Ciúme

"(...) Parece-me aquele igual a deuses

ser, o homem que diante de ti

se senta e perto tua doce fala escuta

e teu riso sedutor - o que, a mim,

o coração no peito dilacerou! (...)"

O dia amanhecera nublado e cinza, assim como o coração de Hermione, que chorava silenciosa a um canto da sala de estar. A lareira apagada refletia o estado de sua alma, mas seu coração estava em chamas: Ginny se reencontrara com Harry na noite anterior, e apenas um olhar dele bastara para arrebatar a menina de volta aos seus braços.

A ruivinha a trocara muito facilmente, ao perceber a brecha na guarda daquele que a havia negado, tendo decretado que o que existira entre elas havia sido apenas uma distração breve até o retorno de seu verdadeiro amor: a entrada de uma suntuosa refeição, enquanto se aguarda o prato principal.

Ouviu passos macios a descerem as escadas, reconheceria aqueles passos felinos em quaisquer circunstancias, mas sabia que desconhecia o que se passava no interior daquele espírito ao qual entregara seu amor, ela vinha dos braços dele, após terem pernoitado juntos.

— Não quero que chores... – disse Ginny tomando assento ao seu lado –... o amor que sinto por ti não mudou... mas, o que aconteceu essa noite foi algo que desejei e esperei por muito tempo... espero que compreendas...

— Compreender? Tua traição não tem desculpas! Trataste meu amor como um objeto usado que se põe de lado ao receber um igual em estado de novo.

— Pois, se realmente me amas, deverias te sentir bem pela minha felicidade.

— É justamente por te amar que não quero dividir-te com mais ninguém! – as lágrimas escorriam por seu rosto.

— Então, neste caso, amas apenas a ti mesma, e tão somente zela por teus pertences!

— Se o que sentistes por mim fosse realmente amor, saberias como me sinto... e não virias a mim com palavras vazias! – disparou Hermione.

— Lamento que penses assim... eu e ele resolvemos ficar juntos!

Seria bem melhor para mim se tivesse morrido!


N/A: Safo criou uma escola para moças, onde lecionaria a poesia, dança e música; ali as discípulas eram chamadas de hetairai (amigas) e não alunas... E a mestra apaixona-se por suas amigas, todas... dentre elas, aquela que viria a tornar-se sua maior amante, Atis - a favorita. Mas Atis apaixona-se por um moço e, com ciúmes, Safo escreve que "seria bem melhor para mim se tivesse morrido".