A manhã estava linda, e o parque lotado, como era de se esperar em um domingo. Me sentia estranha, pois morava em Tóquio há tantos anos e jamais havia reparado que havia um parque tão belo e tão perto de onde residia.
Sakura ainda me fitava preocupada, desde aquele "incidente" no carro. Eu não sabia bem como responder a ela. Mas enfim, resolvi abrir meu coração. Arrancar de vez, todas aquelas marcas e feridas que a tanto tempo me atormentavam.
Sentamos-nos então num banco mais afastado, bem embaixo de uma cerejeira. Estava bela e florida, tal como minha Sakura.
Sakura segurava a minha mão, firme e decidia a ouvir-me. Como se já adivinhasse o que estava por vir. Ela apenas fitava o meu rosto, sorrindo. Sorria, como se dissesse: "Estou aqui, e sempre estarei, por isso, conte comigo".
Naquela noite Sakura, naquela noite horrível em que decidi fugir de você, eu jurei a mim mesma que não voltaria atrás, por um único motivo senão o orgulho. Tive medo que você me rejeitasse, afinal, eu sou uma garota, e você também é. Tive medo que me odiasse e que me desprezasse. Tive medo de tantas coisas, mais o maior de todos, foi o de ser eu mesma. Eu corri para casa, o mais rápido que pude, sem ao menos pensar em como você estaria naquele momento. Quando cheguei, estava tocando uma música no rádio. Era aquela que ouvimos no carro. E toda vez que eu a ouvia, me lembrava de você, minha doce Sakura. Por muito tempo, fiquei me perguntando o que teria acontecido. Até aquele dia que fui até Tomoeda, talvez por puro capricho, talvez apenas para alimentar o meu ego ferido. Hoje eu sei que tenho muito a fazer ainda pra conseguir ser perdoada, e mais ainda para ser digna do seu amor. E a cada vez que ouço aquela música, me lembro de tudo o que lhe fiz durante todos esses anos, e também o que fiz a mim mesma.
Sakura levantou-se, e me encarava. Estava com um semblante de preocupação. Andava de um lado para o outro, apenas aumentando a minha preocupação. Já imaginava o pior, naquele momento, como há alguns anos atrás, seria o nosso adeus. Desta vez, seria a sua vez de esquartejar o meu coração em pedaços irreconhecíveis, transformando o pouco que me restava de esperança em pó.
Ela então se agachou diante de mim, fitando-me novamente. Sua voz estava perturbadoramente baixa, porém, pude ouvir claramente cada palavra que dizia:
"Querida Tomoyo, não irei mentir pra você em nenhum momento. Eu te odiei muito. Te odiei naquele dia que me deixou chorando no parque. Te odiei por nunca ter me escrevido uma carta sequer, me dado um telefonema sequer. Eu te odiei por ter deixado Shoran naquela situação, pois ele sabia o tempo todo o quanto você me amava, e o quanto EU te amava. E mesmo assim, ele me apoiou, durante muito tempo. Foi graças a ajuda dele que pude compreender que te odiar não traria nada de bom para nós. Quando ele partiu, me fez prometer que iria atrás de você, e iria resolver de uma vez por todas a nossa história. Eu também preciso lhe pedir perdão, pois ainda era fraca, e não tive coragem pra assumir o que sentia".
Naquele instante, lágrimas escorriam dos meus olhos. Pude sentir as mãos de Sakura acariciando meus cabelos, deslizando gentilmente até meu rosto. Sentou-se no meu colo, e após um longo e caloroso beijo, disse que não havia mais nada a ser dito, e que a partir daquele momento, tudo o que restaria seria o nosso amor.
E assim foi.
Depois de muitos anos, finalmente consegui criar coragem para terminar algo que já era pra ter sido terminado.
Espero que tenham gostado da estória, e mais do que eu, apreciado tudo isso. Não que eu não goste do Shoran (ou Syaoran), mas francamente, a Tomoyo gosta muito mais da Sakura do que ele (risos).
Obrigado a todos pela paciência, e por acompanhar o meu trabalho.
Grande abraço!
The Frog Prince (Leonardo)
