Fruto Proibido
Obs1: Saint Seiya não me pertence, como todos devem saber. Por ser um fic de Universo Alternativo os personagens deverão sofrer algumas alterações em suas personalidades.
Obs 2: : O nome Carlo foi dado ao personagem Máscara da Morte pela escritora Pipe. Portanto, todos os créditos à ela.
Obs 3: Esse é um fic Kamus e Milo. Há muito tempo não escrevo um fic com esse casal, mas gosto dos dois juntos. Na verdade, como devem saber, gosto de todos com todos D.
Obs 4: Esse é um fic de presente de aniversário para a Shiryuforever94. (Dia: 29/04). Fofa, Parabéns pelo seu dia. Tu sabes que te adollo né? Beijinhos e espero sinceramente que curta o seu fic.
4
Kamus acomodou-se numa poltrona ao lado de tio Shion e fechou o cinto de segurança, enquanto o piloto se preparava para decolar. Ao ver que Scorpio entrava na cabine de comando, para servir de co-piloto durante o vôo, espantou-se. Os homens que o seu pai costumava contratar para protegê-lo geralmente só sabiam fazer uma coisa: matar. Scorpio estava provando ser um homem bem mais complexo que os seus predecessores.
Ao lembrar-se do brilho zombeteiro nos olhos azuis de Milo ao ordenar-lhe que embarcasse, Kamus tornou a sentir-se zangado. "Padrecido", hein? Imagino o que ele diria se eu lhe perguntasse o que um assassino profissional sabe sobre padres!
O avião taxiou na pista enquanto Milo se familiarizava com os controles no painel de comando. Nunca pilotara um jato desses, antes, mas o avião não devia ser muito diferente dos outros. O que o estava deixando mais preocupado que a possibilidade de precisar tomar o lugar do piloro era a tempestade que se aproximava. Fortes ventos açoitavam a fuselagem da aeronave, e o céu escurecera como se já fosse noite.
Pronto, a chuva chegou, pensou Milo quando uma verdadeira cortina d'agua reduziu a visibilidade a quase zero. Ele fitou o piloto que, concentrado nos controles de comando, nem parecia notar-lhe a presença.
O jato decolou. Só então o piloto mexicano virou-se para Milo e fez um sinal de positivo. Sorrindo, Milo também fez sinal de positivo. Por sorte, o piloto era bastante competente.
E não era para menos: Don Kamie sempre contratava os melhores profissionais disponíveis, em qualquer área. O "padrecito" chegaria em Miami a tempo de pegar o vôo para Roma, sem dúvida.
Enquanto isso, na cabine de passageiros, Kamus tentava ignorar a tempestade. Mas isso era quase impossível. Tio Shion, pálido feito um fantasma e rígido de medo, rezava ave-marias intercaladas por alguns pais-nossos.
Kamus procurou acalmá-lo com tapinhas carinhosos nas mãos, mas o idoso senhor ignorou-o. Ele resolveu mudar de tática. Em vez de tapinhas, talvez o melhor jeito de tranqüilizar o tio fosse mostrar ele próprio uma calma que estava longe de sentir. Pensando nisso, começou a falar de assuntos variados, como se ambos estivessem numa sala de visitas.
Perguntou se o tio trouxera muita bagagem, e mencionou as enormes malas que já despachara para Roma. O solteirão, apavorado, continuou a rezar baixinho. Kamus não desistiu, e continuou a falar.
- Acho que esqueci minha escova de dentes – comentou, pegando a maleta de mão que deixava debaixo da poltrona.
Ao abrir a maleta e remexer o que havia lá dentro, encontrou o pacote embrulhado em papel azul. Céus, esquecera-se do presente de Kanon! Pegou o pacote, lançou um olhar de esguelha para o tio Shion e sorriu. Bien. Pelo menos conseguira atrair a atenção do idoso senhor.
Um minuto mais tarde, porém, quase chegou a desejar que o tio tivesse continuado a ignorá-lo. No meio das folhas de papel de seda que forravam o interior da caixa estava a peça de lingerie masculina mais transparente e minúscula que Kamus já vira na vida.
Era uma cuequinha branca fio dental, de delicada renda francesa com alças finas. Kamus ergueu a lingerie pelas alças e não conseguiu conter uma risada. Era típico de Kanon ter pensado em provocá-lo de brincadeira, dando-lhe de presente uma peça tão extravagante, tão escandalosa.
- Ah, Kanon... – murmurou. – Não foi à toa que você me pediu para só abrir quando eu já estivesse no avião!
Ainda rindo, Kamus tentou explicar ao tio a natureza do presente, dizendo que a lingerie não passava de uma brincadeira entre amigos de colégio. Tio Shion assentiu com um gesto de cabeça e sorriu, começando a relembrar a época que ele próprio passara num colégio interno, quando mocinho.
Kamus ficou contente ao perceber que o idoso senhor compreendia a situação. No entanto, ao erguer os olhos, parou de rir de repente e corou até a raiz dos cabelos.
Milo Scorpio estava parado à porta da cabina de comando, e o olhava de um jeito que o fez ter vontade de desaparecer da face da Terra.
Milo observou Kamus enfiar a lingerie de volta na caixa. Pelo modo como o ruivo havia enrubescido, adivinhou que a delicada peça de renda sugeria uma intimidade física muito maior do que Kamus Aquarius jamais fora capaz de imaginar.
Mas não foi isso que lhe provocou um sorriso, e sim o som da risada rouca e sensual do jovem. Fora a risada de Kamus que o atraíra para fora da cabina de comando, em primeiro lugar.
Agora ele já tinha a resposta para uma das coisas que gostaria de saber sobre Kamus Aquarius. Ele possuía uma voz rouca e ao mesmo tempo melodiosa, e quando ria o ar fazia suas cordas vocais vibrarem como se fossem as cordas de um instrumento musical exótico. Milo achou difícil conciliar a voz e o riso sensuais ao garoto virginal que via agora, guardando a maleta de volta sob a poltrona.
Perturbado, o loiro já ia voltar para a cabine de comando quando o forte ribombar de um trovão quase o deixou surdo. O trovão logo foi seguido por um violento clarão azulado, e as luzes do avião apagaram-se por um átimo de segundo.
Para não cair, Milo precisou segurar-se no encosto de uma poltrona quando o jato começou a chacoalhar. Tio Shion gritou de medo quando novos trovões ecoaram no interior da aeronave.
Milo esperou que o avião parasse de balançar um pouco e se aproximou dos dois homens. Kamus parecia calmo, embora segurasse com força os braços na poltrona, mas o idoso senhor continuava a gritar. Da cabine de comando, o piloto ergueu a voz e pediu a Milo, em inglês:
- Ei, señor, faça-o parar de gritar, por favor! Preciso me concentrar, e os gritos estão me atrapalhando.
Milo ajoelhou-se ao lado do solteirão. – Senhor, por favor...
Kamus ouviu o que ele dizia ao idoso senhor, em espanhol, e ficou surpreso. Apesar da aparência de durão, Scorpio dirigiu-se ao homem mais velho com extrema cortesia. Em tom gentil e sem perder a paciência, garantiu-lhe que o avião estava em boas mãos, que o piloro era muito competente, que não existia o menor perigo de o jato cair, que a tempestade não era tão forte quanto parecia.
Não adiantou nada. Tio Shion acalmou-se por um segundo, mas assim que o avião tornou a chacoalhar, assim que novos trovões soaram, ele recomeçou a gritar.
O piloto praguejou alto. Milo olhou para Kamus como se lhe implorasse que fizesse algo para melhorar a situação, e rápido.
Segurando o idoso pelos ombros, com firmeza, Kamus argumentou em espanhol:
- Querido tio, preciso da sua ajuda. Como posso vencer o medo que sinto se o senhor não me dá um exemplo de tranqüilidade a ser seguido? Afinal, o senhor é meu acompanhante. O senhor é responsável por mim e...
Milo mal pôde acreditar no que viu. Em questão de segundos o solteirão transformou-se numa pessoa diferente. Ele parou de gritar e assumiu uma postura menos tensa. Chegou até a esboçar um sorriso quando Kamus lhe contou que, no convento, havia um noviço que se escondia debaixo da cama em dias de tempestade porque tinha medo de trovões.
Voltando para a cabine de comando, Milo analisou em pensamentos a cena à qual acabara de assistir. Kamus Aquarius lidara com o tio como um verdadeiro profissional. Apelando ao senso de responsabilidade do homem mais velho, conseguira fazê-lo deixar o favor de lado. Observando os dois, dava até para ficar na dúvida sobre quem era o acompanhante e quem o garoto que precisava de proteção!
No compartimento de carga do jato, o homem que viajava com os cavalos soltou um palavrão. O maldito garanhão quase o pisoteara quando o avião chacoalhara pela última vez. O homem olhou para o chicote curto de montaria que um dos peões esquecera largado a um canto, em seguida olhou para o garanhão e deu de ombros.
Os animais estúpidos iriam morrer de qualquer jeito, então para que perder tempo com vinganças bobas? Rindo baixinho, Minos Griffon – o capanga de Radamantys Wyvern que se apresentara como um simples empregado de don Kamie – verificou as horas em seu relógio de pulso. Depois, chegou os dois pára-quedas que trouxera dentro de uma sacola grande para dentro do jato. Os dois únicos pára-quedas em bom estado de funcionamento de todo o avião.
Olhando de novo para o relógio, preparou-se para continuar esperando. Ainda iria demorar um pouco para que o piloto percebesse que os tanques de combustível da aeronave estavam vazando, graças a pequenos furos feitos às escondidas antes da decolagem. E então, durante a confusão que tomaria conta das cabines de comando e de passageiros, ele entraria em ação.
Minos alisou o cano do fuzil de assalto que trouxera junto com os pára-quedas. Tornou a rir baixinho, depois cuspiu na palha que cobria o chão. Mesmo que ninguém entrasse em pânico, ele saberia o que fazer.
O capanga de Radamanthys voltou a cuspir ao pensar no guarda-costas loiro. O tal de Scorpio podia criar problemas... O melhor seria matá-lo primeiro, sem dúvida. O piloro e o velhote solteirão não se atreveriam a reagir. O rapaz também não protestaria quando,ameaçado pelo fuzil, recebesse ordens para colocar o segundo pára-quedas e saltar do avião com ele.
Um trovão mais forte que os anteriores se fez ouvir, interrompendo os pensamentos de Minos. O jato voltou a chacoalhar e os cavalos tornaram a ficar inquietos.
- INFERNO! – berrou Minos quando o garanhão lhe deu uma mordida no braço. – Se eu não soubesse que você ia morrer de qualquer jeito, seria capaz de matá-lo agora, seu animal idiota!
Esfregando o braço protegido pela manga da jaqueta de couro, na qual os dentes do cavalo haviam deixado marcas, o capanga de Radamanthysse deliciou com visões do puro-sangue sendo queimado vivo no meio dos destroços do avião.
De volta à cabine, Milo acomodou-se no assento do co-piloto. Ao receber um sorriso de agradecimento do piloto por ter conseguido fazer o idoso parar de gritar, pensou: Você está agradecendo à pessoa errada, meu chapa. Em seguida, olhando pela janela, viu que agora o jato voava acima das nuvens de tempestade. Mas isso não significava que estavam a salvo de turbulências.
O avião estava sobrevoando a Sierra Madre, uma cadeira de montanhas que Astérion costumava chamar de...
Astérion. A lembrança do amigo entristeceu Milo. Como será que a família de Astérion estava conseguindo superar a dor causada pelo brutal assassinato?
Milo vira os pais e a irmão de Astérion no funeral, claro, mas além das poucas palavras de consolo que se costumava dizer nessas ocasiões, não conversara nada mais com eles. Aiolia e Algol tinham ido para a casa da família de Astérion, depois do enterro. Milo também fora convidado, mas preferira não ir. Até hoje não entendia como Aiolia e Algol tinham arranjado coragem para acompanhar a família enlutada.
Algol Perseus vinha de uma tradicional família de militares. Fizera carreira no serviço secreto da marinha norte-americana, até que um tio o recrutara para trabalhar na CIA. No entanto, algo em relação à Agência parecia preocupá-lo... Os dois haviam conversado depois do funeral de Astérion, e Milo detectara uma certa "ambivalência" na voz de Algol quando a CIA fora mencionada. Milo tentara sondar o amigo a respeito do que o preocupava, mas Algol, como sempre, permanecera calado. E era exatamente essa capacidade de permanecer calado em determinados momentos que o tornara um agente secreto tão bom. Algol era do tipo carreirista, sem sombra de dúvida, e algum dia ainda chegaria a fazer parte dos altos escalões da CIA. E Milo ainda achava que ele tivera... um certo... relacionamento às escondidas com Astérion... Mas isso era outra história.
Milo e Aiolia Leon eram diferentes de Astérion. Leon gostava de fingir que um dia ainda chegaria a diretor-geral da agência, mas Milo não engolia a isca. Afinal, o cara se formara em medicina na Universidade de Harvard, e ninguém com um pouco de juízo jogava fora um diploma de médico para trabalhar como agente secreto.
Além do mais, Milo sabia que, assim como ele, Leon também era um rebelde, que gostava de trabalhar por conta própria. E ninguém que fazia parte do quadro de funcionários da CIA podia trabalhar por conta própria, pois a agência era literalmente dona do corpo e da alma de seus agentes.
Milo sorriu, tentando imaginar se Leon já se dera conta disso. Ou será que o amigo estava tão ocupado tentando escapar das garras de sua família repressora que nem se dera conta de que apenas trocara a família por um trabalho repressor?
Como Algol, Leon vinha de uma família tradicional, mas não de militares, e sim de médicos. E era esse o problema: no ultimo instante, Leon recusara-se a fazer parte do esquema familiar. Desde então, Leon nunca mais tivera qualquer tipo de contato com o pai, e fazia questão de afirmar que isso não o incomodava. Milo também não sabia nada sobre os outros membros da família do amigo.
Que ironia, refletiu Milo. Algumas pessoas tinham tudo o que alguém podia desejar da vida, e de repente resolviam jogar tudo para o alto: boa posição social, segurança financeira, laços de família. Outras pessoas, por sua vez...
O avião tornou a chacoalhar com força, interrompendo os devaneios de Milo. Ele logo constatou que o piloto tinha a situação sob controle, e o senhor Shion não voltara a gritar de medo.
Milo sorriu, pensando mais uma vez em Kamus Aquarius. Ele lidara com o velho como um verdadeiro profissional. Ainda sorrindo, Milo tentou adivinhar que outras surpresas o filho de don Kamie estaria lhe reservando até o final da viagem.
Continua...
Olá! Dei uma passadinha para atualizar mais um capítulo que estava pronto já há uns dias, mas tinha esquecido de atualizar o coitado hihihi. Daí como recebi um review hoje lembrei O.O E agora estou aqui atualizando. Hum... creio que a partir de agora vou demorar um bocadinho para atualizar os fics, porque a próxima da lista de atualizações é justamente a mais difícil de todas. Confinados o.o' Enfim... Só mesmo os meus dedinhos felizes para fazer com que eu atualize rapidinho huahuahuahua.
Gostaria de agradecer à: Syl, à Graziele, à P-Shurete, Leo no Nina, Jessi Amamiya, Yuki, Yui Yuu, Haina Aquarius-sama e à Lhu Chan! Também quero agradecer imensamente à Akane M.A.S.T pela betagem e paciência hihihi.
Beijos a todos e não se esqueçam: Dedinhos Felizes Digitam Mais Rápido
Muk-chan \o/
