4. Nosso Baile

Aquela era a música mais bonita que eu já ouvira. Notas agudas e graves de piano se entrelaçavam perfeitamente aos murmúrios de um violino e ao clarim de uma flauta. De momentos calmos e pausados a melodia passava a ser frenética e potente, como se estivesse renascendo.

Me fez lembrar de como foi encontrar Edward. De uma vida sem graça como era a minha tudo se tornou grande e enérgico.

Durante toda a música eu consegui apenas usar os ouvidos e o coração. Nem mesmo os olhos, que ainda antes estavam cobertos de lágrimas, funcionavam bem. A música me envolveu, me embalou em suas notas cálidas e amorosas, assim como os braços de Edward.

Mesmo sendo uma fã de música clássica eu nunca ouvira algo sequer parecido com o que ouvia agora. Tão doce, tão sublime. Nenhum de todos aqueles grandes mestres antigos chegara perto daquilo. Se era possível, aquela música (Bella's Sonnet, como vi na capa do CD) era ainda mais cheia de emoção. E de cuidado.

Não dava para não perceber o quanto aquelas notas eram cuidadosas, o quanto a paixão delas não se deixava prevalecer sobre o grande amor e cuidado.

Alguns minutos depois a música acabou. Eu estava parada, e Edward estava atrás de mim, me abraçando. E agora sim meus olhos começaram a funcionar. Meu coração ainda esta sendo regido pelo compasso da música que acabara, e tudo que eu podia fazer era procurar satisfaze-lo. Virei-me e olhei bem fundo nos olhos de Edward.

— Obrigada — não era só isso que eu queria dizer, mas minha mente simplesmente não estava regulando muito bem naquela hora. — Realmente muito, muito obrigada. Foi a coisa mais bonita que eu já ouvi.

—Bella... isso é porque você é a melhor coisa que me aconteceu. Como poderia compor algo menos que isso sendo você minha inspiração? Você é a responsável pela música, não eu.

Estávamos de frente um pro outro, ele com as mãos em meu rosto e os olhos nos meus. A única vontade que eu tinha agora era de me jogar em seus braços e me afogar em seus cabelos acobreados.

Ele se inclinou em direção a mim, enquanto uma nova música começava. Passou de leve seus lábios pelo meu maxilar e tocou-os em minha orelha.

— A senhorita me concede esta dança? —perguntou ele, ao maior costume do início do século XX, afastando-se imediatamente e fazendo uma nova mesura, só que ainda mais elegante, enquanto esperava com o braço estendido e me fitava profundamente nos olhos.

Lembrei-me de imediato que a última vez que dançara. E fora com ele, no baile da escola. Mesmo com uma perna incapacitada pelo gesso e o outro pé perigosamente comprometido por um salto agulha (fora toda a minha falta de talento para a dança) eu havia me divertido. Posso até dizer que foi legal.

Agora estávamos em uma situação bem mais favorável. Meus pés estavam bem capazes, e o melhor: estávamos apenas ele e eu. E decidi que aquele seria o nosso baile, com as melhores músicas e o melhor par que eu poderia desejar. Edward me guiaria de novo e eu, como sempre, o seguiria no que quer que ele fizesse ou onde quer que fosse.

Levantei minha mão direita e pus sobre a mão que ele mantinha estendida.

— Não te concedo apenas esta, mas todas as danças de minha vida, pois eu sou apenas tua.

Ele deu um beijo em minha mão, me puxou em direção a seus braços e me deu um segundo beijo, só que nos lábios. Depois me girou levemente três vezes no meio do quarto, segurando uma de minhas mãos sobre minha cabeça. E começamos a dançar.

Novamente eu estava sobre seus pés, seguindo-o em todos os seus elegantes passos. A música e o ritmo da dança se encaixavam perfeitamente.

—Bella, meu amor... Como eu pude ter tanta sorte e te encontrar? — disse ele, enquanto começávamos uma música bem mais lenta. Incrivelmente linda.

— Não. Eu é que sou ainda mais sortuda e feliz por te ter junto a mim, Edward. Eu seria capaz de absolutamente qualquer coisa por você — respondi, com o que eu sentia de mais profundo por ele.

— Eu te amo, Bella. Tanto, profundamente e mais do que imaginei ser possível — eu quase desmaiei. Ele sempre falava que me amava (e eu sempre hiperventilava), mas o modo como ele falou agora...

— Foi você que compôs todas essas músicas? — perguntei.

— Não, foi o amor que eu sinto por você. Eu só as pus no CD.

— E o violino e a flauta?

— Gravei tudo separado e depois juntei. Me desculpe, eu tenho que reconhecer que deveria ter ensaiado mais com o violino.

Mas os graves e elegante acordes eram perfeitos.

— Edward, quando você vai perceber que tudo que vem de você nunca é menos que perfeito? Você é tudo e mais do que meus sonhos mais fantasiosos conseguiram desejar. Eu te amo mais que tudo!

Ele me abraçou pela cintura, levantando-me do chão uns 30 cm e deu-me sem dúvida um dos melhores beijos que já havia me dado, desde o primeiro. Pôs-me no chão novamente, me fez girar mais duas vezes e curvou-se fazendo uma meia mesura em minha direção, na mesma hora que a música acabava. Se pôs ao meus lado e ofereceu seu braço direito a mim.

Enrolei meus braços no seu (tá, eu me pendurei nele, acabando com toda a elegância do gesto) e andamos em direção a minha cama. Sentamos na pontinha.

— Edward, obrigada. Foi o melhor presente que eu podia ganhar. Foi a melhor noite que já tive. Foi perfeita! Meu amor...

Ele encostou-se na cabeceira da cama, e puxou-me em sua direção. Eu deitei apoiando meus corpo em seu peito e respirei mais lufadas do maravilhoso cheiro que emanava dele.

—Agora durma, Bella. Você vai precisar.

Ele nem precisou falar outra vez. Nem eu precisei lutar tanto assim contra o sono e o cansaço que me invadiram. Dormi com o vestido mesmo, nos braços de meu anjo, de meu perfeito amor: Edward Cullen.