Espero que estejam a gostar até agora. Deixem reviews, isso é muito importante para qualquer escritor! Sejam opiniões boas, críticas construtivas ou ideias, o que interssa é dizer qualquer coisa :)
Nota: A saga da Stephenie Meyer não mer pertence, não pretendo lucrar nada com esta história.
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SUNSET - PÔR DO SOL
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Capítulo IV: A Despedida
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Quando o sol já ia a meio no céu, a minha pequena Renesmee abriu os seus olhos castanhos. Olhou para mim e sorriu, embora mostrasse um sorriso triste.
- Bom dia, princesa! – saudei-a.
- Bom dia. – respondeu-me ela.
Dei-lhe um beijo na testa e dirigi-me à cozinha para preparar o pequeno-almoço. Não haveria tempo para muito mais, pois já era hora de almoço e acordáramos tarde. Tentei esmerar-me nos cozinhados, pois queria que fosse tudo perfeito até à hora da separação. Ela apareceu na cozinha, comeu e voltou ao quarto para arrumar as suas coisas, sempre muito cabisbaixa. Não conversámos muito o resto do tempo que permanecemos em minha casa. Uma hora mais tarde, já íamos a caminho da nossa grande despedida. Não trocámos uma única palavra.
O céu ameaçava transbordar de chuva quando entrámos na rua que dava acesso à casa dos Cullen. O céu estava negro, assemelhando-se a um pôr-do-sol tenebroso, embora fosse meio-dia. Quando avistámos a grande casa branca, senti Nessie suster a respiração, e o seu pequeno coração ficou mais acelerado. Antes que eu tivesse tempo de abrir a porta do carro, quando estacionámos finalmente, a menina agarrou-me no pulso com toda a sua força. Apareceu uma imagem na minha mente desesperada, que parecia vir de uma mente insana. "Promete que não te vais embora sem te despedires de mim".
- Claro que prometo, meu amor… - respondi-lhe, murmurando. Ela soltou, lentamente, o meu pulso, e abriu a porta. Ao longe, Bella estava encostada à ombreira da porta da grande casa branca.
Quando a mãe viu a sua pequena, abriu os braços num gesto de boas vindas, mas a menina não correu para eles. Em vez disso, olhou para mim, baixou a cabeça e deu-me a mão. Também ela, tal como eu, fazia a contagem decrescente até à nossa separação. Bella fez um trejeito com a boca em sinal de desagrado, mas a filha nem sequer olhou para o rosto da mãe. Os seus pequenos olhos castanhos apenas a mim me davam atenção.
Caminhava muito devagar ao meu lado, com os lábios comprimidos. Demorámos uma eternidade a chegar ao encontro de Bella.
- Bom dia, querida! Passaste bem a noite? – perguntou a minha amiga, cautelosa. Nessie não respondeu, tocando apenas ao de leve braço da mãe. Esta apenas olhou para baixo como reacção ao que a filha lhe transmitira. Depois, Bella abraçou-me ao de leve e convidou-me a entrar.
A casa dos Cullen já não permanecia como me lembrava. Todos os móveis da grande sala estavam encostados a um canto, tapados com grandes lençóis brancos. A sala agora era tão branca que fazia confusão à vista. Grandes malas de viagem eram carregadas deste aposento para a garagem pelos vampiros da casa.
- Olá Jacob! – saudou-me Edward quando voltava da garagem. Apertou-me a mão e continuou a transportar malas, com uma facilidade sobrenatural.
- Hum… precisam de ajuda? – atrevi-me a perguntar. Nessie apertou tanto os meus dedos que quase me doeram.
- Deixa estar, Jacob, eles tratam do assunto. – respondeu Bella. Tinha uma expressão ansiosa no rosto, de uma forma que eu nunca vira. Abriu a boca para falar, mas depois dirigiu-se à cozinha. – Venham comer a sobremesa! A Esme insistiu em fazer um bolo para vocês os dois…
Segui Bella até à cozinha, sentindo um cheiro agradável. Nessie seguia sempre encostada a mim.
Comemos em silêncio, enquanto Bella observava. Estava com uma expressão extremamente preocupada e acabou por sair do aposento, deixando-me a mim e à filha sozinhos. Nessie pousou o garfo e olhou para mim. Fitou-me durante muito tempo, sem dizer uma única palavra. Por fim, disse, com a voz a tremer:
- Não te vais esquecer de mim, pois não, Jake?
Aquela frase partiu-me o coração. Levantei-me e fui abraçá-la. Ela começou a chorar silenciosamente.
- É claro que não Nessie, como podias pensar uma coisa dessas? Tu és a pessoa que mais amo neste mundo. Passava-te pela cabeça esqueceres-te de mim?
- N-não… - respondeu entre soluços.
- Então…?
- Vou ter muitas saudades, é só isso…
Afastou-me gentilmente e limpou as lágrimas, fazendo um meio sorriso forçado. Afaguei-lhe os caracóis brilhantes. Ouviu-se um trovão ao longe e chuva começou a bater contra os vidros da grande casa.
- É melhor despacharmo-nos! – ouvi Alice gritar. – A chuva não ajuda em nada a nossa viagem. Acreditem em mim!
Bella apareceu na cozinha.
- Ouviste a tia Alice, querida? Temos de ir embora depressa! Vai acabar de pôr as coisas na tua mala, Nessie. – o que Bella dizia transmitia uma estranha sensação de insegurança. A menina não se moveu. – Vá, Nessie, despacha-te!
- Anda comigo, Jake. – afirmou ela, sem sequer olhar para Bella. O nervosismo estava patente nos olhos da mãe.
- Vai tu, querida que tenho de conversar com o Jake, pode ser, querida? É um instante…
A menina levantou-se da cadeira, olhou para mim e lançou um olhar penetrante à mãe. Talvez ela entendesse melhor aquelas expressões de Bella do que eu. Quando ouvimos Nessie subir as escadas, Bella, com a respiração acelerada, agarrou-me no braço com uma força bruta que quase me partia o osso.
- Ai! – gemi. – O que é que se passa? – Bella tinha os olhos arregalados e uma expressão lunática na cara.
- Vai-te embora, Jake! Já!
- Hã? – consegui balbuciar. Bella estava a passar-se de vez. Ela suspirou, tentou acalmar-se e largou-me.
- É melhor assim, Jake. Não te despeças dela. Vocês tiveram um dia inteiro juntos, já tiveram tempo suficiente de despedida. Não quero que ambos sofram mais, está bem? Gosto muito de vocês os dois, e tu sabes isso, e não quero que sofram. Eu sei o que digo, Jacob. Quando… - Bella ainda tinha dificuldade em relembrar o seu passado como humana. – Quando o Edward me deixou, daquela vez, eu preferiria que não se tivesse despedido de mim. Tenho uma ideia de quanto sofri, e tu deves saber isso melhor do que eu. Nas separações as despedidas emotivas tornam tudo muito mais difícil.
Eu estava boquiaberto. Não queria acreditar que Bella me negava uma despedida à minha alma gémea. As minhas mãos começaram a tremer.
- Tu só podes estar a brincar. – respondi, com os dentes cerrados. Bella levou as mãos à cabeça.
- Jake, Jake! Acredita em mim! Vocês vão sofrer imenso se disserem um último adeus. Tu não vais aguentar. Vais sofrer tanto como eu sofri com a perda do Edward. Eu só consegui ultrapassar porque te tinha a ti como amigo. Tu sem nós não tens ninguém. – eu cada vez tremia mais e Bella já tinha reparado nisso. – É a verdade, Jake, tu só nos tens a nós como amigos mais chegados!
- Como me podes dizer uma coisa dessas? – cuspi eu. – Os amigos não dizem essas coisas uns aos outros! Que raio de amiga me saíste tu! Já é suficientemente difícil separar-me dela e tu ainda por cima negas-me uma despedida? Ainda por cima tens a lata de dizer que não tenho mais amigos?
Bella esfregava agressivamente a cabeça com os punhos, olhando para o chão. Edward entrou pela porta da cozinha, parecendo uma estrela de cinema nas suas roupas de marca.
- Jacob…
- Não te aproximes de mim sanguessuga! – atirei eu. Edward parou ao lado da mulher, envolvendo-a nos braços. Bella parecia cansada, quase velha.
- Jake. Nós queremos o melhor para a nossa filha, e tenho a certeza que tu também. – o seu tom era sereno, calmo e persuasor. Edward possuía um grande talento para falar com as pessoas. – Não é um último abraço que te vai fazer ter menos saudades. Acredita que vai ser pior… eu sei, eu sei… - Edward respondia aos meus pensamentos enquanto falava. – … sei que vais ter imensas saudades. Eu sei o quanto é uma tortura separarmo-nos das pessoas de quem amamos. Mas por favor Jacob, faz isto pela Nessie. É por ela que pedimos, não por nós. E nós também vamos sofrer as consequências, acredita. Ela não nos vai falar durante muito tempo, mas pelo menos assim tem raiva o suficiente para não se culpar a ela pela separação, ou de não te ter dito algo mais, de não te ter dado mais um abraço. Nós preferimos que ela nos culpe a nós do que a ela mesma. Assim como acontecerá contigo. Vais apenas culpar-nos a nós pelo que não fizeste. É uma maneira de fazermos com que ambos sofram menos…
Aquele homem sabia falar. A pouco e pouco, deixei de tremer, começando as suas palavras a fazer sentido. Sim, seria melhor concentrar a minha raiva nos Cullen do que em mim mesmo. Assenti com a cabeça e, passados uns momentos, desapareci porta fora. Dei um abraço a Bella, e um aperto de mão a cada um dos Cullen. Esme, se pudesse estaria a chorar.
- Desculpa, Jake, desculpa… - disse-me ela ao ouvido.
Não proferi nem uma única palavra e virei costas à grande casa branca. Chovia torrencialmente, mas eu não tive presa em correr para o carro. Andei calmamente até ele, sentando-me lá dentro, encharcado. Foi quando liguei o automóvel que ouvi gritos estridentes vindos da casa. Pensei nas palavras de Edward e iniciei a minha viagem de regresso, com os seus gritos como som de fundo. A cada berro que dava, era como se uma faca em brasa me tivesse sido espetada no peito.
Enquanto me afastava de carro, continuava a ouvir os seus gritos desesperados. As lágrimas escorriam-me pelo rosto abaixo, enquanto tentava não olhar pelo retrovisor e ver aquela cena tortuosa. Toda a família agarrava em Nessie, que se contorcia, gritava, chorava, ofegava.
- Jake! – gritava ela. – Não vás! JAKE!
Um nó na garganta demasiado insuportável fez-me parar o carro. Não aguentava ver o amor da minha vida, a razão da minha existência a sofrer daquela maneira. Ela não merecia isso. Parei o carro abruptamente, abri a porta com força e corri ao seu encontro. Quando me aproximei o suficiente, a correr, os Cullen largaram a sua menina de ouro, que correu, desesperada, para mim. Aqueles escassos segundos em que me reencontrei nos seus braços foram os mais longos da minha vida. Ajoelhei-me no chão enlameado, ela atirou-se para o meu pescoço e ficámos os dois ali a chorar à chuva, apertando-nos com tanta força que qualquer mortal não teria resistido.
- Jake! – balbuciava ela contra a minha pele. O buraco no meu peito era cada vez maior. Edward tinha razão. Despedirmo-nos desta maneira tornava a separação ainda pior. – Não me voltes a fazer isto! Tu prometeste!
- Desculpa, meu amor! Desculpa, desculpa, desculpa!
Quando ambas as nossas lágrimas abrandaram, afastámo-nos o suficiente para olharmos para a cara um do outro. Ela agarrou-me com as suas mãozinhas no rosto mais uma vez, mostrando-me novamente tudo o que sentia. Um aperto insuportável voltou a esmagar-me a garganta, e eu não consegui parar de chorar. Ao longe, os Cullen absorviam o que viam, serenos. Eu sabia que eles também sofriam, mas não tinham coragem para dizer nada, ou interromper o que fazíamos.
Nessie beijou-me a ponta do nariz e sorriu, numa expressão melancólica, desesperada e miserável. Retribui-lhe com um beijo no seu rosto perfeito.
- Eu amo-te. Vou estar sempre aqui para o que precisares, está bem, meu amor? Eu vivo por ti e para ti. És o meu mundo, eu, sem ti, não sou nada. Amo-te, amo-te, amo-te!
Nessie só conseguia chorar. Sorriu com as minhas palavras, abraçou-me com força, com uma paixão incontrolável, e segredou-me ao ouvido.
- Também te amo, meu Jacob. Para o resto da nossa eternidade.
Afastámo-nos, lentamente. Fiz-lhe uma festa no rosto, levantei-me dei-lhe um último beijo nos seus caracóis molhados.
- Adeus, meu amor. Até sempre.
Ela, que parara de chorar, voltou a deixar escorrer as suas lágrimas, agarrando com força a pulseira que eu em tempos lhe havia dado, e da qual ela nunca se separava.
- Adeus Jake.
Afastei-me, lentamente, para o carro. Sentei-me, abrigado da chuva, durante um longo momento a fitar a estrada à minha frente. Quando arranjei forças para continuar, liguei o carro e reiniciei a minha viagem de regresso a casa. Enquanto me afastava, via pelo espelho retrovisor a minha menina em pé, sob a chuva torrencial, a fitar o veículo, com lágrimas amargas a escorrerem-lhe pelo rosto perfeito abaixo. Foi a última vez que a vi.
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Continua...
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