Múscia Tema – Patron Tequila (Paradiso Girls)
Música do Capítulo – Taking Back my Love (Enrique Iglesias feat Ciara)
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Chapter Three Part II – What a troublesome trouble
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O ariano saía da sala, cansado. Tinha tido uma aula especialmente pesada e ainda tinha dois trabalhos de desenho técnico para fazer. Estava ferrado, ia passar a tarde inteira naquilo e provavelmente, para se manter em dia com o resto da matéria, um pedaço da noite também. Maldita fora à hora que escolheu o curso que escolhera.
-Mu! – Reconhece a voz, mas demora um pouco para se virar, processando a informação.
-A gente sempre acaba se esbarrando por aqui – Era Shura, e o de cabelos lilases lhe sorri.
-Como está?
-Bem, eu acho, estou indo encontrar a Shina – Um sorriso malandro lhe toma as feições. – E você?
-Bem, acho. Cadê todo mundo?
-Todo mundo tá mais pra frente, mas eles nos encontram daqui a pouco. E o Camus, cadê?
-Ele tinha uma aula a menos hoje, já foi pra casa.
O espanhol não parecia realmente interessado em nada daquilo, divagando em sua própria mente, provavelmente pensando em coisas que Mu não queria saber.
Caminham algum tempo, até estarem quase saindo do campus, na rua, Saga, Shaka, Milo e um rapaz que Mu não conhecia esperavam.
-E aí? A Shina ainda não apareceu?
-Nem – Mu passa os olhos rapidamente por Shaka, e percebe que esse o encarava, tentando ao máximo olhar para qualquer lugar que não fosse ele, sentindo seu peito acelerar. Como tinha se colocado no meio daquilo?
-Mu, esse aqui é o Máscara – Milo fez às vezes de apresentador, simpático. Talvez conversar com Camus realmente tivesse feito algum bem.
O ariano fez um movimento positivo, sorrindo para o desconhecido de cabelos brancos. Ele era um pouco estranho, uma expressão um pouco agressiva, mas depois de conhecer Saga e de ver aquele grupo um pouco mais de perto, nada mais o impressionava.
Nisso, a tão esperada garota se aproxima, conversando com uma amiga, divertindo-se.
-Shina! – O de cabelos castanhos puxa a namorada pela cintura, investindo um beijo caloroso, sem discrição ali no meio. A loira ao lado da menina dá um passo para trás, sem parecer incomodada ou impressionada.
Ninguém parecia notar, continuando a conversar. Talvez Mu fosse o único excluído, devia tentar sair o mais rápido possível.
Por fim, os dois se separam, ele ainda segurando-a contra si, pela cintura, os dois sorriam, parecendo animados, nada inocentes.
-Gente, mal, essa é a Eire, minha amiga de curso – Todos a cumprimentam e logo, já caminhavam, todos tomando o usual caminho para casa.
Saga, Shura e Shina iam mais a frente do grupo, parecendo animados no que quer que estivessem conversando.
Mu estava bem atrás, acompanhado de Milo, que parecia arrastar os passos a seu lado. Podia perceber claramente que ele tinha alguma coisa a lhe dizer e tomava coragem para isso. Mas isso não era o foco de sua atenção.
O foco de sua atenção era, a poucos passos a sua frente, Eire, que parecia estar verdadeiramente desfrutando de um bom papo com Shaka, os dois conversavam e riam, agradados. Aquilo o irrita um pouco, afinal, eles haviam acabado de se conhecer, como podiam ter tanto o que conversar?
Sabia que não tinha o direito de se sentir assim, depois de dizer um claro e nítido não a Shaka, mas ainda assim, sentia o peito arder de um sentimento amargo. Não conseguia tirar seus olhos deles.
-Ele vai perceber assim sabia? – A voz de Milo o arrastou para realidade, como uma onde que te trás de volta para a praia.
-Perceber o que? – Tenta a defensiva, mas sabia exatamente o que ele queria dizer.
-Ele pode tentar usar isso a favor dele. – E sorri baixo, também encarando os dois a sua frente – E inclusive, eu o faria.
Mu o olha feio, tentando repreende-lo, mas não funciona, e o escorpiano ri da cara contrariada do menor.
-É só um aviso, se era pra ficar com toda essa neura sobre com que o Shaka conversa, talvez o melhor tivesse sido ser aceitar a proposta dele. – E antes que o outro pudesse acrescentar alguma coisa, emenda – Só estou dizendo, só estou dizendo...
Os dois voltam a cair em silêncio, mas o ariano sente-se demasiadamente envergonhado para olhar para frente e encara o chão de cimento.
-A galera vai lá em casa mais tarde...
Bingo! Era ali que ele queria chegar o tempo inteiro.
-Você e o Camus podem vir se quiserem. – Mu sorri da tentativa de Milo de parecer descolado, como se aquilo não significasse nada.
-Pensaremos nisso. – E sorri novamente.
Mu comeu, tomou um banho e, nas próximas horas, esquecendo-se do mundo, voltou-se para seu problema resolvível atual. Seus trabalhos para os próximos dias.
Tão concentrado estava que, quando Camus abriu a porta do próprio quarto para buscar um copo d'água, e a melodia de Magdalena da banda Perfect Circle invadiu o ambiente, deu um pulo na cadeira, assustando-se.
O ruivo ri alto, divertindo-se.
Mu leva a mão ao coração, recuperando-se.
-O que você estava fazendo, queria me matar do coração? – Isso só faz o outro rir mais alto, tendo até de se abaixar um pouco para conseguir se conter.
-Desculpa, desculpa – E levanta as mãos, se rendendo, mas voltando a rir, lembrando-se da expressão de susto e do pulo do amigo.
Mu suspira, irritado, afastando fios teimosos que queriam escorrer por sua testa, caindo em seu olho durante todo o progresso que fizera.
-O que está fazendo? – O ruivo se aproxima, sentando-se a seu lado na cadeira da cozinha, onde o de cabelos lilases tinha todos os seus papéis, lápis, régua e tudo mais jogados.
-Trabalho de desenho técnico – E entorta a boca, indicando a chatice.
Camus sorri, observando-o um pouco. Os dois permanecem calados, enquanto Mu volta a trabalhar, o barulho do lápis contra o papel sendo ouvido, o único som, rítmico, diferenciado.
-Queria te perguntar uma coisa – Camus aborda, devagar, como quem não quisesse nada, palavras jogadas ao mar.
-Pode falar – Mu não tinha percebido o tom sério do amigo e continuava o que fazia antes.
-É sobre o Shaka. – A hesitação, dessa vez era visível na voz do que falava, encarando o ariano com cuidado, estudando cada reação, pronto para mudar de assunto a qualquer minuto necessário.
Mu assente, largando o lápis, respirando fundo, antes de encarar o outro, a imagem de Shaka com a menina daquela tarde perdurando por alguns segundos em sua mente, antes de desaparecer.
-O que quer saber?
Camus morde o lábio inferior, constrangido.
-Por que você não aceitou, de verdade? Você disse que era por minha causa, e acredito que isso seja parte da verdade, mas, por que?
Os olhos perduram, de igual pra igual, durante algum tempo, parecendo inexpressivos, antes de começar a falar.
-Depois da história de você e do Milo, dos nossos pais, eu fiquei com medo que pudesse acabar em algo parecido, e que, se fosse para ser assim, era melhor nem começar para começo de conversa.
Camus sorriu. Não conseguia deixar de pensar que era uma boa razão.
-Se eu voltasse no tempo, ainda ficaria com o Milo – Camus admite.
-Por que? Ele praticamente te jogou no poço da depressão! – Parecia inconformado, a voz um pouco alterada.
O aquariano dá de ombros.
-Eu gostava dele e conseguia ver que ele gostava de mim, eu confiava nele, e o que a gente sentia um pelo outro foi, até agora, o melhor que senti em toda a minha vida – Mu nunca tinha ouvido Camus falar daquele jeito, ele sempre era tão reservado quanto a seus sentimentos, que algumas vezes, o ariano chegava a duvidar se ele teria algum.
-Então por que não tentar de novo? – Estava agora, genuinamente surpreso. Camus sorri, abaixando o rosto, a franja escondendo a expressão.
-Era tudo tão intenso que às vezes eu chegava a me questionar se aquele era realmente eu, era estranho, mas poderia conviver com isso. Só porque você teve algo maravilhoso não compensa os machucados que podem aparecer não é? Fora que eles são proporcionais ao tamanho do sentimento em si... – Dá uma pequena pausa – Posso te confessar uma coisa? Eu já perdoei o Milo pelo que ele fez aquele dia, esse não é mais o problema. O problema é que não consigo mais confiar nele, e como já disse, era tudo tão grande, que tenho medo de que, da próxima vez, ele pudesse me machucar de verdade, de uma maneira que eu não seria capaz de me recuperar totalmente. Porque sei que ele tem essa capacidade, e não sei se estou pronto para depositar toda essa fé nas mãos dele de novo, já que ele já provou que não é capaz de segura-la.
Mu parece pensativo por um instante.
-E por que estava falando de mim? Eu não fiquei com o Shaka quase pelos mesmos motivos, você fala, fala, mas age igual!
O ruivo se irrita, o corado na pele aparecendo rápido contrastando com seu excesso de brancura.
-Pelo menos eu tentei, não? – Mu não tinha resposta e fica emburrado por isso. O rosto mostrava o rabujo infantil.
Camus se levanta, pronto para ir para o quarto, quando o celular de Mu toca, era a música de mensagens. Era Milo, lembrando-lhe da festa. Aquilo cai com um balde de água sobre sua cabeça, esquecera-se completamente.
-Camus, Camus! – Ele se vira – O Milo nos convidou pra ir lá na casa dele? A geral vai, você...Quer ir?
É a vez do ruivo parecer inconformado, cruzar os braços e chutar o chão.
-Querer eu não quero né? Mas já que eu comecei essa bosta, vamos até o fim né?
Mu sorri, ainda achando aquilo uma besteira. Pelo menos, considerando o tanto de trabalho que ainda tinha para fazer, teriam uma boa desculpa para sair mais cedo.
Mu toma a iniciativa e toca a campainha. Lá estavam os dois, no beiral da porta de Milo, como dois cordeiros na fila, esperando pelo abate.
Nem ao menos sabiam o que estavam fazendo direito, nenhum dos dois queria ir, mas lá estavam eles, cumprindo a promessa que fizeram a si mesmos de que superariam.
Milo abre a porta, uma latinha de cerveja em sua mão.
-E aí? Bem vindos! – E sorri, dando espaço para que passassem. Camus o encara por um momento, e Milo não resiste segurar o olhar. É constrangedor, porque o que antes lhe parecera uma conexão genuína, agora parecia algo corrompido e errado e fazia o ruivo se sentir mal.
Ele encara o chão, tentando não mais encarar o outro, sabendo que ele o faria de volta e tudo o que menos queria eram os intensos olhos de Milo sobre si. Afinal de contas, foram eles que em primeiro lugar conseguiram fazer com que cedesse.
Sorri para as pessoas na sala. Com exceção de um rapaz e uma moça loira, conhecia a todos, eram a galera de sempre, mas estranha quando ouve um suspirar irritado de Mu a seu lado. O conhecia a tempo o suficiente para saber que havia algo o incomodando.
Mu se senta no chão, disposto a acompanhar a conversação, e Camus percebe que ele evitava olhar para Shaka. Era de se esperar, afinal de contas.
Sem que percebesse o que fazia, vai para a cozinha, abre o armário e pega um copo. Eles haviam voltado para a prateleira de baixo.
-O que está fazendo? – A voz vinha de tão perto que si que, no susto que levara, no caminho de se virar o ruivo derruba o copo que segurava. Sua sorte é que Milo estava parado perto o suficiente para, rapidamente esticar a mão e pegar o copo, pouco depois de esse escorregar. Os dedos da mão direita do escorpiano encostam na mão de Camus. Esse retrai.
-Desculpa – E é só então que percebe o que fazia – Desculpas mesmo, estava no automático, nem me toquei que não posso mais... – E se interrompe aí – Posso ter um copo de água?
Milo lhe lança um sorriso genuíno e Camus não consegue evitar encarar seus lábios por um instante, estavam tão próximos, bastaria dar um passo para frente. Sente seu corpo esquentar devagar, um arrepio percorrendo a espinha com o pensamento, mas dá um passo para trás.
Se o moreno estava desapontado, não demonstra.
-Claro que sim, é que estranhei ver você sozinho na cozinha... Não te via aqui desde— – E é a vez de Milo parar no meio da sentença, desconfortável. Afasta-se, pegando o copo de água e entregando-o ao menor. – Aqui está.
Novamente, Camus faz de tudo para evitar encostar em Milo enquanto pegava o copo, mas os dedos se rasparem é inevitável, e quando isso acontece, ele sente seu corpo responder imediatamente, e tem de conter um leve grunhido de surpresa. Só de levantar o rosto, sabia que o outro também sentira.
Pigarreia antes de beber do copo. Aquilo estava além de fora da linha de conforto. Aquilo era insuportável, era tortura. Percebe por sua visão periférica, que enquanto tomava grandes goles da água gelada, tentando manter-se calmo, Milo o encarava fixamente, tomando alguns goles da cerveja.
Cada um estava em um canto da cozinha. Mantinham uma distância segura.
Pára o que fazia. O silêncio é completo no recinto.
-Achei que não iria beber mais. – Fala sem encara-lo.
-Não tenho mais motivo para parar, tenho? – Camus abaixa o rosto. Detestava indiretas, preferia fingir que não as tinha ouvido.
Então ia voltar a ser tudo como era antes? Beber até cair e dormir com pessoas que ele nem ao menos sabia quem eram? Era só isso que ele significara...?
Sente a garganta apertar de leve, e resolve mudar de assunto.
-Uhum, tem pessoas que eu não conheço aqui hoje. – Diz como não quer nada, virando-se para encara-lo, percebendo que começava a ficar estranho ficar parado de lado, sem encara-lo, olhando para o armário.
Sente outro arrepio ao ver como ele o encarava, os olhos profundos parecendo despi-lo com a sua intensidade. Começava a ficar excitado. Tinha ímpetos de sair dali agora mesmo, correndo se fosse preciso. Lembra-se de seu calor, e isso era algo difícil de apagar.
O sorriso dele estica, malicioso, preguiçoso, fazendo o ruivo engolir em seco.
-O Máscara e a Eire? O Mask a gente conheceu hoje, ele é gente fina – Ele pára o que fazia, suspirando, os olhos voltando ao normal, fazendo o mais novo suspirar, alto, sem perceber, aliviado. – A Eire é amiga da Shina, parece que quem a convidou a vir hoje foi o Shaka.
Camus se admira.
-O Shaka?
-Ele mesmo – E agora o sorriso era maldosamente brincalhão – Você não ouviu de mim, mas isso parece estar causando alguma comoção, se é que você sabe o que eu quero dizer.
Camus não consegue evitar sorrir.
-E ele está fazendo de propósito?
-Acho que parte sim, grande parte e parte não, ela é uma garota legal, afinal de contas. – O menor faz um aceno positivo com a cabeça.
-Mais cerveja! – Máscara e Shura invadem o recinto, o espanhol ficando imediatamente constrangido.
-Interrompemos alguma coisa? – Camus apenas faz um sinal negativo com a cabeça e dá um sorriso sem graça, saindo da cozinha, pretendendo-se se juntar a Mu na sala. Era incrível como era fácil interagir com Milo, como era fácil se permitir esquecer. Naqueles últimos segundos, quase, quase se esquecera completamente e voltara a agir normalmente. Fora salvo pelo gongo.
Ficam por lá mais algumas horas, mas os dois estavam desconfortáveis, por mais que conversassem e conhecessem as outras pessoas. Camus aproveitou para ficar de olho em Shaka. Ele não parecia estar forçando a barra, não por enquanto, eles só conversavam animados, sem nenhum aparente excesso de contato.
Mas pôde perceber, algumas vezes, quando Mu achava que ninguém estava olhando, os olhares que ele lançava aos dois. Ele estava zangado, muito zangado. Confuso também, talvez? Camus riu baixinho de como eles eram idiotas e enroscados.
Depois disso, puderam voltar para a segurança de seu lar, distanciados de seus pesadelos particulares.
Entraram em casa e bateram a porta, suspirando. Camus tirava o tênis, inclinado, apoiando-se na mesa da cozinha.
-Como foi pra você? – Os dois perguntam ao mesmo tempo.
-Foi terrível! – E não precisaram fazer nenhuma pergunta a mais.
O que tinha sido aquilo?
Havia sido muito estranho. Os dois encaminham-se calmamente, cada um para seu próprio quarto. Podiam sentir, que por mais que quisessem lutar, as coisas permaneceriam assim por um bom tempo.
Três meses passam com relativa tranqüilidade, e todos pareciam, aos poucos se acostumarem com os novos papéis. Máscara e Eire haviam vindo para ficar, a segunda para o desgosto de alguns. Aos poucos tudo parecia se encaixar.
Shaka e Mu voltaram a ser exatamente quem eles eram antes, as mesmas brigas infantis, a única diferença é que Shaka parecia estar investindo sério na tal garota, uma vez que até agora não a largara.
Quanto à relação de Camus e Milo, podia-se dizer que era a que andava pior. Pois, tentaram ser amigos, mas perceberam que não ficava muito certo. Então estavam sempre destinados a momentos desconfortáveis quanto ao da primeira festa depois do término. Ao menos haviam aprendido a fingir melhor e pareciam genuinamente amigos.
Mu saía de casa, estava atrasado, Camus já saíra há algum tempo, bate a porta com força. Pelo menos não teria nada de muito importante na primeira aula. O dia estava gelado e considerara seriamente ficar em casa e matar aula, mas, depois de muito enrolar acabou levantando para comparecer a aula.
Vira-se, olhando o conteúdo da mochila para conferir se estava tudo ali, ouvindo outra porta bater, mas não dando atenção, enquanto guardava a chave no bolso da frente.
-E aí? – A voz de Milo ecoa no corredor vazio.
-E aí? – Ele responde, dando alguns pequenos passos para frente, mas ainda sem tirar os olhos do zíper que havia emperrado – Merda! – Com um pouco de força, a bolsinha se fecha.
Mu encara Milo que o esperava na frente do elevador. Pára do lado dele. Odiava quando ficavam sozinhos, sempre acabavam tendo uma conversa constrangedora ou incômodo sobre o relacionamento arruinado dele com Camus.
-Uhum! – O menor limpa a garganta quando a porta se abre e os dois entram, apertando o térreo.
-Você está atrasado – O escorpiano atesta. O mais novo cai no riso.
-O sujo falando no mal lavado é? – E Milo também sorri.
-É, acho que não posso falar muito mesmo.
É a vez do escorpião se revirar, a mochila apoiada só em um ombro, para guardar as chaves.
-Eu sei que é estranho, mas preciso te perguntar uma coisa. – Estava demorando. – O Camus? Você acha que fiz algum progresso? Que eu tenho alguma chance?
Mu pondera sobre o assunto. Não é exatamente como se conversasse sobre isso com o ruivo, mas, se fosse para dizer sua opinião.
-Eu acho que você vai precisar de muito mais do que isso para conseguir reconquistar a confiança dele. Mas essa é só minha opinião.
O moreno dá um grunhido longo, inconformado.
-Eu praticamente não tenho ido a nenhuma festa, procurando não fazer bosta nenhuma, não tenho ficado bêbado, não tenho feito sexo! Aquele moleque tá me deixando doido!
O ariano tem um misto de pena e de vontade de rir diante da demonstração de inconformismo e impotência de Milo.
-Se você não desistir, acho que você chega lá...
-É, mas quando? ! Ele literalmente está me deixando louco! Ele me provoca e aposto que faz tudo de propósito! Eu devia simplesmente deixar pra lá! – E encosta-se ao vidro atrás de si, cruzando os braços.
Os dois estavam no térreo. Mu faz uma pausa.
-Você realmente gosta dele? – Ele estava sério.
-Claro né? Acho que nunca fiz isso por ninguém, e não faria por ninguém mais.
Mu solta um sorriso discreto.
-Então não desista, as coisas vão acabar funcionando. – E sai do elevador, Milo não fazendo muita menção de se mover, vendo o garoto se afastar, cumprimentar o porteiro e sair.
Não desistir hein? Estava mais tentado para o outro lado, simplesmente amarrar o ruivo e toma-lo para si. Criatura ingrata.
Entra bufando, irritado, calando os amigos que conversavam antes da aula normalmente, passando a observa-los, entre preocupados e divertidos.
-Tudo bem Milo? – Shaka aborda, preocupado.
-Não enche! – É o que ele responde, jogando a mochila no chão com violência.
Os amigos se entreolham. Shura e Saga segurando o riso, o loiro preocupado.
-Sabe o que é isso? – Shura diz, o sorriso em seu rosto de puro entretenimento, e bate uma mão na outra em um gesto obsceno – É falta de uma boa e bem dada.
-É Milo, vai foder e vê se melhora essa cara. – Saga diz, rindo, sem se controlar, maquiavélico.
O escorpiano os lança um olhar de morte, antes de voltar a olhar para frente e voltar a gemer alto, inconformado.
-Tudo isso é por causa do Camus? – Shaka não sabia ao certo se devia ou não menciona-lo, mas, como já estava naquele estado, que mal poderia fazer?
-Aquele miserável – Milo resmunga baixo e aquilo responde todas as perguntas. Shura e Saga trocam risinhos que fazem o moreno querer esgana-los. Shaka os olha, tentando repreende-los, sem efeito.
Eles voltam a conversar, ignorando-o.
Milo estava tendo problemas, pois, ultimamente, tudo o que conseguia pensar era Camus. Fosse para o bem ou para o mal. Se assistia a um filme, o jeito dos personagens o lembravam de Camus, se saía com os amigos, as pessoas que via sempre faziam ou falavam algo que, novamente o faziam lembrar do ex. Quando estava com ele, parecia tentar absorve-lo com olhos, mas ainda não era o suficiente.
Estava a ponto de odiá-lo.
Não conseguia ficar com outras pessoas, porque as comparava com Camus. Se fechava os olhos, inconscientemente, a imagem dele lhe vinha a mente. Estava obcecado, envenenado. Se tivesse um jeito de simplesmente esquecer que ele existia, jurava que o faria.
Já haviam feito sexo tantas vezes em sua mente, em lembrança ou não, que tudo parecia uma ilusão. Estava, literalmente ficando louco.
Lembrava-se do corpo de Camus, da pele clara, de como ele respirava com dificuldade e como ficava corado quando era estimulado. Já passara do sentimento, agora era necessidade.
E novamente, se via ficando excitado, só com uma beira desses pensamentos. Os gemidos do ruivo ecoando em sua mente.
-Ok gente! – Isso volta a chamar a atenção dos amigos, que se viram para encara-lo. – Isso se tornou insuportável, eu não consigo mais, preciso fazer sexo! Conviver com o Camus se tornou um inferno, ele me perturba, eu fico excitado pra burro e não posso toca-lo! Às vezes acho que ele faz de propósito, pra me provocar. É sério, se ele não se render logo, precisarei atender minhas necessidades em um outro lugar!
Os três estavam calados, surpresos com a confissão.
Saga é o primeiro a se recuperar, caindo na gargalhada, sem nem ao menos conseguir respirar, a barriga começando a doer com a intensidade com que ria. Logo é seguido de Shura, e dessa vez, nem Shaka consegue evitar rir um pouco.
Milo cruza os braços, os encarando com os olhos nulos, uma sobrancelha levantada diante da palhaçada.
-É sério Milo, nunca achei que voltaria a te ver assim! Bem vindo de volta ao clube! – Saga diz, entre uma golfada de ar e outra, voltando a gargalhar.
Por hoje, suas obrigações estavam terminadas. Mu se espreguiça na cadeira, olhando para o aquariano a seu lado que ainda se concentrava no que quer que estivesse fazendo.
Suspira, estralando o pescoço, o cabelo balançando de leve com o movimento.
-Está a fim de dar uma volta? – O ruivo levanta os olhos do papel a sua frente apenas por um instante, antes de voltar a encara-lo. – Não posso, preciso terminar isso o mais rápido possível – Desculpas.
O ariano volta a suspirar, olhando a janela.
-Então acho que eu vou dar uma volta. Se importa? – O ruivo faz que não com a cabeça. O de cabelos lavanda então se levanta, pegando suas chaves na mesa, espreguiçando-se e caminhando para a porta.
-Quer alguma coisa? – Pergunta, alto, enquanto tirava o moletom do porta-chapéus ao lado da porta.
-Acho que não, algum doce pra isso aqui parecer menos chato, pode ser? – Mu ri alto.
-Farei meu melhor! – E sai, trancando a porta atrás de si.
O parque era bonito nessa época do ano, e como o tempo começava a esfriar, uma brisa forte passava, gelada. Mu tivera sorte de estar agasalhado. O brilho no céu era acinzentado, final de tarde.
Gostava daquele tipo de tempo.
O parque que estava era particularmente pequeno, e consistia de um lago central, cercado de um gramado, algumas árvores, e um caminho que ia da entrada, dava a volta no lago e voltava para onde havia começado.
Havia algumas cadeiras durante o percurso para os casais eventuais que quisessem se sentar. Era um local agradável e sempre que passava por ali, o ariano não conseguia evitar entrar para dar uma volta, descansar a mente.
Não pensava em muita coisa, pelo contrário, estava relaxado.
Dá a volta no lago, olhando à superfície parada por alguns instantes, o reflexo do sol, branco, que sumia sendo ofuscante. Tira os olhos, focando-se no chão de terra a sua frente. Quando chovia aquilo devia ser um terror, devia se lembrar de passar por lá depois de uma chuva, para ver como ficava.
Caminha, a sacola pendurada em sua mão esquerda fazendo barulho.
De longe, vê um casal na entrada, estava distraído e o eles quase passam despercebidos na primeira checada, mas leva um susto ao prestar atenção. Os evitaria se pudesse, mas eles vinham na direção dele, teria de cumprimenta-los.
Abaixa o rosto e pondera as opções. Seria estranho passar correndo, poderia virar e andar para o sentido contrário. Isso provavelmente seria uma boa, se eles não estivessem tão perto, se ele fizesse isso, o veriam e provavelmente chamariam o seu nome.
E afinal de contas, o quanto podia um cumprimento rápido doer? Duvida de si mesmo. Tentaria fazer o mais rápido possível.
-Mu! – A voz de Eire lhe soa extremamente aguda e ele encolhe um pouco os ombros ao ouvi-la. Acena com a cabeça para os dois, percebendo a cara de consternação que Shaka lhe lançara. Ali pelo menos podia encontrar consolo, aquilo seria tão constrangedor para ele quanto para o loiro.
-E aí? Fazendo o que? Passeando juntos? – Até para si mesmo sua voz soou excessivamente ácida. O mais velho lhe dá um sorriso cínico.
-Sim, por que? Algum problema com isso? – Eire faz um sinal de quem não entendia, olhando de um para o outro. Por que toda aquela agressividade?
O ariano respira fundo.
-Não, por que eu teria? – Dessa vez, consegue, sem saber como fazer a voz soar fria, sem sentir nada. Aquilo seria o máximo que conseguiria na atual situação.
-Não sei, é porque você age como se tivesse – Não sabia se o loiro estava tentando provoca-lo, ou só tentando arrancar alguma reação de si, mas conseguiu, o menor sentia o sangue ferver, um gosto amargo na boca. Sentia seu rosto vermelho com a irritação, a cara deformada de raiva.
-Inacreditável! Eu já disse! Eu não posso lidar com você agora, tenho um amigo que ainda não está bem em casa, mas você não pareceu entender lá e não me parece entender agora, então não, me desculpe, mas eu não posso lidar com isso! – E dá as costas ao casal, pisando duro, sentindo o coração pesar, segurando a inexplicável vontade de chorar. Detestava se sentir fraco.
-Você tem de achar que tudo é sobre você não? Quer dizer que não tenho nem o direito de te superar, é isso? ! – O loiro gritava para que pudesse ouvir, mas o ariano não se vira, continuando a se distanciar. Queria deixar tudo aquilo para trás.
Algumas pessoas que estavam do lado de fora do parque observavam a cena pelas grades de ferro, do outro lado da calçada.
Eire parecia assustada.
-Sobre o que foi isso? – Ela pergunta, a voz delicada parecendo hesitante.
-Nada – O maxilar do loiro se flexionava, enquanto ele via o menor sumindo a sua frente, ficando cada vez mais distante – Nada mesmo – E se vira, pegando a menina pela cintura, afastando-se do local e das pessoas que pararam para assistir a breve discussão.
Mu chega em casa batendo a porta, chamando a atenção de Camus, quebrando-o de seu compenetrado silêncio.
-Nossa, o que foi isso? – Pergunta, quando o ariano entra, o rosto vermelho ainda visível.
-Nada – Murmura entre dentes, jogando a sacola na mesa na frente do ruivo, este simplesmente pega os doces dentro dela, abrindo um saquinho de balinhas de goma com açúcar ácido por cima. Adorava aquelas.
O de cabelos lilases parecia impaciente e andava de um lado para o outro, antes de decidir sair da cozinha.
-Foi o Shaka? – Pergunta, alto, fazendo o outro grunhir alto, raivoso. Definitivamente tinha sido ele. Como contaria a ele que tinham sido convidados para a festa que Milo daria no próximo fim de semana no apartamento dele?
Deixaria isso para depois, por agora isso era o mais seguro a se fazer.
A música era alta, exatamente como se tem que ser em uma balada e o lugar estava tão cheio que havia até algumas pessoas do lado de fora.
Dentro do apartamento estava abafado.
Mu não acreditara quando aquela multidão chegou, em um momento ele cabia no lugar e no outro, estava quase sendo empurrado para fora do sofá. Tá, estava sendo exagerado, mas o local estava bem cheio, mais do que jamais vira aquela casa, a conversa, a música e a bebida se mesclando de maneira a formar um único ruído, alto e jovial.
O ariano estava encolhido no canto do sofá, Saga a seu lado, olhava para um grupo de meninas, que o encaravam de volta, do outro lado da sala.
Camus o mandara mais cedo, porque tinha umas coisas para terminar, mas se arrependimento matasse...
Ele estava lá sozinho, sem companhia, no meio de um monte de gente desconhecida, sem nada para fazer, entediado. O que as pessoas faziam normalmente nesse tipo de festa? Ele olhou para as pessoas que estavam em pé, no centro da sala, conversando alto, mas a maior parte, se beijando.
Estala a língua.
Não deveria ter vindo. Nem sabia porque ainda atendia os pedidos de Milo, eles sempre o levavam a uma enrascada.
Levanta-se, disposto a pegar uma água, mas alguém esbarra nele e ele volta a cair, direto em cima de Saga.
-Hei, calma aí, não precisa atacar também, se você pedisse, a coisa rolava – O ariano lhe lança uma cara descrente, levantando-se do colo do de cabelos azuis, rebeldemente.
-Vou pegar uma água!
Milo olhava orgulhoso a festa a sua frente, tinha vindo mais gente do que ele esperava, e a casa estava cheia. Era uma sorte ser estudante e não ter nada de valor para ser roubado.
Sorri ante ao pensamento.
Já tinha gente bêbada, e ele esperava sinceramente que não vomitassem no chão, de resto, sinceramente, não se importava. Podiam usar o seu banheiro, comer a sua comida e fazer sexo em sua cama, estava tranqüilo com isso.
-Milo! – A voz feminina alcança seus ouvidos. Vê a menina de cabelos esverdeados se aproximar.
-E aí Shina? Não sabia que você vinha – E ele sorriu, mostrando-se sedutor. – Onde está o Shura?
-Na verdade – E ela devolveu o sorriso, animada – Era a pergunta que eu ia fazer. – Ela vestia uma blusa curta, que deixava sua barriga de fora, mostrando o físico perfeito. A calça jeans clara ressaltava as curvas delicadas. A moça se vira, olhando em volta, parecendo por um instante, lembrar-se de uma coisa.
-Essa é minha amiga Pandora – E sorri, fazendo às vezes de apresentadora. Milo sorri de volta, charmoso, galante.
-Muito prazer! – A menina sorri de volta, devolvendo o gracejo.
A menina era extremamente bonita. A pele clara, os cabelos negros que deviam lhe cobrir as costas presos em um rabo-de-cavalo alto, uma blusa decotada, no estilo espartilho, azul escura, e uma calça jeans rasgadas, assim como uma maquiagem escura completavam seu visual, deixando-a ainda mais encantadora.
Milo toma seu tempo para analisa-la. Analisa como as pernas se encontravam, as curvas delicadas que formava, e sobe o olhar para a cintura fina, depois para os seios, grandes até alcançarem o rosto da menina, sem disfarçar, ela não parecia se importar.
O escorpiano pensa um pouco a respeito. Afinal o que estava fazendo, trocando olhares e intenções com a menina a sua frente?
Era verdade que andava necessitado. Talvez essa não fosse a palavra. Desesperado cabia melhor... Mas será que seria a melhor solução?
A imagem de Camus parecia gravada em sua retina, perfeita. Não queria compara-lo com ela, pois sabia, sem nenhuma dúvida, que seria covardia com a garota. Estala os lábios um instante, decidindo-se.
Dando um grande sorriso acolhedor pega a mão da menina a sua frente.
-Quer algo para beber? – Shina revira os olhos já saindo de perto, rindo baixo com a graça dos amigos. Previsíveis...
Tudo seria o que seria, nunca fora muito de pensar e não ia ser agora que ia começar, e Camus que fosse pro inferno.
Mu jurara que nunca mais beberia nada alcoólico, mas assim que viu Shaka com Eire, segurando suas mãos no meio daquele amontoado de pessoas, a primeira vontade que teve foi a de ficar bêbado. Teve de se controlar para manter aquele pensamento sob controle enquanto ia para a cozinha.
Pega, com dificuldade devido ao número de pessoas em seu caminho, um copo descartável e o enche de água.
Milo não estava brincando quando dissera festa, afinal de contas, geralmente quando ele dizia isso significava a mesma turma se encontrando pra jogar videogame, mas não daquela vez. Toma todo o líquido em dois grandes goles.
Pondera alguns segundos o que fazer. Aquele tipo de lugar não era pra ele. A lembrança de Shaka com a menina loira parece latejar em algum canto oculto de sua mente, e ele o reprime, rangendo os dentes.
Só para não dizerem que não tinha espírito esportivo, ficaria mais um pouco e depois iria embora. Suspira, pensando no que fazer enquanto esperava. Sai da cozinha, o lugar parecendo mais abafado que o resto da casa, por não ter janelas para o exterior, parando no corredor, encostando-se a parede, esperando enquanto algumas pessoas passavam.
Da onde estava tinha uma visão panorâmica do casal do ano. Volta a sentir a raiva crescendo dentro de si, e sente raiva de si mesmo. Não tinha nenhum direito sobre Shaka, ou o que ele fazia. Abdicara aquele direito quando dissera 'não'.
Morde o lábio inferior, ajeitando a franja. Os encara mais um pouco, indagando-se sobre o que conversavam, parecendo tão entretidos, parados tão incrivelmente próximos enquanto o faziam. Ele e Shaka nunca pareceram se dar tão bem, parcialmente por sua culpa e de sua implicância, mas, de qualquer forma...
Vencido por sua curiosidade, estica o braço, pegando o copo de bebida da mão da pessoa mais próxima, ouvindo-o protestar alto.
-Desculpe amigo! – Diz, tomando inteiro sem respirar, sentindo a garganta arder enquanto o líquido ardido descia. Faz uma careta, sentindo o gosto amargo – O que diabo é isso?
-Batida de limão com vodka! – O menino ainda parecia descrente, encarando-o. Mu ignora e continua seu caminho, aproximando-se como se não os visse, coisa nada difícil de fazer, no meio de tanta gente, parando a alguns passos de distância deles, percebendo-se visível para Eire, mas não para Shaka.
E, embora estivesse visível para a garota, essa não parecia reparar nele, entretida que estava com o loiro. Mu bufa, não gostando de reparar naquilo.
Dá mais alguns passos para frente, estando agora, praticamente, às costas de Shaka.
A voz delicada da menina saía, enquanto ela falava.
-Eu passo na sua casa depois então! – E a menina sorri, mostrando a arcada perfeita, toda no lugar, os dentes pequenos e perolados.
Mu sente uma alfinetada forte no coração e trava a bola que parecia presa em sua garganta. Ele mesmo só fora à casa de Shaka duas vezes, e as duas não totalmente por sua vontade.
Quer dizer que era assim com aquela menina? Que eles já estavam nesse nível?
Sente uma vontade de chorar de raiva e essa se intensifica por se sentir fraco. O que estava fazendo? Espiando os dois? Comparando-se com ela? !
Com violência, sai do lugar que estava, esbarrando no casal, sem nem olhar para trás, ouvindo a loira gemer baixo de reclamação, mas sem ousar olhar para trás. E, mesmo sem olhar para trás, podia sentir a expressão de Shaka, a sobrancelha erguida, o sorriso leve que passou pelos seus lábios.
Se ele achava que podia provoca-lo daquela maneira, iria ver só uma coisa.
Volta para o lugar onde estava, olhando em volta, levemente perdido, sem chão, sem saber o que fazer, virando-se, e percebendo que ainda conseguia ver o casal da onde estava. Eles já não o encaravam, pelo contrário, pareciam ter-se esquecido completamente de si.
Shaka puxa Eire de leve pela cintura, fazendo-a enlaçar os dedos em seu pescoço enquanto sorria. E então se aproxima devagar, depositando um leve beijo em sua boca.
Mu assistia a cena de longe enojado, sentindo o sangue ferver. Volta a repetir, se era assim que ele queria jogar, queria fingir que não se importava, pois ele podia fazer isso também.
Joga os olhos em volta, vendo apenas Saga a seu lado, mas com a cabeça fervendo como estava, não se importa, queria apenas esquecer, se vingar, mostrar que não ligava.
O de cabelos azuis arregala os olhos até quase caírem das órbitas, quando o ariano sobe no sofá, montando em si, sentando em seu colo, seus rostos de frente, uma perna de Mu de cada lado da sua. Depois de um instante de surpresa, Saga sorri, malicioso, esquecendo das meninas que paquerava até o momento, não se importava na verdade, se fosse agradável aos olhos, era lucro. Fecha a distância entre eles.
-Mudou de idéia foi? – E estica ainda mais o sorriso, sujo, cochichando, olhando a expressão determinada no rosto de Mu mudar, para uma semelhante a sua – Eu adoro o jeito como as pessoas pensam quando estão sobre o efeito de álcool.
-Não dessa vez – O menor sorri, igualmente mal-intencionado, jogando o cabelo para o lado, mexendo-se sensualmente no colo do gemininano. O maior ronrona baixo, e Mu aproxima os rostos totalmente, beijando-o.
Saga segura a cintura de Mu, enquanto esse segurava seu pescoço. O de cabelos azuis não demora a impor passagem na boca do menor, e esse lhe concede, sem hesitar, aprofundando o beijo molhado.
Mu volta a se mexer de leve, já podendo sentir o outro excitado debaixo de si, gemendo baixo com isso. Saga o segura com mais firmeza contra si. Esquecia-se de tudo, novamente sua existência podia virar um borrão, não pensava em nada além das mãos que percorriam o seu corpo, causando-lhe arrepios.
Nisso, Mu sente-se ser puxado para longe do lugar onde estava, para o outro canto do sofá, o atordoamento, as imagens móveis demorando a se ajustar na sua mente, fazendo-o demorar a ter uma idéia precisa do que acontecia.
Olha em volta um pouco confuso, percebendo Shaka parado na beirada do sofá, olhando Saga tão feio, que pensou que fosse pular em cima dele, e quebrá-lo em dois, mas surpreendemente foi para cima de si que ele veio, e o levantou do lugar, puxando-o pela gola da roupa, e até aquele momento, Mu nunca sentira tanto medo. Iria apanhar, tinha certeza.
-O que você está fazendo? – Mu engoliu em seco, não ousando responder, quase sentindo seus pés deixarem o chão. Nisso, o virginiano suspira, soltando sua roupa, mas agarrando seu pulso com tanta força quanto grilhões de ferro.
É só então que Mu percebe que Eire estava parada atrás dele, verdadeiramente horrorizada. A encara, mudo, sem expressão nos olhos, verdadeiramente confuso. O mais velho se vira para encara-la.
-Desculpe Eire, você é uma pessoa muito legal, você é a garota ideal, mas eu não sirvo pra você... – A menina ficou encarando-o com os olhos arregalados, estática, sem reação. – Eu realmente sinto muito...
Saga, que se recuperava rápido de qualquer baque, ri baixinho, e Mu o encara, ainda não muito certo do que acontecia ali. Tudo, desde que agarrara Saga até agora.
Antes que a loira pudesse fazer alguma coisa, Shaka sai, em direção a porta, arrastando Mu junto consigo. É a hora que a ficha do menor cai e ele tenta frear o maior.
-Me solta, o que você tá fazendo seu louco? ! – Mas Shaka não o escutava, continuando a arrasta-lo, entre as pessoas que dançavam com a música alta, se agarravam, ou simplesmente conversavam em voz alta, em grupos.
Eles saem pela porta, deixando Mu tonto, só então percebendo o quão calor na verdade estava do lado de dentro da casa. Estavam logo no corredor, ainda havia pessoas por ali, mas o loiro não parece se importar, jogando-o na parede, prendendo-o com os braços, um de cada lado de seu corpo, na altura da cabeça.
-Agora vamos conversar!
Milo encarava a menina, sentado em cima de sua mesinha de canto, com ela entre suas pernas, sorrindo, travessa.
Ele sorri de volta, safado, passando a mão delicadamente pelos braços dela, as mãos pequenas depositadas sobre as suas coxas.
Estavam nessas há algum tempo. E, toda a vez que a imagem de Camus fazia menção de aparecer em sua mente, Milo a repreendia com força. Estava exausto de esperar por ele, e no momento, na verdade, não queria pensar em mais nada que não fosse a agradável sensação de ter um corpo contra o seu.
O resto, bem, o resto poderia pensar depois.
Shura e Shina os vêem de longe, e, ao mesmo tempo que o espanhol se impressiona, Shina se vê abanando a cabeça, inconformada com os amigos.
-Não é a Pandora, da arquitetura? – Ainda estava descrente que Milo pudesse fazer aquilo, depois de tudo o que estivera perdendo para ter Camus de volta. Ele com certeza iria se arrepender, ah se ia...Se o conhecesse direito, o dia seguinte seria uma lamúria atrás da outra.
-Yep, ela veio comigo, a gente virou amiga um tempo atrás, parece que eles se deram bem não? – E ela sorri, irônica.
-O melhor que a gente faz é fingir que nem viu! – Comenta o moreno, saindo de perto, levando a namorada, que agora ria pelo comentário, pela mão.
Camus saíra tarde da biblioteca, ainda mais do que imaginara, e depois disso, ainda encontrara umas pessoas para discutirem o final do projeto que trabalhavam. A verdade é que estava exausto e tudo o que mais queria era tomar banho e ir dormir, mas sabia que, se não aparecesse na maldita festa de Milo, Mu e o próprio o esganariam.
Pisca os olhos, pensando se conseguiria voltar a abri-los, bocejando.
Voltava pra casa a pé, mas mais se arrastava do que qualquer coisa. Foi só quando chegou na rua do apartamento que notou algo errado. O que era aquela música alta e aquela gente conversando? Aproxima-se, já com a expressão curiosa, notando um acúmulo fora do normal na frente do prédio, que se estendia pelo caminho de pedra até a entrada e toda à parte de dentro do térreo. Sobe de elevador, ainda não associando aquilo a festa, provavelmente devido ao sono, mas, ao sair em seu andar e notar aquela bagunça, pessoas espalhadas no corredor, saindo do apartamento de porta aberta de Milo, nota o que acontecia.
Então esse era aquele tipo de festa?
Grunhi baixo. Mu decididamente o mataria se não aparecesse. Abre a porta de casa apenas pra jogar a mochila lá dentro, trancando-a em seguida, não querendo ter nenhuma surpresa quando voltasse para casa.
Solta o cabelo do rabo-de-cavalo baixo que prendia os cabelos vermelhos, passando a mão por eles, tentando mantê-los em ordem. Não precisava estar melhor do que isso, certo? Olha para o tênis preto e sem graça, desgastado, a jeans que mais usava para ir para a aula, sendo a sua mais confortável, já desbotada calça e a blusa branca, regata.
Dá de ombros, não pretendia ficar muito tempo pelo menos, só tempo suficiente de encontrar Mu. Aproxima-se já desanimado, percebendo a multidão que se acumulava na porta. Por isso tinha de dar crédito a Milo, nunca imaginara que caberia tanta gente dentro de casa tão pequena.
Entra esmagando-se, o barulho lá dentro alto, assim como a temperatura. Seres humanos não eram feitos para ficarem assim tão próximos uns dos outros.
Pelo menos a entrada era o pior, uma vez dentro, era possível andar, mesmo com acúmulos de massas de calor aqui e ali.
Entra na cozinha e procura uma cabeleira lilás, mas não vendo nenhuma, continua a jornada. Encontra Shura e Shina e os cumprimenta educadamente.
-Vocês viram o Mu? – Decide que precisava de ajuda, ajuda para conseguir fugir dali o mais rápido possível.
-Nossa, se vimos! – Shina comenta, sorrindo, mas escondendo o sorriso assim que viu a expressão do namorado. Seu rosto parece murchar um pouco – Ele saiu com o Shaka – Diz, estudando a expressão facial do ruivo, procurando a surpresa.
E este, de fato, demora alguns segundos para assimilar o que aquilo queria dizer.
-Ele saiu...? Quanto tempo atrás? – Tenta montar os fatos em sua cabeça, ainda desordenado.
-Há algum já, o que? – Olha para o moreno a seu lado – Vinte minutos?
-Mais ou menos, pode ser mais ou menos, estávamos distraídos, não podemos dizer. – O ruivo agradeceu, determinado que, já que era assim, deveria ir para casa. Anda um pouco, esbarrando em uma das pessoas a sua frente. É quando percebe que estava um pouco tonto.
Respira fundo, tentando se lembrar da última vez que comera. Fazia um longo tempo, só tomara café da manhã. Concentra-se, tinha pressão baixa, em um lugar quente e abafado, sem comer. Engole em seco, tentando chegar a saída. Estava quase no corredor quando repara em algo que não havia reparado antes.
Shaka e Mu se encaravam, o menor parecendo extremamente desconfortável.
-O que diabos você está fazendo? Você age como se não se importasse, arranja uma namorada e ainda se acha no direito de interferir no que eu estou fazendo? – É o primeiro a reclamar, olhando-o nos olhos. O loiro sorri, sarcástico.
-E por que você acha que eu fiz isso? No começo, percebi que você tinha ciúme da Eire, e decidi usa-la pra chegar a você, mas, percebendo que não funcionava, eu tentei, tentei de verdade gostar dela, mas você não me saía da cabeça... Filho da puta! E basta eu tirar os olhos de você por três segundos e é isso que acontece!
Mu faz uma cara incrédula.
-Quer dizer que você estava de olho em mim? Não devia, não temos nada haver um com o outro... – Shaka faz uma cara sentida, mas o menor continua – E você pode falar muito não? Se agarrando com aquela menina em todo o lugar, e ainda ousa falar alguma coisa de mim.
Nisso, Shaka sorri verdadeiramente.
-Então estamos de volta onde começamos? Você, com ciúme e resistindo a idéia de gostar de mim? – Mu estala os lábios, mas não responde.
Shaka volta a rir, inconformado, olhando para baixo, a franja cobrindo seus olhos, não vendo nenhuma graça no que fazia, ainda prendendo Mu na parede, as mãos ao lado do rosto do menor, os braços encostados à parede até os cotovelos.
-Vamos lá Mu! – E volta a encara-lo, aproximando os rostos, fazendo-os estarem a milímetros de distância – Nos dê uma chance... – Murmura, baixinho – Prometo tentar o meu melhor... – E com isso, de leve, mordisca o lábio inferior do menor, devagar, puxando-o, apenas para voltar a encara-lo.
Ao se afastar um pouco, percebe Mu contemplativo, concentrado em seus próprios pensamentos.
-E aí? – Insiste, aproximando-se, raspando seu corpo devagar no do menor, percebendo-o suspirar, contendo-se, o rosto ficando rapidamente mais avermelhado. Shaka então encosta os quadris, forçando-os devagar um contra o outro, dessa vez percebendo que o outro fechava os olhos com força, mordendo o lábio inferior na tentativa de se conter.
Mu abre os olhos devagar, deixando que a mão direita venha a segurar o braço de Shaka a seu lado, mas ainda quieto. O encara por alguns segundos, mas se trai, não conseguindo se conter, encarando os lábios do loiro, antes de se voltar a seus olhos.
Shaka percebe e sorri, safado com a vitória.
Aproxima-se devagar da orelha do menor, murmurando, o ar quente sendo sentido.
-Nós não vamos acabar do mesmo jeito que o Milo e o Camus. – E lambe a orelha demoradamente, colocando o lóbulo em sua boca, sentindo o outro finalmente relaxar, ao mesmo tempo que se rendia.
Aquelas palavras haviam sido o suficiente para convence-lo, e, ao se afastar de leve, Mu não se preocupa, enroscando-se no pescoço de Shaka, trazendo-o para perto de si, levando sua língua para dentro da boca dele.
Perdera a noção de há quanto tempo queria fazer aquilo novamente e finalmente podia. Sentia o corpo firme e quente de Shaka contra o seu, e é só quando o sexo do outro raspa contra o seu que percebe o quanto estava excitado e tenta conter o gemido que lhe escapa.
Não estavam no lugar ideal para aquilo.
Pondera alguns instantes, suas opções...
Ahh, o que diabos, não é como se não se conhecessem, nem como se não tivessem feito aquilo antes, embora não se lembrasse, o que só fazia as coisas mais tentadoras.
Empurra o loiro de leve, fazendo-o fazer uma cara de estranhamento, mas lhe sorri de leve, pegando sua mão e conduzindo-o pelo corredor até a porta no final deste, largando de sua mão somente para abrir a porta. Os dois entram e sente Shaka lhe tomar os lábios, antes mesmo que pudesse tranca-la de volta.
-Shak-a-cal-ma! – Tenta ir dizendo, mas o virginiano não estava interessado, enquanto lhe tirava a blusa, lambendo-lhe o pescoço, fazendo-o voltar a grunhir, não contribuindo para sua excitação que aumentava.
Com a mão na chave, de costas para ela, dá uma volta na mesma, dando-se por satisfeito que ninguém conseguiria entrar assim, deixando por isso mesmo, enquanto o loiro puxava suas pernas para cima, tirando-o do chão, fazendo-o abraçar a cintura fina do maior, prensando-o entre ele e a parede atrás de si.
-Vejo que está gostando da brincadeira – E o mais velho caçoa, maldoso, vendo o rosto vermelho do menor, fazendo um leve movimento de vai e vem, vendo-o gemer alto. Ainda maravilhado e incrédulo, volta a beija-lo, não se cansando de senti-lo contra si, as mãos que se enroscavam em seus cabelos, suas costas.
O queria por inteiro, e tinha a noite inteira pra isso, e, dessa vez, teria certeza de ser algo inesquecível.
Camus até esquece o que estava fazendo, preso onde estava no chão, incapaz de se mover, enquanto via Milo abraçando-se de maneira predatória com uma menina que reconheceu brevemente por ser a colega de Mu.
Sente-se ainda mais tonto e tem de se apoiar na parede a seu lado para não cair. Os encara com os olhos arregalados. Não que não esperasse aquilo na verdade, mas o pegara de surpresa. Não esperava aquilo tão rápido, achava que Milo estaria disposto a tentar mais um pouco.
Engole o choro, sentindo-se idiota por se sentir mal.
Aproxima-se, inconscientemente, vendo enquanto Milo sorri, puxando-a pela cintura, sedutor, encaixando-a entre suas pernas de maneira eficiente.
-E o que acha disso, hein? – safado, ronrona baixo.
Coloca a língua para a fora de leve, e ela faz o mesmo, os dois se encontrando no meio, a mão dele escorregando pelo corpo de curvas dela, sem temores, fazendo-a gemer baixo. As bocas eram molhadas e cumpriam sua função excitante.
Camus assistia a cena exatamente como assistira há alguns meses atrás, sentindo a garganta fechar, dessa vez parecendo-lhe ainda pior do que a outra. Talvez por saber que Milo não lhe devia nada, talvez por saber que ele podia ser aquela pessoa em quem ele se apoiava.
Deveria tentar sufocar tudo o que sentia por Milo de uma vez, mas era muito mais difícil do que parecia a princípio, e sente quando o choro preso à garganta teimava em subir. Leva a mão à boca, contendo-se novamente. Ia virar-se para ir embora, mas Milo, como que por magia, levanta os olhos, encontroando-o. Os dois se encaram por um momento, antes de Camus virar as costas e sair, tentando empurrar as pessoas a sua frente.
Milo não hesita, e embora tivesse prometido a si mesmo que não o faria, solta Pandora, como se ela não fosse nada, esquecendo completamente dela assim que se vê livre, tentando alcançar Camus.
Enfia-se no meio das pessoas, e dessa vez, a sorte estando a seu favor, o alcança e o segura pela mão.
-Camus!
-Me solta! – E ele tenta se soltar, mas o loiro resiste, segurando-o firme, embora fosse difícil, uma pessoa entre eles. A contorna, sabendo que agora, o menor não teria nenhuma chance de escape, ele olhava feio.
-Camus, me escuta...
-Você não me deve nada, não preciso te escutar, você pode fazer o que bem entender, não tenho nada com isso.
Milo passa as mãos nos cabelos, irritado.
-Caralho moleque, me escuta! – Aquilo faz o ruivo se calar, a expressão surpresa, enquanto o escorpiano tomava ar. O próprio Milo não sabia o que ia dizer, afinal, o que estava fazendo? – Aquilo não foi nada sério...
Começou mal e pôde perceber, Camus cruza os braços a sua frente.
-E isso é relevante como...?
Milo respira fundo, se vendo cada vez mais irritado.
-Deixe-me explicar uma coisa... – Seu olhar não era de quem estava brincando e faz Camus dar um passo para trás, apenas para perceber que estava encurralado, a parede do corredor atrás de si. – A culpa é sua!
Milo avança um pouco para frente, colando os corpos, mas Camus recolhe o rosto, hesitante. Estavam tão próximos que as testas se encostavam.
-A culpa é sua, você está me deixando louco, ou você acha que eu estaria tanto precisando transar se não fosse por você? Te ver todo o dia e não poder te tocar do jeito que eu quero, te beijar, te fazer gemer. Eu sonho com você todos os dias, maldito! Você me deixa louco!
Começa de novo, e pelo discurso, o ruivo sente tanta vergonha que não consegue encarar o seu rosto. Milo o força a levantar para encara-lo.
O corredor estava lotado de pessoas, que iam de lá para cá, sem nem notarem o casal prensado na parede. Milo fitava Camus com intensidade.
-Eu realmente tentei ser seu amigo, mas acho que não consigo – Milo confessou, antes de roubar um beijo de Camus.
Os dois sentem um choque forte percorrerem seus corpos, o ruivo não tendo percebido o quanto à abstinência lhe fizera falta. Até hoje, só Milo conseguira fizer com que se sentisse assim. Sentia seu corpo inteiro arrepiando, e, esquecendo completamente o que fazia, o beija de volta, permitindo que aprofundasse o beijo, que voltasse a conhecer sua boca.
Seus próprios dedos voltavam a percorrer o caminho conhecido por dentro da blusa do loiro, sentindo a firmeza de seu corpo, de suas costas, e, quando ele encosta em si, levantando sua blusa de leve, sente-se queimar, por dentro, por fora, sua pele parecia conter um rastro de fogo.
-Nhhhnnn – Solta, segurando o máximo que podia.
Milo não se incomoda, não parando de beija-lo por isso.
O ruivo abre os olhos devagar, sentindo o quanto seu rosto provavelmente estava vermelho e quente, isso é quando, o moreno, puxando-o mais para perto de si pela cintura, o faz poder sentir a dormência dos dois membros, que pediam por atenção.
O empurra, com força, acordando para a realidade, respirando fundo.
Milo o encara, um pouco confuso, mas, antes de dar qualquer possibilidade de recuperação a ele, sai, empurrando todos que vinha pelo caminho, o mais rápido que podia, voltando correndo até em casa.
O que fora fazer?
Abre a porta com dificuldade, por não estar totalmente trancada, batendo-a atrás de si, abraçando-se. Estava se perdendo novamente e não queria isso. Milo acabara de provar que não poderia ser confiável.
Mas não fora ele mesmo que dissera que ele não lhe devia nada?
Estava totalmente confuso novamente e sentia vontade de chorar. Ainda apoiado na porta atrás de si, percebe a blusa de Mu jogada em um canto, e percebe um sorriso amargo surgir em seu rosto.
Agora, ali, estava sozinho...
Mu acorda, o barulho do despertador parecendo como um pesadelo. Por que estava tão cansado?
Lembra-se tão rápido quanto faz a pergunta e sorri diante da perspectiva.
-Temos alguém sorrindo? – E o ariano abre os olhos, deparando-se com o olhar zombeteiro, porém carinhoso que Shaka lhe encarava, já acordado, as costas apoiando um pouco mais alto na cama.
-Você deveria ficar feliz, é um progresso. – Isso faz o virginiano cair na gargalhada, seguido de Mu.
-Qualquer coisa era um progresso pra gente – E ri ainda mais. Os dois se calam por instantes, o de cabelos lilases, que estava do outro lado da cama se aproxima, apoiando-se no peitoral do mais velho. Shaka sorri com isso, passando a acariciar de leve o rosto do menor. Ficam assim durante alguns instantes, os dois introspectivos de como haviam chegado ali, o caminho confuso e bagunçado que fizeram.
Shaka faz uma careta ao lembrar que teria de conversar com Eire depois. A perspectiva não era nada agradável.
-Posso te perguntar uma coisa? – Mu levanta o rosto, passando a encara-lo, interrogativo, quando ele continua – Algo que tem me deixado curioso.
-Fale pois – E sorri, Shaka nunca se cansando de ver o sorriso de caninos pontudos do ariano.
-Quando começou a gostar de mim? Por que no começo, embora você estivesse claramente atraído pela minha maravilhosa pessoa – O ariano tinha uma cara descrente, e solta um barulho inconformado, com um sorriso de 'até parece' no rosto, mas o loiro continua – Mas quando foi que você realmente se viu gostando de mim? Porque parece tudo tão bagunçado.
Mu ri um pouco.
-Estava pensando a mesma coisa. E sabe de uma coisa, sabe que eu não sei. Talvez tenha sido quando eu percebi que você estava sério a meu respeito, talvez quando eu percebi que podia contar com você ou ainda, pelo olhar que você me deu depois que me salvou, aquilo realmente mexeu comigo... Realmente não sei... – e pausa, parecendo genuinamente introspectivo enquanto ponderava. No término de um minuto parece desistir – Mas e você? Poderia dizer a mesma coisa, quando começou a gostar de mim? Porque sei que não foi logo que a gente se conheceu – E faz uma cara acusativa pra Shaka, que apenas sorri com isso.
-Quando eu comecei a gostar de você? – Ele pensa um pouco, baixando a mão e passando a acariciar o braço de Mu, que repousava sobre seu torso nu. Ele sorri – Acho que poderia dizer que foi um acumulado de coisas. – E devolve o sorriso – Quando eu acordei de manhã e percebi que não tinha me arrependido do que tinha feito, quando você tentou de todo o jeito resistir a mim no dia seguinte, quando eu reparei que você não tinha o costume de beber e que você não gostava de festas, quando eu percebi que você estava tão desconfortável quanto eu naquela situação – Respira fundo, continuando, fazendo Mu impressionado – Quando eu percebi que você tinha medo de se comprometer, quando eu percebi que você tem um mau gênio... Quando eu percebi que você odiava perder no videogame... – E nessa afirmativa estica o sorriso, maldoso, olhando para o menor abaixo de si, que lhe lançava um olhar risonho. Parece subitamente sério e aquilo faz o menor ansioso – Mas acho que a primeira vez que eu me vi e percebi gostando de você realmente foi quando te tirei dos braços daquele marginal, e você tremia e eu percebi que podia te perder...
Alguns segundos de silêncio seguiram o fim da sentença, enquanto Mu o encarava, sorrindo, meio embaraçado.
-Uau! – E o menor estica o sorriso, mostrando os dentes brancos, os caninos pontudinhos. – Onde você leu isso? – E o olhar ganha um ar travesso
-Hã? – Franze as sobrancelhas.
-Sua cola, de onde você tirou? – O loiro ri alto, e pegando o travesseiro que deveria ser de Mu, acerta-o, rindo.
-Você não acredita na minha capacidade de criação? – E faz pompa, olhando com o olhar desacatado, entre o orgulho e a descrença.
-Mas é claro que não! – E ao fazer isso, rindo, leva outra almofadada.
-Bom dia! – Mu espreguiça-se, entrando na cozinha. Camus não responde, continuando a passar manteiga no pão em sua mão. O ariano percebe algo de errado.
-Bom dia – Uma voz mais grossa diz, entrando atrás de Mu, mas o ruivo não faz questão de levantar os olhos. Mu e Shaka trocam olhares.
Mu se senta na cadeira à frente de Camus.
-Aconteceu alguma coisa?
O ruivo dá de ombros. Mu volta a olhar para o loiro que se senta a seu lado.
-Camus, olha pra mim. – ele o faz, como se nada se passasse. – O que aconteceu?
O ruivo olha de relance para Shaka, como se agora tomasse conhecimento de que ele estava ali.
-Nada, não se preocupe – E dá um sorriso torto, sem mostrar os dentes. Mu o encara, estranhando.
-Foi o Milo? – Tenta, como cartada final, vendo Camus desviar os olhos dos seus – Eu sabia! O que ele fez?
-Não foi nada, não se preocupe, estou bem, nada com que eu não consiga lidar – E sorri, dessa vez com mais convencimento, levantando-se – E agora, se não se importam, vou saindo, você ainda vão demorar um pouco não? – E olha para o rosto de Mu – Te vejo no intervalo?
E circunda a bancada, saindo do local, pegando a mochila que estava jogada no chão, perto da porta. Põe a mão na maçaneta, mas antes de sair, vira-se, como se lembrasse de algo.
-Fico feliz que você finalmente tenham conseguido se entender – E sorri de novo, escondendo a zombetearia, fechando a porta atrás de si.
-Ele deve estar melhor do que eu pensei, se já está fazendo brincadeirinhas – E Mu balança a cabeça inconformado. E vira-se para o loiro – Mas é sério, você precisa dar um jeito no Milo, falar com ele pelo menos, senão ele vai acabar ferrando de vez com a cabeça do Camus! – Shaka apenas concorda de leve.
-Vejo se falo com ele hoje. – Estava com um clima tão sério que Mu se obrigou a sorrir de leve.
-E agora, para um tópico mais importante, o que você quer comer?
Shaka entrou na sala, sem conseguir esconder um ar risonho, ar que todos ali percebem só de colocarem os olhos nele.
-E aí gente, tudo bem? – Ele se senta, sorrindo afetadamente, tolo, olhando para os amigos em volta.
-Parece que alguém se deu bem ontem – Shura comenta, sem encara-lo, olhando as próprias unhas, como quem não queria nada.
-Safado, nos conta como é que foi? – Saga sorri e não parecia nada abalado pelo que acontecera no dia anterior, como se tudo tivesse sido esquecido.
Shaka ainda sorria.
-Não – Responde simplesmente – Os detalhes são todos meus – E dessa vez, um ar sinistro assume suas feições – E isso é por ter pegado meu namorado, senhor Saga...
-Ahhh, vamos lá, ele se jogou em mim, o que você queria que eu fizesse?
Shaka lhe devolve um ar superior, inconformado.
-Tsc, tsc – Estala os lábios, olhando para Shura. – E aí, como acabou a festa ontem, mais algum babado digno de notícia? – E sinaliza Milo com a cabeça, que ainda não parecia ter dado sinal de vida, a cabeça deitada na carteira, como se dormisse.
Shura inquire Shaka com o olhar, não sabendo exatamente o que ele queria, se queria que ele mencionasse ou não o que acontecera, ou se só respondesse sim ou não, uma vez que ele já sabia sobre o que se tratava.
Saga revira os olhos aos dois amigos que se comunicavam com olhares.
-O mongo do Milo levou outro fora! – E levanta as duas sobrancelhas, balançando as mãos, como se estivesse decepcionado – Viu? Não é tão difícil de se dizer...
Nisso, o mencionado levantou a cabeça, a expressão de mal-humor podendo ser sentida de longe.
Não era exatamente assim que Shaka pretendia começar, mas já que o assunto já tinha sido tocado.
-Preciso falar com você Milo, sobre o Camus – E embora nada parecesse ter mudado em sua feição assassina, o de cabelos lisos sabia que Milo estava lhe escutando com total atenção. – Você precisa deixa-lo em paz, ele precisa de espaço, você está arruinando a mente dele.
Milo ri, alto, desgostoso, histérico.
-A dele é? E o que ele faz comigo? – Os outros se calam, não sabendo o que dizer.
-O que ele faz com você é culpa sua, se soubesse se controlar melhor, nada disso estaria do jeito que está – Saga diz as palavras devagar, como uma cobra liberando veneno. Os dois o encaram boquiabertos. O que o geminiano pensava que fazia? Na verdade, ele pensava, totalmente?
-Escuta aqui Saga, eu não sei que direito você acha que tem de julgar minha vida, mas isso não tem nada haver com você, então fica na sua tá legal? ! – Milo já se levantara e andava um pouco ao redor da sala, mexendo as mãos de maneira nervosa.
-Você é que estava por aqui, pedindo opiniões sobre a sua vida, se você não quer, não pergunte. – Milo estala os lábios e respira fundo, Shaka e Shura estavam tão tensos que nem sabiam o que fazer, prontos para separarem qualquer eventual briga.
-Quem pediu a tua opinião hein? Quem pediu? – E agora se aproxima da mesa do de cabelos azuis, agressivo, levantando a voz, a raiva contida lhe escapando pelas palavras, praticamente gritava. – Puta merda, Saga! Eu estou no meio disso tudo e a culpa é toda sua, se não fosse por você—
-Se não fosse por mim, o que? – As palavras eram frias, e o geminiano se levantou, encarando o escorpiano nos olhos. Nenhum deles se lembrava de já ter visto Saga assim, tão sério, sua expressão era assustadora. – Você até pode dizer que é culpa minha, você até pode me acusar de ter lhe oferecido à bebida, mas, em algum ponto você vai ter de perceber que o único culpado aqui é você, afinal, foi você que aceitou a bebida, foi você que resolveu dançar, foi você que se descontrolou e pegou uma menina e por último, foi você que traiu seu namorado que você dizia ser a coisa mais importante do mundo! Comece a tomar alguma responsabilidade, pare de ter pena de si mesmo e em vez de se lamentar o que aconteceu, faça alguma coisa a respeito!
Todos estavam calados, escandalizados, as bocas escancaradas. Não esperavam esse discurso de Saga, não sabiam que ele era capaz de tal discurso. Até mesmo Milo parecia surpreso.
O escorpiano leva uma mão a cabeça, meio atordoado. De fato, se quisesse colocar a culpa em alguém, depois de ontem, só podia ser ele mesmo, mas ainda assim...
Estala os lábios.
Se ele queria fazer alguma coisa acontecer, ele mesmo tinha de faze-la acontecer, ninguém mais poderia. Por que Camus tinha de ser tão complicado?
Milo pensava com tanta intensidade, que os três amigos quase conseguiam ver as engrenagens mexendo em sua cabeça, Shaka preocupado, Shura e Saga, divertindo-se.
No dia anterior, perdera o controle sobre si, mas e se tentasse de novo, e se colocasse tudo a panos limpos e dissesse realmente o que queria, o que esperava, o que acontecia, os riscos, tudo...?
Tinha tentado fazer aquilo, mas de alguma forma, sempre fora interrompido e contentava-se com o que tinha. Se quisesse, tinha de tentar pra valer.
Uma nova onda revigorante toma conta de si, fazendo-o estremecer.
-Você está certo! – Diz para o espanto de todos, finalizando sua linha de raciocínio – Preciso encontrar Camus!
Admiram-se um pouco, não esperando uma reação tão rápida, tão impensada, espontânea.
-Milo, a aula, ele deve estar na aula – Shaka tenta encontrar as palavras – Você não vai assistir a sua?
-Aula, você está certo! – E corre em direção a porta, como se nem ouvisse o que o outro falava, os cabelos cacheados voando atrás de si. Na saída quase leva Máscara, que entrava junto, mas não tem tempo de parar e explicar o que acontecia, simplesmente continuando a correr.
-Catzo, o que aconteceu aqui? – É o que o italiano indaga, olhando para os três rostos, ainda surpresos. Saga sorri em resposta, recuperando-se, divertindo-se mais do que imaginava possível com aquela situação.
Camus estava desconfortável, sem de fato conseguir prestar atenção ao que o professor falava. Vir à aula tinha sido um erro, deveria ter ficado dormindo em casa, assim teria ânimo para o dia seguinte.
Levanta-se, pegando seu material, encontrando o olhar indagador de alguns colegas, mas não parando para explicar, saindo antes que mudasse de idéia e seu eu covarde assumisse, hoje não tinha cabeça para aquilo.
Caminha rapidamente, tirando o cabelo do rosto, os fios voando pelo ar que batia, frio. Não tinha trazido agasalho. Ajeita a mochila nas costas.
O frio deixava seu rosto avermelhado e podia sentir a boca seca. Não se importava. As mãos estavam geladas, o vento parecia aumentar a cada passo que dava, bagunçando os fios vermelhos para os lados.
Também esquecera de trazer um elástico. Parece que quando você está mal seu cérebro simplesmente contribui para fazer tudo pior. Apressa-se ainda mais, atravessando o campus verde, por entre as construções, os prédios, querendo alcançar o mais rápido possível o portão da saída.
Sente um arrepio de frio e sente a pele eriçar. Provavelmente de tarde garoaria.
Já estava praticamente no portão quando ouve um barulho longe. Primeiramente, acha que é o vento e continua a andar, mas percebe que era alguém chamando seu nome. Olha para os lados por um instante, não vendo ninguém.
É só quando olha para trás e depara-se com Milo, correndo em sua direção que percebe sobre o que aquilo se tratava. Fica alguns instantes no lugar, decidindo-se sobre o que fazer, por fim virando-se e continuando seu caminho.
O escorpiano, que ainda estava longe faz uma cara inconformada. Ele não estivera correndo esse caminho todo para isso, para nada. Acelera o passo, tentando alcança-lo.
Camus não olha para trás enquanto segurava forte a alça da mochila.
O que diabos Milo poderia querer com ele depois de ontem. Pára alguns instantes, quando um farol se fecha, obrigando-o a esperar. O farol demora e é quando o escorpiano o alcança, segurando sua blusa.
Ele estava tão ofegante, que tem de ficar alguns minutos, tentando recuperar o ar, abaixando-se, apoiando as mãos nos joelhos enquanto tentava sugar o ar para os pulmões.
-Você anda rápido! – Diz, quando finalmente consegue se recuperar, mais de um minuto tendo se passado. Camus puxa a blusa com força, arrancando-a da mão de Milo, virando-se pra encara-lo, cruzando os braços, uma sobrancelha levantando.
-O que você quer Milo?
-Camus, eu preciso falar com você... – E o escorpiano faz uma nova tentativa de tentar segura-lo, dessa vez pelo braço, mas o ruivo se esquiva.
-Não pode ficar pra depois? Estou meio ocupado agora.
-Ah vá Camus, sério isso?
O ruivo permanece com a sobrancelha arqueada, inabalável, nem se dignando a responde-lo. O loiro não parece se incomodar, enquanto tenta ajeitar os cabelos, respirando fundo, ainda não totalmente recuperado.
-Corri praticamente o campus todo atrás de você, fui na sua sala e disseram que você tinha ido embora, foi uma sorte conseguir pegar você na saída – Camus permanecia tão imóvel que Milo chega a considerar se ele virara uma estátua.
-Se você não se incomoda de ir direto ao ponto – A pele branca parecia avermelhada pelo vento que a açoitava. Milo o encara por um instante, suspirando.
-Nós precisamos conversar – Camus faz menção de quem ia protestar, mas o escorpiano o interrompe – Ontem não conseguimos faze-lo direito e eu estraguei tudo, sei disso, mas podemos faze-lo agora.
A sobrancelha de Camus, se possível, sobe ainda mais.
-Por favor? – Milo tenta, segurando o braço do menor, mas vendo-o puxa-lo, novamente, o mais forte que podia, libertando-se.
-Me solta Milo!
O ruivo parece pensar um pouco no assunto, antes de virar-se, continuando a andar, como se nada tivesse acontecido. Milo estranha. Que espécie de reação era aquela? E era um sim ou um óbvio não?
Começa a segui-lo.
-Eu sei que eu errei Camus, mas enquanto estava com você, não estive com mais ninguém, não pretendia, e juro que não pretendo. Você é a única pessoa que eu quero. – Camus não parecia escuta-lo, andando alguns passos à frente. O mais novo volta a parar em um farol, os carros passando. – Camus! – E o vira, com violência, forçando-o a encara-lo, percebendo que ele abaixava o rosto, para não ter de encarar seus olhos – Eu estou fascinado por você, meus olhos te seguem aonde você for, não consigo mais me controlar. Não quero viver longe de você! Eu quero uma segunda chance! – O escorpiano quase gritava, desesperado.
O ruivo ainda não o encarava, o rosto focando algo no chão, invisível ao escorpiano. Sentia o peito inflar com uma doce sutil e maldosa.
-Por favor, Camus, eu acho que não sei mais viver em um mundo sem você, porque um mundo que você não existe, é um mundo que eu não quero estar também. – Soava um apelo final, as mãos do escorpiano segurando forte os braços magros do menor, sem conseguir fazer com que ele o segurasse.
Podia ver as sobrancelhas franzidas e a expressão desgostosa do menor.
-Talvez você devesse ter pensado nisso antes de fazer o que fez – É o que ele diz, ainda sem encara-lo. Aquilo soou como uma balde de água gelada para Milo, que permitiu que suas mãos escorregassem, soltando Camus, sentindo-se quebrado por dentro, frio. Camus simplesmente virou-se, colocando os pés na rua.
O ruivo sentia o coração batendo a mil, nem ao certo sabia o que acabara de fazer, se devia tê-lo feito, se se arrependia ou não. Sente uma vontade de chorar e leva a mão à garganta, tentando conter o choro.
A verdade era que era um covarde e tinha medo de fazer o que realmente queria fazer. Tinha medo de arcar com as conseqüências de suas decisões.
Tão distraído estava que nem teve tempo de perceber que o farol para si fechara.
Nisso, longe ouve um barulho alto, que aumenta, e em seguida, uma série de imagens. Sente-se ser empurrado, o asfalto quente e áspero contra a sua pele, rasgando-lhe a calça, a pele do braço e do joelho, e um zunido forte que fazia a sua cabeça girar.
Tinha caído, estava no chão e nem sabia como isso acontecera. Olha em volta, percebendo o cabelo esvoaçando, atrapalhando sua visão. Estava estirado no meio da rua, jogado no chão, atordoado. Ouve uma mulher gritar e vira-se para encara-la, ouvindo em seguida o seu próprio grito.
Arrasta-se de joelhos.
-Milo? Milo? – Ajoelha-se ao seu lado, sua mente vazia, começando a chacoalha-lo de leve, tentando fazer com que ele acordasse, pessoas começando a se amontoar em volta. – Milo? Milo!
Sua mão tremia tanto que não achava conseguir, algum dia, tê-la mantido firme. Tinha certeza de que um carro estava estacionado ali, as portas abertas, mas não assimilava o que acontecera, perguntas e vozes a seu redor.
E é quando percebe o sangue.
Terminado em: 29.09.2011
Publicada: 14.10.2014
E aí? Capítulo que vem conto exatamente o que aconteceu, ansiosos? :D
Aqui está a segunda parte do capítulo, espero que não tenham esperado demais e espero que curtam!
Muito, muito, muuuito obrigada meninas por comentarem, se publiquei o capitulo quatro é por conta de vocês okay? Saibam disso! Estou falando da yum-chen-mo (Fico feliz que tenha curtido a sequência de ação e espero que curta ainda mais o que vem a seguir ;) Finalmente o Shaka e o Mu se acertam!)e AUehara! (Sim, eles são uns sacanas mesmo kdoasdoasp me divirto muito escrevendo).
De novo, obrigada por comentarem! Comentários deixam uma escritora mais feliz (e produtiva, com vontade de publicar kdposa)
Obrigada meninas, as vejo em breve! ^^~
XoXo
Suss.
