Título: A Dona da História
Autoras: Tati Cullen Hopkins e Nina Rickman
Beta Reader: Dany Fabra
Personagens: Severus Snape/Marlene McKinnon
Rated: M – Cenas de Sexo (NC)
Quando: Sétimo Ano – Época dos Marotos (passado) e Sexto Ano – Época de Harry Potter (futuro)
Advertências: Uso de Vira-Tempo, OCs (Personagens Originais)
Disclaimer: Severus Snape, Marlene McKinnon e cia são personagens de JKR. E "A Dona da História" pertence a Imagem Filmes. Ou seja:
Não vamos ganhar nenhum dinheiro com isso, essas humildes irmãs autoras de fic só querem reviews!
"REVIEWS, ASSIM COMO SEVERUS, FAZEM MILAGRES!"
Avisos: Como citado acima, os personagens são de JKR e o filme pertence à Imagem Filmes. Mas a fanfic A Dona da História, sua temática, seu enredo, e tudo mais que a compreende, é de autoria única e exclusivamente nossa. Lembrando que, se existem algumas passagens aqui que não nos pertencem, essas foram postadas com autorização dos respectivos autores. Portanto, qualquer cópia – integral ou parcial –, adaptação, tradução, postagem ou afins sem a nossa autorização será denunciado sem piedade. Agradecemos pela atenção.
Agradecimentos: Às nossas queridas leitoras que revisaram o Capítulo 3 e nos presentearam com suas reviews: KaoriH, Ana Paula Prince, Florence D. P. Snape, Danna Mayfair, Harpia, Moe Greenishrage, Emily Farias, Coraline D. Snape, Viola e Gisele W. Potter.
Resumo do Capítulo: Marlene conheceu o futuro e agora que está de volta ao presente, sabe que não pode cometer os mesmos erros do passado. Mas a missão de corrigir o passado para mudar o futuro pode não ser assim tão fácil...
– CAPÍTULO QUATRO –
IMPREVISTOS DO PRESENTE
Duas horas depois, Marlene sofria com os empurrões de Emmeline Vance.
– Acorda, Lene! – a garota loira dizia, sacudindo a amiga freneticamente na cama.
Mas Marlene não acordava. Ou melhor, não queria acordar. Emmeline tentou de novo:
– Vamos, Marlene! – sua voz saiu um pouco mais indócil agora. – Ou a sua noite foi tão boa assim que você nem quer mais levantar?
– Foi ma-ra-vi-lho-sa... – Marlene respondeu, ainda de olhos fechados.
– Eu acredito, visto a hora que você voltou... – concordou Emmeline. – Mas vamos, levante-se! Hoje é domingo e nós temos mil coisas para fazer!
Marlene então abriu os olhos.
– Tenho sim, Emme! – ela disse, empertigando-se na cama.
Sim, ela tinha mil coisas para fazer: um namoro para terminar, outro para começar, a vida dos amigos para salvar e em dois minutos já estava de pé: o desejo de mudar seu futuro a deixara renovada e Marlene acordou decidida a fazer a coisa certa.
A primeira providência a ser tomada era falar com Sirius. Marlene ficou pensando no que iria dizer, em como dizer que não o queria mais como namorado. Mas então achou que o melhor mesmo era dizer em poucas palavras que o namoro tinha acabado, se bem que na opinião dela, o relacionamento deles nunca tinha sido um namoro.
Marlene então se arrumou e logo desceu com Emmeline para o café da manhã. Antes de sentar-se à mesa da Corvinal, ela olhou de relance para a mesa da Sonserina.
Severus estava lá com os amigos; sua vontade era correr até lá, jogar-se nos braços dele e enchê-lo de beijos. Mas ela não podia fazer isso, nem agora e nem assim; ele não entenderia. Ela precisava terminar com Sirius primeiramente e falaria com Severus na segunda-feira à tarde, após a aula de Poções.
Ao olhar para a mesa da Grifinória, Marlene viu Lily com James e sorriu, retribuindo o aceno deles, mas também sentiu o coração apertar ao imaginar seus amigos mortos. E à frente deles, de costas para ela estava Peter: o traidor nojento; Lily e James morreriam por causa dele.
Não! Ninguém iria morrer porque ela iria impedir isso. Marlene ainda não tinha pensado em como agir, mas agora que sabia o que aconteceria no futuro, jamais se perdoaria se não fizesse alguma coisa para salvar a vida de seus amigos.
Ainda passeando os olhos pela mesa oposta, Marlene logo encontrou seu namorado. Sirius estava falando com Remus, porém não parava de olhá-la de modo insinuante. Mas ela apenas fez um sinal para ele, como se dissesse "precisamos conversar". Ele então se levantou e acenou com a cabeça, pedindo que ela o acompanhasse até o corredor.
Marlene fez isso: levantou-se da mesa e foi falar com Sirius fora do Salão Principal. Ele se aproximou para beijá-la, mas ela virou o rosto e disse:
– Nós temos que conversar, Sirius.
– Eu sei... Eu senti sua falta ontem, você saiu da festa tão cedo... – ele respondeu, tentando enlaçá-la pela cintura; ela se esquivou na mesma hora. – Acho que eu não disse, mas você estava linda naquele vestido vermelho... – ele acrescentou, na tentativa de reverter a situação.
"Vestido vermelho? Que... cretino! Eu nem estava lá!" – Marlene pensou impaciente. Não apenas pensou; ela disse em voz alta:
– Vestido vermelho, Sirius? – ela indagou. – Eu nem fui ao aniversário do Jay!
– Ah... não? – ele perguntou, parecendo sem graça por um instante. – Bom, mas se não era você, era alguém muito parecida...
Indignada com a desculpa esfarrapada, ela apenas respondeu seca:
– Isso não tem nenhuma importância agora.
Os olhos cinzas dele brilharam, novamente animados.
– Eu sabia que você entenderia – ele disse. – Você sempre me entende, Lene.
Marlene suspirou fundo.
– Isso não tem importância – ela disse e seu tom de voz era um pouco mais sério agora –, porque eu quero terminar com você!
– Você... o quê?
– Eu quero terminar com você! – ela repetiu com firmeza.
– Estava tudo bem entre nós... Por que você está fazendo isso? – ele perguntou, como não acreditasse.
– Porque não dá mais! – ela respondeu.
– Olha, se você está falando isso por causa de ontem, você sabe, essas garotas não têm nenhuma importância pra mim! – ele tentou se justificar.
– Pois agora você pode ficar com quantas garotas você quiser! – ela assegurou e mais uma vez disse o que queria: – Eu quero terminar com você!
– Mas Lene, você não pode fazer isso comigo...! – ele replicou.
– Eu quero terminar com você, Sirius! – ela voltou a repetir e acrescentou ríspida: – Que parte do que eu disse você ainda não entendeu?
Sirius já entendera; apenas tinha uma mísera esperança que ela estivesse enganada, que ela reconsiderasse e voltasse atrás, como fizera tantas vezes. Mas a firmeza das palavras dela e, sobretudo, daquele olhar, o fez entender que, diferentemente das outras vezes, Marlene não lhe daria outra chance. Então ele explodiu:
– Eu quero que você diga olhando nos meus olhos que NÃO ME AMA MAIS! – ele gritou com raiva.
E então a resposta veio: clara, e acima de tudo, verdadeira.
– Eu nunca amei você.
Ele recuou, sem entender.
– N-não? – ele indagou. – Então porque ficou tanto tempo comigo se nunca me amou?
– Eu pensei que amava. Mas não – ela repetiu tranquila. – Porque amor não é assim... Amor não arrasa, não engana, não destrói. Amor de verdade acalma, dá tranquilidade, dá paz! E nós nunca tivemos isso; nós nunca tivemos nem uma aliança...
– Se o problema é esse, eu dou um anel para você! – ele disse, ignorando completamente as palavras dela. – Um anel de noivado, o que você quiser, você pode...
– Chega, Sirius! – ela o interrompeu grosseiramente. – Nada do que você disser ou fizer vai mudar o que eu sinto! Eu estou terminando com você!
"E nós podemos continuar sendo amigos, mas talvez nem isso, porque até pra ser amigo precisa ter respeito e você nunca demonstrou ter isso por mim..."
Sirius ficou calado encarando Marlene, ainda digerindo aquelas palavras duras, porém verdadeiras. E só depois de alguns minutos resolveu falar:
– Você está com alguém? – ele quis saber.
Marlene enrubesceu. O que ia dizer a Sirius? Que sim? Que estava terminando com ele para ficar com Severus, o pior inimigo dele?
– Não – ela mentiu. – Claro que não.
Ele não se convenceu.
– Você não ia chegar pra mim desse jeito e terminar nosso namoro assim do nada!
– Eu tomei essa decisão por mim, só por mim, Sirius! – ela disse. – E espero que com esse fim, você encontre um outro começo... O meu eu já sei!
E Marlene se afastou depressa, antes que Sirius pudesse dizer alguma coisa. Ao menos ela tinha sido bem clara: não haveria volta, apesar de não revelar a ele o principal motivo de sua decisão.
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O resto daquele domingo foi uma tortura para Marlene: ela passou o dia todo fugindo das perguntas das amigas, pois Emmeline acreditava que ela passara a noite na festa de James, enquanto Lily sabia que ela nem estivera lá. Ela não podia falar nada sobre o vira-tempo, nem sobre Severus ainda e, querendo evitar mais perguntas, Marlene enclausurou-se no quarto. À noite, deitou na cama ansiosa pelo dia seguinte e não dormiu quase nada.
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Marlene acordou inquieta naquela segunda-feira. E ela nem viu o tempo passar nas aulas da manhã; continuava ansiosa, pois finalmente iria falar com Severus.
Depois do almoço, Marlene voltara ao dormitório e deu um jeitinho nos seus sapatos: um salto de dez centímetros resolveria o problema da sua altura e ela poderia beijar Severus à vontade depois da aula de Poções.
Aula de Poções. Ela quase chegou atrasada às masmorras; já era desajeitada, e ainda por cima de salto alto, ela não conseguia andar rápido. Marlene entrou na sala e pôde ver a expressão de surpresa no rosto da amiga Lily, que fez um movimento com as mãos como se perguntasse "Onde você estava?". Ela nada respondeu; ficou feliz ao perceber que seu atraso teve um ponto positivo: o único lugar vago na bancada, era ao lado de Severus.
– Com licença – ela disse, sentando-se ao lado dele; ele estava tão concentrado em seu exemplar de Estudos Avançados no Preparo de Poções que se limitou a assentir educadamente com a cabeça.
Slughorn começou a aula. Mas depois de alguns minutos, Marlene já não estava mais prestando atenção. Ela não era muito fã de Poções. Nunca fora; estava ali apenas porque tivera NOMs suficientes e Lily a convencera a cursar a matéria em seus NIEMs. Já sabia tudo aquilo, e ficar ali, ouvindo que o professor era amigo íntimo de bruxos famosos, não iria aumentar em nada seus conhecimentos.
Marlene apoiou o cotovelo na mesa, e entediada, afastou uma mecha do cabelo castanho que caía pelos seus olhos. No instante seguinte, puxou o livro, e, fingindo fazer anotações, voltou seu olhar para Severus. Ele não percebeu que ela o olhava, inquieta. E muito menos que ela começou a se imaginar fazendo amor com ele em cima daquela bancada.
Ela se assustou quando viu os olhos do professor em cima dela e fingiu escrever mais alguma coisa em seu pergaminho; prestando atenção ou não, Marlene tinha lido algo sobre raízes de mandrágoras. Ela ficou com os olhos fixados no livro até Slughorn se afastar e então, sua atenção novamente se voltou para o sonserino ao seu lado.
Marlene reparou nos longos cabelos negros que escondiam os olhos dele. Mas ela bem sabia que Severus não estava ali para ser visto. E não era uma questão de aparência; fazia parte do seu comportamento recluso, meio anti-social. Ela nem sabia, mas adorava esse jeito dele.
Ela desceu um pouco os olhos, observando seu nariz. Combinava perfeitamente com o rosto dele, com sua personalidade. E enquanto alguns faziam brincadeiras sobre o seu tamanho, ela adorava aquele nariz: sabia que Severus deveria ter muitos modos de usá-lo para enchê-la de prazer.
Seu olhar desceu mais um pouco. A boca dele era simplesmente maravilhosa. Seus lábios eram tênues, macios, deliciosos e faziam maravilhas em seu corpo. Marlene podia ver aqueles lábios todos os dias e se perguntou: "Como não reparei neles antes?" Mas isso não importava mais, porque a partir de agora, ela teria aquela boca passeando em seu corpo todos os dias.
Foi como se uma febre a tivesse invadido totalmente: seu corpo inteiro queimava. Marlene respirou fundo, tentando se acalmar; baixou os olhos, mas sua mente não queria parar de viajar e ela não conseguiu mais tirar os olhos de Severus, dos ombros dele, do seu tórax magro, lembrando dos poucos pêlos que trilhavam para a sua masculinidade...
Marlene quase teve um orgasmo só de relembrar tudo que já tinham feito; as mãos dela imploravam para que ela chegasse um pouco mais perto e...
"Droga! Slughorn está olhando pra mim de novo!" – Marlene pensou aflita. – "E agora ele está vindo pra cá... Ai meu Merlin, ele parou atrás de mim... Isso não é bom..."
Slughorn pigarreou.
– Srta. McKinnon – ele disse.
– Professor... – ela murmurou em resposta; mordeu os lábios e ergueu os olhos para ele.
– O que há de mais interessante no caldeirão do Sr. Snape do que na minha explicação? – o professor quis saber.
Marlene quase engasgou quando Severus a olhou surpreso após ouvir seu nome sendo citado. Em nenhum momento ele percebeu que estava sendo observado por ela. E a corvinal enrubesceu; sabia que seu rosto deveria estar parecendo um tomate de tão vermelho.
– Ah, professor... – ela começou a responder. – É que... o jeito como Snape segura os... hum... o jeito como ele mexe os... os... ingredientes, é perfeito! Eu estava olhando para tentar fazer igual! É isso...
O professor a avaliou por um instante, parecendo pensar em como punir aquela falta de atenção.
– Eu concordo plenamente – Slughorn disse de repente e Marlene suspirou aliviada. – As habilidades do Sr. Snape realmente são invejáveis. Porém – ele completou –, eu vou ter que tirar um ponto da Corvinal pela sua falta de atenção, senhorita.
"Ótimo, perder um ponto." – pensou ela. – "Eu estava quase perdendo a vergonha, professor..."
Marlene procurou manter seus olhos longe de Severus. A última coisa que ela precisava era mais uma chamada de Slughorn. Para ela, passaram-se anos, uma verdadeira eternidade até que a aula chegasse ao fim.
Os alunos começaram a sair, mas Marlene não se moveu. Nem mesmo quando Lily a chamou:
– Lene, você não vem?
– Ah, eu já vou – Marlene respondeu. – Quero falar uma coisa com Slughorn antes...
– Até mais tarde, então – Lily disse e em seguida foi embora.
Mal sua amiga saiu, Marlene relanceou a sua volta e sorriu discretamente: Severus ainda estava lá; como sempre, ele era o último a deixar a sala e o momento mais esperado por ela, enfim, havia chegado.
Severus estava tão absorto guardando suas coisas que realmente pareceu não ter notado que Marlene continuava no recinto. Só se deu conta disso quando ela se pronunciou:
– Snape? – ela o chamou.
Ele então se virou e olhou para Marlene.
– Eu preciso muito falar com você – ela disse, enquanto caminhava devagar até ele.
– Aconteceu alguma coisa? – ele perguntou, já desconfiado do jeito dela.
Ela esperou chegar suficientemente perto, quase encostando seu corpo ao dele e só então respondeu:
– Aconteceu, sim... Eu e você! – dizendo isso, Marlene levantou o rosto para beijá-lo. Ele porém, afastou-a de si com as duas mãos.
– O que aconteceu, McKinnon? – ele repetiu a pergunta, mais sério agora.
– Já disse, eu e você... – ela respondeu sedutora.
Marlene tentou beijá-lo de novo, mas Severus se afastou depressa; diante da recusa dele, ela choramingou:
– Ah, Sev... – ela disse enquanto se reaproximava. – Dando uma de difícil comigo? Isso não combina com você...
Severus foi um pouco mais para trás, mas já estava escorando-se na bancada; mais um pouco teria que subir em cima da mesa. Marlene então aproveitou novamente a proximidade e foi descendo as mãos pelo peito dele até chegar ao cinto.
– Até parece – ela sussurrou – que você não gosta quando eu...
Com um movimento brusco, Severus tirou as mãos dela de onde estavam e segurou os dois pulsos de Marlene com força.
– Eu não vou gostar de nada até você dizer o que está acontecendo! – ele disse ríspido, encarando-a firme nos olhos.
Marlene viu a seriedade daquele olhar, a expressão no rosto dele era tão impassível que até a paixão que ela sentia congelou por um minuto. Ela suspirou.
– Você não está... sentindo? – ela perguntou.
– Sentindo o quê, McKinnon? – ele não entendeu.
– Isso... – disse ela, soltando-se dele. – Eu, você...
Severus se irritou com aquela insistência de Marlene.
"Não bastava aquele showzinho no meio da aula?" – ele se perguntou. – "Agora a namorada do Black vem forçar uma situação..."
– O seu namorado não vai gostar de saber que a senhorita...
Mas Marlene o interrompeu, surpreendendo-o:
– Eu não tenho mais namorado! – ela disse. – Eu já terminei com Sirius! E eu terminei com ele... pra ficar com você!
Severus enrubesceu com o que ela dissera. Não era todo dia que ele ouvia que alguém tinha feito alguma coisa por ele. Mas ouvir Marlene falando assim, naquelas circunstâncias, ela olhando para ele com os olhos brilhantes e cheios de... amor? Não, era algo tão improvável que ele não acreditou.
– Já sei... – ele afirmou, acreditando que já sabia o que se passava. – O porre que você tomou na festa do Potter não deve ter passado ainda...
– Porre? – Marlene não entendeu. – Eu não fui ao aniversário do Jay!
– Você voltou da festa dele de manhã! – Severus afirmou. – E nem imagino o que deve ter sido servido além de Firewhisky... Porque a senhorita ainda deve estar sob efeito de algo muito forte para agir dessa maneira, ou então ficou louca para estar me olhando desse jeito e dizendo tudo isso...
– Você acha mesmo? Acha que estou fora do meu juízo perfeito? – ela o encarou. – Eu não preciso estar bêbada ou entorpecida para dizer o que eu já sei, o que eu vou dizer agora: eu te amo, Severus!
Aquela declaração pareceu desestabilizar Severus por um instante; Marlene percebeu que ele enrubesceu novamente. Porém, ele ficou ainda mais desconfiado e não pôde suprimir um sorrisinho de deboche.
– A senhorita me ama? – ele repetiu incrédulo. – Até ontem, você mal falava comigo, McKinnon!
– Exatamente! Até ontem! – ela disse. – Mas agora eu quero ficar com você, quero muito!
– Não! – ele replicou, ainda sem acreditar. – Você está falando tudo isso porque ainda não voltou ao seu estado normal! Não sei o que te deram na festa do Potter, mas acho que a senhorita deveria ir procurar Madame Pomfrey agora mesmo!
– Tudo que eu disse é verdade, Severus! – ela respondeu segura. – Eu nunca estive de porre e nem tomei poções alucinógenas, se é o que está pensando!
Severus a encarou por um segundo; quis usar Legilimência, mas teve até medo do que poderia encontrar e apenas disse:
– Então qual é o esquema? – ele perguntou sério, respondendo em tom rápido e sem pausas: – Black está lá fora esperando as coisas evoluírem aqui dentro, então ele entra, nos vê fodendo em cima da bancada de Poções e detalhe: com Slughorn aqui ao lado; então Black diz que eu estava abusando de você, você confirma, ele começa uma briga e todos nós vamos parar na sala do diretor? É... Black deve te amar muito, para mandar você vir fazer isso!
– Não tem esquema nenhum! – ela afirmou. – Sirius não está lá fora e eu estou aqui porque eu quis!
Ele ignorou.
– De qualquer forma, isso não foi muito esperto, McKinnon! – ele disse cinicamente. – Dar em cima de mim para ajudar o seu namoradinho numa tentativa inútil de me prejudicar...
– Isso não tem nada a ver com Sirius! – ela respondeu gritando, já começando a se desesperar. – Ontem, eu terminei o meu namoro com ele!
– Terminou mesmo? – ele debochou. – Acho que não; você sempre perdoa Black, não importa o que ele faça!
– Dessa vez é definitivo! – ela assegurou. – Eu terminei com ele porque eu quero ficar com você, quero muito! Por favor, acredite em mim!
Severus ergueu uma sobrancelha, considerando-a. Marlene conhecia aquela expressão: será que ele estava tentando começar a acreditar nela? Merlin quisesse que sim.
– Vamos supor que a senhorita realmente tenha dispensado Black – ele disse, medindo as palavras por achar que ela não estava mesmo em seu juízo perfeito. – E vamos supor também que você realmente fez isso cogitando a hipótese de ficar comigo. Por quê? – ele a questionou. – Ou melhor: o quê a faria mudar de idéia sobre mim?
Marlene suspirou fundo e decidiu contar parte da verdade a ele; contaria tudo, exceto o uso do vira-tempo.
– Eu sei que tudo isso vai parecer confuso, mas eu posso explicar – ela começou. – Posso mesmo explicar, desde que você prometa não achar que eu realmente fiquei louca...
Era difícil não achar isso. Severus já estava achando, tinha quase certeza; mas concordou.
– Prometo.
– Então... – ela prosseguiu. – Eu não fui ao aniversário do Jay, porque eu estava vendo o futuro. O nosso futuro. E não gostei de algumas coisas que eu vi. Juro que se você tivesse visto, também não iria gostar.
Severus a encarou atento, mas achando aquela história de "futuro" muito surreal. E insistiu na pergunta que fizera anteriormente:
– E o que você viu lá no futuro, que lhe fez mudar de idéia até mesmo sobre mim?
– Eu vou estar morta – ela disse. – Principalmente isso. Mas quando eu voltei, achei que poderíamos mudar a nossa história e evitar muitas outras coisas que vão nos causar sofrimento!
– Sofrimento? Que tipo de sofrimento?
– Todos que você possa imaginar. E nós não precisamos passar por um caminho tortuoso! – ela respondeu séria. – Porque eu não quero que a nossa filha odeie você, nem tenha vergonha dos seus atos!
Ele suspirou impaciente; estava disposto a ouvir o que Marlene tinha para dizer, mas agora ela havia passado dos limites. Que história era aquela de "filha"?
– Nossa filha? – repetiu ele, indagando. – Eu não tenho filhos, e muito menos com você!
– Não tem ainda – ela interpôs. – Mas você vai ver como a nossa filha é linda! Ela tem muito de nós dois!
Mas Severus não conseguia acreditar naquilo. Era absurdo demais.
– Eu prometi que não ia pensar que a senhorita estava louca, porém essa é a única hipótese que justifica a sua atitude, McKinnon! – ele concluiu. – Você fala como se nós tivéssemos uma vida juntos...
– Mas nós temos! – ela replicou. – Quero dizer, vamos ter!
De novo ele suspirou impaciente, e quis pôr um fim àquelaconversa infundada.
– A senhorita não precisava inventar uma história tão mirabolante para se vingar do seu namoradinho! – ele disse, ainda mais sério. – A minha resposta seria não!
– Não o quê? – de novo, ela não entendeu.
– Não! – ele repetiu. – A senhorita não vai me usar para afrontar Black! Arranje outro para seus fins de vingança!
– Vingança? – ela indagou, já sem perspectivas. – Ah, claro! É só nisso que você consegue pensar! Eu estou sobrando aqui!
– Estamos apenas nós dois na sala, McKinnon!
– Eu estou sobrando na sua vida! – ela gritou, apontando-lhe o dedo em riste. – Nunca vai ter espaço pra mim, pra nossa filha, pro amor, pra nada disso, porque na sua vida só tem espaço para as Artes das Trevas!
– Você está louca! – ele reafirmou. – Completamente desequilibrada!
Ela o advertiu:
– E você acabou de jogar no lixo a nossa única oportunidade de ser feliz!
– Sim... – concordou ele, debochado. – Acho até que eu vou morrer sem você! Sabe o que está parecendo? Que Black te chutou e para se vingar dele, você veio dar uma de gostosa comigo!
Marlene não conseguiu responder. Slughorn reapareceu de repente.
– Vocês estavam... discutindo? – o professor perguntou preocupado. – O que aconteceu aqui?
Ela encarou Severus enquanto respondia:
– Nada professor! Eu só perdi o meu tempo! – dizendo isso, ela pegou sua bolsa e saiu furiosa da sala.
Marlene realmente estava furiosa; saiu das masmorras a passos duros, embora desajeitada por causa do salto alto. Contrariada pelos imprevistos do presente, ela sentia tanta raiva que poderia azarar a primeira coisa que se mexesse na sua frente e não fosse sua sombra.
Ela era briguenta, encrenqueira... Mas não era normal para Marlene McKinnon sentir aquele tipo de raiva. Não por qualquer coisa. Agora ela sentia uma raiva cega, cortante, raiva de si mesma, porque tudo que planejara não deu certo; porque ela se precipitou e fez tudo errado.
"Ele acha que eu estou louca! Ele não acredita em mim!" – ela pensava a caminho da Torre Corvinal. – "Mas é claro, como ele acreditaria em mim se eu nem tenho como provar o que eu disse? Eu fiz tudo errado!"
Quando chegou ao seu dormitório, Marlene foi jogando a bolsa em cima da cama e os sapatos num canto qualquer; ao menos podia se livrar do salto alto, não precisaria deles agora e provavelmente nem tão cedo. Severus não acreditava nela e qualquer coisa que ela tentasse falar depois daquela discussão só iria piorar as coisas. Então sentou-se na cama e olhou para o alto.
– Merlin, eu fiz tudo errado! Como é que vai ser agora? – ela indagou.
E como se Merlin tivesse clareado sua mente, dando-lhe a resposta, ela pôs a mão no bolso de sua capa e encontrou o vira-tempo. Ela deu um sorriso triste.
– É, bonitinho... – ela falou com o objeto. – Acho que eu vou precisar de você de novo...
SSMMSSMMSSMM
Notas das Autoras
– TATI –
1. Oi pessoal! O que acharam do cap? Só posso dizer que nada vai ser fácil pra Lene a partir de agora! RSRSR
2. Respondendo às reviews sem login do capítulo anterior:
Harpia: Oi Harpia! Obrigado! Capítulo postado, esperamos que goste! Bjus!
Viola: Oi Viola! Obrigado de novo pelos elogios, agora eu entendi o "bônus" RSRSR! E sim, o desenrolar da fic dependia da volta e das próximas "visitas" da Lene ao futuro! E já adianto que nada serão flores, haja visto esse cap! Ah, só uma coisinha: felizmente a Marlene não é da Grifinória nessa fic, ela é da Corvinal e eu expliquei o motivo na minha N/A n° 3 do primeiro cap, pode conferir. Mesmo assim, não vai ser nada fácil ela chegar ao coração desconfiado do nosso sonserino favorito, e as coisas vão acontecer de uma forma bem inusitada! RSRSSR Bjus!
3. Sabem aquele aviso sobre a fic ser única e exclusivamente nossa, um pouquinho antes dos agradecimentos no início do cap? Então, por favor, não o ignorem! Lembrando que, se existem algumas passagens aqui que não nos pertencem, essas foram postadas com autorização dos respectivos autores. Então, sobre o aviso, volto a repetir: não o ignorem!
4. E aqui, eu gostaria de pedir aos leitores fantasmas e a todos que colocaram a fic nos alertas e nos favoritos e que não comentam, por favor comentem! Afinal, as reviews podem sobreviver sem os favoritos e os alertas, mas não o contrário! E, quem tem tempo pra ler e favoritar, tem tempo pra comentar também, né?
5. Beijos a todos os que leram, e um super obrigado adiantado a todos os que além de ler vão clicar no balãozinho para comentar! Só que o pessoal que não comenta, bem, esses nós nunca vamos saber o que estão achando da fic, suas sugestões, enfim... É para vocês leitoras e leitores que nós escrevemos, então nós queremos muito saber o que vocês estão achando! Qualquer que seja a opinião de vocês sobre a fic, nós vamos adorar ler!
– NINA –
Só lembrando:
GENTILEZA GERA GENTILEZA
REVIEWS GERAM CAPITULO NOVO!
O BALÃOZINHO DO REVIEW THIS CHAPTER É LINDO, NÉ?
ENTÃO CLICA NELE E DIZ PRA GENTE O QUE ACHOU! ;)
III
II
I
