Primeiramente, muito obrigada à minha ovelhinha béééééééta lilás conhecida por Mesarthim! Eu tento, mas os epítetos são mais fortes... kkkkk Agradeço ao Cajango, Grazi-chan, Rachel Chel, Juliabelas, Rafa-chan e Lluzita pelos reviews e peço desculpas por não responder a cada um deles por mensagem particular, mas é que a autora aqui está superlotada de trabalho/estudo e está difícil arrumar tempo até para escrever... XD

Conforme pedidos, fiz um capítulo maior dessa vez (por isso demorou mais também... rsrsrs) Tentei não deixar todo mundo desesperado no final desse cap, mas tenho que confessar que ao menos um pouco de suspense faz parte! Kkkkk É tããão legal quando sai um cap com a continuação, não? É uma estratégia de escrita da qual gosto de me utilizar... *faz cara de suspense* No mais, espero que gostem!

Ah é, já ia esquecendo... Continuem mandando review, pleasseeee! Bjocas galera!

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Capítulo 4 - As aparências enganam...

Ao sentir os lábios de Camus tocarem os seus, Shaka pensou em se afastar, mas não conseguiu. Levou as mãos até os ombros do outro, disposto a empurrá-lo levemente, mas não teve força de vontade suficiente para isso. Pelo contrário, sentiu-se incitado a retribuir a forma lenta e cadenciada com que o ruivo o beijava. Sem conseguir racionalizar por milésimos de segundo, envolveu o pescoço de Camus com suas mãos, subindo-as por seu rosto para afagá-lo enquanto o beijava em resposta. Aspirou o delicioso perfume dos cabelos ruivos, sentindo seu corpo estremecer ao ser envolvido pelos braços dele de forma inédita. Ao contrário do que poderia supor de Camus, sentia a veracidade dos sentimentos envolvidos em suas palavras em cada toque dele, mesmo quando separaram-se para buscar por ar. Os polegares de Camus roçaram-lhe, em uma leve carícia concomitante ao encontro de olhares. Shaka fitava-o com curiosidade, tentando racionalizar, tentando se recordar de algum indício anterior do que o outro havia dito.

"Então o motivo da implicância dele com Mu é esse? Ciúmes? Como eu nunca percebi? Por que ele não me disse antes? Por que escondeu seus sentimentos por tanto tempo? E por que dizer agora? Será que ele está temeroso de que eu reate o namoro com Mu?"

— Camy... por que escondeu isso de mim? Eu nunca imaginei... devo ter machucado você inúmeras vezes por pura ignorância... — Inconscientemente, Shaka afagava a nuca de Camus enquanto recostava sua testa à dele. O olhar do outro desviou-se do seu, e a cabeça dele se recostou em seu ombro.

— Porque você ama a outro? — Ele rebateu sem olhá-lo nos olhos. Shaka tentou erguer o rosto de Camus com suas mãos, mas ele pressionou seu ombro com mais força.

— É estranho conversar com você assim... prefiro olhar nos seus olhos. — O loiro resmungou, enquanto afagava a cabeleira ruiva.

— Poderia abrir uma exceção? — Sentindo-se vulnerável, Camus preferia esconder seu rosto de Shaka.

— Tá... — Shaka beijou o topo da cabeça do outro, sorrindo ao sentir o abraço se apertar mais. — Camy, eu... você sabe que eu amo a Mu, mas não exatamente como namorado... é um sentimento confuso. Eu amo você também, mas não sei dizer como... tenho medo de afirmar o que não sei e magoá-lo... embora eu tenha gostado do beijo que trocamos.

— Burocrático como sempre... eu não esperaria menos de você. — Camus sorriu ao escutar as palavras do outro.

— Por Buda, eu nunca imaginei escutar isso de você! Eu sempre tentei conquistar o seu afeto como irmão... e você sempre foi mais próximo de Asmita! — Shaka torceu o nariz, com um meio sorriso.

— Ciúmes do seu gêmeo? — Camus riu.

— Não é isso... ou é... talvez. Você está me fazendo perguntas para as quais não tenho resposta pronta, Camy... eu sei apenas que sempre me perguntei porque Asmita conseguia se aproximar de você e eu não. — Shaka aspirou novamente os cabelos ruivos, dando a Camus a impressão de que ele bufava.

— O que foi? Saudades dele?

— É... sinto falta das brincadeiras de Asmita. Agora entendo as indiretas que ele fazia. Você contou a ele, não foi? — Shaka respirou fundo, chateado por ter sido o último a saber sobre os sentimentos do irmão de criação.

— Eu não contei, mas ele percebeu... — Camus suspirou.

— Ele sempre foi extremamente perceptivo... — Shaka riu, tentando desviar o assunto, e engolindo seco ao sentir os olhos castanho-avermelhados sustentarem o seu olhar.

— Eu darei a você o tempo necessário para descobrir o que sente, não quero pressioná-lo a responder o que não sabe. — Camus declarou, para seu alívio.

— Obrigado... — Shaka encarou o outro. — Se você roubou um beijo meu, creio que não poderá reclamar se eu roubar um seu... — disse, aproximando os rostos até tocar os lábios do outro com sua respiração.

— Creio que é justo... — Camus respondeu, tendo assim seus lábios capturados.

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— Anda, é urgente!

— Calma, Shion... você sabe como o Shaka é exagerado quando se trata do Mu. Certamente o remédio está com o seu filho e ele já o usou. Vai ficar tudo bem... — Dohko tentava acalmar Shion enquanto calçava os sapatos o mais rápido que podia. — Onde está a chave do carro? — Correu os olhos pelo quarto, ignorado pelo outro.

— E se não acharam o remédio dele? Por que ninguém atende ao telefone? — Shion bufava com o telefone em mãos, tentando ligar para os celulares de Shaka e Mu.

— Já tentou o número de Aiolos? Acho que ele ia até a faculdade pela manhã... — Dohko continuava a procurar pela chave do carro calmamente, enquanto Shion andava de um lado para o outro digitando alguma coisa no celular.

— Alô? Aiolos! Meu filho teve uma crise de asma, você sabe como ele está? Ele tem uma bombinha de Respirol, deve estar na mochila dele! — Dohko finalmente percebeu as chaves no bolso de Shion, retirando-as sem que o ariano percebesse. Sacudiu-as à frente do rosto do outro, sendo ignorado mais uma vez. Sentou-se na cama e aguardou calmamente até que ele desligasse o telefone.

— O que você está fazendo sentado aí? Meu filho pode estar morrendo enquanto você descansa! — Dohko respirou fundo, levantando-se da cama sem nada responder, andando até o carro atrás de um apressado Shion.

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— Tô indo nessa, o seu namorado já deixou o Milo tomando conta de você... — Sem graça ao sustentar o olhar terno de Mu para si, Aiolia retirou o braço do escorpiano que pousava sobre seu ombro, e saiu em direção à porta. Milo fitou o amigo, incrédulo.

— Covarde... — Rosnou baixo, tendo como resposta um gesto de mão nada amigável por parte do amigo. Observou a porta da enfermaria ser batida, almejando arrastar Aiolia e forçá-lo a conversar com Mu, que suspirou.

— Eu não entendo o Aiolia... Quando o trato mal, ele reclama. Quando o trato bem, ele vai embora. — Os olhos verdes encararam Milo, inquiridores.

— Ele é assim mesmo... fica sem graça quando é tratado bem porque não gosta de admitir que é piegas. Quando ele acostumar a receber elogios seus, perde a vergonha e passa a ficar engraçadinho com você. Intimidade é uma merda! — Milo sorriu de canto.

— É? — Mu não entendeu o que o amigo queria dizer.

— Pode ter certeza, ninguém merece o Olia quando começa a mostrar o egocentrismo dele... — Diante da expressão do outro, Milo resolveu explicar. — Aliás, Mu... Aquele loiro é mesmo seu namorado?

— Não. — Ele riu. — Somos ex-namorados, tal como você e Aiolia. Aliás, ele perguntou o mesmo antes de você chegar, e Shaka respondeu algo dúbio. Acho que Aiolia o interpretou mal...

— Ahn... E aquele ruivo é o novo namorado de Shaka? — Milo apoiou o queixo sobre a mão cerrada, aconchegando-se na poltrona da enfermaria.

— Refere-se a Camus? É irmão de criação dele... mais irritante impossível! — Mu não poderia perder a oportunidade de implicar com aquele que sempre implicou consigo sem motivo algum.

— Irritante? Por quê?

— Porque ele quer, oras... ele se esforça para superar a própria arrogância dia após dia... a princípio eu até o cumprimentava, ele fazia questão de fingir não me escutar. — Mu bufou.

— Mas... sem motivo nenhum? Nenhum mesmo? — Milo insistiu.

— É... exatamente como eu disse, parece que ele nunca "foi com a minha cara".

— Ah tá... entendi. — Milo sacudiu a cabeça, perguntando-se como Mu ainda não havia descoberto o motivo da implicância de Camus com ele.

— Com licença. Como você está, Mu? – Aiolos acabara de entrar na enfermaria.

— Estou bem, obrigado. — Mu respondeu com um sorriso.

— Seu pai está a caminho da faculdade, parece que alguém ligou para ele... acho melhor retornar a ligação para acalmá-lo. — O moreno sorriu divertido.

— Obrigado novamente... — Mu suspirou enquanto o mais velho telefonava para seu pai, tentando acalmá-lo. Ao desligar o telefone, Aiolos suspirou.

— É, acho que seu pai não vai desistir de averiguar se você está bem por conta própria. — E sorriu gentilmente, pousando a mão no ombro de Milo. — Onde está o meu irmão? Não foi ele quem trouxe Mu à enfermaria?

— É... tá parecendo que o gato arisco fugiu da água fria! — Milo sorriu de canto, conversando com o ex-cunhado por códigos. Logo Aiolos percebeu quem era a "água fria" em questão.

— Hum... entendo. — Aiolos fitou Mu atentamentente, compreendendo o motivo das constantes brigas entre ele e seu irmão no hotel.

— Hum? — Mu franziu a testa interrogativamente.

— Bem, eu preciso voltar à direção. Estou ajudando Saga com uns papéis e... — Aiolos parou de falar ao escutar a gargalhada de Milo.

— Tá, Aiolos. Quer que eu finja que colou? — Ele fitou o moreno com uma expressão divertida. — Me faz o favor de desestressar o meu cunhado, ele tá brigando demais com o Kâ...

— Você ajudaria se não atrasasse o professor para a aula... — Aiolos encarou em repreensão a Milo, que fingiu inocência.

— Eeeeeu?

Vendo a expressão confusa de Mu, Aiolos decidiu por fim à conversa aparentemente sem sentido para o jovem.

— Desculpe, Mu... É melhor deixar você descansar. Se precisar de mim, não hesite em chamar. — E passou seu cartão para ele, que corou em resposta. — Até mais...

Quando Aiolos saía em direção à porta, seu telefone tocou. Mu não pôde deixar de observar o bíceps escultural daquele que atendia à ligação, semelhante àqueles das estátuas gregas. Aliás, observando bem, o tórax do moreno também se parecia com o de uma escultura. Perfeito! Existia outra palavra para defini-lo? E o jeito casual como ele levava a mão livre ao bolso da calça jeans azul-escura, combinando com a blusa preta, enquanto apoiava uma das pernas na parede? Subitamente Mu levou um susto. Os olhos verdes estonteantes o encaravam com diversão. Ali, bem próximos aos seus.

— Tem certeza de que já está bem, Mu? Talvez eu deva chamar o médico para examiná-lo novamente... — Aiolos parecia preocupado com ele.

— Não, obrigado... Eu estou bem... — Mu sentiu seu rosto queimar pela proximidade do outro. "O mais estranho em Aiolos é que ele me parece tão familiar de alguma forma... Mas como poderia ser? Onde eu já vi um sorriso tão bonito? Ele é tão gentil... tão diferente do irmão... se bem que Aiolia me trouxe aqui... por que será que ele foi embora daquele jeito?"

— Então até mais... Levo vocês para o hotel no fim da aula. — Aiolos acenou ao se dirigir novamente até a porta.

— Obrigado, até mais... – Mu suspirou ao ver o moreno encantador ir embora da enfermaria, até que ouviu uma risada de Milo. Encarou-lhe indignado. — O que foi agora, Milo?

— Fala sério, Mu... você estava babando no Olos...ele tem namorado, sabia?

— Não! Digo... não estava babando coisa nenhuma! — Mu tentou consertar, mas acabou arrancando uma sonora gargalhada do outro.

— Ah... mas duvido que ele tenha alguma coisa que o Olia não tenha. Fogoso daquele jeito... deve ser genético né... O leãozinho de "inho" só tem o apelido. Sabe como é, imagine a cara da galera se eu chamasse o Olia de leãozão! Em público não dá! Já entre quatro paredes... err.. Que foi Mu? — Milo fingiu inocência, mas pretendia fazer com que o amigo comparasse os irmãos após seus comentários.

— Menos informações, Milo... Por favor... menos... — Mu estava vermelho tal qual um tomate maduro.

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Shaka provava o sabor dos lábios de Camus sem pressa, quando uma voz irritante o interrompeu.

— É assim que você respeita o seu namorado? Beijando outro cara bem no meio do prédio da faculdade? Qual é a sua vindo pra Grécia? — Era Aiolia, que ofegava de raiva, parado bem em frente ao casal. – Se você chegar perto do Mu de novo eu vou contar pra ele o que eu vi! É bom você pegar as suas malinhas e ir voltando praquela merda de país gelado seu! É muita cara de pau! Vem pra cá dar uma de bom samaritano e traz esse cara pra dar uns amassos quando ele não tá olhando?

Shaka soltou a mão de Camus que antes segurava, cravando as unhas nas palmas das mãos pela raiva que sentia. Encarou Aiolia com escárnio ao se colocar à frente dele.

— Diga uma palavra a Mu sobre o que você viu e verá as conseqüências jurídicas da sua escolha!

— Vai me ameaçar agora? Como é que você conseguiu fazer o Mu acreditar que você é um santo? Ameaçando todo mundo que viu quem você é de verdade? Não tem remorso em dizer que ama o Mu e depois deixar ele lá sozinho passando mal pra sair da enfermaria e se agarrar com outro?

Shaka cerrou os olhos por alguns instantes, criando coragem para verbalizar todos os xingamentos possíveis e imagináveis ao rapaz, quando Camus se posicionou entre os dois rapazes de ânimos alterados.

— Você deveria procurar saber toda a verdade antes de tirar satisfações com Shaka ou dizer para Mu o que você não sabe. Agindo assim acabará magoando o seu amigo desnecessariamente... — Declarou com firmeza, encarando os olhos de Aiolia com sinceridade. Este, encarando Camus, bufou de raiva, e deu meia volta enquanto rosnava alguma palavra sem sentido. Andou até a enfermaria perguntando-se o que fazer, e desistiu de falar ao ver o sorriso de Mu.

— Aiolia... eu pensei que você tivesse voltado para a sala. — O tibetano encarou o moreno e alargou seu sorriso, enquanto Milo se levantava da poltrona.

— Por falar em sala, teoricamente eu saí para ir ao banheiro! Putz... — Ele levou a mão à testa como se acabasse de se recordar de um compromisso inadiável. — Você faz companhia ao Mu, né Olia? — E saiu apressadamente em direção à porta, sem dar tempo aos amigos para retrucarem.

Aiolia viu Milo sair pela porta sem retrucar, e sentou-se na poltrona que ele ocupava. Encarou Mu mais uma vez, sem saber se deveria dizer a ele o que viu.

— O que foi, Olia? Você está bem? — Mu preocupou-se com o amigo estranhamente quieto, tocando-lhe o ombro para chamar sua atenção.

— Estou, e você? Desculpe... por minha causa você veio parar aqui. Eu devo ser um idiota mesmo... não queria te deixar assim...

— Assim como? Eu já estou bem! — Mu sorriu, e, sem perceber, Aiolia levou uma das mãos sobre a que se encontrava sobre seu ombro, acariciando-a levemente enquanto observava o chão. O rapaz de cabelos lilases sentiu seu corpo estremecer com o carinho inconsciente do outro, e recostou sua cabeça no travesseiro da maca, apertando levemente a mão de Aiolia.

— Mu, eu... — Os olhares verdes se encontraram intensamente, quando um barulho fez com que Aiolia pulasse da poltrona tal como um gato assustado faria, largando a mão do amigo tão inconscientemente quanto a tomou.

— MUUUUU! — Aproximava-se da maca um homem alto e de cabelos esverdeados, impressionantemente parecido com Mu, e Aiolia se afastou da maca para dar passagem a ele. — Você está bem? Está respirando? Cadê o remédio? Já tomou? Não tomou demais? EU NÃO DISSE PRA VOCÊ NÃO INVENTAR DE SAIR CORRENDO POR AÍ? POR QUE VOCÊ SE FORÇOU TANTO, RAPAZINHO?

— Pai... — Mu respirou fundo, nervoso. Só então foi notado que um silencioso Dohko havia entrado na enfermaria junto ao pai de Mu.

— Shion, se você continuar estressando o seu filho, ele vai ter outra crise... — O recém-chegado tentou acalmar o outro, em vão.

— EU, ESTRESSANDO QUEM?

— Eu. — Dohko revirou os olhos, cumprimentando um Aiolia assustado em seguida. — Meu nome é Dohko. — e estendeu-lhe a mão. — Você é o filho mais jovem do Sr. Femanis?

— Sim... — Aiolia, que ainda não havia se recuperado do susto, segurava a mão de Dohko com uma leveza incomum.

— Foi você quem trouxe meu filho para a enfermaria? Obrigado! — Shion girou nos calcanhares para agradecer ao jovem, uma vez que lhe foi informado pela faculdade que seu filho foi levado ao recinto por um colega de classe.

— Pai, você já tomou seu remédio para pressão hoje? — O mais novo tocou o pulso do pai, encarando-o com repreensão.

— Não, obrigado por lembrar! — E tirou do bolso um pequeno recipiente com comprimidos, buscando com os olhos um bebedouro para tomar água junto ao remédio.

— Ele fica elétrico quando está nervoso... nem me escutou quando falei do remédio há meia hora... — Dohko desabafou enquanto Shion seguia para o bebedouro próximo à porta. Ele levava o comprimido à boca e tomava água em seguida, até notar que alguém abria a porta. Estreitou os olhos ao notar o "invasor"

— Ah... você! O que estava fazendo do lado de fora? Passeando enquanto meu filho passa mal? É assim que demonstra a sua preocupação por Mu? — Shion parecia furioso.

Caso o senhor não saiba, eu estava com o seu filho até agora há pouco... e fui eu quem disse ao rapaz ali onde estava o remédio dele. — Shaka apontou Aiolia no intento de provocá-lo, e este bufou ao lado de Mu.

— Por que não conta pra ele o que de tão importante você estava fazendo? — Aiolia provocou Shaka em resposta.

Ao perceber que uma briga geral se instalara na enfermaria e que Shaka estava prestes a revidar a provocação de Aiolia, Mu se levantou subitamente da maca. Sob olhares atônitos, pegou a mochila, a jogou nas costas e andou em direção à saída.

— Vou voltando pra aula... — E saiu batendo a porta da enfermaria. Deparou-se com Camus, sentado em um banco no corredor. Passou por ele como se não o tivesse visto e entrou no meio da aula, para surpresa dos colegas.

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Shion se preparava para ir atrás do filho quando Dohko segurou seu pulso com firmeza. Este sacudiu a cabeça e encarou o marido com cara de poucos amigos.

— Pare com isso, Shion... seu filho já é adulto e a última coisa que ele deseja é que você o trate como criança na frente dos amigos. – Shion encarou Dohko por uns momentos, e logo percebeu o seu nervosismo diante da situação.

Shaka deixou a sala em silêncio, após encarar Aiolia ameaçadoramente. Este cerrou os punhos, desejando socar a cara do loiro que acabava de deixar o recinto.

Dohko puxou Shion para sentar-se na poltrona ao lado da maca e tomou o pulso do tibetano, checando-o. Aiolia permaneceu na sala, atônito ao ver como o pai de Mu e o outro homem se tratavam.

— Você está perdendo a sua saúde desse jeito, amor... — O chinês afagou os cabelos esverdeados, e seu olhar encontrou o magenta com ternura.

— Vocês são namorados? — Aiolia perguntou, sem conseguir conter a curiosidade.

— Não, somos casados. — Shion respondeu calmamente, sorrindo diante da expressão de surpresa do mais jovem. — É comum na Inglaterra... não sabia?

— Ah é... — Aiolia coçou a cabeça. — Mas vocês não vieram do Tibet?

— Eu e Mu nascemos no Tibet, mas Dohko nasceu na China. Nós três nos mudamos para a Inglaterra quando meu filho tinha cinco anos.

— Entendi... — Aiolia parecia sem graça diante do casal. – O meu irmão mora com um homem também... — Ele tentava quebrar o silêncio constrangedor que se instalara na enfermaria.

— Ah sim, o diretor da faculdade... — Shion encarou o jovem, analisando-o.

— Isso... você já sabia? — Aiolia surpreendeu-se com a afirmativa do pai de Mu.

— Já, seu irmão já nos apresentou ao namorado. E você? Namora um homem também? — Shion perguntou com naturalidade, e levou um cutucão do marido pela ousadia. Aiolia corou ao escutar a pergunta vinda do pai de Mu. "Será que percebeu que eu tô a fim do filho dele?"

— Ee-eu? Tô solteiro... er... eu preciso ir pra aula também. Tchau! — Ele saiu depressa da enfermaria, andando rapidamente para chegar à sala e não precisar encarar os olhos inquiridores de Shion. Dohko encarou o marido, incrédulo, que gargalhou.

— Você viu como ele ficou assustado? Esse rapaz está tentando esconder alguma coisa de mim...

— Shion, você não presta! — Dohko sorriu, aliviado em perceber que o humor do marido havia voltado ao normal. Capturou os lábios dele em um beijo lento e abraçou seus ombros carinhosamente pela poltrona. — Vamos voltar ao trabalho?

— Ok, ok... eu me rendo. Desculpe deixar você preocupado comigo... tentarei ser mais racional da próxima vez... — Shion abraçou os braços do outro, que riu.

— Você sempre promete, Shion...

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Milo fitava o colega estrangeiro com curiosidade, sem compreender o motivo de seu mau humor, tampouco o motivo dele ter chegado tão rápido na sala de aula depois de ficar sozinho com Aiolia na enfermaria. "Será que Aiolia não teve coragem para contar a ele? Será que brigaram de novo? Eu mato aquele leãozinho covarde!" Foi quando entrou Aiolia, estranhamente calado, como se não quisesse que a sua presença não fosse percebida.

— Eu hein... nem Freud explica a complexidade desses dois... — Coçou a têmpora com as costas da caneta, sem entender o que havia acontecido.

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Camus já esperava que Shaka saísse da enfermaria ainda mais mal-humorado do que estava, mas nunca cogitaria a possibilidade de Mu sair primeiro: deixando seu pai, Dohko e o grego esquentadinho para trás. "Afinal, não é ele o enfermo? Como o deixaram sair assim? Rapazinho irresponsável..." Absteve-se de qualquer comentário, ignorando o ariano que o encarou com cara de pouquíssimos amigos.

No passado, Camus esforçava-se para manter a razão além de suas emoções, mas o ciúme que sentia de Mu acabou por superar os limites da lógica. A antipatia entre os dois se tornou um grande problema para Shaka, que precisava dividir seu tempo entre o namorado e o irmão de criação, uma vez que não poderia dar atenção a ambos simultaneamente. Foi esse mais um dos motivos pelos quais o namoro entre Shaka e Mu não deu certo, o inglês nunca reagiu bem à troca de farpas entre Mu e Camus.

Logo Shaka deixou a enfermaria, parando diante de Camus e suspirando longamente, extremamente irritado.

— Vamos embora daqui. — E saiu andando em direção à saída da faculdade sem mais palavras. Camus apenas o fitou de canto, observando seu ar de irritabilidade.

Quando chegaram ao hotel, Camus deixou que o companheiro de quarto pegasse as chaves e ficou conversando com a recepcionista. Em alguns minutos, entrou no quarto que dividia com Shaka e avistou-lhe sentado em posição de lótus sobre a cama, tentando se concentrar. Começou a juntar suas roupas enquanto ele permanecia de olhos fechados, e as colocou cuidadosamente na mala. Shaka abriu os olhos ao escutar o zíper da mala ser fechado, e encarou Camus com surpresa.

— O que está fazendo?

— Levando a minha bagagem.

— Para onde? — Shaka piscou, sem entender onde Camus pensava em ir.

— Outro quarto.

— Outro quarto? Mas–

— Não adianta argumentar, Sha. Até que você decida, eu permanecerei em um quarto distinto do seu. Pode não parecer, mas eu não tenho todo esse sangue de barata que aparento ter... — Camus sorriu melancolicamente, pegando suas malas e deixando o outro para trás. — Qualquer coisa, estou no 437.

Shaka fitou a cama e o guarda-roupas que eram ocupados por Camus vazios, e teve vontade de se estapear por não ter tido a coragem para pedir a ele que permanecesse ali. Deitou as costas na cama e se virou, enfiando a cara no travesseiro e chorando compulsivamente. De repente, seu mundo perfeito parecia estar ruindo, assim como as verdades às quais ele acreditava conhecer.

Camus chegou ao quarto e rapidamente trancou a porta, recostando as costas na parede e escorregando-as até sentar-se no chão. Abraçou os joelhos e recostou sua cabeça entre eles, deixando escaparem as lágrimas presas há muito tempo. Olhou ao redor, desolado em não ter Shaka por perto. "Há quantos anos dividimos o mesmo quarto, Sha? Eu nunca contei, você nunca percebeu... mesmo com Asmita insinuando o tempo todo o que sabia, você nunca desconfiou..."

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FIM DESTE CAPÍTULO

ATÉ A PRÓXIMA, PESSOAL!

BJOCAS A TODOS,

NATHALIE CHAN