso dela para com seu amado. Porém, só pode fazer junta feia.
- Presumo que chegou a essa conclusão analisando os meus exames, principalmente do córtex cerebral, impulsos elétricos e químicos, sem contar a composição do cérebro e sua rede sanguínea.
- Afirmativo.
- Também, com os resultados desses exames, até um residente de medicina veria isso... Não é para tanto, demônio de sangue verde. - o doutor fala irritado.
- Presumo que esteja se incluindo como menos de um residente, já que não percebeu de imediato, levando em torno de três horas, trinta e cinco minutos e quinze segundos para chegar às conclusões óbvias, após saírem os exames. - Spock fala sem se alterar e McCoy fica irado, sem saber como rebater e somente resmunga irritado:
- Seu...!
- Senhores. Por favor. - Kirk suspira, revirando os olhos - Computador. Apague o último comentário do senhor Spock e os dois últimos do doutor McCoy, além deste.
- Afirmativo. Registros apagados do sistema.
- Agora, estávamos falando da evolução a nível mental, fora o físico, que é bem visível, pois parece delicada demais para uma Klingon.
- Sim. O que o senhor Spock disse era verdade, embora deva comentar que quanto ao físico, não se enganem. Minha força equivale atualmente a de dois Klingons, isso porque projeto via mente ataques físicos, ampliando assim a potência dos meus socos, chutes e etc. Tenho uma inteligência mental que atinge o nível de um vulcano. Posso influenciar animais e sistemas elétricos, embora, que os sistemas elétricos geram demasiada dor de cabeça e cansaço, quando os tento controlar por mais de dois minutos e cinquenta segundos, precisando de no mínimo, duas horas, cinco minutos e trinta segundos de descanso. Tenho também poder de telecines e telepatia a longa distância, acima de cem metros e cinquenta centímetros. Diziam que esta aparência que possuo, seria outra evolução, pois, antigamente, no início da evolução dos Klingons, o planeta em que vivam era hostil e, portanto, somente os mais fortes e os melhores adaptados à vida rústica, digamos assim, conseguiam viver e em decorrência disso, esses conseguiam gerar descendentes. Tipos como eu, não sobreviviam no meio, devido à resistência baixa. Portanto, corpos mais robustos e fortes, além de indivíduos tenazes e guerreiros por natureza, sobrepujavam os demais que não eram como eles. Agora, que não é mais necessário tais características tão "rudimentares" de físico, seres como eu vinham nascendo. Portanto, o termo evolução só se aplicaria ao mental e não ao físico, pois era uma das divisões da raça dos Klingons. É como se voltasse às origens e isso, também o incomodavam. E com o desenvolvimento mental, de nós, sahichalpu'e', passamos a questionar. "Por que lutar sem ser provocado?" "Por que matar sem motivo?". "Por que subjugar uma raça?". "Qual a lógica e razão nisso tudo?". Essas indagações e visões, também se tornaram importunos a eles, pois vai contra tudo o que molda a cultura e costume Klingon. Claro, os nossos poderes mentais se tornaram um fator derradeiro para o nosso extermínio.
Todos ficam embasbacados, menos Spock, que não demonstra nenhuma surpresa. Scotty, percebendo isso, após se refazer das revelações, pergunta surpreso:
- Por que não ficou surpreso senhor Spock? Achei isso fantástico.
- Já havia conjecturado tais habilidades. Confesso que não é nenhuma surpresa e acho tudo isso, fascinante. Fisicamente, é como viajar ao passado dos Klingons, no início do desenvolvimento e mentalmente, um salto evolucionário gigantesco.
- Minha mãe era uma sahichalpu'e' e meu pai, um Klingon... Senão me engano. Graças a perda de dezenas de naves de rapina em uma das fronteiras Klingosn para os romulanos, o efetivo estava baixo e por causa disso, minha mãe conseguiu distrair os demais com seus poderes cinéticos, enquanto que o meu pai me colocava em uma nave pequena. Ela foi morta e com certeza, o meu pai foi morto. A vi morrer, antes da nave se afastar muito, ao direcioná-la contra as outras, enquanto a explodia, para danificar as demais que me perseguiam. Acredito que algum outro sahichalpu'e' tenha controlado os controles da nave por alguns minutos, usando essa nave para atacar as outras, dando-me tempo para que pudesse fugir. Afinal, para os demais sahichalpu'e', eles me viam como uma soberana para eles e seria lógico me ajudarem a escapar, já que não havia como eles escaparem. Pelo menos, é o que acho e o que me lembro.
- Telecinese? Controlar naves? Telepatia? – o doutor McCoy fica estarrecido.
- Sim. Não por muito tempo, pois fico esgotada.
- Se o que diz é verdade, a cela em que você estava... - Scotty balbucia estupefato.
- Isso mesmo. É muito fácil para mim fugir dele e poderia ter feito a qualquer momento. Mas, para quê? Tudo o que quero é que os resgatem do planeta Lithium IV. E vocês estão se dirigindo para lá. Não seria lógico provocar algum problema.
- E senão fossemos para lá? - Kirk pergunta curioso.
- Preciso falar? - ela arqueia o cenho.
- Sim. Pois não acredito que mataria alguém. Algo me diz isso.
- Não mataria, senhor Kirk. Derrubaria alguns, iria até onde tem as naves pequenas, provocaria problemas no suporte de vida, mas, apenas para distrai-los, enquanto fugia em um vai-e-vem, por exemplo, e rumaria ao Lithium IV, pois acessei o banco de dados e sei qual rota devo tomar até o planeta. Lá, pousaria a nave e depois partiria. Logicamente, iriam rastrear o vai-e-vem e com isso, localiza-lo. Usariam um raio trator para trazê-lo a nave e eu seria rendida, provavelmente por um faser em tonteio. Mas, teria os resgatados e como os dois são vulcanos, uma meia vulcana e uma humana, teriam que acolher. O que me importa é o resultado e não os meios. Felizmente, não preciso fazer isso. - e sorri.
Todos ficam embasbacados, menos Spock, que arqueia o cenho e comenta, enquanto a observava atentamente, sobre irritação de Uhura, que não estava gostando da atenção de seu amado para com a klingon, mesmo que fosse, meramente, pela ciência:
- Fascinante.
- Como assim acessou o banco de dados? - Chekov fica surpreso.
- Só por alguns minutos para saber a rota, caso precisasse usar um vai-e-vem. Porém, não consigo acessar por mais de dois minutos e cinquenta segundos, precisando de, no mínimo, duas horas, cinco minutos e trinta segundos de descanso, como disse anteriormente.
Spock fala, olhando para o capitão:
- Jim, posso aplicar um teste nela? Usarei uma sessão de aula vulcana, em que responderá questões para avaliar o seu nível mental. Não durará mais do que trinta minutos e quarenta segundos. Afinal, é um teste básico de proficiência vulcana.
Kirk consente e o doutor revira os olhos, enquanto pensava consigo mesmo, indignado:
"Tortura vulcana, não!".
Então, Spock entrega para a jovem um computador portátil com visor para a mesma teclar as respostas nele, caso fosse necessário.
Após quase meia hora, sobre o olhar embasbacado de todos, as últimas questões surgem:
- Qual a fórmula para o volume da esfera?
- 4/3 de Pi vezes o raio ao cubo.
- Qual a raiz quadrada de 2.326.324?
- 8.548.
- O que é a dimensionalidade?
- A dimensionalidade é igual a não estabilidade do evento horizonte quando é moralmente aceitável, mas, não moralmente obrigatório.
- Quem disse que a lógica é o sistema da civilização dos vulcanos com o que nós ascendemos do caos?
- T´plana-hath, Matrona da filosofia Vulcana.
- Qual a contribuição para a bioengenharia feita em Klendth?
- O elemento compensador universal atmosférico.
- Identifique objeto na tela e seu significado cultural.
- Glypho mumificante Klingon.
- Qual era a lei Kiri-kin-tha?
- Nada irreal existe.
- Ajuste a onda senóide deste envelope magnético de forma que antineutrons possam atravessa-la.
A jovem digita na tela a sua frente.
- Correto. – a voz robótica é ouvida do aparelho.
- Qual é a configuração eletrônica do Gadolinium?
Ela tecla novamente na tela.
- Correto.
- Os Cristais de dillithium estão descristalizando. Há algum meio de recristaliza-los?
- Comprovado. Não. Teoricamente, sim, injetando alta energia de fótons na câmara de dillithium, causando sua reestruturação cristalina.
- Exame terminado. Dados sendo gerados. Avaliação em progresso. - e após falar isso, o computador portátil mostra o resultado da avaliação, relacionando com o tempo para responder cada uma das questões e problemas apresentados.
- Fascinante. Acredito que ela poderia tentar com sucesso uma vaga na Academia de Ciências Vulcana.
- Bem, como era criança quando me conheceram e com o tempo, o fato de Surat ser viúvo e pai de Korath, acabou se envolvendo com Kiara, que era viúva e mãe de Sarah. Juntos, tiveram uma meia vulcana, Kirah. Eles acabaram me adotando como filha e passaram a me ensinar tudo, assim como os seus filhos sanguíneos, para que quando voltassem à Vulcano, eles não tivessem dificuldade de adaptação e chances iguais para entrar na Academia. Com o meu desenvolvimento mental, aprendi rapidamente e sempre tive uma grande capacidade de raciocínio e compreensão, inclusive a partir da observação.
Após alguns minutos de estupefação, menos por Spock, que parecia pensativo, Kirk fala, tristemente:
- Vulcano foi...
- Destruído. - frente à surpresa do capitão, ela continua chateada - Vi no banco de dados... Surat e Korath terão uma surpresa desagradável quando souberem disso.
- Recapitulando... - McCoy fala, já tendo assimilado o resultado - Essa klingon tem o intelecto de um vulcano?!
- Sim. Lyanna tem. - Spock fala sem emoção e completa - E se recebeu tal instrução, é porque Surat a considera uma filha, mesmo não sendo vulcana.
- Eu discordo senhor Spock - ela fala com as feições entristecidas e com os seus olhos úmidos, embora não derramasse uma única lágrima - Não sou uma vulcana e, portanto, eles não possuem tais sentimentos para comigo. Sou de fato uma klingon. Talvez, Kiara tenha sentimentos maternos para comigo. Mas, não tenho certeza. É que seria estranho, todos morando juntos, somente eles terem instrução e eu permanecer na "escuridão", digamos assim, somando ao fato de que os ensinei a sobreviver naquele planeta e os protegia, pois era mais forte que eles e tinha todas essas habilidades, enquanto subjugava todas as feras perigosas. E saibam, que o motivo deles estarem em uma pequena nave quando caíram no planeta, é que a deles, a maior e de pesquisa, foi atacada por klingons, que estavam naquele quadrante por causa da minha fuga um ano atrás. Por minha causa, eles acabaram encontrando essa nave de pesquisa vulcana e como não fazem prisioneiros, a destruíram e todos os demais tripulantes... Surat tinha mais um filho, que morreu e Kiara, tinha seu noivo... Os quatro foram os únicos sobreviventes. Se os meus pais não tivessem me salvado, eu estaria morta. Se tivesse sido morta, a nave klingon não estaria lá, pois acredito que era a mesma nave do qual fugi e portanto, pela lógica, os entes queridos dos mesmos estariam vivos.
- Não acho Lyanna, que sua fuga tenha influenciado alguma coisa... Os klingons vagam por aí, camuflados e abordam qualquer nave. Poderia ter muito bem uma nave ali. - Kirk tenta conforta-la, falando gentilmente.
- As probabilidades de estarem ali, caso eu não tivesse fugido, seria de 0,06%. Comigo lá, as chances sobem para 81,2%. Acho um aumento muito significativo, capitão. Além de que, não muda nada, aliado a mais um fato agravante. Sou uma klingon. Sou da mesma raça que destruiu a nave deles e matou seus parentes, além de amigos. Ninguém escolhe em que raça vai nascer... E odeio a minha raça e se tivesse uma arma de destruição em massa, exterminaria todos os klingons do universo! E eu por último, pois sou uma deles! Odeio ser klingon e não preciso que ninguém me lembre! - ela fala o último trecho com raiva e ódio, exclamando, enquanto cerra os punhos, sendo que tal ódio e raiva vinham do fundo de seu coração e nesse momento, verte algumas lágrimas de dor.
Todos ficam embasbacados com essa explosão, menos Spock que arqueia o cenho.
Após alguns minutos de silêncio, o doutor McCoy comenta desconfiado:
- Acho estranho os klingons desejarem o fim dela. Alguém inteligente assim poderia aprimorar armamentos, por exemplo. Seria um desperdício assassinar.
Kirk, Chekov e Sulu e Scotty o censuram com um olhar fulminante, pois Lyanna ainda estava se recuperando da explosão emocional minutos atrás.
