Capítulo IV - Medo

Capítulo IV - Medo

O Arrancar continuava a visitá-la todos os dias... Permanecia horas admirando-a perplexo... Como era bela... Seus cabelos teriam sido tecidos pela mais habilidosa aranha, pois como eram finos, e lisos, e macios, afinal, já os tocara antes... E sua pele também... Como o veludo mais rico. Era o maior deleite para ele poder tocá-la às vezes enquanto ela permanecia adormecida... Certa vez tocou seus lábios suavemente com as pontas dos dedos... Como eram macios e quentes, pensou...

Mas com tudo isso, surgiu mais uma sensação desconhecida pelo Cuarto Espada: Medo. Jamais ele sentira medo em batalha qualquer, mas agora, diante do olhar doce da humana, ele sentia medo. Medo porque sabia que de alguma forma estranha ele estava se "viciando" nela. E isso o preocupava. Muito. Até que tomou uma decisão: Não iria mais visitá-la. Ao menos até que pudesse extinguir de si todas aquelas sensações novas que o faziam se igualar a lixo...

Ela se torturava em pensamentos preocupados com seus amigos... Nada podia fazer... Já não sabia quanto tempo estava no Hueco Mundo. No início tentara contar os dias a partir das refeições... Mas perdera as contas depois daquilo que ela acreditava ser cerca de duas semanas...

Ouviu um ruído. Deve ser ele. Pensou a garota. Já que no almoço... (ou pelo menos o que ela acreditava ser o almoço...)...Veio novamente apenas um servo com aquela comida insípida de sempre... Mas não era o Espada, e sim outro servo...

Ela sentia intensa falta do sol... Da sua luz, do seu calor... Aliás, como estavam frios os últimos tempos... Toda aquela areia. Sim, estava perdida em um deserto sem fim... Aquele lugar impessoal dava a impressão de uma temperatura nem baixa nem alta... Porém, era apenas impressão... Nos últimos dias ela estava sentindo muito mais frio do que de costume... E não havia uma única coberta por ali... Ela gostaria de ter pedido uma ao Espada, mas não teve coragem. E como se arrependia, pois agora ele não estava aparecendo mais por ali...

No quinto dia sem visitá-la ele não suportou mais a falta da garota. Chegando aos aposentos da menina, percebeu que a comida de várias refeições permanecia intocada em um canto do quarto. Vislumbrou a Princesa deitada no divã, encolhida como um feto. Ela estava dormindo, ele constatou. Mas ao aproximar-se e tocá-la com a ponta dos dedos, como de costume, percebeu que havia algo errado. Ela estava fria. Demais. Aproximou seus dedos da boca entreaberta dela o suficiente para sentir a respiração dela em contato com sua pele. Ela não estava morta. E isso era bom. Examinando mais atentamente, percebeu que somente o corpo dela estava frio, enquanto que a face quase queimava. Ela havia adoecido. Mas claro, a temperatura caíra e ela não tinha ao menos uma coberta... Sentiu-se culpado. Pegou-a no colo e saiu...

Horas mais tarde Orihime se acordava. Ela ainda não havia aberto os olhos. Sentia seu corpo em contato com um tecido tão macio. Sentia-se aquecida e protegida... Tinha medo de abrir os olhos, pois queria pensar que estava em sua casa e tudo aquilo não havia passado de um terrível pesadelo. Mas algo no fundo de sua mente insistia em dizer-lhe que não era somente um pesadelo, e apesar disso, ela precisava abrir os olhos e encarar a realidade

Abriu os olhos. Ela encontrava-se deitada sobre um confortável tatame em frente a uma lareira. O fogo queimava incandescente. Ela não sabia onde estava. Olhou para trás para tentar reconhecer o aposento e viu...