Devo ter ficado mal acostumado postando histórias tranquilamente no nayh, postar aqui é trabalhoso demais se compar.
Enfim, o que estão achando até aqui?! Curtindo? Amando? Querendo esmagar minhas bolas por fazer algo tão horrível? – Tomara que não seja esse último... – Deixem uns comentários aí embaixo sobre o que gostaram e desgostaram, o tio aqui fica feliz demais e escreve super rápido se tiver muitos comentários.
Ocupei a maior parte dessas duas horas preparando bentos pra levarmos na viagem. Não era muito necessário, mas eu fiz uma boa porção deles, umas dez marmitas enfeitadas – eu sei, eu fazia esse tipo de coisa – com maionese formando sorrisos nos bolinhos, e algas nos onigiris, formando as orelhas e os bigodes de um coelhinho.
Era o preferido do Kenshin. Eu gostava do gatinho...
Bem... Enfim...
Não tinha muito o que arrumar, já que eu não levava kunais, nem shurikens, nem senbons, nem qualquer outro equipamento ninja que me desse trabalho e não tivesse muita serventia prática além de me fornecer formas alternativas de matar, caso eu o fosse fazer. Pra mim, bastava um par de roupas extras, um outro quimono azul um pouco mais claro que eu usava normalmente, e estava pronto. Tinha ainda algum tempo pra matar, e fiz isso criando alguns pergaminhos de estocagem simples, pré-preparados. Selei as marmitas em um deles, ao todo umas dez marmitas com selos pequenos como o meu polegar pra se manterem aquecidas nas latas de metal.
Já estava pronto e com tempo de sobra quando, por hábito, ajeitei o lenço no pescoço e prendi a katana de madeira na faixa da minha cintura. Dei um último olhar pra dentro, e meu olhar cruzou com a espada de Gekko, apoiada num suporte de madeira eu eu tinha entalhado outro dia.
Ela parecia quase implorar pra mim leva-la com ela...
–Eu não posso usar você menina, eu prometi não matar...
Ela pediu por favor. Muitas vezes.
Acabei dando de ombros, e a coloquei junto na minha cintura, no mesmo lado da espada de madeira, dizendo que não importava o quanto ela esperneasse, eu não a usaria. Ela acabou concordando a contra-gosto.
–Venha, vamos dar um passeio...
Pulei para o chão, passando a caminhar distraidamente até o portão da vila. Andar com duas katanas na cintura me trazia memórias de antigamente, quando era um samurai, cerca de duzentos anos antes do bakumatsu, num tempo onde os ferreiros forjavam suas espadas com metal, ferro, sangue e a benção de seus Deuses. Nunca acreditei nisso, mas essas espadas sempre me pareceram mais firmes e resistentes, mais duráveis e determinadas que todas as outras.
Não era por causa dos Deuses. Era pelo coração do ferreiro.
"Tudo o que a mão toca, deixa seu toque". Fazer alguma coisa deixava uma marca nossa nela, mesmo que as vezes fosse imperceptível, e outras vezes fosse gritante. Uma espada era algo muito fino e muito delicado de se fazer, sentimentos podiam mudar a maneira como o metal se arrumava dentro da lamina. Ódio, raiva, dor, tudo isso se misturava e fazia espadas sedentas de sangue. Fé, determinação, coragem, lealdade... Fazia espadas cujos fios eram tão afiados quanto os olhos de quem os portava. Por isso espadas eram as armas superiores a quaisquer outras. Não importa o quão útil fosse uma kunai, uma shuriken, um bastão, um machado. No fim, todos eles se curvavam frente a imponência de uma espada afiada, por que os sentimentos contidos nelas não podiam ser parados, eles avançavam e se focavam nos seus gumes, faziam suas laminas cortarem através de tudo, passar através de tudo.
Cheguei no portão principal com tempo de sobra, mas Sasuke e Sakura já estavam lá. Sasuke sentado no chão, recostado em uma árvore e alheio a qualquer coisa, principalmente Sakura que fingia andar de um lado a outro pra passar rebolando na sua frente. Tazuna parecia perdido em pensamentos, olhando o terreno fora da vila, parecia apreensivo...
–Yo! – cumprimentei sorridente assim que cheguei. Tazuna deu um sorriso e acenou, cruzando os braços sobre o bastão de madeira. Sasuke não respondeu e Sakura gritou comigo por alguma razão. Não prestei bem atenção nela, por que... simplesmente não valia a pena.
Enquanto a rosinha continuava com seu desfile, e Sasuke, como sempre, não se dava ao trabalho de prestar atenção em nada, eu matei o tempo conversando com Tazuna. Ele me disse sobre sua família, embora não tivesse entrado muito em detalhes por alguma razão. Contou que a ponte seria ligada ao continente pra facilitar o comércio, que até então, era totalmente marítimo. Quando perguntei pra que criar uma rota alternativa, ele gaguejou qualquer coisa sobre política e economia, e que era muito complicado pra uma menininha entender.
"Eu sou um... deixa pra lá...".
Ainda que estivesse longe, senti o chakra dela se aproximar dali lentamente. Não era Kakashi com certeza, era um chakra mais almiscarado e picante, se fosse comparar, diria que era perfumado. O reconheci no instante em que senti, e me perguntei o que ela estaria fazendo ali, vindo claramente na minha direção, sem esconder o seu chakra como normalmente fazia.
Yugao.
Ela estava sem a máscara de gato e sem o uniforme da ANBU, vestida com calças shinobi simples e sandálias de cano alto, até o joelho. Não usava a jaqueta padrão de shinobis com nível acima de chunnins, em vez disso, ela vestia uma camiseta cavada simples que delineava bem seu corpo, ao mesmo tempo que era folgada.
–Vocês são o time sete?
–Quem é você? – Sakura apontou o dedo entre os olhos dela, abaixando os olhos para a camiseta onde as curvas de seus seios ficavam leves e arejadas – Acha que o Sasuke-kun vai reparar em...
Acertei a espada de madeira na cabeça dela.
–Quieta Sakura...
Ela tentou gritar de novo, a acertei mais uma vez.
–Quieta – me voltei pra kunoiche que observava tudo com a testa franzida, embora um sorriso tremesse nos seus lábios – Nós somos o time sete, a senhorita seria...
–Uzuki Yugao...
–Uzuki-dono – assentiu com uma mesura, e ela pareceu encabulada, mas retribuiu – Houve algum problema?
–Nada muito sério, fique tranquila – ela disse, sorrindo com o muxoxo que eu dei de "sou um garoto" – Kakashi-senpai teve uma emergência, e não vai poder comanda-los nessa missão, então o Hokage me designou pra ir no seu lugar.
–Eu compreendo, espero que não sejamos um incomodo...
Ela se atrapalhou de novo, com um leve rubor nas bochechas:
–Não, nada disso, vai ser divertido.
–Hai.
–Ah, mais uma coisa – ela disse – Kakashi-senpai deixou ordens de que, se qualquer coisa acontecer comigo, ou vocês três precisarem se virar sozinhos, você deveria liderar a equipe, Naruto-kun.
–Entendo – confirmei com a cabeça. Aparentemente, Sakura não.
–Como assim ele vai comandar a equipe?- ela gritou.
–Bem... – Yugao se fez de sonsa – Quer dizer que qualquer ordem dele, vocês devem seguir sem questionar.
–Mas por que esse idiota – ela olhou feio pra mim, que apenas sorri amigavelmente – Esta no comando? Isso devia ser obviamente o Sasuke-kun, já que ele é o mais forte e inteligente e...
Notando que a paciência de Yugao estava acabando, acertei a espada de madeira na cabeça de Sakura de novo. Ela ficou bem quieta após isso.
–Vamos, já estamos perdendo muito tempo...
Enquanto avançávamos, Sasuke e Sakura ficaram na retaguarda – posição que Sasuke odiou, e Sakura amou – e logo na frente, no centro do quadrado, Tazuna, que parecia olhar a sua volta meio assustado. Assustado demais pra um simples pedido rank C, mas não deveria ser nada. Na frente, Yugao e eu caminhávamos lado e lado, e enquanto ela parecia tranquila e despreocupada, pude notar que seus olhos vasculhavam os arredores a cada poucos segundos, como se estivesse mapeando o terreno em busca de armadilhas, e configurando estratégia após estratégia pra uma possível batalha. A conhecendo bem, era exatamente isso que ela estava fazendo.
–Naruto-kun?
–Hai?
–Você trouxe uma katana de madeira e outra de verdade... mas você aparentemente só usa a de madeira...
–Hai – assenti – Eu prometi nunca matar ninguém, então não posso usar katanas de verdade. Eu a trouxe só pra dar uma volta...
–Dar uma volta...?!
–Hai, ela parecia entediada, sozinha em casa.
Ela pareceu pensar.
–Você fala delas como se pensasse, e tivessem sentimentos...
Acabei sorrindo com isso.
–Elas tem, você só precisa saber ouvir, Uzuki-dono.
–Me chame só de Yugao – ela sorriu, agitando as mãos como se aquilo fosse desnecessário.
–Hai, Yugao-dono...
–Sério... só Yugao – ela riu – "dono" me faz sentir velha.
–Yu-chan – ri comigo mesmo quando ela corou, mas depois sorriu e deu um soco de brincadeira no meu braço – Você é uma ANBU não?!
Ela pareceu surpresa, me examinando por um segundo como se fosse um possível inimigo, mas depois seu olhar suavizou e ela abriu um sorriso impressionado.
–Eu sou, como sabe disso?
–A tatuagem no seu braço – apontei o pequeno símbolo – Eu reparei que todos os ANBU's tem isso, e como você chamou Kakashi-sensei de "senpai", estou supondo que ele já foi um também...?
–Você é tão esperto Naruto-chan – ela riu – kawaii...
Ri meio sem graça, até que senti uma faceta de chakra ameaçador. Olhei pra frente, e reparei numa poça de água algumas centenas de metros a nossa frente. Mas... uma poça?! Quando não tinha chovido em uma semana?
Ela notou meu olhar e seu sorriso só aumentou, mas deu um jeito perigoso.
–Então você notou...
–Você também? – ela assentiu – Você tem bons olhos.
–Eu é que devia estar dizendo isso pra você...
–Gomen...
–Como quer que eu proceda?
–Não era eu que devia perguntar isso pra você?
–Gomen...
Rimos como dois idiotas.
–Se esconda assim que tiver uma oportunidade, ou finja fugir ou algo assim – ela assentiu – Eu quero ver como aqueles dois reagem a um ataque...
–Você fala como se estivesse acostumado com isso...
Tentei parecer sem graça, e consegui corar um pouco.
–Eu estou um pouco assustado, mas acho que é minha responsabilidade tomar a frente, já que estou no comando...
Ela assentiu com um sorriso gentil, e não dissemos mais nada depois disso. Continuamos caminhando normalmente, enquanto Tazuna, Sasuke e Sakura passaram pela poça sem nem reparar que ela estava ali. O chakra permaneceu estável até que nós cinco tivéssemos passado, então repentinamente explodiu.
Dois shinobis com máscaras de gás e correntes pularam de lá, cercando imediatamente Yugao. Pude notar que ela trocou de lugar com um kawarimi bem antes deles chegarem, passando a se esconder entre as folhagens de uma arvore nas proximidades, pronta pra intervir quando fosse necessário.
–Sakura! Proteja Tazuna-san – eu gritei – Sasuke, cuide do shinobi a sua direta, eu pego o outro!
Nenhum deles me ouviu. Sakura congelou no lugar, tremendo sem ter qualquer reação, e Sasuke avançou em direção aos dois, sacando uma kunai com uma expressão raivosa. Ele tentou acertar uma shuriken pra prender a corrente na árvore, mas faltou e muito força pra isso, de forma que ela só ricocheteou inutilmente nos elos, caindo o chão com um tinado. Sem ter como reagir, por ter por algum motivo estúpido pulado pra jogar a shuriken, ele estava no meio do ar, e teria sido fatiado se eu não o puxasse pra trás, o mandando pro chão. Bloqueei ambos os ataques, segurando o braço de um deles e acertando um golpe nos dedos de outro, o fazendo largar a espada. Em seguida pulei pra trás.
E pela primeira vez em batalha – se bem que era a primeira de qualquer jeito – Segurei a katana na postura de ataque do estilo de Gekko.
–Shigure soen ryu: Samidare!
O ataque era basicamente uma finta, e uma das boas. Avancei com a espada numa única mão, e os dois shinobis tentaram bloquear o corte que viria em direção ao pescoços deles.
No entanto, a espada não estava na minha mão, estava caindo, onde a peguei com a outra. Com um giro rápido, eles foram mandados pra trás, inconscientes. Sasuke se levantou pronto pra dizer alguma coisa, mas acertei o cabo da katana na sua cabeça, o fazendo cair desacordado imediatamente. Em seguida caminhei até Sakura, e acertei um tapa no seu rosto, ela voltou a si imediatamente.
–Você... você matou o Sasuke-kun, eu vou...
Acertei outro tapa, e ela segurou a face avermelhada, olhando pra mim com fúria nos olhos.
–Ele esta desacordado, não morto – eu disse – Mas estaria se eu não tivesse interferido. Da próxima vez, cumpram as minhas ordens.
Ela não respondeu, embora pelo olhar tampouco tivesse aprendido a lição. Tazuna estava meio quieto num canto, tentando passar despercebido, embora ainda evitasse olhar pro que seria o corpo retalhado de Yugao no chão.
–Yu-chan, pode voltar agora – eu disse, e ambos pareceram surpresos até que o corpo ensanguentado voltasse a ser pedaços de tronco fatiado. Yugao pulou da árvore e veio caminhando para o meu lado.
–Muito bem Naruto-chan, você teve um ótimo desempenho – ela elogiou com um sorriso – Embora vou ter que relatar o comportamento desses dois ao Hokage...
–Eu entendo...
–Quanto a missão, Tazuna-san – ela disse, cerrando os olhos pra ele – Você tem muita coisa o que explicar.
Derrotado, ele se deixou cair num dos troncos. Mirando bem nossas faces neutras enquanto Sakura ia até Sasuke, tentando acorda-lo.
–Bem... eu estou supondo que vocês ouviram falar de Gathou...
–Você quer dizer Gathou, das navegadoras Gathou – ele assentiu – Ele é um dos grandões do transportes, todos o conhecem...
–Bem, isso é só a faixada. Na realidade, ele é um chefão da máfia que comanda negócios criminosos pelo mundo todo. Roubos, assassinatos, tráfico de drogas e mulheres, e todo tipo de crimes bárbaros. A algum tempo atrás, ele voltou seus olhos para a aldeia da névoa, e...
–Entendo...- murmurei – Por ser uma ilha onde todos basicamente vivem da pesca e do comércio com o continentes, se ele dominasse os transportes ali dominaria a vila toda.
–Bem, você entendeu tudo – Ele deu um sorriso azedo e Yugao sorriu orgulhosa – É por isso que ele teme a construção da ponte, com algo que nos ligue ao continentes, o controle dele sobre nosso comércio cairia...
–Inútil... – o interrompi, e ele me olhou surpreso – Uma ponte não vai ajudar em nada, Gathou apenas começaria a cobrar impostos pra quem atravessa-la, o transporte continuaria tão difícil quanto antes...
Foi triste ver a expressão de Tazuna cair para uma de completo desespero, enquanto o que seria a última esperança dele cair por terra daquela forma.
–Se é assim, eu...
–Temos que derrubar Gathou – completei, e ambos me olharam surpresos – Se não ele vai apenas continuar extorquindo a vila de tantas maneiras quanto for possível...
–Mas, Naru-chan... –Yugao gaguejou – Uma missão como essa não é apenas rank C, ela é uma rank B, ou até mesmo rank A...
–Verdade... agora que esses dois foram derrotados, Gathou provavelmente vai contratar shinobis de nível jounnin pra matar Tazuna-san...
–Então...
–Eu prometi pro senhor, lembra? Que eu iria te proteger mesmo que custe a minha vida. – dei o mesmo sorriso de antes, e ele corou – Mas essa promessa vale só pra mim, mesmo que for irregular, vou continuar com a missão. Sasuke e Sakura são livres pra voltar, e você também, Yu-chan...
–Idiota!
–Nani? – quase cai pra trás com o susto.
–Acha que vou te deixar sozinho lidando com jounnins? – ela suspirou – Eu vou com você, mesmo que for irregular, podemos propor um negócio com a vila depois, se eles aceitarem pagar...
–Aceitamos! – Tazuna quase gritou, um sorriso lentamente pintando seu rosto.
–Mas ainda acho que devamos mandar Sasuke e Sakura de volta...
Olhamos pra ele, Sakura medindo compulsivamente a temperatura dele, quase a ponto de chorar. Yugao deu de ombros, e tirando uma kunai, caminhou em direção deles. A rosada percebeu sua aproximação, e ao ver a kunai na mão dela, pegou uma própria, se pondo defensivamente em frente a Sasuke. A cada passo que Yugao dava, ela suava mais e mais, ao ponto de estar congelada e não ter reação quando a ANBU passou por eles.
Sakura a viu caminhar até os ninjas inimigos, e fincar a kunai em seus pescoços, cortando até separar as cabeças dos corpos, ignorando os litros de sangue que jorraram.
Curvando a cabeça, ela e Tazuna vomitaram no chão, enquanto eu joguei um pergaminho de armazenamento já preparado, tentando ignorar o cheiro de sangue. Se ela teve quaisquer reações a minha falta de reações, não demonstrou, apenas selou as cabeças dos nukennins nos pergaminhos, e guardou dentro do colete.
–Quando voltarmos pra Konoha, você pode receber a recompensa por derrotar esses dois...
–Não quero...
–Mas você derrotou eles...
–Você os matou.
Uma veia saltou na testa dela.
–Por que você é tão desconcertante?! Baka!
–Gomen...
Quando Sasuke acordou, a primeira coisa que ele pensou era que sua cabeça doía pra caralho, parecia que um mamute tinha passeado encima dela. Zonzo, ele tentou ver onde estava, mas os olhos estavam vesgos e sua visão embaçada. Ele se perguntou o que tinha acontecido, e então os flashs passaram por sua cabeça, ele saindo em missão com seu time e aquela mulher estranha de cabelos roxos, e quando dois shinobis atacaram de repente. Lembrou de ignorar a ordem de Naruto, tendo certeza que podia lidar com os dois ao mesmo tempo.
Aparentemente ele não podia, e agora estava morto... Morto. Sua vingança não existia mais, ele tinha morrido na sua primeira batalha, apenas algumas semanas após se tornar gennin. Patético.
–Ora, você acordou... – disse uma voz desconhecida, com um tom perigoso que parecia querer rir dele, e depois mata-lo – Sua amiga ali já estava ficando preocupada...
Antes que ele pudesse reagir, dois braços apertaram em torno do seu pescoço, e seu nariz todo coçou e ardeu quando o cheiro de morangos entrou pelas narinas. Sakura o apertou, e abraçou, e começou a gritar e chorar no ouvido dele.
–Sasuke-kun! Eu fiquei tão preocupada...
Isso foi tudo o que ela teve tempo de dizer antes de ser empurrada pra longe com força, enquanto o Uchiha estremecia e coçava o nariz com força.
–Sasuke-kun... esta machucado?
–Não, eu estou bem – ele respondeu, pela única razão que sabia que dessa forma ela o deixaria em paz – O que houve?
Essa pergunta foi direcionada a kunoiche que até então o levava nas costas. Ela o pôs no chão assim que teve certeza que ele poderia andar, mas antes que pudesse responder, Sakura voltou a gritar novamente.
–Aquele idiota! – ela agitou os punhos – Ele atacou você Sasuke-kun, provavelmente estava com inveja por que sabia que você poderia derrotar todos eles sozin...
–Cale-se! – Anko gritou com ela, intenção assassina vazando pelo seu corpo todo. Era como no escritório do Hokage, mas de certa maneira, era pior, era muito mais sanguinária e arrepiante que a do velhote. Ela se voltou pra Sasuke – Vocês dois desobedeceram uma ordem direta do líder da equipe, e isso quase custou a sua vida. Naruto-chan e Yugao-chan vão continuar a missão sozinhos por hora, vocês vão receber sua punição diretamente na vila.
Sasuke não disse nada, apenas encarava seriamente a kunoiche desconhecida. Já Sakura ficou escandalizada:
–Como assim punição? – ela gritou de novo. Anko franziu as sobrancelhas, ela não sabia falar em voz baixa? – Nós não fizemos nada errado, o Naruto-baka que tentou matar...
–Orusai! – Anko gritou de novo, tentada a degolar aqueles dois e dizer que foram atacados – Assim que vocês foram atacados, Naruto-chan deu ordem pra que você, Sakura, cuidasse do cliente, enquanto Sasuke iria lutar apenas com um dos nukennins. Em vez disso, você ficou estupidamente parada, sem fazer nada, e Sasuke tentou lutar com os dois ao mesmo tempo. Nem preciso dizer que se não fosse Naruto, vocês estariam mortos...
–Você não estava lá – Sakura retrucou – Como sabe que ele não esta mentindo...
–Chega Sakura – Sasuke disse em voz, baixa, mas ela se calou instantaneamente – Eu confirmo que foi isso que aconteceu, e aceito a punição. Foi imprudente da minha parte tentar dar conta de ambos sozinho...
Sakura gaguejou surpresa, mas depois concordou imediatamente com ele. Anko suspirou, aquilo era doentio. Ela apostou consigo mesma que engoliria uma cobra se aquela garota chegasse a chunnin daquela maneira.
Naruto observou a névoa que cercava a vila das ondas, tão espessa que quase dava pra cortar com uma faca. Sem Sakura e Sasuke, tudo parecia ficar muito silencioso e agradável, tanto que seria tedioso se Yugao não estivesse ali com ele, girando uma kunai entre os dedos e focada em ouvir qualquer coisa fora do comum, qualquer indício de um ataque.
–Nós já estamos chegando, logo vocês vão poder ver a ponte em construção – disse o barqueiro, fazendo Tazuna se espichar no barco e cerrar os olhos pra tentar enxergar.
Ambos os shinobis já podiam ver a ponte, ou apenas o começo de uma, as vigas de madeira provisórias sustentando o concreto enquanto vigas definitivas de metal eram colocadas e parafusadas em vários pontos.
–Quanto tempo vai levar pro senhor termina-la, Tazuna-san?
–No ritmo que estamos trabalhando – ele pareceu pensar – Um mês, ou algo assim, e já vamos poder retirar os alicerces de madeira. O problema é que com a ameaça de Gathou, poucas pessoas estão dispostas a me ajudar e continuar trabalhando nela.
–Eu entendo...
O barqueiro nos desejou uma viagem segura, enquanto agitava os remos e voltava pra dentro da névoa. Yugao parecia tensa, o ar estava pesado com ameaça. Tazuna não disse uma palavra enquanto avançávamos pela costa, numa estrada de terra cercada por árvores de troncos úmidos e folhas permanentemente cobertas de orvalho, devido a névoa sempre constante do oceano perto dali. Quanto mais avançávamos, mais a sensação de sermos observados ia se intensificando, dando uma sensação claustrofóbica. Foi depois de trinta minutos, quando uma intenção assassina emanou de um ponto em especifico, e uma espada gigante veio girando na nossa direção. Empurrei Tazuna pra baixo, e desviei, seguindo com os olhos como a enorme zambatou fez uma curva rente ao chão, e se fincou até a metade em uma árvore, poucos metros acima do chão. Yugao estreitou os olhos para o shinobi que parou de pé, encima do cabo dela.
–Yare, yare, se não é o espadachim da névoa, nukennin Momochi Zabuza-san...
–Vejo que minha reputação precede... – ele disse, a voz grave e rouca soando abafada pelas ataduras que cobriam seu rosto – Mas devo me desculpar, eu não sei quem é você...
–Não saberia, meus arquivos não se encontram em nenhum registro do Bingo Book...
Uma sombra de compreensão passou pelo seu rosto.
–Hunter-nin... ou seria uma das famosas ANBU? – ele recebeu um aceno quase amigável – Eu deveria dizer que é uma honra... e... quem é essa garotinha? Um gennin? Estranho enviarem uma ANBU em conjunto com uma gennin...
–Eu sou um garoto... – murmurei inutilmente.
Ele não deu bola:
–Sinto muito ter que dizer isso – ele apontou a espada pra Tazuna – Mas o velhote é meu...
–Naruto, proteja Tazuna-san, é sua responsabilidade!
–Não precisa me dizer... – apoiei a mão na katana de madeira, pronto pra saca-lo a qualquer momento.
–Isso vai ser divertido... – Tazuna disse, antes de fazer dois selos simples, e a névoa encobriu completamente o terreno, deixando quase impossível ver um passo a frente do próprio nariz.
Yugao se focou no olfato, e imediatamente tentou recuar pra minha posição.
–Naruto! Atrás...
O clone de água já tinha sido dissipado no momento que ela se virou, mas isso a deixou com a guarda aberta. Puxei Tazuna comigo, enquanto corria e segurei sua zambatou pelo círculo aberto na lamina. Um chute no peito o mandou cambaleando pra trás.
–Yu-chan. Se foque na sua luta, eu posso proteger Tazuna por mim mesmo...
–G-Gomen... – ela corou num tom de rosa, e voltou os olhos pro espadachim meio surpreso que se levantava – Não vou precisar ser protegida de novo.
–Claro que não...
–Você não é um gennin – ele disse – Um jounnin, talvez... mas tão jovem...
–Você esta me superestimando – sorri tranquilamente, recuando um pouco com Tazuna meio zonzo por ser arrastado como um boneco de trapos naquela velocidade – Eu sou apenas um gennin recém-formado na academia...
–Então acabei esbarrando com um dos bons, não acho que consiga encarar vocês dois sozinho... – Zabuza levantou a voz – Haku!
Imediatamente um outro shinobi apareceu ao seu lado, usava uma máscara com traços azuis de neblina e o símbolo da névoa na testa. Hunter-nin... Ou pelo menos era o que ele queria que pensassem.
–Hai, Zabuza-sama...
–De conta daquele garoto, eu vou...
–Espere – eu disse, e curiosamente todos pararam pra me observar – Falso-Hunter-nin-san, você poderia dar conta de Yu-chan em vez disso?
Yugao quase caiu de costas.
–Como assim dar conta de mim? – ela gritou zangada.
–É que eu quero lutar contra Zabuza-san...
–Naruto... – ela apertou a ponte do nariz, enquanto Zabuza e Haku se entreolharam tentando entender aquela situação – Ele é um jounnin, esta totalmente fora do seu...
–Eu sei, mas eu teria mais facilidade em lutar contra um espadachin do que com um shinobi de habilidades desconhecidas. – ela pareceu considerar isso – E qualquer coisa podemos simplesmente trocar...
–Oe, não falem sobre nós como se não estivéssemos aqui... – Zabuza resmungou, ansioso por lutar contra quem quer que seja.
–Hai, gomen – me inclinei levemente pra ele, depois me voltei pra Yugao – Então?
–Tudo bem... – ela puxou duas kunais – Tazuna-san, melhor se esconder em algum lugar perto daqui e esperar isso terminar...
Ele não disse duas palavras, apenas correu pela estrada e pulou em uma moita qualquer.
–Se já estamos resolvidos...
Avancei diretamente pra Zabuza, com a espada de madeira firmemente presa na mão. Ele não vacilou enquanto eu avançava, apenas tentou me acertar com um golpe da zambatou, que foi fácil de desviar. Acertei um golpe nas suas costelas e pulei pra trás, me afastando dele pra dar espaço pra Yugao lutar contra aquele garoto.
–Você é bom garoto – ele disse sem nem vacilar com aquele golpe – Se fosse uma espada de verdade, poderia até ter me machucado um pouco...
"Então esses monstros em resistência ainda existem... Bem, isso vai demorar um pouco".
–Por que diabos você usa uma katana de madeira, se tem uma de verdade na cintura?
–Ah, essa... – eu sorri – Eu prometi que nunca mataria ninguém, então uso uma espada de madeira até poder encontrar uma katana apropriada.
–Um espadachin que não mata... um shinobi que não mata – ele jogou a cabeça pra trás e riu com gosto – Você é uma menina muito engraçada...
–Eu sou um garoto...
Desviei dos seus ataques enquanto ele balançava a zambatou na minha direção. A lamina sempre passava a um centímetro da minha pele, mas nunca menos do que isso. Normalmente, um espadachim com uma zambatou era lento, e poderia atacar verticalmente e horizontalmente, por causa do peso absurdo daquela espada. Mas Zabuza a segurava como se fosse um graveto, e a sacudia em todas as direções como se fosse um mero florete.
–Fique parado, droga!
Não dei atenção, e continuei desviando, aproveitando cada abertura pra acerta-lo. Apesar de não ter perdido uma até agora, e ter o acertado diversas vezes, ele nem vacilava.
–Que desperdício – ele pulou pra trás – Você poderia ter me matado facilmente com essa habilidade se sacasse sua outra katana, mas com essa porcaria eu nem consigo sentir os ataques...
–Então só tenho que te atacar vezes o bastante pra você sentir – respondi com um sorriso.
–Você é incomum... muito suave e muito gentil, me lembra ele...
Franzi as sobrancelhas, mas ele não respondeu. Levantou uma das mãos, e disse, com um sorriso claro por trás das bandagens.
–Vamos ver até onde se estende sua habilidade... – e sua forma se esvaiu em névoa, névoa permeada de intenção assassina.
Yugao encarou de frente aquele shinobi que Zabuza chamou de Haku. Ele apenas ficou parado, sem fazer nenhum movimento, como se esperasse pra atacar. Desviando os olhos, ela notou como Naruto desviava de golpe após golpe de Zabuza, se abaixando, pulando, e não pode evitar ver beleza naquilo. Era quase uma dança, o quimono dele se agitando, e o cabelo leve traçando círculos no ar enquanto ele se movimentava, quase como se fosse a fita de uma dançarina.
Haku notou aquele olhar, e deixou os olhos caírem na criança que lutava contra Zabuza, por algum motivo, ele sabia que a mulher na sua frente não o atacaria. Ele observou a luta dos dois por um longo tempo, sem se mover, e pouco a pouco, sua atenção foi se focando apenas no garoto ruivo que usava uma espada de madeira. Se Yugao atacasse agora, poderia mata-lo com apenas um movimento, mas ele não se importava, por que... ele era tão...
–Você tem alguém com quem se importa – ele disse, voltando os olhos para a kunoiche na sua frente – Posso ver nos seus olhos.
–Sim – ela confirmou – Eu me importo muito com ele, o suficiente pra morrer, se isso significa que ele esta feliz...
–Esse sentimento... te faz forte?
–Me faz mais forte que ninguém – ela disse gentilmente, o sorriso dividindo seu rosto ao meio – me faz querer ficar forte e nunca desistir.
–Entendo... eu também... – ele se permitiu sorrir por debaixo da máscara – Zabuza-sama ficaria descontente comigo se eu não te atacasse...
–Você não quer me atacar?
–Não... você não fez nada contra mim...
–Então por que vai me atacar?
–Por que a felicidade de Zabuza-sama... depende disso.
Ele trincou os dentes, e se jogou pra frente, disparando uma série de senbons na mulher de cabelos roxos. Yugao apenas desviou facilmente de todas elas, dançando em torno de Haku e acertando um chute nas suas costas. Ele caiu pra frente, rolando pra diminuir o impacto, ao mesmo tempo que uma vasta quantidade de névoa surgia na estrada. De onde estava, Tazuna tremeu até os ossos.
–Zabuza-sama esta levando a sério – ele disse – Aquela garota... é muito boa.
–Ele é um garoto – Yugao riu com a confusão que todos faziam. Só por ele ser extremamente bonito, todos achavam que era uma menina.
"Um garoto... mas eu lembro..." – Haku pensou, tendo de desviar imediatamente de duas kunais.
–Quero ver como você vai lutar comigo agora, nessa névoa, nem mesmo doujutsus podem ver muita coisa...
–Bem, se meus olhos não servem pra te enxergar mais – ele tirou a bandana no braço, e amarrou no rosto, como uma venda – Basta confiar na minha audição...
"Quanta confiança... uma presença inabalável que parece não temer nada a sua frente – Zabuza pensou, enquanto observava o sorriso delicado no rosto bonito daquele garoto, muito suave e muito gentil – E ainda sim, ele não se impõe a nada, apenas desliza através de tudo... A quanto tempo não encontro alguém desse calibre..."
–Zabuza... você vai me fazer dormir desse jeito – ele brincou lá embaixo – Esse seu aprendiz... quem é ele?
–Interessado? – ele riu com gosto – Pensei que tivesse dito que era um garoto...
–Não brinque... ele parece ser forte.
Zabuza atacou em direção aos rins, e Naruto desviou, acertando o cotovelo nas costas do espadachim mais velho, o mandando de volta na névoa.
–Então... quem é ele? Seu filho?
Zabuza riu:
–Meu brinquedinho – ele disse num tom cruel, esperando ouvir o garoto ruivo ficar zangado, mas ele apenas riu – Nani...
–Sabe... Você não é um bom mentiroso...
Zabuza atacou mais uma vez, arrancando terra do chão onde Naruto deveria estar até um segundo atrás, e logo após isso sentiu um joelho fazendo contato com sua cabeça.
–Vamos... conte pra mim – Naruto sorriu, a cabeça apontada um pouco pra baixo, sem olhar pra nenhum lugar, confiando apenas na audição – Encontrou ele por aí?
–Algo em torno disso, resgatei esse pivete das ruas, onde ele disputava comida com os cachorros – Zabuza resmungou – Ele é tão bobo quanto você, mas por que o interesse repentino?
Minha mente vagou um pouco para o passado, trazendo um rosto com um sorriso gentil nele, os olhos brilhantes com algo que parecia alegria de criança, ou a gentileza de um avô.
–Ele me lembra... um amigo meu...
–Você tem amigos estranhos...
–Orusai...
Zabuza riu vendo as bochechas do garoto ficarem vermelhas, e lançou um punhado de kunais nele. Todas ricochetearam inutilmente na sua espada.
–Vamos Zabuza... isso é tudo que aquele que se intitula demônio da névoa pode fazer?
O nukennin bufou irritado, preparando sinais de mão.
Haku capotou pra trás, correndo os dedos pela máscara, sentindo o grande arranhão que a mulher abrira ali. Ele deixou os ombros caírem, se sentindo um lixo.
–Você esta muito além das minhas habilidades, nada do que eu faça sequer surpreende você...
–Você é muito forte, mas te falta experiência, e vontade de lutar... – Yugao sorriu – Pessoas gentis como você não dão ninjas muito bons...
Ele olhou pra baixo, se sentindo envergonhado com ele mesmo.
–Ser um shinobi... nunca foi escolha minha...
Yugao franziu as sobrancelhas, mas não disse nada. Ela observou ele ajeitar a máscara no rosto, como se estivesse com vontade de tira-la, mas soubesse que não devia, e se preparou pra ouvir o que ele ia dizer. Não era do feitio de ANBU's conversar com seus inimigos enquanto lutavam, mas tinha algo naquele garoto... que lhe lembrava Naruto. Apesar de ambos serem muito mais gentis do que seria saudável pra shinobis, não se limitava só a isso, era quase...
–Eu tive outras pessoas que eram importantes pra mim... Antes de Zabuza-sama – ela perdeu o rumo dos pensamentos quando ele começou a falar – Meu pai e minha mãe. Nós éramos pobres, mas eles eram bons um com o outro e gentis comigo... Então aconteceu uma coisa.
Ela observou a máscara permanecer impassiva, mas o rosto por trás dela ser tingido com várias expressões. Era muito fácil de ver, por causa dos olhos, olhos mais brilhantes do que o comum...
–Quando eu tinha oito anos, meu pai matou a minha mãe e tentou me matar, então eu o matei, e várias outras pessoas – Yugao não teve qualquer reação, histórias como aquelas eram normais, infelizmente – Eles descobriram que eu poderia fazer coisas... com a água...
–Entendo... você tem uma linhagem avançada, não é mesmo? – Haku assentiu, e como se pra confirmar o que ele dissesse, ergueu a mão, onde uma esfera de água se formou da umidade do ar, e ficou girando pacificamente – Naquela época, clãs eram caçados. Eles lutaram muito na guerra, mas após isso, foram odiados como pessoas perigosas, e então caçados. Pra não morrer, minha família escondeu sua linhagem avançada, pra que nunca descobrissem...
"Estranho... esse garoto provavelmente é do clã Koori, mas em nenhum dos registros afirma que eles poderiam manipular a água dessa forma...".
–Eu passei algum tempo vivendo nas ruas, até que Zabuza-sama me encontrou, e me deu um propósito novamente, um motivo pelo qual existir... ser inútil para o mundo, é uma dor sem igual...
Yugao estava prestes a responder quando a névoa repentinamente clareou. Naruto estava empunhando a espada verdadeira, uma expressão maníaca no rosto enquanto avançava correndo em direção a Zabuza.
–Não! – Haku gritou, se virando e correndo até eles.
Zabuza terminou os selos, e estava pra disparar um jato forte de água em Naruto, pra ver se o garoto conseguia desviar dele. Mas, antes que pudesse fazer isso, uma ideia lhe ocorreu.
Mudando de posição sem fazer nenhum som, ele fez o último selo, e repirou fundo, mandando o jato forte de água diretamente na companheira dele, que agora, de costas, seria pega completamente desprevenida. Zabuza observou o jato forte de água ir em direção a ela, e acertar em cheio, a mandando capotando até que desse de costas com uma árvore. Sem demora, Haku a atacou, dez, vinte, dezenas de agulhas que a atravessaram e destruíram cada ponto de pressão do seu corpo.
O garoto ruivo tirou a bandana, abrindo os olhos e olhando aquilo horrorizado, então deixou cair a espada de madeira. Sacando a lamina verdadeira e tremendo, ele correu até ele, fazendo selos. A fúria no seus olhos era tão intensa que chegou a paralisar Zabuza por um segundo.
–Katon! Karyuu Endan!
Ele soprou, e um enorme dragão de fogo avermelhado limpou a névoa no seu caminho até ele. Zabuza pulou pra longe do fogo, sentindo o calor lhe chamuscar a pele levemente, o suficiente pros pelos do seu braço se torcerem, liberando um cheiro característico e desagradável. Ele empunhou Zambatou e se preparou para o ataque, que vinha certeiro. Por estar com raiva, ele tinha ficado imprudente, então foi fácil pra Zabuza desviar.
Mas então, numa velocidade surpreendente, Naruto trespassou a katana bem no seu joelho, o fazendo gritar e cambalear, jogando todo o peso do corpo para a perna boa.
–Ne...Zabuza – ele murmurou, a voz grave e arranhada, como a de uma fera – Diga Adeus...
–Não!
Zabuza observou Haku se jogar encima dele, na reta de colisão direta com a katana. Ele quase agradeceu a isso, mas então algo dentro dele estremeceu com o pensamento de Haku ser empalada por aquele monstro.
–Saia da frente Haku! – ele gritou e tentou protege-la com o próprio corpo.
Naruto sorriu, e o mundo ficou escuro para o demônio da névoa.
–Genjutsu – ele murmurou, uma das mãos na testa de Zabuza e a outra formando o selo do carneiro frente a seu peito – Aplicado com sucesso.
Zabuza escorregou para o chão, mas Haku conseguiu segura-lo antes que se chocasse com a cabeça na terra. Yugao estava logo atrás dela.
–Naru-chan, você colocou um genjutsu até em mim... – ela murmurou – Sugoi...
No entanto, ela notou que Naruto não estava prestando atenção. Ele estava olhando pro garoto de máscara, e por um segundo, pareceu realmente perplexo consigo mesmo, antes da expressão se desmanchar pra uma sarcástica, e voltar a gentileza de sempre.
–Não se preocupe, ele só ficou sem chakra – eu disse – Vai levar algum tempo pra ele se recuperar...
–Naruto, você...
–Você vai mata-los Yugao? – ele a olhou fixamente
–Não...
–Nem eu, então só nos resta cuidar deles... – ele se voltou para uma moita – Pode sair já Tazuna-san, não tem mais perigo.
–M-Mas... esse garoto de máscara ainda esta vivo... – ele gritou de volta.
–Estão os dois vivos, mas não vão mais nos causar problemas.
Ele saiu lentamente de lá, os olhos focados em Haku, como se temesse que ela pulasse encima dele e o mordesse até a morte.
–Por que... – Naruto voltou seu olhar pro garoto de máscara, que agora amparava a cabeça de Zabuza com uma mão – Por que não vão nos matar? Nós tentamos matar vocês... e Tazuna-sama...
Haku observou os olhos azuis dele enquanto Naruto sorria pra ele. Por um segundo um flash passou na frente dos seus olhos, aquele mesmo sorriso, com cabelos castanho e olhos levemente avermelhados. Ele sacudiu a cabeça.
–Eu fiz a promessa de nunca matar, e além do mais... – ele pareceu pensar – Vocês não vão mais nos dar muito trabalho. Eu tenho uma proposta pra quando Zabuzar acordar, acho que vai ser... vantajosa.
Ele assentiu, e com cuidado, jogou Zabuza por sobre o ombro. Não tinha realmente mais nada que pudesse fazer, ele não dera conta nem mesmo de um deles, quanto mais dos dois juntos, e fugir agora seria impossível, só lhe restava seguir com eles pra qualquer lugar que eles fossem.
–Seu idiota... – Naruto murmurou baixinho, perdido em pensamentos com uma expressão saudosa.
–O que?
–Nada...
Yugao franziu o cenho pra ele, mas acabou por deixar pra lá.
–Tazuna-san – ela se voltou pra ele – Como devemos protege-lo, seria ideal que ficássemos perto do senhor, então será que...
–Vocês podem ficar na minha casa – ele sorriu – Tem bastante espaço lá, desde que me prometam que não vão tentar me prejudicar ou a minha família.
Haku notou os olhos dele quase queimando os seus. Ele deu de ombros.
–Eu não vou tentar prejudicar o senhor ou sua família de nenhuma forma, nem Zabuza-sama, e se ele tentar, vou impedi-lo... É uma promessa.
Naruto sorriu. Haku sempre cumpria suas promessas.
