Feuer

Eles seguiram até a rua que lhes fora indicada, não foi muito difícil encontrar a casa. Bateram à porta e logo foram atendidos.

- Boa tarde – cumprimentou mulher – o que vocês desejem?

- Você é Juliese Pendie?

- Sim. E vocês são?

- Meu nome é Marguerite, esses são Roxton e Verônica. Gostaríamos de falar sobre sua filha.

- Entrem, por favor.- disse não muito animada.

O clima naquela casa era bem diferente do que no local em que estavam hospedados, apesar de bastante antiga, era uma casa ampla, clara, bem decorada e bastante perfumada.

-Vocês não são daqui, são?

- Não.

- Estão ajudando os dáimain?

Marguerite lembrou-se do que Feuer havia falado sobre eles, eram uma espécie de "polícia" local.

- Vocês têm alguma informação sobre ela?

- Sim, mas antes, você acredita que ela é realmente a responsável pelo o que aconteceu?

- Não, nos nem mesmo estávamos aqui quando ocorreu, quando chegamos nem fogo havia mais. Mas eles não quiseram ouvir, precisavam culpar alguém, ela era a melhor escolha. Tudo o que eu quero e pegar a minha filha e ir embora dessa cidade, o mais rápido possível... – disse a mulher com uma voz bastante insegura.

- Você não quer provar que Feuer não tem nada a ver com isso?

- Eu poderia até provar, mas de que adiantaria? Ninguém gostava dela, pois ela era diferente, o preconceito só aumentaria e mais dia menos dia ela estaria sendo acusada de outra coisa.

- Mas aonde vocês viveriam?

- Eu e meu marido pensamos nisso. Construiríamos um lugar, não muito longe daqui. Ele continuaria na cidade, trabalhando e nos dias de folga ficaria com a gente e nos traria mantimentos.

- Você tem certeza que é isso que você quer?

- Sim.

- Então Verônica a levara à sua filha, poderá ficar em nossa casa até vocês construírem essa casa. Mas, ela viveu durante seis meses como se fosse minha filha, então eu vou ficar e provar que ela é inocente.

Juliese estava tão contente porque iria rever a filha que nem ouviu Marguerite dizendo que tentaria provar a inocência da menina.

Os Roxton e Verônica voltaram satisfeitos para a casa onde estavam hospedados, apenas Marguerite parecia estar distante. Ela queria provar a inocência da menina mas simplesmente não sabia como e, precisava de algo que impedisse que acusassem de alguma novamente.

A noite chegou. Marguerite passou a tarde toda inquieta, pensando no que faria, decidiu que o primeiro passo seria descobrir se o incêndio havia sido acidental ou criminoso e também precisava descobrir qual seria a real reação das pessoas quando descobrissem que Feuer era inocente. Decidiu que começaria falando com a senhora Strensér.

Marguerite foi até a cozinha onde a senhora preparava o jantar. O cheiro estava delicioso e sentiu que pela primeira vez em alguns anos comeria algo diferente de carne de Raptor.

- Que bom que você desceu, por favor experimente a carne, veja se esta bom de sal.

Ela experimentou, e estava deliciosa. Afinal aquela casa não era tão ruim como pensava.

- Me diga uma coisa – começou Marguerite – se você descobrisse que não foi aquela menina que começou o incêndio, o que a senhora acharia?

- Que bobagem, provavelmente seria mentira. E uma garota esperta, nunca voltou a cidade pois sabia que jamais conseguiria provar inocência, por mais que tivesse provas.

Marguerite sentiu suas esperança indo por água abaixo. Juliese havia dito que não havia o que fazer, mas somente diante do que havia acabado de ouvir foi que percebeu que não conseguiria.

Ela subiu até o quarto desamparada.

- Iremos embora amanhã – disse ela a Roxton – Junto com a mãe de Feuer.

- Mas nós dois não iríamos ficar?

- Não vamos mais, ninguém iria acreditar na inocência dela. Juliese disse isso, Strensér também.

- Você tinha alguma idéia de como provar a inocência dela?

- Não.

- Então acho que fizemos tudo o que podíamos.

Continua...