Cap.04
Harry, Marvin e aquele estranho coelho aloprado tinham escolhido começar o tour pela mansão no segundo andar. Foram para um corredor que não conheciam e que cheirava bem e depois foram entrando em todas as portas que achavam.
Já tinha começado a escurecer, e a neve parecia estar se cansando de cair. Mas ainda não tinham encontrado nada de muito útil ou estranho até aquele momento. Uma porta os levou para um aposento com 4 cadáveres enforcados e uma cadeira no centro. A outra os levou para um banheiro onde um gato parecia ter morrido de tanto vazar na privada e em outro aposento só havia uma janela aberta e uma pequena poça de sangue no chão. Nada que devesse preocupar qualquer ser humano normal.
Quando o passeio estava começando a ficar monótono, eles perceberam que estavam perdidos. Tinham entrado em tantos corredores e em tantas portas que não faziam a menor idéia se estavam pelo menos no segundo andar. Harry vislumbrou uma porta a sua esquerda e de lá saía uma estranha borda esverdeada. Ele a abriu e a fechou antes que o robô depressivo e o coelho pudessem entrar também.
O quarto em que se encontrava era completamente escuro. O coitado não conseguia nem ver a própria perna e, quando percebeu isso, tentou sair, mas a porta tinha se trancado sozinha. Quando o pobre garoto estava começando a entrar em pânico uma luz verde apareceu no centro do aposento, iluminando uma esfera de cristal que estava em cima de uma mesa. O que o deixou ainda mais em pânico.
-VOCÊS ESTÃO TODOS CORRENDO PERIGO DE VIDA AQUI ! - A bola de cristal gritou com uma voz de mulher, no momento em que a feição de uma aparecia na forma de uma fumaça verde no interior da esfera.
-FUJAM, ENQUANTO PODEM!
-Se você destrancasse a porta eu fugiria com um maior prazer! -Harry gritou enquanto começava a ouvir batidas na porta.
-Desista, coelho, ele não vai abrir. Harry nos odiava. Ele queria que nos perdêssemos aqui, para se livrar de nossa infame presença. Até eu mesmo quero livrar-me dela. - Marvin falava com o seu amigo monocromático.
-Uaaaaaaaaaarrrgh!
-Como quiser. Eu vou embora. Todos aqui não notarão a diferença, mesmo. - O robô estava indo em direção ao final do corredor que estava muito mal iluminado, quando viu uma estranha sombra aparecer lá no fundo.
-Muito queijo e pouco picles deixam pequeno Jack muito feliz! Hihihi! Muito queijo e pouco picles! Muito feliz! Muito feliz!
-O ASSASSINO PERAMBULA JUNTO À SUAS VÍTIMAS E AS FAZ DE OTÁRIAS! - A voz feminina gritava de dentro da bola de cristal e as batidas na porta começaram a ficar mais intensas e rápidas. E para desespero maior de Harry, vários garfos, facas, trombones, cadeiras, doninhas e colheres começaram a voar pelo quarto.
-E SE VOCÊ SE TRANSFORMAR NO QUE VOCÊ MAIS TEME, NO MOMENTO EXATO, COMO ELE, VOCÊ SERÁ JULGADO!
Harry começou a voar também em círculos pelo quarto e as batidas se tornaram completamente desesperadas.
-NÃO SE ESQUEÇAM DAS MINHAS PALAVRAS, POIS MAIS VÍTIMAS ELAS IRÃO FAZER! - Harry foi jogado no chão junto com todas aquelas outras coisas que caíram em cima dele e as batidas na porta cessaram.
O salão principal da mansão estava vazio, exceto pela Betsy, que estava sentada em uma poltrona se masturbando.
Já estava escurecendo quando ela ouviu algém começar a cantar bem alto e apaixonadamente.
-"Meu anjo da músicaaa! "-O Fantasma da Ópera apareceu no salão segurando um buquê de flores (que você não vai querer saber daonde ele tirou) e indo até ela, ajoelhando-se a seus pés.
-"Meu anjooo da múusicaa!"
- O que você quer?
-"Declarar meu amor pra vocêee!!
Porque sem a sua paixão não vou,
Mais poder viveeeer!!
Deste ponto, não há retorno!
Sem você vou ser um homem morto!
A minha paixão!!
Cobre de felicidade!
O meu coraçãoo!!
Betsy, casa-se comigo?"
A mulher, por um momento pareceu estar sem nenhuma reação, mas depois de um tempo começou a soltar gargalhadas.
Ela se levantou da poltrona, arrancou as flores da mão do fantasma e as enfiou dentro da própria calça.
-Hehehe. Sua criatura miserável. Hehehe. Pensando que pode ter alguma coisa com a Deusa do Sexo. A Deusa do prazer! Hahahaha! Olhe para si mesmo! - ela arrancou a máscara do Fantasma, deixando parecer a sua queimadura na face, o fazendo lembrar de todos os horrores que sofreu na sua juventude por causa dela.
-"Betsy, mas..."
-Não continue com a sua terrível desafinação, por favor. Com uma cara como a sua, eu não teria um orgasmo, nem usando viagra. Hahaha! Só pode estar de brincadeira, mesmo - quando ela acabou de falar isso colocou a mão dentro da calça, espremeu bastante o buquê de flores, o tirou de lá e o tacou na cara do Fantasma da Ópera. - Se contente com isso. Pois vai ser o máximo que conseguirá de mim. Hahaha! Que piada. Casar! Hahaha!
A Betsy deixou o Fantasma ajoelhado, sozinho e desolado.
-Criaturas como todos vocês, não deveriam existir nesse mundo de luxúria - ela subiu as escadas e foi em direção ao seu quarto.
Pareceu se passar vária horas e o coitado ainda não tinha se recuperado. Estava se lembrando dos bons momentos. Quando ele viu a Besty batendo punheta com tanta graça pela primeira vez, como ela delicadamente se masturbava, quando ele teve desejos sórdidos pela primeira vez sobre o dedinho dela.E quando ele passou horas tentando compor uma música tão fantasticamente sexy como ela. E agora a única coisa que tinha lhe restado era um bocado de flores todas meladas.
Ele colocou a sua máscara de volta e levantou-se. A fúria de uma paixão resplandecia nos seus olhos. Dirigiu-se a uma das armaduras medievais que residiam ali e arrancou da mão dela uma espada.Os quadros observavam o que tinha restado daquele homem subindo as escadas e indo em direção aos aposentos da Betsy enquanto cantava cheio de ódio:
-" Betsy!! Dos infernos!!
Você vai ter que escolher!
Dejeso! Eterno!
Ou no inferno, arder!!"
Cócorócocó!
Dum! Dum! Dum! Isso não é o castelo Rá-Tim-Bum!
Dum! Dum! Dum! Isso não é o castelo Rá-Tim-Bum!
Harry se levantou com um susto tremendo. Já tinha amanhecido. A sua cabeça estava doendo bastante e só se lembrava de uma colher ter ido de encontro a sua cara. E quando olhou para a bola de cristal se lembrou que um trombone o tinha atingido também. Então ele descobriu que a porta não estava mais trancada e foi em direção ao salão principal.
Estava um alvoroço. Harry quase foi atropelado pelo Hannibal duas vezes, enquanto este discutia com Jack Torrance.
-Como você acha que foi suicídio?! Não viu o bilhete deixado nele também?
-Senhor Lecter, se fosse assassinato, a espada teria sido encravada por detrás dele e não pela frente. Ou você acha o que? Que o piano o matou?
-É exatamente isso que o assassino quer que todos acreditem! E quanto ao bilhete?
-Talvez o Fantasma tenha achado a idéia do Smith inspiradora e decidiu fazer também!
Harry estava tentando descobrir o que tinha acontecido até olhar para sala de música e ver o corpo do Fantasma da Ópera debruçado sobre o piano com uma espada encravada no seu peito e consequentemente na cadeira onde estava sentado.
-Descobrimos o corpo dele assim meia hora atrás - Alfred Psicosis veio falar com o garoto.
-Meu Deus.
-É. Na hora eu entrei em pânico e saí correndo pela mansão. Mas eu já me recuperei. Foi como eu disse antes, todos nós vamos morrer.
-Tinha um bilhete nele também, não tinha?
-Sim. Hannibal o achou dentro de um buquê de flores meladas que estavam enfiadas no pênis dele. Estava escrito assim:
" Deste ponto não há retorno!
Pois eu já estou morto! "
-Sarcástico, não acha? - Alfred perguntou
- Sarcástico, não. Cruel.
Nessa hora, o mordomo apareceu no salão.
-Desculpe incomodá-los, mas o café da manhã está pronto. E eu ficarei muito feliz se vocês todos comparecerem desta vez, já que no almoço e no jantar os senhores Potter, Torrance, Marvin e Coelho Aloprado não estavam presentes. Obrigado.
- Harry, é que você não viu ontem o almoço e a janta. Lasanha aos quatro queijos e a noite foi tortelette de queijo com sopa de queijo. -Hannibal explicava para o garoto porque o café-da-manhã era apenas queijo novamente. - E o mordomo não quis nos explicar por que.
Agora a mesa do café estava um pouco mais vazia. Duas cadeiras, o do Fantasma e o do Smith, não estavam mais ocupadas.
-E essa falta de proteínas deve estar te enlouquecendo, né, Hannibal? Você não está sedento por alguma carne fresca, não? Talvez a de um Fantasma? - Torrance desafiou.
-Não entendo. Você não acha que foi suicídio? Ou estou ficando confuso?
-É óbvio que foi suicídio!
-Por acaso alguns de vocês sabem algum motivo para ele querer se suicidar?
-Não consigo pensar em nenhum. - respondeu a Betsy, enquanto chupava um pedaço de queijo suíço.
-E você, velhinho aí do fundo. Não acha que está quieto demais sobre o assunto, Jigsaw? - Hannibal perguntou.
-Ele provavelmente não dava muito valor à vida. Mas isso está acima do meu poder agora. Cof! Cof! Preciso subir para pegar o meu remédio.
-Esse negócio todo me deixou deprimido. - Marvin se queixava.
De repente uma voz do nada apareceu atrás dele.
-Então vou alegrar o seu dia. Convido a todos vocês a darem um passeio pelo labirinto que há logo atrás dessa Mansão, hoje a noite. Vocês não vão se arrepender.
-À noite! Em um labirinto! Mordomo, tem certeza que é seguro com um lunático a solta? -Harry perguntou.
-Absoluta. Aliás, tem umas criaturas vivendo nas profundezas daquele lugar que são fascinantes! Vocês vão amar!
-Mordomo?
-Sim, senhor Torrance?
-Você poderia botar um pouco mais de picles na comida, por favor? Não sei porque fiquei com esse desejo repentino.
Era uma noite fria e nebulosa, Harry descia as escadas, já arrumado para ir para o estranho labirinto. Tinha parado de nevar, mas ainda estava frio como o inferno, então o pobre garoto estava vestindo tantos casacos que quase não conseguia se mover,
Quando chegou lá embaixo (demorou cerca de dez minutos para descer as escadas) viu que apenas Alfred estava lá, sentado em uma poltrona e também vestindo um casaco.
-Harry, Harry, acho que só tem nós dois até agora...
-Também acho. - O garoto se sentou em uma outra poltrona ao lado de Psicosis.
-Harry, eu sei que ninguém quer tocar no assunto, mas eu preciso saber, quem você acha que de nós é o assassino?
- Ainda não tenho certeza, mas eu suspeito muito do Mordomo.
-O mordomo? Por quê?
-Bem, ele é o mordomo. E isso basta, certo? Mas, ainda por cima, você já reparou que ele evita nos mostrar aonde ele dorme?
Antes que Psicosis pudesse responder, os dois ouviram um forte barulho de vidro se partindo e depois de uma porta se abrindo com força e de uma estranha frase.
-Muito queijo e pouco picles deixam pequeno Jack muito feliz!! - Torrance saiu descendo as escadas rapidamente e se dirigiu para o salão de música, mas antes olhou para Harry e Alfred e disse:
-Aqui está, Jhony!! Hahaha!!
-Era impressão minha, ou ele estava segurando um machado? - Alfred perguntou.
-Ele estava.
-Então pressuponho que você vai suspeitar dele agora.- O Mordomo disse, atrás de Harry.
-Você estava aqui o tempo ...todo?
-Possivelmente. Afinal, eu sou o Mordomo.E isso basta para eu estar aqui, certo?
-Hã...sim...claro.
-Bem, assim que todos descerem vamos ir ao labirinto. Jhon não vai poder descer por causa que está muito doente e precisa ficar perto de seus remédios. E pelo visto, o senhor Torrance também não vai nos acompanhar. Hm, tudo acontecendo perfeitamente como deveria. O destino é perfeito e imperdoável, não acham?
-Todo mundo pronto? Podemos ir agora? - O mordomo perguntou. Torrance não tinha aparecido mais e Jigsaw não conseguiu nem sair da cama por causa do tumor. Hannibal, Betsy, Marvin e o Coelho já estavam arrumados para ir visitar o labirinto naquela hora da noite.
-Você tem certeza que não podemos ir visitar esse labirinto amanhã? De dia? Nós vamos todos morrer congelados lá fora! Vamos morrer!
-Psicosis,eu espero que ninguém morra essa noite e além do mais, nenhum de vocês é obrigado a ir. - O mordomo foi até a uma estante negra e velha que estava no salão, abriu a primeira gaveta e tirou uma vela, lá de dentro. - Está escuro lá fora, precisaremos de alguma iluminação.
-Porque não levar uma lanterna?- Hannibal perguntou.
-Uma vez eu transei com uma lanterna. - Betsy disse. - Ela ainda está entre o meu top 5. Mas você tem que fazer com ela ligada, que aí vai esquentando tudo, uma maravilha. Pena que ela ficou tão melada depois, que parou de funcionar.
-Eles têm medo de lanterna.
-Quem, mordomo? O que nós vamos ver?
-Quando chegar a hora, vocês irão saber.
-Eu não vejo o motivo do mistério, mas onde está o senhor Torrance? - Hannibal perguntou.
-Aparentemente, o excesso de queijo fez mal a ele.
-Eu também transei com um queijo. Mas com a lanterna foi melhor.
-Uaaaaaaarrrrgh!!
O mordomo acendeu a vela com um isqueiro de prata que ele guardava no bolso e abriu a porta principal da mansão.
-Vamos logo, antes que a Betsy transe com mais alguma coisa! -Harry gritou.
-Esse passeio vai acabar em lágrimas.- Marvin disse, antes que a porta voltasse a se fechar atrás dele.
Sem notas do autor dessa vez XD
