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Nenhum dos personagens de Saint Seiya me pertence...(as vezes dou
graças a Deus por isso...), todos os direitos são
reservados ao criador Masami Kurumada.
A personagem Anuska é
criação minha. Assim como o nome Carlo é da
Pipe.
DESEJO REALIZADO
CAP III - SER MULHER
"Solidão, esse vazio que me
consola. Rogo-te piedade a essa alma que chora por amor e pela dor de
que passamos todos, não deixeis que outros sofram o que sofro
agora. Do mundo me afasto por amor a ti. Eu, o senhor de pensamentos
nefastos que já amou e ama ainda, a mesma dor de um caminho do
qual agora só há rastros."
Felipe
Ceccarelli
A euforia se foi. Totalmente. Não tão rápido quanto eu esperava, mas aos poucos se foi. Naqueles primeiro dias tudo era novidade ou quase tudo, para alguém como eu que sempre desejou isso. A questão do porque minha imagem, meu corpo, meu físico havia sido transformado quase não passava na minha cabeça. Exatamente o oposto do que sinto agora.
Consegui roupas, claro, não
poderia deixar de aroveitar todos os instantes daquela mágica
íncrivel que fazia os olhares todos se voltarem para mim.
Podia eu agora me utilizar de todas as revistas de moda que possuia.
Acreditem, não me tornei vulgar por isso...ao menos uma
daquelas "peruas" ao qual eu tanto abominava. Longe disso,
todos me diziam que a cada dia eu me tornava mais mulher.
Ser
mulher.
Evitava os mais assanhados. Sorria para os mais tímidos.
Me aquietava perante os elogios dos mais belos. Aos poucos me tornava
o que eu sempre fora. O feminino à flor da pele. Porém
o que eu mais sonhava ia se alojando mais e mais fundo dentro do meu
peito. Carlo me evitava. E nos poucos momentos que nos encontrávamos
me alfinetava com dizeres nada sutis, nem ao menos sérios.
Parecia saber exatamente onde me atingir e atingia, machucando-me por
demais...
Por sorte ou ocasião do destino a reunião
que fora adiada por 3 dias por conta da mudança repentina na
minha pessoa fez Shaka permanecer mais tempo que o esperado na Grécia
(1). Tão diferente estava o cavaleiro de Virgem! Olhos abertos
para o mundo e um discreto sorriso nos lábios por todo o
tempo. Percebeu minha inquietação ao descobrir que eu
havia cuidado do seu jardim no dia anterior sem sua
autorização...claro. Pude ver então o quanto ele
mudara, depois dele er agradecido o feito com um largo sorriso e
permitindo que eu continuasse quando e quanto quizesse. Naquele único
instante senti inveja de Shaka. Inveja daquela paz de espírito,
de um Eu transformador...de SER apenas, sem se preocupar com que os
outros vão sentir. Inveja do seu amor...o amor que ele sentia
e era tão nitidamente correspondido. Shaka amava a vida. E a
vida o amava. O problema era que o amor que eu sentia era um "pouco
menos" abstrato do que isso.
Assim, nos dias mais tranquilos
ou naqueles em que as lágrimas se transformavam numa angústia
apertada em meu peito, ao jardim de Virgem eu me dirigia para
tranformar o que era triste em belo no meu coração.
Algumas vezes dava certo...outras nem tanto.
Athena ficou no
mínimo surpresa com a minha mudança, mas não fez
uma alteração sequer nos parametros do que é ser
um servidor da deusa. No máximo ela precisou ter uma séria
reunião com os outros cavaleiros...depois que eu comecei a
treinar como amazona o rendimento deles caiu muito. Alguns por se
"distrairem" comigo, outros por terem medo de me machucar
agora. Para mim isso não fazia sentido algum...até que
eu percebi, num golpe de Aioria o quanto minha força física
diminuíra. Foi naquele dia...que a "ficha" caiu.
-
Afrodite! Afrodite! (Aioria)
- Hmmmm...
- O que aconteceu?
(Dohko)
- Não foi na...
- Acho que quebrou o
braço...(Aioros)
- Está tudo be...
- É
melhor você voltar pra casa por hoje, Afrodite. Dê uma
passada na enfermaria antes pra ver isso aí, sim? O restante
volte ao treino! (Dohko)
- Eu vou com ela para que...(Kanon)
Eu
não suportaria que depois de sequer ter conseguido me defender
eu ainda tivesse que me submeter aos chavecos furados de Kanon! Mas
então o inesperado aconteceu:
- Eu levo ele. (Carlo)
Me
levantou com firmeza antes de qualquer movimento do outro pasmo
cavaleiro. Carlo lhe lançara um olhar que o deixara sem
resposta. A minha respiração, que já estava
difícil por causa da pancada, ficou pior ainda! O cheiro do
corpo dele próximo ao meu, seus olhos de expressão
fria, o calor do seu braço ao redor do meu corpo...tudo isso
parecia entrar por cada póro meu. Arrepios me subiam pela
espinha, minha boca ficou seca...e subitamente senti um calor enorme
começar do baixo ventre e se espalhar. Não parecia
assim tão diferente quando eu era homem...
Na enfermaria,
sem ainda conseguir encontrar coragem para dizer qualquer palavra, o
médico de plantão avisou que o osso do antebraço
havia trincado. Precisaria de alguns dias de repouso e
antinflamatórios. Ouvindo a palavra repouso, Carlo prontamente
me acompanhou até a 12a. casa. Mesmo porque, aquela hora do
dia, o treino já teria terminado. Não conseguia
acreditar na completa timidez que se abateu sobre mim...o silêncio
era no mínimo incomodo e durante todo o trajeto eu tentava
bolar como iniciar uma conversa depois de 1 mês apenas ouvindo
e sentindo farpas afiadas vindas dele. Aquela era uma situação
inusitada desde então...estaria Carlo demonstrando algum afeto
por mim? Era essa a sua forma de pedir desculpas? Será que ele
estava interessado na minha mudança ou SOMENTE na mudança
física? Em meio a essas perguntas me vi nos últimos
degraus do patamar da casa de Peixes...
- Obrigada.
Murmurei...e
ele me mediu com o olhar...lentamente e friamente...senti meu rosto
ferver.
- Vou resolver algumas coisas no Templo de Athena.
Então
era isso. Ele ia mesmo pra lá de qualquer maneira...Com frieza
voltou a caminhar...foi aí que uma energia que eu pensei não
mais ter junto de uma raiva que eu não pensava existir contra
tudo aquilo que estava acontecendo aflorou:
- Quem você
pensa que é para me tratar desse jeito!
Ele nem ao menos
se virou diante do meu grito quase histérico, eu tremia de
raiva. E por mais que estivesse de costas, sabia que ele sorria...
-
Do que você está falando?
- Eu não sabia que
você era sarcástico, Carlo...
O respondi com o mesmo
cinismo e completei:
- Você sabe muito bem.
- Não...
Ele
se virou me encarando:
- ...eu não sei.
Se era pra me
fazer falar, ele conseguiu:
- Nós costumavamos ser amigos!
Porque essa mudança completa? Eu fiz algo errado com você?
-
Ora, mas eu achei que era VISIVEL o porque de tudo...
- Que
ridículo! Como você consegue ser tão infantil!
Está vendo como mudou?
- Olhe para você mesmo antes
de ter outra conversa comigo. Tenho mais o que fazer.
Mas antes
que ele pudesse virar eu o interrompi me colocando em sua frente.
Minha força podia ter diminuido, mas a
agilidade...aumentara!
- Eu mudei! Claro que mudei! Mas você
não consegue ver além do físico, Carlo?
Eu
não aguentava mais, meus olhos cheios de lágrimas...nenhuma
escorreu. E então eu murmurei...era algo pra mim mesmo, mas
tenho certeza que ele escutou:
- Aliás...você nunca
viu além do físico.
Não...ele nunca havia
visto dentro de mim, era o que eu acreditava...ele nunca havia visto
o amor que por ele sentia...Mas então eu soube...que eu estava
errado.
- Saia da minha frente.
Seu cosmo se elevou em segundos
e a força dele me arrastou longe. Não escondi o susto
por aquela reação. Sua intenção não
era me machucar, pelo contrário, era de me proteger de sua
própria raiva.
- Você é o único no
Santuário inteiro que não percebeu o quanto mudou
Afrodite de Peixes! Tudo ao seu redor mudou! Tudo! Inclusive eu,
cáspite!
Todo aquele desabafo não me fez perceber o
que era realmente. No jeito tempestuoso de Mascara da Morte, a
declaração ficou escondida atrás da ofensa e do
ódio que senti. Ele caminhava com passos firmes até que
uma barreira de rosas se formou em sua frente...minha voz era clara e
firme:
- Para passar por esta casa, você terá que me
derrotar, cavaleiro.
- Não seja idiota.
Era uma
afirmação e ameaça. Dei uma risada e coloquei a
mão na cintura, levantando o queixo em desafio.
- Está
com medo de mim, Carlo?
- Não.
Era a voz de alguém
tranquilo mas completo de angústia, mágoa e tristeza. E
eu pude ver isso também em seu olhar...
- Eu nunca tive
medo de você, Dite...
Não tinha tom de
ofensa...apenas triste.
- Mas você...
Seus olhos
penetravam em minha alma.
- ...você sempre teve medo de
mim.
Silêncio. Ele respirou fundo...Eu? Nem percebia se
tinha ou não ar ao redor...
- Isso não precisava ter
acontecido. Mas agora...é tarde demais.
Ele falava de tudo.
As rosas já haviam murchado quando ele se virou e saiu da casa
de Peixes.
Lembro deste dia no começo de verão...estava
quente...e a noite veio mais cedo com uma grande tempestade...a chuva
caia e eu encostado na pilastra, segurando o choro...segurando a
dor...e doía, como lâminas afiadas em meu coração...e
eu segurava...então olhei minhas mãos e eram mãos
femininas...de mulher...e percebi que não precisava mais
segurar...e o Santuário ouviu meus soluços...
Fiquei
um tempo fora. Depois disso arrumei uma desculpa para voltar a minha
terra natal. Mas eu não seria louco de fazer isso nesse
estado. Fui, na verdade, visitar alguém com quem poderia
contar. A mulher mais feminina que conheci e o homem mais inteligente
na cidade masi romantica do mundo. Passei alguns meses com Anuska e
Kamus em Paris.
A chuva grossa caia constante, anunciando o final da estação na Grécia...sinto isso ao pegar o táxi para voltar ao Santuário. Não avisei ninguém da minha volta. E agora as coisas serão diferentes.
"Bate outra vez
Com esperanças o
meu coração
Pois já vai terminando o
verão
Enfim..."
Se alguém quiser falar
que eu mudei, tudo bem. O fato é que eu nunca me senti tão
eu mesmo em toda a minha vida. Todas as coisas, e sonhos, e
desejos...tudo era mais claro, forte e possível. Até
mesmo o amor. Não que eu havia esquecido Carlo, não
seria rápido assim. Mas eu precisava faze-lo, não
precisava? Pensar aquilo fez subir um nó em minha garganta.
Naquelas últimas semanas eu estava mais sensível que de
costume...em todos os sentidos. Ainda na França tive diversas
discussões com os estilistas num ensaio de Anuska. Kamus se
limitava a sorrir, e eu não entendia como tudo conseguia me
irritar! Desconfio até agora que ele sabia o que estava
acontecendo...mas deixei pra lá. O fato é que as
lágrimas broaram de meus olhos à lembrança do
cavaleiro de Cancer...e o taxista, tadinho, não soube o que
fazer!
Desajeitado, com um guarda-chuva cor-de-rosa, peguei minha
mala (que só não era mais que uma porque Kamus acho
melhor mandar o restante depois) e iniciei o caminho secreto do
Santuário. Não queria conversar com ninguém e
tentava demonstrar isso com meu cosmo, uma vez que todos os
cavaleiros perceberiam minha presença.
"Volto ao
jardim
Com a certeza que devo chorar
Pois bem sei que não
queres voltar
Para mim..."
Nenhuma palavra depois
daquela discussão. Sequer nos cruzamos. Até liguei para
algumas amazonas, falei com Aioros e Saga...mas nem ao menos toquei
no assunto. Não sei até hoje se alguns deles sabem o
que me fez...fugir.
E de repente, a dor. Não...não
era uma dor qualquer...parecia estomago. Aliás, cada nova onda
vinha com um quê de ansia. Passei a andar devagar...e quando,
após vários degraus nauseantes, eu cheguei à
minha morada eu me dei conta do que estava acontecendo...o que eu
pensava ser a chuva molhando minhas pernas...era sangue. Corri para o
banheiro em desespero, logo pensei numa hemorragia...mas a risada se
misturou ao medo e insegurança quando olhei o espelho. Eu era
uma mulher agora. E como tal...menstruava.
Completamente
entorpecido pela dor, procurei o que achei que jamais iria usar: o
pacote de absorventes estava no fundo do armário do banheiro.
Marin insistira em deixar ali. Foi a única que pensou nisso
quando me viu mudar. Achei graça na época...mas no
fim...ela tinha razão.
Super desajeitado coloquei o
bendito...horrível! Me sentia horrível! Parecia...uma
fralda (se é que eu lembrava de quando usara uma...)! Tentava
enxugar as lágrimas com as costas da mão...aquilo era
cólica, e era terrível. Lembrei que as meninas falavam
em se aquecer...resolvi fazer algo quente...um chocolate...
-
Hugh...
Corri para o banheiro no primeiro gole. Vomitei tudo o que
tinha e o que não tinha no estomago...chorava. Não
existia mais nenhuma vergonha em fazer isso. Me sentia um lixo...no
quarto as janelas semi-abertas deixavam as rosas entrarem
sutis...estava fraco, mole, bobo e sozinho...péssimo...péssimo...e
os travesseiros se enxarcavam com o choro...e as flores escutavam meu
lamento...
- Carlo...
"Queixo-me as rosas
Mas que
bobagem as rosas não falam
Simplesmente as rosas exalam
O
perfume que roubam de ti..."
Ouvi um barulho...e uma voz
em seguida:
- Afrodite?...É você?
Só podia
ser uma pessoa...e logo sua expressão preocupada e atenta
estava na porta do meu quarto:
- Você voltou quando? Quero
dizer...está tudo bem?...
Ele se aproximou da cama
sentando...seu jeito tímido e carinhoso fez com que eu me
sentisse com vontade de colo...chorando ainda mais alto deitei então
minha cabeça nos joelhos grandes e desajeitados de
Aldebaram.
- Ah, Deba, não tá tudo bem não!
E
numa torrente, como uma cachoeira, contei tudo o que havia
acontecido...depois de quase 1/2 hora de monólogo, muito mais
calmo, olhei para o colega que sorria sem jeito:
- Você tá
menstruada, né?
Dei um meio sorriso, pasmo por ele
saber...
- No mínimo de TPM!
E gargalhou me abraçando,
eu comecei a rir também entre lágrimas na súbita
demonstração de afeto...
- Não se preocupa
não, viu...eu tinha 3 irmãs e já aguentei muito
disso. Passa, menina, passa...são poucos dias, mas são
infernais, não? Fique deitadinha aí que eu vou preparar
umas coisas pra você.
Me deu um beijo na testa, sem chance
de protestos, e foi em direção à cozinha. Não
conseguia acreditar no que estava acontecendo. Era tudo o que eu
precisava...alguém que cuidasse de mim sem ao menos pensar se
era ou não sua casa...seu amigo. Uma preocupação
sincera e tocante. E tudo isso vindo de Aldebaram. Bem que o Mú
me falava que ele é o máximo, mesmo.
Abraçado
a um travesseiro me deixei acalmar por uma música leve que
inundou o ambiente...o único CD de MPB que eu tinha e havia
ganho justamente do cavaleiro de Touro. Nunca o tinha escutado...era
o nome de...um chapéu? Acho que era Cartola...
Aquele ritmo
gostoso e tranquilo, mais o cheiro estranho e inebriante vindo da
cozinha...percebi que melhorava...ainda mais quando eu ficava
quietinho.
Pensando milhares de coisas...lembrando de algumas e
planejando outras...
- Melhor?
Nem tinha percebido que ele
entrara. Assenti com a cabeça e um sorriso. Num pratinho
algumas bolachas e torradas, na xícara um chá
fumegante...
- Achei que estivesse com fome. Mas tome o chá
primeiro, vai te esquentar e fazer melhorar. Não é o
que eu chamo de gostoso, mas da pra tomar!
Manive o sorriso
tomando a xícara na mão...baixei os olhos...
-
Aldebaram, eu...
- Ei, ei...pode parar com isso! Você sabe
muito bem que eu não gosto dessas coisas de agradecer e
tal...
Ele passa a mão no cabelo:
- ...fico todo sem
jeito! Hehe...
Aquela risada inconfundivel! Ri com ele, criando
todo o ambiente paa que eu melhorasse...a cólica diminuia.
-
Escuta, Afrodite...er...eu queria entender uma coisa...
Eu
terminava de tomar o chá, realmente não tinha um gosto
muito bom, mas fez todo o mal estar passar. Olhei pra ele que em
nenhum momento deixou meu lado:
- Pode falar, Deba.
-
Então...quero dizer...você sabe porque você está
assim? Porque agora você é mulher?
Ele deve ter
percebido minha expressão surpresa. Eu não havia
pensado isso um minuto.
- Ou até melhor: quem poderia ter
feito isso com você? Porque, sabe, eu acho que as coisas não
acontecem por acaso e...uma mudança dessa...tem cara de alguém
que quer alguma coisa de você...
- Alguem que quer alguma
coisa...de mim?
O súbito silencio vindo das profundezas de
todas as indagações que fiz naquele instante nos fez
perceber um barulho estranho e diferente...parecia...água?
Aldebaram levantou sorrindo:
- Ah! É que eu tomei a
liberdade de te preparar um banho! Peraí ...já volto,
vou ver se a banheira tá cheia!
Cada vez mais eu ficava
chocado com a amizade que Aldebaram tinha por mim. De uma maneira
sutil ele me fez pensar no que REALMENTE estava acontecendo...tentar
entender o porque...tentar entender...como.
Naquele primeiro
dia...todo esse tempo...eu só olhava para o superficial, não
tenara enxergar...não tentara descobrir...Levantei-me devagar,
indo até o espelho estilhaçado e reconstruído
num dia de verão...aquela era a mina imagem verdadeira.
Sorri...confiante, como não estivera desde o ocorrido. Não
seria tarde demais...nao era tarde demais, como Carlo dissera, não!
Aquilo seria sim...apenas o começo!
- Olha, tá tudo
pronto lá! Eu vou precisar ir agora, você fica bem por
aí, né?
Aparentemente sem lembrar das perguntas
anteriores, Aldebaram retornava ao quarto ainda sorridente. Eu
retribui a isso dando-lhe um inesperado abraço, ficando na
ponta dos pés para beijar-lhe as bochechas.
- Obrigada,
Aldebaram! Por tudo!
Ri quando ele ficou vermelho e tentou
disfarçar:
- Então...eu preciso resolver umas coisas
lá embaixo, afinal a festa do Dohko é amanhã!
-
Festa?
Perguntei com um subito frio na barriga...mas eu já
previa a resposta.
- Uai! Não foi por isso que você
voltou? O aniversário do Dohko é amanhã e todos
vamos nos reunir no salão para uma festinha!
- É
mesmo...
Murmurei...acompanhando Deba até a porta da
casa...foi quando ele se virou pra mim e percebendo mais uma vez
minha insegurança, falou:
- Tá aí uma boa
oportunidade de você mostrar pra todo mundo quem você é
de verdade, que tal! Assim o Carlo passa a amar isso em você
também.
Como assim! O que ele queria dizer com...
-
Também?
E o cavaleiro se limitou a sorrir pra mim
bagunçando meus cabelos com a grande mão, como um
verdadeiro irmão mais velho...querendo me dizer que só
eu não percebia...o quanto Carlo...sempre me...
- Vai lá
tomar um banho e depois direto pra cama, viu moça? A gente se
vê amanhã!
Acenou descendo sem se importar com a
chuva fina que caia na noite.
Ele tinha preparado tudo
mesmo...acho uns oléozinhos de banho, colocou a oalha e uma
pijama quentinho do lado...não sei ao certo quano tempo fiquei
imerso na água reconfortante. O corpo dolorido, as cólicas,
o enjoo finalmente passando...sai encapotado, sem deixar de pensar um
minuto do que ele falara. Estava implícito, claro, mas sempre
esteve! Carlo me amava e eu nunca vi...eu tive medo de ver. E então
toda a discussão voltou a minha mente. É claro! Carlo
nunca faria uma declaração melada...aquele foi o modo
deele de dizer que também gostava de mim e eu não
percebi!
- Como fui um idiota, eu nao acredito!
Falando sozinho
me dirigi à cozinha e me surpreendi mais uma vez com a atençao
do colega da 2a. casa...um copo de leite e 2 comprimidos para dor.
Balancei a cabeça, inconformado, e tomei de uma vez.
- Quem
manda gostar de algúem tao turrão e ciumento,
Afrodite?
Eu dizia a mim mesmo enquanto me arrumava entre as
almofadas, travesseiros e cobertores na cama. Tudo agora passava a
fazer sentido. Carlo além de ciúme, sentiu raiva ao me
ver me deixando levar pelas aparencias, coisa que eu nunca havia
feito. Precisei perceber da pior maneira que, verdadeiramente, não
é isso que importa e que, de uma maneira estranha e surreal
vindo dele, Carlo preferia da maneira como era antes! Mas não
era tarde demais, como já falei...apenas o começo!
E
pensando em como seria o dia seguinte, meus olhos pesaram...e durmi
um sono sem sonhos...
"Devias vir
Para ver os melhor
olhos tristonhos
E quem sabe sonhavas meus sonhos
Por
fim."
CONTINUA...
N/A: Olha...eu sei...o último foi a 6 meses atrás...Mas vem tá? Não se preocupem...pode demorar muito mas vem! Não posso dizer que foi um parto...da mesma maneira que foi minha imaginação voltou e escrevi isso em uma tarde! Peço críticas, afinal faz muito tempo que não escrevo. Só não me trucidem tá?
Música incidental: Cartola - As Rosas Não Falam
(1) Shaka está morando na India depois de se encontrar numa viajem em busca de seu passado. Leiam APENAS UM SER HUMANO para saber mais.
PS: O Aldebaram não é fofooooooooooo!
