Nota: Tive de mudar o nome do colégio porque o que meti anteriormente era já uma universidade. Desculpem o lapso!

O Colégio Real de St. Peter, conhecido como Escola de Westminster, é bastante antigo. Situa-se perto da Abadia de Westminster, no centro de Londres e com uma história que remonta desde o século XII, fundada em 1179 a pedido do Papa Gregório III e mais tarde, de novo em 1560, por Isabel I. O Jardim do Colégio, também o mais antigo, estava continuamente em cultivo desde os seus tempos remotos.

O edifício parecia seguro à primeira vista, e não percebi como pôde ocorrer um assalto a uma das escolas mais prestigiadas da capital sem que ninguém tivesse sido visto entrar. Alunos passavam por nós, entrando ou saindo, e eu pude notar que os seus rostos estavam demasiado sérios para jovens que pareciam privilegiados pela vida. Talvez receassem outro ataque.

Atravessámos o grande átrio, onde Reitor já estava a nossa espera. Embora mais calmo da ansiedade do dia anterior, ainda parecia abalado.

-Ainda bem que veio. Mr. Holmes. Já estão reunidos no salão.

-Obrigado, Mr. Notthingam. Serei breve nas minhas questões.

Subimos uma larga escada em pedra, que levava às salas no piso superior e ao salão nobre. Aí, estavam reunidos alguns jovens e cinco professores. Quando encarei os rapazes, fiquei chocado com o que vi.

Oito jovens tinham a testa ferida de uma forma estranha: era como se algo afiado tivesse atravessado a carne desde o meio dos olhos até às têmporas. Tirando um ou outro de braço ao peito ou uma ligadura na cabeça, não pareciam ter mais nada de grave. Os outros pareciam estar ali como testemunhas, parecendo ser mais velhos.

-Mr. Holmes, estes são os professores que se encontravam no colégio naquela noite, e os alunos que presenciaram o ataque.

Todos se levantaram e fizeram um pequeno aceno de cabeça para nós.

Holmes olhou os jovens por um momento.

-Penso que o mais velho dos rapazes molestados deveria falar, se não se importasse…pode dizer como tudo começou?

Um dos jovens feridos, que aparentava uns 16 anos, levantou os olhos azuis para o meu companheiro, parecendo perturbado. Sardas cobriam-lhe levemente as faces pálidas e o nariz. Passou uma mão nervosa pelo cabelo louro.

-Eu e os meus companheiros acabámos o trabalho de investigação, e subimos para os dormitórios. Até nos deitarmos, pareceu tudo normal até o Thomas dizer que lhe pareceu ouvir um barulho estranho. No entanto não ouvimos nada, pensamos que foi imaginação e preparamo-nos para dormir.

"Nesse mesmo instante, ainda não tínhamos apagado as velas, ouvimos vidro a partir-se…alguém tinha quebrado a janela da camarata, tentando entrar e depois…entraram duas pessoas vestidas de forma esquisita…tinham túnicas compridas e capuzes a cobrir a cara. Ficamos com medo, eles viram-nos e começaram a atacar, a mim e aos meus colegas. Puxaram-me o cabelo para trás, vi o outro fazer o mesmo a um colega…agarrou-me na cara com a outra mão, tocou-me na testa e arranhou-a…tinha unhas enormes…e olhos muito brilhantes e avermelhados."

O rapaz calou-se, como se lutasse contra sim próprio.

"Depois falou, disse qualquer coisa como "não é este também", e largou-me…foram tão violentos com o Daniel e o Zacharias que lhes partiram o braço…entretanto apareceram o reitor e os professores…mas largaram-nos como fizeram a mim e fugiram pela janela…"

O jovem calou-se, e eu notei que as suas faces estavam vermelhas. Não era para menos. Se eu ficara impressionado pela descrição grotesca do assalto e de semelhantes criaturas, como não ficara este adolescente, que sofrera com elas? Além disso, a descrição dos assaltantes conferia com a dada por Mr. Nottingham.

Holmes continuava impassível, como se não tivesse ficado afectado por semelhante descrição de ataque a jovens que ainda não tinham atingido a idade adulta.

-Os outros rapazes confirmam?

-Sim, senhor. Pareciam ter garras e olhos que pareciam fogo…!

-O ataque ocorreu só nos dormitórios?

-Não, senhor. – outro jovem, apenas apresentando a mesma ferida na fronte, falou. - eu estava na biblioteca a estudar, quando um deles apareceu por trás de mim e atacou-me.

-E quanto aos demais alunos?

-Não foram atacados, Mr. Holmes. – o reitor tomou a palavra. – Só os alunos mais jovens, menos de 18 anos.

-Hum. – Holmes ficou pensativo. – Porque razão só esses? – Levantou a cabeça. – Gostava de examinar as camaratas.

-Faça favor, é por aqui.

Seguimos por um corredor até outra escada de pedra, percorrendo outro corredor até onde se situavam as camaratas. Esta parecia ser confortável antes do ataque. Lençóis rasgados cobriam o chão, as cortinas de seda vermelha estavam em farrapos, os vidros da janela encontravam-se no chão e o pior de tudo eram pequenas manchas de sangue aqui e ali.

-Diz que os assaltantes entraram pela janela? - Holmes aproximou-se daquela, examinado as paredes de pedra a volta e os caixilhos com a sua lupa. – Olá…que temos aqui?

Aproximei-me e vi-o retirar com a sua pequena navalha um pedaço de tecido preso entre os caixilhos e a parede. Parecia ser negro. Olhei depois pela janela e apercebi-me de algo perturbante.

-Holmes, a altura é enorme! Não há nada por onde subir, nem com uma escada seria possível! E descer é suicídio!

-Muito bem, Watson. Já me tinha apercebido disso.

-Mas como…?

-Confesso que não sei encontrar uma explicação agora, meu caro Watson. Mas a resposta há-de aparecer.

Voltou-se para o Reitor.

-A biblioteca e o seu gabinete, também são aqui?

-Sim, Mr. Holmes.

Inclinando-se, examinou o chão. Parou, parecendo surpreendido. Apanhou algo do chão, examinando com a lupa.

-Watson…que acha disto?

Os meus olhos abriram-se. Entre o polegar e o indicador de Holmes, encontrava-se o que parecia ser uma grande unha, semelhante as que se vêem nas gravuras de dinossauros, mas um pouco mais pequena.

-Deus do Céu! Mas o que é isso?

Pela primeira vez na vida, pareceu-me que Holmes parecia confuso.

-Vou levá-la para examinar, Watson. Nunca vi nada assim.

Guardou a unha numa pequena caixa que trazia consigo, junto com o pedaço de tecido.

-Bem, Mr. Nottingham, por agora preciso de avaliar as pistas e depois talvez possa dizer alguma coisa que possa levar ao rasto dos assaltantes.

-Obrigado Mr. Holmes. Confesso que ainda não entendo como isto se pôde passar.

-Acha que algum dos alunos precisa de um médico? – Perguntei.

-Obrigado Dr. Watson, mas eles já foram examinados e neste momento apenas se sentem mentalmente perturbados.

-Muito bem. Vamos, Watson.