Sara olhava fixamente para a rua, com os braços contra seu corpo e não percebeu quando Grissom se aproximou. Ele a observou a distância. Toda vez que ela cruzada os braços daquele jeito era sinal de medo de perder o controle. Ele odiava quando Sara ficava desse jeito, ainda mais por sua culpa.
"Tudo pronto" disse ele. Sara sorriu em resposta. "acho que é hora é agora"
Teve que se controlar para não começar a gritar como ele. Será que tinha idéia do que foi ouvir aquilo ou mesmo estar lá? Se não era verdade o que falou, porque o fez? Como ele pode não confiar nela algo tão importante? Mas ela tinha que ser forte. Se dirigiu ao sofá e esperou.
Grissom sentou-se à mesa de centro de frente para ela e pegou as duas mãos antes de começar.
"No hospital... o que eu disse... não tinha nada a ver com o que sinto por você... Nunca gostei das pessoas me verem como uma pessoa frágil, mas não por mim e sim por que elas ficam machucadas quando acontece. E vi o medo nos seus olhos e... não agüentei. Sinto muito. (sara continuava em silêncio, e isso deixou grissom bastante incomodado) Te fiz sofrer tantas vezes para querer continuar com isso, então pensei que se contasse depois de tudo acertado... depois de estar bem de novo... você não iria sofrer tanto assim"
"Não acha que já mentiu de mais para mim Grissom? Você sabe muito bem que se não tivesse sabido com catherine e visto com meus próprios olhos, nunca iria saber, por que você não confia em mim"
"Eu confio em você Sara, só queria te proteger"
"Pelo amor de Deus Grissom, Eu sou bem crescida e posso muito bem decidir por mesma ou me proteger. Não preciso de babá. (Ela levantou do sofá e foi ate a janela) Só o queria era poder ficar com você, não importa o que acontecesse, por que é assim que as pessoas agem quando gostam de alguém."
"Eu sei, mas..."
"Não tem nenhum 'mas' desta vez. Se você tem essa grande necessidade de me proteger, então fique comigo. Do contrário, não quero nada vindo de você".
"Sou muito velho... e definitivamente muito complicado"
"Tudo muito é! Você esta feliz do jeito que está? Por que não acho e eu posso te ajudar com isso. E me ajudar no caminho. Se você permitir. E quanto a ser velho... isso é besteira!"
"Não Sara, não é! A qualquer hora pode aparecer alguém mais jovem e mais legal e você se apaixonará por ele. Como eu fico?"
"Onde você tem andando nos últimos anos? Alguma vez você me viu aceitando paquera de gente mais jovem? Tenho certeza que não e sabe por que? Por que eu te amo, seu idiota" Lágrimas de raiva agora escorriam pelo rosto dela. "Não escolhi te amar... Ou acha que gostei sofrer todo esse tempo... ou naquele dia? Mas por algum motivo, eu amo e não vou parar de amar"
"Então você não vai me deixar?" perguntou ele depois de alguns minutos assimilando tudo o que Sara tinha dito.
"posso te amar para o resto da minha vida, mas se você me machucar de um jeito que me faça perder toda e qualquer confiança, e não tentar consertar isso, então sim, vou te deixar. Mesmo achar outra pessoa só para não ficar sozinha, mas amar esse outro? Não vai acontecer!" O silêncio se instaurou. Ela voltou para o sofá e pegou na mão dele. "Só você tem o poder de me fazer ir embora. Mas é isso que realmente quer? Para sempre?"
"Não! Claro que não!"
"ok então"
"Vai me dar uma outra chance?" perguntou com os olhos mareados.
"Sim. Mas Ao invés de assumir que não quero, que não vou gostar, ou qualquer coisa desse tipo, converse comigo, ok? Especialmente quando estiver ligado a nós, por que você sempre escolhe o errado."
"Ok"
"Não estou brincando Grissom!"
"Eu sei. Não vou fazer de novo"
"tenho certeza que você vai. Mas nós vamos conversar sobre isso e não fugir" pensou. "Se não se importa, vou dormir agora" (ele acenou) "Se vou dormir no quarto que você estava, onde você vai dormir?"
"Aqui. O sofá é do tipo cama"
"Certo. Boa noite"
Aquilo foi... surreal! Precisou de muitos minutos até Grissom conseguir se mexer. Ela colocou os seus termos, ao invés de ir embora. O perdoou de novo, mas quantas vezes mais ela ia agir assim? Queria ele arriscar? Definitivamente não! Arrumou o sofá-cama, ainda de boca aberta. Colocou o pijama que tinha trazido e ligou a televisão para ver se o sono chegava. Era difícil não olhar para a escada, procurando por qualquer sinal de Sara.
TBC
