Disclaimer: Todos os personagens de Saint Seiya pertencem a Masami Kurumada. O roteiro do filme 'The Butterfly Effect' é de autoria de J. Mackye Gruber e Eric Bress.
Essa fic é apenas uma obra feita por fãs sem qualquer fim lucrativo.
Sumário: Depois das batalhas, Saga tem a chance de voltar ao passado para consertar seus erros. Estará ele pronto para as implicações que tal tipo de mudança pode trazer? Fic inspirada no filme 'O Efeito Borboleta'.
Obs: Bem, só um aviso básico: esse capítulo tem algumas cenas mais fortes e que podem deixar alguns leitores incomodados (pelo menos, eu me senti assim enquanto escrevia). Não é nada tão grave assim, mas achei legal avisar antes. Não quero ser culpada depois por problemas de saúde ocasionados por conta desse capítulo. (ok, agora eu exagerei demaaaaaaais!). Chega de blablabla e vamos ao que interessa!
Capítulo 3 – O mal sob a mesma face – (Parte 2)
Ao lado do pequeno berço, o falso mestre empunhava um pequeno punhal que pingava pequenas gotículas de sangue. No berço, o bebê já dava claros sinais de esgotamento, seu choro saia mais fraco e ele se debatia cada vez menos. O pequeno macacão de algodão branco manchado pelo sangue que escorria do coraçãozinho atingido.
Sentindo-se totalmente impotente perante aquela situação, Saga fez a única coisa que estava ao seu alcance naquele instante. Avançou violentamente em direção ao 'mestre', reunindo todas as suas forças, desferindo-lhe um soco. No mesmo instante, a máscara voou caindo inerte sobre o chão, assim como o mestre, que massageava em vão a face dolorida.
– Seu assassino! Mostre-me quem você é, em nome de Atena! – dirigiu-se ao mestre que continuava caído, arrancando-lhe o elmo vermelho, revelando enormes mechas azuis. Saga sabia bem a quem poderia pertencer aquele cabelo. Apenas duas pessoas no mundo possuíam mechas com aquele tom azulado. Ele e...
Puxou-lhe o cabelo para trás com a intenção de ver o rosto do assassino de Atena. E se assustou. O tempo parecia lhe pregar uma peça. Era como se voltasse a treze anos atrás e visse a si mesmo. O mesmo pesado manto de veludo azul, o mesmo elmo vermelho, a mesma máscara, os mesmos cabelos, a mesma face...
– Kanon... Como eu não suspeitei antes...?
As feições que se mostravam assustadas, de súbito tornaram-se maléficas. Nos olhos, um brilho insano ofuscava o belo tom de azul. Em seus lábios, um sorriso de escárnio. Em sua voz, um tom insuportável de ironia.
– Surpresa, querido irmãozinho! Você bem que tentou tirar-me do jogo, mas sinto muito, você fracassou. Fugi da prisão do Cabo Sunion e vim tomar o meu lugar por direito!
O cavaleiro de Gêmeos sempre soubera que seu irmão tinha algumas tendências maléficas, além do insuportável sarcasmo, que lhe era característico. Mas não pode deixar de se surpreender. Ele havia acabado de matar uma criança inocente. Um presente dos deuses aos homens. Um ser a qual ele deveria proteger e não matar covardemente. Sentiu a fúria expandir por todas as partes de seu corpo e o ódio encobrir-lhe os pensamentos. Suas feições, sempre tão tranqüilas, agora eram capazes de assustar o mais afoito dos cavaleiros, tamanho o ódio em que se via nelas.
– SEU DESGRAÇADO! TEM IDÉIA DO QUE ACABOU DE FAZER? – gritava agora como nunca gritara em toda a sua vida. Chacoalhava o corpo de Kanon segurando-o ainda pelos cabelos.
– Claro que tenho. O que você sempre QUIS fazer, com a única diferença de que EU tive a coragem necessária para isso!
– GRANDE COISA, SEU INFELIZ! – arremessou-o em direção a uma das paredes, ouvindo-as trincar. – Olhe para aquela cena! Olhe para aquela criança! Está vendo ela? Pois então, seu tolo, os deuses a mandaram para que nós cuidássemos dela, e sabe por quê? PORQUE ELA É A REENCARNAÇÃO DE ATENA! OU PELO MENOS ERA ATÉ VOCÊ, EM UM DOS SEUS MOMENTOS DE IDÉIAS BRILHANTES, MATÁ-LA COVARDEMENTE!
– NÃO ME CULPE POR EU NÃO CONSEGUIR SER TÃO HIPÓCRITA COMO VOCÊ, SAGA! – Kanon pela primeira vez deixava a postura defensiva e irônica de lado, elevando consideravelmente seu tom de voz. Não ficaria calado perante todas aquelas agressões verbais. – VOCÊ SEMPRE SOUBE QUE EU SERIA CAPAZ DE TUDO PARA CHEGAR ONDE ESTOU! E EU TENHO CERTEZA QUE VOCÊ TAMBÉM FARIA O MESMO SE NÃO FOSSE TÃO COVARDE!
– Você me chamou de covarde? Olhe para você Kanon! Matou o velho mestre Shion envenenando-o à surdina, e ainda teve a audácia de matar uma criança! Uma criança indefesa que protegeria o futuro do nosso mundo!
– Ah, Saga, não tente bancar o herói para cima de mim agora! Eu te conheço melhor do que ninguém, e sei que você não é esse exemplo de pessoa que faz com que todos o venerem. Você é sujo, sórdido, inescrupuloso, calculista. Eu, perto de você, sou o exemplo de como toda criancinha ateniense deve ser...
Saga travou por alguns instantes. O que Kanon lhe falava não era uma mentira, embora ele queria que fosse. Desde crianças as coisas eram assim: Kanon sempre falava e fazia o que lhe desse na telha, enquanto Saga era mais controlado, em uma tentativa de esconder todas as suas ambições e pensamentos que não condiziam com a imagem de 'santo' que todos tinham dele. De repente, algo dentro dele o fez mudar bruscamente o rumo de seus pensamentos. Que diabos estava pensando? Ele não estava ali para lamentar pelos atos do passado, e sim para mudá-los. Mas, antes acertaria as contas com um certo assassino.
Mais uma vez, avançou violentamente em direção ao irmão, não lhe dando chances de escapar, prensando-o na parede já trincada, as mãos circundando o seu pescoço.
– CALE-SE! EU NÃO VOU DAR-ME AO LUXO DE SER LUDIBRIADO PELAS SUAS PALAVRAS AMALDIÇOADAS DE NOVO! – gritava à plenos pulmões, sua voz ecoando pelo cômodo e morrendo no longo corredor. Ninguém os ouviria.
– Eu não o engano, Saga... Nunca o enganei. Você me odeia... porque sabe que... O que eu falo é verdade. – Kanon falava com extrema dificuldade. Sentia as mãos de seu irmão apertando cada vez mais seu pescoço.
– EU MANDEI VOCÊ CALAR A BOCA! – Agarrou-o pelos ombros batendo-o fortemente contra a parede, fazendo Kanon segurar um gemido de dor. – Sabe o que eu deveria fazer agora? Acabar com essa sua existência moribunda, e vingar a morte de Atena!
Kanon deixou um pequeno sorriso de escárnio formar-se em seus lábios.
– Você não teria coragem...
– Quer pagar pra ver, Kanon?
– Eu tenho certeza que não, Saga. Você é muito pior do que eu, porém, como eu já disse, falta-lhe algo indispensável: coragem. VOCÊ É UM COVARDE! POR QUE NÃO ASSUME ISTO LOGO DE UMA VEZ?
– PORQUE ANTES EU VOU MATAR VOCÊ! – jogou-o contra a parede contrária, enquanto abaixava-se rapidamente para pegar o punhal usado por Kanon momentos antes. Com uma expressão de fúria que lhe desfigurava o rosto, avançou para cima de seu irmão, tendo seu movimento paralisado por mãos decididas que se sobrepuseram as suas, mantendo a perigosa lâmina do punhal acima de ambos. Olhares mortais eram trocados pelos dois homens de mesmo sangue, mesma força e mesma face.
As mãos de ambos faziam uma força absurda em cima do punhal, que se manteve em equilíbrio por incontáveis minutos. Nenhum dos dois estava disposto a perder. Sabiam que apenas um deles sobreviveria àquele embate. A luta estava equilibrada até que Kanon deu um passo para trás. Ele estava ferido devido as agressões sofridas há pouco, e conseqüentemente, menos apto a enfrentar a força descomunal de um Saga furioso. Sua cabeça rodava e a face esquerda ainda latejava devido ao soco. Mais passos foram dados, até o momento em que Kanon sentiu a superfície gelada atrás de si. Agora não havia mais como recuar. Numa última tentativa desesperada, tentou reunir todas as suas forças, que acabaram mostrando-se insuficientes para virar o jogo ao seu favor.
Temeroso, observava a lâmina se aproximar cada vez mais de seu peito, ao mesmo tempo em que suas forças falhavam. Exausto, fechou os olhos sentindo-as esvaírem por completo, dando passagem ao punhal que, sem nenhuma resistência de sua parte, atingiu uma velocidade imensa nas mãos de Saga.
Tudo aconteceu muito rápido. Kanon largou as mãos do punhal, enquanto este o atingia em cheio no coração em uma mórbida perfeição clínica. O grande impacto fez seu coração estourar em sangue manchando as mãos e o rosto pálido de Saga. Tirou o punhal que ficara cravado no peito de Kanon, jogando-o no chão em um canto qualquer. Com lágrimas nos olhos, viu o irmão escorregar pela parede, aparentemente inerte, deixando um escuro rastro de sangue.
Kanon ainda respirava ofegante, mantendo os olhos vidrados em um ponto qualquer. Num último esforço, conseguiu pronunciar algumas poucas palavras, suas últimas:
– Saga... no final das contas... eu merecia mesmo... – uma enorme quantidade de sangue vinha em sua boca, dificultando sua fala - ... morrer... pelas suas mãos,... irmão.
O silêncio tomou conta do ambiente. Saga poderia jurar que conseguira ouvir o último suspiro de seu irmão. Tocou mais uma vez na ampulheta, mas não conseguiu virá-la. Não conseguia desgrudar os olhos daquela terrível cena. A sua missão poderia ficar pra depois. Ajoelhou-se com cuidado próximo ao corpo inerte não conseguindo mais conter as lágrimas que se acumulavam nos olhos, tornando sua vista embaçada. Atirou-se em direção ao corpo de Kanon, manchando suas vestes com o sangue de seu irmão, o seu próprio sangue. Seu corpo era sacudido por soluços que eram abafados pelo corpo sem vida em que se apoiava.
–Perdoe-me Kanon... eu juro que vou mudar o meu passado. Vou fazer de tudo para mudar o seu também, e farei questão de te pedir desculpas...
Ficou mais alguns minutos abraçado ao corpo de Kanon. Levantou-se relutante andando em direção ao pequeno berço. A menininha carregava uma terrível expressão de dor que o fez arrepiar-se inteiro. Acariciou o pequenino rosto manchado de sangue nas bochechas rosadas, para em seguida beijá-la na fronte. Afastou-se deparando com a mais terrível cena que já vira em toda sua vida: seu irmão e Atena mortos. Sua mente foi tomada por um repentino desespero e inconscientemente levou as mãos a ampulheta tirando-a de dentro da roupa, e virando-a para o outro lado.
Mais uma vez, tudo se escureceu.
Continua...
Notas:
Ok, eu realmente fui má com o Saguinha neste capítulo. Ficou uma verdadeira "tragédia grega" (perdoem-me pelo trocadilho infame...). Enfim, vou ter que serbreve, vocês-já-devem-imaginar-o-porquê.
Queria agradecer a Juliane.chan, ao Leandro0001, a Buh e a Luly Amamiya. Agradecimentos também a Petit Ange que comentou no fórum Panbox! Kisses for all!
