Capitulo 4

A noite não tinha sido descansada, as memórias de tempos vividos tinham-na perseguido com a intensidade de um leão frente à sua presa encurralada.

Hermione executou a sua higiene matinal de forma mecânica, com um gosto a fel na boca, com o coração pesado com a perspectiva de mais um dia pela frente. Mas aquele seria o primeiro dia da sua nova vida.

Claro que isso ela não sabia….

Hermione evitou o Grande Hall, dirigindo-se antes à Gargólia que guardava a entrada do escritório de Dumbledore.

- Papos- de- Anjo. – Murmurou Hermione. A nova palavra passe do reitor era estranha na língua inglesa mas era o novo doce favorito….

- Bom dia minha querida. Toma o pequeno-almoço comigo? – Perguntou o velho reitor do alto das escadas.

- Bom dia reitor Dumbledore. Sim, será um prazer. – Respondeu Hermione com uma voz quase cantada, como quem estava alegre por ter um objectivo em mente.

- Minha querida, vejo que hoje se encontra de excelente humor. Fico feliz por isso, minha querida. – Disse sorrindo Dumbledore, enquanto conjurava uma pequena mesa entre as cadeiras a que a dirigira – Mas em que posso ser-lhe útil? Ou terá sido o gosto de vir trazer alegria a este pobre e velho feiticeiro, o motivo de ter vindo tomar, o pequeno-almoço comigo?

Hermione sorrira e nesse momento um enorme tabuleiro com o pequeno-almoço aparecera.

Os Elfos trabalhavam com gosto para o velho reitor, sabendo o quanto ele apreciava degustar os seus petisco.

Hermione sorrira timidamente, com peso na consciência das muitas visitas devidas, versus as sempre motivadas apenas por algum pedido ou problema por resolver, mas inspirou profundamente, tomou coragem e disse:

- Reitor Dumbledore, é sempre um prazer estar consigo, mas a minha visita tinha por objectivo um pedido.

- Ah, minha querida, nunca foi minha intenção embaraça-la. Mas diga, diga, o que posso fazer por si? – Respondeu Dumbledore enquanto deglutia prazenteiramente mais um pedaço de bolo de queijo com goiabada, uma nova especialidade dos elfos que ele adorava.

- Bem reitor, eu acho que tenho que dar um caminho, uma direcção à minha vida mas ainda não sei muito bem o que quero fazer, o que eu sei é que enquanto decido o que fazer no futuro preciso de uma ocupação. Não haverá nada, aqui no castelo, que eu possa fazer? – Disse Hermione, baixando os olhos e bebericando o chá quente e forte.

- Minha querida Hermione, não sabe, não pode sonhar o quão feliz eu fico com o que me disse. – Disse Dumbledore com os olhos cintilando e um sorriso de gato que tinha comido o rato.

Tal passou despercebido a Hermione ou ela teria desconfiado, mas estava ela muito entretida a olhar para a chávena…

- Bem, no castelo temos algo que precisa ser feito com muita urgência, mas que ainda não o foi, porque, tem que ser feito por alguém em quem a Ordem confie plenamente. É necessário classificar e guardar em arquivo, tudo o que existe e que esteja relacionado com os membros da ordem, tanto os vivos como os que infelizmente já não estão connosco. - Disse Dumbledore, observando cuidadosamente a reacção de Hermione, continuando quando a viu inspirar, repentinamente, prosseguiu – não é um trabalho simples, rápido, nem fácil ao nível emocional, mas se estiver disposta Hermione, ele é seu.

Hermione ponderou antes de responder. Não, não seria um trabalho fácil, era um trabalho ligado justamente ao que ela mais queria esquecer: o passado.

Contudo, Hermione ponderou, que se era o passado que ela queria largar, que melhor primeiro o resolver?

Seguindo então nessa fiada de pensamento, Hermione resolveu-se e disse:

- Sem duvida reitor, é um trabalho complexo, que requer um certo cuidado ao realiza-lo. Fugas de informação seriam terríveis para todos os que realmente lutaram tanto. Fico muito honrada com a confiança em mim depositada, eu não o desapontarei.

- Muito bem Hermione, o lugar é seu! – Disse um Albus Dumbledore que não podia estar mais orgulhoso de si ou da sua brava Gryffindor – Você terá um ordenado, claro, e toda a ajuda das partes envolvidas. E compreenda Hermione, serão muitas as partes envolvidas. Quando está a pensar em começar?

Hermione nem pensou duas vezes, tal como um homem no deserto se lança à água, prontamente respondeu:

- Se não houver inconveniente, senhor reitor, hoje mesmo.

- Perfeito! Penso que poderá começar pela parte mais fácil, menos penosa emocionalmente. Talvez pela biblioteca, Hermione? Terá que compilar e juntar todos os registos de requisição, entregas e trabalhos publicados de todos os membros da ordem. – Dumbledore revolveu numa das gavetas da secretaria e dela retirou um pergaminho muito antigo, muito longo, amarelado pelo tempo – Aqui estão todos os nomes, de todos os membros da Ordem de Fénix, tanto os do passado como os actuais. Hermione é muito importante, vital mesmo, que entenda que este documento nunca saiu das minhas mãos, ninguém a não ser eu e agora você, alguma vez soube quem eram todos os membros da ordem.

O tom sério que Dumbledore usou foi o suficiente para que Hermione se apercebesse realmente da importância, da seriedade da sua função. Não era algo para passar o tempo, era uma informação que era tão importante como perigosa, os registos de uma pessoa em grande parte descreviam-na, dela seria possível extrair muita coisa, boa e má.

Rapidamente foi entregue a Hermione uma cópia do pergaminho, ao qual ela enfeitiçou para que ela e só ela o pudesse ler; se mais alguém lhe tocasse ele pareceria um inicio de uma carta a Harry, uma das muitas que ela escrevera no passado e que religiosamente colocava junto à campa.

Despedindo-se do reitor, Hermione rapidamente se dirigiu à biblioteca para falar com a Sra. Pince.

A biblioteca estava vazia, todos os alunos estavam nas aulas, não havia furos de manhã, facto do qual, Hermione, estava grata, quanto menor o barulho mais receptiva estaria a velha e sisuda bibliotecária em ajuda-la.

- Bom dia Sra. Pince, o Sr. Reitor já falou consigo? – Perguntou Hermione num sussurro.

- Bom dia Sra. Snape, – Hermione sempre se arrepiava quando alguém a tratava pelo sobrenome de casada – Sim o reitor já me falou via lareira, já me informou da tarefa que tem entre mãos. Siga-me por favor. – Disse a Sra. Pince.

A Sra. Pince em tempos tinha adorado Hermione, mas aquando do seu matrimónio com o professor Snape a sua atitude mudara, chegando ao extremo de insinuar que Hermione apenas desejava, um modo promíscuo, ter acesso a livros pouco próprios para uma senhora. Muitos diziam que sofria com ciúmes, que desde o retorno de Snape à escola como um jovem de vinte anos, ela era apaixonada por ele, nunca sendo no entanto correspondida.

Ao lado do escritório da Sra. Pince existia uma pequena sala de arrumações, composta por uma pequena mesa velha, uma cadeira dura e desconfortável, que certamente já vira melhores dias e um mundo de prateleiras repletas de arquivadores, pastas, pergaminhos soltos, jornais e livros em estado tão periclitante que já nenhum charme ou feitiço os podia reparar.

- Aqui tem Sra. Snape, tudo o que necessita esta aqui. Um bom resto de dia. - Afirmou em tom brusco a bibliotecária, girando sobre si mesma e saído com uma rapidez quase juvenil.

Sim a Sra. Pince tinha a perfeita noção de quão trabalhoso e fastidioso tal trabalho seria, por essa razão sorrira maliciosamente.

Hermione rapidamente pôs mãos ao trabalho, no seu cérebro metódico ordenou as tarefas que tinham prioridade sobre todas as outras.

" Primeiro vamos ordenar por anos toda esta papelada" – pensou hermione sussurrando:

- Annus Ordenallius – e rapidamente, levantando apenas uma pequena nuvem de pó, todos os pergaminhos, pastas e livros se reorganizaram por ordem cronológica.

" Agora só falta por ordem alfabética, dentro de cada ano"

Melhor pensado, melhor fizera, logo murmurando:

- Alfabeticus Ordenallius in Annus.

Como anteriormente todos os documentos se reorganizaram, com a perfeição apenas possível quando, uma verdadeira mestre de feitiços exibe tal magnitude de poder, apenas poderá ser exibido um resultado: perfeição. E de isso nunca houvera duvida, Hermione Granger Snape era uma perfeccionista, sempre o fora!

A manhã dera lugar à tarde e já Hermione tinha limpo a velha sala, remodelado e revitalizado, por assim dizer, a velha cadeira e a antiga mesa numa confortável e bela cadeira e secretaria.

Hermione iniciou a sua lista, muitos foram os nomes que lhe fizeram lágrimas, muitos, ela desconhecia sequer que tinham existido.

Nomes como: Bonés, Dearborn, Fenwick, Meadow, todos já desaparecidos, mortos, sem que deles restasse memoria.

" Mortos, assassinados até pelo tempo." – Pensou ela tristemente, mas o mais dolorosos foram sem duvida os dos Potter, o dos Weasley, o dos Longbotton, esses foram arrasadores.

Eram famílias que tinham cessado de existir, ninguém sobrevivera, eram famílias que tinham dado tudo pela luz, pelo bem, tudo o que tinham, até a vida.

Hermione apercebeu-se que se entendia e se conhecia, um pouco, o que uma pessoa era, os seus sonhos, as suas angústias, pelo o que lia, como entregava o que tinha lido; se era uma pessoa pontual ou não, se honrava ou não o compromisso de preservar um livro. Tudo pelo registo que tinha.

Fora um dia devastador, as memórias, tinham regressado com a força de um tornado, pior do que na pior das noites.

Sim houve momentos em que rira ao ver os registos de Ron, quase todos livros de Quidditch, os de Harry denunciavam a crescente preocupação de uma guerra iminente, crescendo de seriedade ao longo do tempo.

Os dos gémeos Weasley eram hilariantes, e deram-lhes bons momentos de riso e humor, até se lhe atravessar na mente a imagem dos seus corpos. " Juntos até na morte."

Já era tarde e hermione não tinha comido ou bebido nada desde o pequeno-almoço com o reitor, por essa razão resolveu deixar para depois do jantar os nomes que lhe faltavam: Dumbledore, Mcgonogall, Lupin, Moody e para último Severus Snape.

Dobby, elfo amigo da grande amiga do grande Harry Potter, tinha aparecido no momento em que Hermione se prepara para fechar a sala.

O Reitor Dumbledore pedira-lhe que cuidasse da Sra. Snape, que por vezes se esquecia que deveria comer.

Ali estava Dobby, com um tabuleiro com uma maravilhosa sopa, um bom estufado de carne e um jarro cheio de sumo de abóbora com gelo.

Hermione comera sofregamente, não se apercebera quão estava faminta, de tão embrenhada que estivera estado no trabalho.

Uma hora depois, saboreando uma chávena de café, Hermione regressara ao trabalho.

Os registos dos Dumbledore, Albus e Aberforth, eram fantásticos, dois irmãos muito diferentes, mas ambos estudiosos e peculiares em matéria literária.

Chegara então ao último dos nomes da lista, Severus Snape. O que ela prorrogara, adiara até ao último instante, com um misto de medo e antecipação.

O espanto de Hermione não poderia ter sido maior, os registos escolares do grande professor era similares aos seus, apenas com uma maior tendência para certos livros em defesa e ataque de magia negra.

Ele lera praticamente todos os livros da biblioteca e tal como ela, também ele deveria ter abandonado a adivinhação, pois eram pouquíssimos os livros desse tema.

O espanto que ela sentira, apenas fora superado ao verificar a enorme quantidade de trabalhos e artigos publicados em jornais e revista de renome. Até um livro ele tinha, com um pseudónimo, era verdade, mas um livro!

Era um livro pesadão, sobre antídotos de venenos pouco vulgares, mas abundantes entre os amantes da magia negra; um livro de receitas complicadíssimas com descrições aterrorizantes mas muito reais sobre os efeitos e sintomas de tais venenos.

Hermione Granger Snape tinha ficado siderada com a inteligência e magnitude de conhecimentos de Severus.

O relógio ressoara a 1h da manha, hermione nem dera pelo tempo a passar, era altura de regressar às masmorras.

E foi com sentimento de pasmo e admiração, pelo homem com quem estava casada, que ela entrou nas masmorras.

Hermione estacara milésimos de segundo, antes de prenunciar a palavra que lhe dava acesso aos aposentos.

Um pensamento angustiante, terrível atravessou-lhe o espírito: " Por Merlin, esta noite é noite de deveres conjugais…."


Autora: ok primeiro de tudo quero agradecer do fundo do meu coração à Sheyla Snape pela fantástica critica que me deu, fiquei tão boquiaberta que só posso dizer que este capítulo é para ela, pela motivação e encorajamento que me deu.

A todos os que lêem mas não deixam opinião só posso dizer obrigado por lerem mas que é muito triste não saber se realmente isto presta para alguma coisa.

Alguém tem ideia o porque da tarefa dada por Dumbledore? No próximo capítulo teremos os deveres conjugais, versão leve como é lógico!

Quanto mais comentários deixarem mais rápido em actualizo, é tudo uma questão de motivação, ou seja eu sou como os cães de Pavlov !lolololololololololololol

Beijocas grandes vsev