"Lembra-te, portanto, do que tens recebido e ouvido, e guarda-o, e arrepende-te. Pois se não vigiares, virei como um ladrão, e não saberás a que hora sobre ti virei." Apocalipse 3:3
Ato IV: Mercenário
Pagar para matar,
morrer para perder,
caça ou caçador,
o que você é?
Diabo vem novamente
para fazer dos homens, suas tropas
Perca sua pele,
perca seu crânio,
um a um o saco está cheio
No calor desidratante,
onde acontecerá seu último suspiro
Sem lugar para correr,
sem lugar para se esconder,
você tem que matar para viver
Não lhes demonstre medo, não lhes demonstre dor
Coração humano,
mente humana,
intelecto confuso
Olhar aguçado na noite,
observe a selva queimando
Passo à passo atravesse a linha,
todos foram pegos no flagra
Poder do ferro, punhos de ferro,
como isso tudo veio à tona?
Sem lugar para correr, sem lugar para se esconder,
Você tem que matar para viver
(The Mercenary – Iron Maiden)
A cena era essa: no jardim da grande mansão, estava, de um lado, a senhora Potter, estática, com a varinha nas mãos. Do lado oposto, de pé, num misto de choque e fúria, Tiago Potter. À direita deles, se erguendo, estava o demônio aranha Nahemah. E, no centro deles, Leah, com o pequeno Harry grudado na bainha de sua espada.
- ...E agora, José? – murmurou Leah, sem saber para onde correr.
Nahemah guinchou, ferida, e avançou. Leah olhou Tiago, que também avançou nela, furioso. A bruxa, então, olhou o pequeno Harry, preso em sua bainha.
- Sacode, sacode, sacode! – sorriu a criança, achando aquilo muito divertido.
- Se liga, trouxinha. – murmurou Leah, jogando a bainha da espada para Tiago, que parou de repente, aparando o filho nas moas – Toma que o filho é teu, santo.
E foi a vez de Leah, segurando a espada com as duas mãos, avançar em Nahemah. Correu veloz por debaixo das patas do demônio, e tomou impulso para o alto, passando a espada na diagonal, caindo metros atrás da aranha, que guinchou e perdeu uma das pernas. Ao virar-se, Leah foi atingida em cheio pelo jato viscoso do sangue esverdeado da aranha, que se debateu de dor. A bruxa fez uma grande cara de nojo, tentando tirar do rosto toda aquela meleca.
- Ah, que NOJO! Tudo bem que sou um cadáver, mas daí já é sacANEAR DEMAIS!
Leah aumentou o tom de voz, terminando a frase gritando, porque ao abrir os olhos e olhar para frente, um ônibus vinha voando em sua direção. Nahemah, louca de dor, agarrou um ônibus escolar vazio, estacionado na beira da rua, e o atirou em Leah.
A única coisa que ela teve tempo de fazer foi encolher o corpo, colocando as mãos para a frente. O bico amassado do ônibus bateu em seus braços... e foi jogado com as rodas para cima, pelas costas de Leah. Ao perceber o que tinha feito, Leah olhou para trás, espantada.
Ignorou Lilian, Tiago, Harry e Nahemah, e caminhou até o ônibus. Com uma das mãos, segurou o para-choque do ônibus... e o ergueu, tirando-o do chão alguns centímetros. Leah, de boca aberta, e olhos arregalados, começou a sorrir:
- AH!... TÁ ZOANDO! – e olhou para trás, sorrindo, malvada.
Tiago tentava retirar Harry daquela teia, mas não conseguia. Não demorou para ele ficar nervoso e tentar fazer força, fazendo Harry chorar. Lília atravessou a rua correndo, e, com um feitiço, rompeu as teias, abraçando Harry, aliviada.
- Preciso... comida... – gemeu Nahemah, que, se arrastando, vinha na direção dos três.
Tiago abraçou a esposa e o filho, e apontou a varinha, um tanto trêmulo. O demônio abriu a boca, mostrando suas presas.
Na mesma hora o enorme ônibus a acertava em cheio, arrastando-a metros pelo passeio e pela rua, deixando um rastro de estilhaços do ônibus, de sangue verde e de pele e casca. E, metros ao fundo do lugar, Leah erguia os braços, contente:
- ...GOOOOOOOOOOOOOOOL!!!!!!!!!!
Silêncio absoluto. Até que o hidrante não resistiu ao impacto do monstro e do ônibus, e a pressão da água o estourou, começando a molhar a rua inteira, num jorro de água bem alto.
Lílian ofegou, pondo a testa no peito de Tiago, abraçada à Harry, que parava de chorar, olhando a cena do ônibus sobre o demônio.
Leah caminhou em silencio pelo passeio, até chegar à bainha de sua espada. Abaixou-se, pegou-a, e a embainhou, para depois colocá-la nas costas, na diagonal. Passou a mão pelo rosto de novo, tirando a nojenta geléia verde do interior do demônio, que agora lhe envolvia quase o corpo todo.
O arcebispo Joaquim surgiu de um pequeno turbilhão de penas brancas e, em silêncio, caminhou até o que restara do demônio. Em silencio, orou, e de seu cajado dourado, vários feixes de luz saíram, e o corpo do demônio desapareceu.
- ...Estão bem? ...Espero que sim. – sorriu Joaquim, sereno, chegando perto de Tiago e sua família.
Na mesma hora Sirius, Snape e Lupin, com roupas de Aurores Supremos, apareciam.
- EU VI VOCÊ MORRER!- urrou Tiago, avançando em Leah – Eu vi você ficar naquele tanque em decomposição por CINCO ANOS! Eu vi você ser esquertejada e...
Antes que ele tocasse em Leah, Sirius o segurou:
- Calma, Tiago, não é hora disso.
E antes mesmo que ele reagisse, Lupin visou:
- ...Tem um demônio no Ministério. Vamos embora.
Joaquim parecia cansado, mas acenou com a cabeça, e desaparatou.
- ...Ministério? – ofegou Tiago, parecendo esquecer-se de tudo.
- Vamos lá, amor. – sorriu Snape, olhando Leah, que parecia cabisbaixa e quieta demais – Ninguém tirou você do além-tumulo pra ficar tomando solzinho e olhando florzinhas amarelas de gramados bem cuidados. Mova essa sua bunda em decomposição agora.
Leah o olhou estreitamente, mas acatou à ordem, e sumiu também.
Tiago parecia nervoso, por ficar só com Lupin, Lilian e Harry.
- ...Vou atrás deles.
- Tiago! Não! – pediu Lilian, parecendo começar a se apavorar com tudo o que tinha acontecido – Fique. Eles já foram.
- ...Lupin cuidará de você. – resmungou, ofegante, desaparatando.
Harry ergueu o olhar para a mãe, que o olhou, parecendo triste. Lupin, estupidamente sem jeito, apertou os ombros de Leah, e disse, em tom baixo:
- Acalme-se, Lilian, já acabou. Vamos para dentro de casa, vocês precisam descansar.
Dentro de casa, Lílian levou Harry até o berço. O olhou, emocionada, lhe beijou, e o deixou deitado, e ele, como mágica, adormeceu, bem tranqüilo. Em seguida a mãe pôs as mãos no berço, respirando fundo, pensando. Lupin, sem graça, se manteve na porta do quarto do bebê. Sentia-se extremamente constrangido ao ver-se sozinho ou ao lado de Lilian. Ainda sentia-se assim, o que era pior.
- ...Tudo bem, Lilian? – perguntou ele, delicado - ...Você está...?
Lilian o olhou, por cima dos ombros:
- ...Quem.. ou o quê era aquilo? – perguntou, tremendo – Ou melhor, o que está acontecendo aqui?
Lupin pensou, baixou os olhos, imaginando como poderia resumir. Ainda que Lilian tivesse sido a maior de todos os Aurores Supremos, ela já estava longe de tudo, e não lhe dizia respeito mais nada. Até mesmo... por segurança. Então, ele respirou fundo, e disse:
- Está chegando a hora do Apocalipse.
Lilian abriu a boca, franziu as sobrancelhas, mas não disse nada. Lembrou do Joaquim, antigo amigo português, agora arcebispo, que lhe disse sobre demônios. Mas era difícil de acreditar. Mesmo porque...
- ...Eu... eu matei. – balbuciou a ruiva, sem voz, apontando o próprio peito, começando a tremer, andando até Lupin, que recuava passo a passo – Eu matei a Leah. Eu senti minha espada atravessar o coração dela. E ainda que ela tivesse envenenada, eu senti o sangue dela escorrer por entre meus dedos. Eu escutei o coração dela parando de bater. Eu estava com ela nos meus braços quando ela parou de respirar. EU, MAIS DO QUE QUALQUER PESSOA NESSE MUNDO SEI, E A VI MORRER.
- ...Não sei como aquela criatura surgiu. – murmurou Lupin, visivelmente nervoso, com Lilian avançando nele, passo a passo, até pressioná-lo contra a parede do corredor.
- EU SABERIA RECONHECER A LEAH EM QUALQUER FORMA OU LUGAR, NEM QUE SE PASSASSEM MIL ANOS! – exclamou Lilian, tremendo – E não importa como conseguiram, mas SIM, TROUXERAM ELA DE VOLTA, e eu quero saber POR QUÊ!?
Lupin olhou Lílian, que estava pálida. Ele suspirou, descendo as escadas da casa na direção da porta:
- ...Eu te disse que é hora do Apocalipse. – e antes que Lilian dissesse qualquer cosia, Lupin abriu a porta, e terminou – Você, como cristã, também deveria saber melhor do que ninguém. – e saiu.
Mas Lilian abriu a porta correndo atrás dele, e o alcançou, ofegante, no passeio:
- Espere! – chamou, apoiando-se nos joelhos, completamente sem fôlego depois da curta corrida pelas escadas e pela casa – Joaquim, vocês... esses demônios... são vocês que estão lutando contra eles, secretamente, não são?
- ...Secretamente ou não, tenho de ir. O Ministério está sendo atacado. E ainda que eles tenham nos proibido de atacar demônios, acho que agora eles vão mudar de idéia.
- Me leve junto.
- Não. Fique, tem que cuidar de Harry. – Lupin olhou Lilian, que parecia ansiosa para ir, e conseguiu reunir dentro de si toda a frieza e serenidade, para dizer – Você está fora há 5 anos, Lilian. Não tem nada que você possa querer fazer, ou fazer. Você não vai ajudar em nada na atual conjuntura. Fique, cuide da sua casa e do seu filho. São seu mundo, agora. Deixe que do mundo dos outros, nós, Aurores Supremos, cuidamos.
E desaparatou, deixando Lilian um tanto chocada e pensativa.
O saguão principal do Ministério era um campo de batalha. Vários bichos estranhos destruíam tudo. Tinham a altura de crianças, mas pareciam um cruzamento de crianças com sapos. Tinham preso nas costas um casco de tartaruga, tinham olhos grandes, pretos, e cabelos arrepiados e vermelhos. Suas mãos e pés tinham membranas como as de sapo, mas unhas muito afiadas, e dentes igualmente perigosos.
Os aurores já tinham desistido de atacar, ajudavam os bruxos a tentarem sair sem ferimentos de lá. Os aurores de maior patente, que usavam uniformes parecidos com os dos Supremos, tentavam conter a fúria dos bichos, mas era impossível.
Os "Caça-Demônios" chegaram, e ficaram, de certa forma, extasiados com as toneladas de folhas de pergaminho espalhadas pelo saguão e a amplitude da bagunça.
- UAU. – exclamou Snape – Adorei eles.
- São Kappas. – falou Sirius, estreitando o olhar – Demônios do folclore Japonês.
- Não importa de que cultura são. – murmurou Joaquim – São demônios, e estão aqui a serviço do príncipe das trevas.
Leah olhava tudo aquilo em silencio. Caminhou até a frente da estátua da entrada do ministério. Os Kappas pulavam, gritavam, devoravam, rasgavam, faziam de tudo. Mas não pareciam notar os novos visitantes.
- ...Tem alguma coisa de errado nisso. – murmurou.
Nisso Thiago aparecia, e tropeçava nos próprios pés, apavorando-se com a cena:
- QUE É ISSO?!
- Agora acredita na gente, já que a parte te toca? – perguntou Sirius, alfinetando.
- Bem vindos ao fim dos tempos! – exclamou alguém, vindo de uma cascata de papéis brancos que dois Kappas, estes parecendo diabretes, porque tinham asas – Estão gostando da nova decoração?
- Professor Dumbledore! – exclamou Tiago, num misto de alívio e confusão – Que bom que o senhor está aqui!
- ...Não sou seu professor, quantas vezes tenho de repetir? – retrucou, bravo, e virou-se para Joaquim – Como foram?
- ...Eles não atacam ninguém. – disse Leah, ainda de costas para todos.
- Ah, sim, que bom que percebeu rápido. – sorriu Dumbledore, caminhando até Leah, com os dedos entrelaçados – Eles não atacam ninguém.
Tiago, no desespero, sacou a varinha e atirou para o alto. Uma dúzia de Kappas avançaram nele, como vespas, e ele teve de fugir pelo saguão, misturando-se à multidão em pânico. Dumbledore perdeu o sorriso, desentrelaçando os dedos e coçando a cabeça:
- ...Exceto os estúpidos que os atacam primeiro.
- Era de se esperar. – murmurou Snape, desviando-se de uma lixeira.
- Então...? - perguntou Sirius, abaixando-se quando um dos Kappas jogava uma gaveta – Por quê estão aqui? São demônios, não são?
- Estão aqui para desviar a atenção. – disse Leah, dando as costas e saltando para o que restou da estatua do saguão, para poder olhar todo o local.
- Isso mesmo. – concordou Dumbledore.
- Achei! – exclamou Leah, saltando no chão e correndo para um dos longos corredores.
Dumbledore, satisfeito, olhou o arcebispo:
- Senhor Joaquim... venha comigo. – e olhou seus Aurores Supremos – E vocês, meus garotos... Ajudem esses pobres ignorantes.
Leah havia se adiantado por um longo corredor vazio. Incrivelmente, era o único corredor sem qualquer sinal de ataque ou de Kappa. Todos os outros estavam absolutamente tomados pelos pequenos demônios. Muito atrás, Joaquim e Dumbledore caminhavam a passos largos.
- ...Onde esse corredor chega? – perguntou o religioso.
- ...Na ultima sala desse lugar. – sorriu Dumbledore – Na sala do Ministro.
Em seu gabinete, o Ministro estava encolhido atrás de sua cadeira – ou o que restou dela. E, de pé, sobre a mesa, estava o líder daqueles demônios, um Kappa, mas muito maior que os outros. Era uma montanha de músculos, com a pele viscosa e com a mesma cor e textura da de um sapo. Seus dentes eram muito maiores, e em seus ombros, joelhos, pés e mãos apareciam grossas escamas de peixe, como um couro de proteção. Carregava como armadura nas costas um enorme casco de tartaruga gigante. As unhas também eram afiandas, e seu cabelo, um misto de cabelos vermelhos e algas podres, estavam amarradas por um cipó.
E, pela sala, pedaços dos corpos dos quatro aurores que tentaram proteger o Ministro.
Foi com um grande estrondo que a porta de madeira do gabinete veio ao chão, fazendo o kappa olhar para trás.
- Olha, se eu fosse você não o comeria, pode fazer mal. – disse Leah, de pé sobre a porta, que jazia no chão – Sua mãe nunca te ensinou a não comer porcaria?
O demônio avançou, sem pensar. Leah sacou a espada. Mas sua mão literalmente voou para a parede, junto da espada.
- ...QUE FOI ISSO? – exclamou, apavorada. Ao olhar para a frente, deu de cara com as nojentas solas dos pés do kappa, que lhe carimbaram a cara, laçando-a de volta ao corredor.
Leah se pôs de pé, olhando o braço. Sua mão havia literalmente despregado do braço.
- ...Aquela tal poção... – pensou, apavorada – Aquela poção que eu sacaneio chamando de formol... tá secando no meu corpo. Que merda, eu vou me decompor...?
O kappa pôs o rosto para fora do gabinete, e foi a vez dele levar uma bela carimbada das solas das botas de Leah, que o lançou do outro lado do lugar, quebrando um armário.
Ao levantar, o demônio sentiu algo bater dolorosamente no rosto: a mão de Leah, que a própria havia jogado. Ele a olhou, rosnando. Com a espada na mão esquerda, Leah avançou.
Desceu a espada na diagonal, desenhando um arco, mas o demônio virou-se de costas, protegendo-se com o casco de tartaruga, que se partiu. Em seguida ele atacou. Leah sentiu as unhas dele enterrarem no seu peito. O Kappa gargalhou, e disparou uma série de ataques, retalhando-a por completo. Leah cambaleou, caindo de costas na parede, e dali para o chão. O Kappa se aproximou, sorrindo maquiavelicamente. Leah piscou, olhando o próprio corpo: estava completamente retalhada, como os tórax dos aurores mortos da sala estavam. Mas... ela não sentia dor. Não sentia nada.
O ministro, tremendo, se ergueu. O Kappa deu as costas e caminhou até ele.
- Onde pensa que vai? – perguntou Leah, se levantando – Seu Mané, ainda não terminamos a brincadeira.
Com um rápido movimento do braço do demônio, Leah sentiu-se leve. E no instante seguinte, ela estava vendo o Kappa do chão. Para seu pavor, ao olhar para o lado, seu corpo tombava, decapitado.
- COMO ASSIM?! – exclamou, absurdamente consciente, mas com a cabeça separada do corpo – FALA SÉRIO!!
Quando Kappa se aproximou, o Arcebispo e Dumbledore apareceram. Imediatamente Joaquim iniciou um exorcismo, fazendo uma intensa luz branca tomar conta do gabinete.
O ministro se ergueu, com a ajuda de Dumbledore.
- ...O que está havendo nesse mundo? – gemeu, tremendo.
- ...Acho que o senhor agora sabe que o Arcebispo tem razão, não? – perguntou Dumbledore, inocente.
O Kappa, grunhindo, virou-se na direção dos dois bruxos.
- Ele vem pra cá! – exclamou o ministro.
Mas antes que ele se aproximasse, a espada de Leah atravessou o peito do demônio, pelas costas. O corpo de Leah, decapitado, tombou, trazendo junto a espada, abrindo a lateral do corpo do Kappa, que caiu ao chão, desfazendo-se em poeira negra.
- NOSSA. Agora sei como é difícil não ter a cabeça no lugar. – comentou "a cabeça" de Leah, no canto da sala. O corpo dela se ergueu, e saiu tateando pelo gabinete – Não, idiota! Aí não... Não! Aqui! AQUI! À esquerda! Esquerda! A MINHA esquerda, Não a SUA esquerda, cacete!
Dumbledore, sorrindo, pegou a cabeça de Leah do chão, e a colocou de volta.
- Não se mexa. – pediu, para, em seguida, conjurar com a varinha uma linha grossa, e uma linha também grossa, preta. E, com um movimento, a agulha entrou e saiu do pescoço de Leah, "costurando-a" no lugar. – Pronto.
- Hum... valeu. – agradeceu Leah, indo buscar sua mão.
Joaquim, Dumbledore e Leah olharam o Ministro, que suava.
- Vocês... vocês me devem uma explicação. – gaguejou, apontando Leah, apavorado.
- É... devemos. – sorriu Dumbledore – E você nos deve... o mínimo de credulidade.
No saguão, os kappas menores também morriam. Os bruxos suspiraram, aliviados. Assim que o quarteto apareceu no fim do corredor, Tiago correu até eles:
- Ministro! – exclamou – O senhor está bem?
- Estou. – respondeu, batendo a mão no braço de Tiago e indo em direção ao centro do saguão, onde os bruxos que ainda estavam ali se reuniram. Sirius, Lupin e Snape mantiveram uma certa distância. Longbotton, que também estava lá, se aproximou – Muito bem, por favor, se aproximem!
- Lá vem bomba. – murmurou Snape, cruzando os braços.
- ...Hoje tivemos a prova de que algo muito grave está acontecendo. – ofegou o Ministro, arrumando as vestes e o cabelo, e apontando Dumbledore e Joaquim – Não sei dizer ao certo o que é... mas começo a acreditar nas historias cristãs desse jovem religioso.
Nisso Leah aproximou-se de Lupin, e lhe entregou a própria mão:
- ...Costura pra mim? – pediu, simplória.
Lupin arregalou os olhos, apavorado com aquela... coisa nas mãos.
- É. Ela saiu. – murmurou Leah, mostrando a cotoco do braço rasgado.
Um baque surdo foi ouvido, e Sirius riu: Snape acabava de desmaiar.
- ...Que marica, Snape.
- ...Em casa eu costuro. – murmurou Lupin.
Nessa hora, o Ministro virava-se para o grupo. Mais precisamente Leah. Ela olhou ao redor, um pouco apreensiva, e olhou o Ministro. Atrás dele, Tiago lhe olhava, furioso.
- ...Você, se aproxime. – chamou o ministro, sério.
Leah coçou a nuca, e se aproximou, como um bicho acuado. Não sabia ao certo o que lhe aconteceria, mas depois ela pensou que, se já estava morta, o que poderiam lhe fazer? Dor ela não ia sentir mais. Humilhação? Ela mataria todo mundo ali, e provavelmente não poderia ser condenada à morte de novo.
- VOCÊ. – balbuciou o Ministro – Foi chamada de demônio, foi condenada e morta por mim. Teve seu corpo conservado como troféu por anos. Foi esquartejada e exposta como um troféu. Eu não me esqueço de você, Leah. E jamais poderei esquecer. Nenhum de nós pode.
Leah o olhou, desdenhosa, e murmurou:
- Osso do ofício.
O queixo do ministro tremeu e ele, emocionado, literalmente se ajoelhou aos pés dela, lhe reverenciando:
- E em troca... você foi trazida do além vida para nos proteger desses demônios, salvou meu ministério e a mim. Eu não sei o que eu poderia fazer para reparar tantos erros, mas, por favor, NOS PERDOE.
Não teve um bruxo que Não arregalou os olhos de espanto. O Ministro, sem receio, segurou a outra mão de Leah, e se ergueu, mas baixando a cabeça para tocar-lhe a mão com a testa:
- Se esse tal Deus existe, ele nos mandou você para nos salvar do tal Apocalipse que se aproxima. Conte conosco. – ele ergueu-se, e levantou o braço – Atenção todos! Eu agora nomeio essa mulher como sendo a principal bruxa responsável pela segurança nesse mundo! Ela está sendo elevada à condição de herói. Ou mais: de semi-deus ou de deus. Que todos nós sejamos eternamente gratos à ela, e que passemos a tratá-la com o maior respeito e dignidade que possamos ter! VIVA!
Os bruxos aplaudiram, gritaram vivas, ovacionando aquela que, em vida, fora considerada o grande mal personificado. Leah olhou Dumbledore e Joaquim, incrédula, tal como os antigos colegas. Tiago tinha a boca aberta, absolutamente sem reação nenhuma. O ministro, emocionado, apertou Leah pelos braços, dizendo:
- ...Nós queremos você junto conosco, até o fim dos dias. Lhe daremos tudo o que precisar.
E se alguém ali estava achando que o fim do mundo estava se aproximando... agora tinha certeza disso.
N.A 1: Quanto tempo, heim? Bom, sumi daqui, da EdD, da Floreios e Borrões, de tudo, vocês sabem. Mas estou de volta. – Se Deus quiser e eu também, é claro. (heheheh)
N.A 2: Olha só que reviravolta! Leah de demônio a anjo da guarda do ministério, heim, heim, heim??? Que coisa, não? Como sempre, perdoem os erros, não tem betagem.
N.A 3: Não tenho mais nada de útil a acrescentar. Ah, não, tenho sim: Leah se decompondo eu tirei do vilão do Anastácia, Rasputin. Ele vende sua alma em troca da morte dos herdeiros Romanov. Só que a princesa caçula, Anastácia, não morre, então como castigo ele fica com o corpo "morto" por quase vinte anos, num tipo de dimensão entre a vida e a morte. E quando ele volta pra matar a Anastácia, ele fica perdendo partes do corpo aleatoriamente. É muito grotesco e engraçado. Ele é meu vilão preferido, junto do Scar de O Rei Leão e do Gastón de A Bela e a Fera, esses últimos dois, da Disney. Anastácia é um longa metragem da Fox Film.
N.A 4: Até o próximo capítulo!
