Chapter 3 – Desafio?

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- Bella? – Ouvi a voz de Alice a minha direita e eu me agarrei a meu travesseiro.

- Hm?

- Acorda! – Rose reclamou me chacoalhando a minha esquerda.

- Uh-hum.

- Levanta, Bella! – Rose me chacoalhou de novo.

- Vão dormir!

- Bella, estamos indo almoçar, ok? – Alice disse.

- JÁ? – Abri os olhos e quando a luz bateu nos meus olhos, eu me arrependi. – Que horas são?

- Meio dia.

Merda!

Pulei da cama e fui catando uma toalha azul enorme e minha nécessaire ao mesmo tempo.

- Vamos indo, ok? – Rose sorriu. – Te vemos lá embaixo. E não demore! Precisamos do seu italiano.

- Esperem por mim. – Gritei no banheiro, mas ainda assim ouvi a porta batendo algum tempo depois. Idiotas!

Tomei um banho rápido, mas acabei lavando o cabelo e enrolei a toalha no corpo. Escovei os dentes depois de pentear os cabelos e sai do banheiro, segurando a toalha debaixo dos braços.

Então, pra minha total e enorme surpresa, eu vi uma silhueta masculina de costas e assim que a porta do banheiro fechou atrás de mim, Edward se virou.

Foi terrivelmente constrangedor!

Os olhos de Edward percorreram toda a minha extensão física abaixo do pescoço – lê-se meu corpo todo enrolado naquela talha que ia até um pouco acima do joelho – e então ele abriu a boca num O.

- Isab-bella. – Ele murmurou em choque, subindo e descendo os olhos de novo e eu corei loucamente.

- E-E-Edward. – Gaguejei, apertando a toalha em volta de mim. - O q.. que..

- Ah meu Deus do céu! – Edward soltou entre silabas de choque, juntando as mãos em frente ao corpo, justamente em frente ao zíper da calça

E eu quis enfiar a cabeça num buraco.

Edward não tinha ficado, hã... Tinha? Ah sim. Ele tinha. Meu Deus! Ele realmente tinha.

- MEU DEUS. – Cuspi em choque e Edward virou o corpo pra parede.

- Bella, coloque uma roupa. Uma roupa, rápido! Pelo amor de Deus! – Edward pediu numa súplica, carregando a voz num sufoco e eu peguei uma roupa na mala e corri pro banheiro.

No espelho eu via meu rosto completamente vermelho e eu tratei de colocar a jeans e a camiseta o mais rápido possível. Saí do banheiro com mais cautela do que o normal.

A pior coisa do mundo ia ser olhar pra cara de Edward depois que ele me viu de toalha saindo do chuveiro e tinha se animado todo.

Edward estava com a cabeça encostada na parede, respirando calmamente e eu pigarreei pra chamar atenção.

No segundo seguinte ele estava virado na minha direção, com as mãos pro alto como um ladrão que acabou de ser abordado pela polícia.

- Estou bem, não sou um tarado! – Ele murmurou ainda com as mãos pro alto e eu mordi o lábio. – Sério, já passou. Foi uma... Recaída.

- Hã, hmm... – Comecei, ainda completamente envergonhada. – Você... Veio aqui... Po-

- Ah sim! – Ele se lembrou, abaixando as mãos e as colocando no bolso da calça. – Hm, Rosalie pediu pra que eu esperasse você pra ir almoçar.

Aquela vaca!

Ela sabia que eu estaria no banho!

Esfreguei o rosto em frustração e alcancei um sapato no chão.

- Me espere então. – Murmurei colocando os sapatos com pressa. Edward olhou pras flores na mesa ao lado de onde ele estava parado e ficou cutucando a planta.

- Fiquei pensando: Você gosta dessas frésias? – Ele perguntou.

- Não muito.

- Então porque tem frésias aqui? – Edward me olhou confuso e eu simplesmente dei de ombros.

- Você ficou esse tempo todo pensando nas frésias? – Perguntei e ele sorriu torto meio envergonhado.

- Eu precisava de um método calmante, afinal. – Edward deu de ombros e eu corei de novo. – Sério Bella, desculpe. É que eu fui pego de guarda baixa. Definitivamente não esperava que você fosse sair do banheiro de toalha e... – Ele balançou a cabeça e eu pude perceber as bochechas dele ganharem um tom mais rosado apesar do sorriso malicioso que tinha brotado nos lábios. - Eu acho que preciso de um banho...

- Ah, me poupe dos detalhes, Edward. - Murmurei ficando de pé e Edward riu, abrindo a porta pra que nós fossemos embora.

Pegamos o elevador e um silêncio pesado caiu ali dentro.

- Você continua vermelha. – Edward comentou apontando pras minhas bochechas.

- Acontece o tempo todo comigo.

- Eu percebi. – Ele riu e eu corei mais. – Sério, me desculpa.

- Tudo bem.

- Mas desculpa mesmo, Isabella.

- Tudo bem. – Repeti.

- Eu não queria que tivesse acontecido. Quero dizer, não que eu não queira te ver de toalha, mas – Ele parou, se confundindo todo na explicação. -Não que eu fiquei pensando em te ver de toalha o tempo todo, mas... Ah, você entendeu.

- Tudo bem, Edward. - Balancei a cabeça, negando o fato de que por acaso, Edward poderia ter pensado em me ver de toalha.

- Desculpe. - Edward murmurou por fim, segurando a porta pra que eu saísse. - Mas se quiser aparecer no meu quarto de madrugada vestindo só a toalh-

- Edward, vai pro inferno. - Cortei e ele gargalhou, indo ao meu lado enquanto caminhávamos até o restaurante do hotel. Foram alguns segundos em silêncio, enquanto minha mente se iluminava em uma idéia.

- Faz algo pra se redimir? - Perguntei interessada.

- Claro. – Ele sorriu, empolgado e um traço de zombaria passou pelo rosto dele. – Apareça no meu quarto as dez da manhã e você vai me ver saindo do banheiro de toalha. Estaremos kits nesse jogo. O que acha? Se você quiser, eu posso até tirá-la...

Eu corei de novo, querendo esconder meu rosto em qualquer lugar que fosse e Edward soltou uma gargalhada alta.

Cruzes! Tudo pra Edward era ligado a atração física e... Finais felizes?

- Não, eu estava pensando em algo mais teórico e... Menos físico. – Murmurei e ele riu de novo.

- Desculpe, mas eu adoro te ver assim. – Ele apontou pra minha bochecha de novo. – Vermelho combina com você.

Eu fiquei confusa com o comentário sem piadinhas de Edward e ele tratou de tomar a posição de irritante de novo.

- E azul também, admito. Realça suas curvas escondidas. – Edward falou, provavelmente pensando na toalha, já que foi a única peça azul que eu usei.

Foi incontrolável! Eu juro!

Quando eu percebi, estava estapeando Edward enquanto ele ria mais do que o normal.

- Ok, Isabella. Chega de piadinhas sobre você de toalha. - Edward ergueu os braços. - Uma tr-

- Nem venha com suas tréguas.

- Certo. - Ele riu, mas depois ficou sério. - O que você queria que eu fizesse pra me redimir mesmo?

- Quero saber sobre você. - Falei e Edward perdeu o sorriso, erguendo uma sobrancelha com um ar interrogatório pra mim.

- Por quê? - Ele ficou confuso.

- Porque que eu quero saber sobre você. Algo de errado nisso, Edward? - Perguntei repetindo a pergunta de ontem dele e Edward sorriu de canto, malicioso.

Sempre malicioso...

- Em geral, as mulheres aceitam ir no quarto de noite. - Ele falou, presunçoso. - Elas não querem saber sobre mim, uma noite é o suficiente.

- Não sou igual as outras mulheres, Edward. - Cuspi começando a me irritar, mas logo respirei fundo e dei conta de que estávamos parados no meio do saguão. - Não preciso de uma noite com você. O que me interessa em você é saber sobre ter uma faculdade de medicina no meio da sua vida fútil e sem graça.

Edward gargalhou, voltando a caminhar e colocando a mão nas minhas costas pra que eu o acompanhasse.

- Minha vida não é fútil e sem graça. - Edward suspirou. - Mas vamos lá, eu aceito seu desafio.

Desafio? Desde quando falar sobre si mesmo é um desafio?

Edward era um ser humano estranho afinal.

- Ótimo. - Sorri presunçosa, varrendo a sala com os olhos a procura de alguém conhecido.

E achei os meninos num canto do restaurante.

Era cômico o jeito que os quatro encaravam o garçom, que por acaso falava sobre a receita todinha de um prato.

- Ele tá me xingando? - Emmett perguntou pra mim e eu neguei com a cabeça.

- Não. Ele ta falando sobre como é feito a Ciabatta. - Expliquei e de repente todo mundo me olhou confuso. - Um tipo de pão.

- Ah sim. - Emmett sorriu. - Eu quero lasanha mesmo.

Ficamos em silêncio por alguns minutos enquanto o garçom anotava os pedidos e assim que ele saiu, a conversa rolou solta entre Emmett e Rosalie. E entre Jasper e Alice.

E aquela coisa de nos isolarem estava começando a me deixar irritada. Qual era a deles de deixar Edward e eu fora da conversa? Hmpf.

- Tenho a primeira pergunta. – Falei chamando a atenção de Edward. - Mas sem piadinhas sem graças. É sério.

Ele me olhou com um sorriso torto e gesticulou com a mão pra que eu continuasse, enquanto ele apoiava as costas na cadeira e cruzava os braços no peito, de repente assumindo um semblante sério.

- Vá em frente. – Ele estimulou.

- Porque medicina? – Perguntei e Edward pigarreou, franzindo as sobrancelhas.

- Sempre me imaginei trabalhando num hospital. - Edward comentou pausadamente, parecendo indeciso sobre algo. - Assim como meu pai. Talvez isso tenha me influenciado um pouco.

- Seu pai é médico. - Deduzi e Edward concordou com a cabeça.

- Próxima. - Edward cortou, provavelmente evitando perguntas sobre a família dele.

- Atuar te faz feliz? – Perguntei depois de pensar alguns segundos e ele me olhou intrigado.

- O que isso tem a ver com minha faculdade de medicina? - Edward perguntou, erguendo uma sobrancelha.

- Só responda.

- Você é uma entrevistadora disfarçada? - Edward perguntou, sorrindo de canto e eu ri.

- Pareço uma? – Balancei a cabeça negativamente.

- Você faz esse tipo de pergunta a cada pessoa que conhece? – Ele perguntou.

- Vai responder minhas perguntas com outras perguntas? – Perguntei e ele riu.

- Isso te incomoda? – Outra pergunta e eu entrei no jogo.

- Deveria? – Perguntei e ele pareceu pensar um pouco.

HÁ!

- Me responda você. – Ele permitiu e eu não segurei um sorriso.

- Não, não incomoda nem um pouco. – Eu ri. – Atuar te faz feliz?

- Próxima.

- Ah, essa era fácil.

- Próxima. – Ele simplesmente repetiu e eu franzi o nariz.

- Qual é seu signo? – Perguntei e ele me olhou confuso, mas ainda assim com um sorriso nos lábios.

- O que aconteceu com as perguntas complicadas? – Edward perguntou.

- Não te incomodam?

- Não, não incomodam nem um pouco. – Edward repetiu e eu mordi o lábio, parando a conversa quando o garçom trouxe os pratos.

O resto do almoço foi sem mais perguntas. Edward adorava mostrar aquele sorrisinho estúpido dele.

Estávamos almoçando e conversando sobre qualquer coisa quando alguém numa mesa a uns sete metros de distância começou a tossir.

E tossiu, tossiu... E quando eu olhei, vi um gordão enorme vermelho feito pimentão, tossindo cada vez mais fraco.

- Ajuda! - A mulher ao lado dele começou a gritar desesperada. Em italiano, é claro. - Meu marido não consegue respirar!

Então minha mente se iluminou em algo mágico.

- Temos um médico aqui! - Gritei em italiano e Edward me olhou confuso quando eu apontei pra ele.

- Isabella, o que você...?

- Vá lá, Edward. Eu disse que temos um médico aqui.

- O QUÊ? - Edward me olhou em choque, largando o garfo no prato enquanto as pessoas se acumulavam em volta do cara na outra mesa.

- Você é médico? - Rosalie, Emmett, Jasper e Alice perguntaram num uníssono e eu sorri, batendo no ombro de Edward.

- Lindo, não? - Sorri. - Agora vá, Edward. Aquele homem pode morrer por sua causa!

Edward me lançou um olhar fulminante e se não fosse pelo cara o puxando pela camisa, ele provavelmente ia dizer umas poucas e boas pra mim. Eu o segui, indo até perto do homem, que agora estava entrando num tom mais rosado, violeta e partindo pro azul.

Edward colocou o cara de pé e o encarou em choque, um tanto confuso, parecendo indeciso.

Talvez não tinha sido uma boa idéia encorajá-lo a medicina...

De repente Edward foi por trás do cara, passou os braços em volta do corpo enorme e pressionou a barriga dele, a baixo dos pulmões. E em alguns segundos, alguma coisa nojenta e branca voou da boca do gorduchinho e caiu no chão, enquanto ele de repente voltava a respirar e deixava de ficar colorido.

- Ah, obrigada. - A mulher sorriu, ajudando o marido a se sentar.

Depois de muitos 'parabéns', Edward voltou ao lugar que antes estava sentado e depois de mais um 'Nossa, Edward'; 'Não sabia que você era médico' e etc, Edward me olhou com uma cara de poucos amigos.

- Meu herói. - Soltei com um sorriso cínico.

- Isabella, isso foi além dos limites!

- Você o salvou. - Sorri.

- Isso não é engraçado, Isabella. E se eu não pudesse ajudá-lo?

- Você é formado em medicina. Só aplicou um Himlich no cara e pronto. Fácil, isso tem até em filmes, Edward. - Eu revirei os olhos, voltando a atenção pro prato.

- Se você sabia, porque não foi lá e o ajudou? - Edward ergueu uma sobrancelha.

- Olha meu tamanho, Edward. Acha que eu poderia fazer alguém daquele tamanho voltar a respirar?

Edward fechou a cara pra mim durante o resto do almoço e por dentro, eu estava rindo horrores.

Ah, mas não precisava ficar tão emburrado, não é? Ele salvou uma vida! Devia ficar orgulhoso de si mesmo.

Depois do almoço, os meninos resolveram ir pro quarto, pra se prepararem pra coletiva e pra falar com os agentes deles. Alice, Rose e eu fomos pra uma sala de jogos, pra matar o tempo.

Ficamos lá por um bom tempo, mas logo elas resolveram que era hora de começar a se arrumar e subiram.

E como pra mim, minha roupa já era boa o suficiente, eu resolvi ver umas lojinhas ali de dentro do hotel mesmo.

Mas também não tinha nada muito interessante e eu acabei pegando o elevador pra ir pro quarto depois de falar com Peter pelo celular.

Peguei a chave do quarto no bolso e assim que a encaixei na porta, senti uma mão na minha cintura e pulei de susto, me virando rapidamente pra ver Edward sorrir com uma expressão presunçosa.

- Edward, o que voc-

- Vamos fazer um trato. - Edward começou, me empurrando pra encostar na parede e mantendo a mão na minha cintura.

- Do que você está falando? - Eu o empurrei, tirando a mão dele de mim.

Muito perto, tsc tsc.

- Você queria saber sobre mim. - Ele começou, apoiando as mãos ao lado do meu rosto e abaixando pra deixar o rosto na altura do meu, ainda realmente muito perto. - E eu quero ter direito de fazer perguntas a você.

- E-Edward, q-que... - Comecei, mas os olhos de Edward estavam tão fixos nos meus, e o rosto dele estava tão perto do meu, e eu podia sentir o hálito dele bater no meu rosto e eu acabei perdendo a linha de raciocínio.

O que eu ia falar mesmo?

Solte um pigarro e abaixei meus olhos antes de fechá-los com força. Pense, Isabella. Pense.

- Vou aceitar isso como um sim. - Edward falou e eu pude ouvir um sorriso na voz dele, o que me fez abrir os olhos imediatamente.

E era impressionante como eles resolveram parar ali, só pra ver aqueles lábios bem naturalmente vermelhos. E ele sorrindo daquele jeito malicioso e... Sexy!

- Eu não disse que sim. - Murmurei começando a ficar irritada.

Edward sorriu e de repente, sem mais nem menos, na maior naturalidade do mundo, ele se aproximou de mim, encostando nossos narizes quase imperceptivelmente e roçando os lábios nos meus tão levemente que quase fez cócegas. Os lábios se entre abriram e os dentes mordiscaram de leve meu lábio inferior, como uma provocação minuciosa.

Depois subiu os lábios pela minha mandíbula até chegar na minha orelha, soltando um ar quente ali que me fez arrepiar.

- Foi bom negociar com você, irritadiça. Formularei minhas perguntas. - Ele cochichou ali antes de me dar as costas e entrar no quarto.

E eu fiquei ali: Parada feito uma idiota, tentando entender a mudança do ambiente. E tentando não pensar no que eu tinha pensado, porque DEUS! QUE BOCA ERA AQUELA?

- Idiota! - Bati na porta do quarto dele e gritei, antes de dar as costas pro corredor e entrar no meu quarto.

Edward era um idiota.

Ou eu era idiota. Eu era idiota por não conseguir controlar um maldito sorriso que resolveu brotar no meu rosto por vontade própria.

Maldito seja esse Edward sedutor!


Olá leitoras. *w*

Como foi a semana de vocês?

Capítulo postado. ;D

Hm, eu ia responder as reviews, mas nem vai dar... Então eu respondo próximo domingo, pode ser?

Espero que tenham gostado do cap de hoje, gatas. :3

Vejo vocês próximo domingo? ;D

Não esqueçam as reviews \o

XxX ;*