Saiyajin no Ouji Tarble

(Tarble, o Príncipe Saiyajin)

Capítulo 4: Tirando satisfações com o rei

- Papai... Por que você me odeia...? – perguntou Tarble ainda entre soluços. – Por quê...?

Raneban, vendo toda aquela cena, ficou perturbado. Como alguém podia ser tão frio a esse ponto? Tudo bem que o garoto não tivesse a mínima condição de ser como o pai ou como o irmão, mas... Castigar o menino assim? Por que o rei não o mandou para outro planeta, como os demais "fracos"? O que o rei queria, para não cumprir uma lei que ele próprio havia imposto?

Ninguém sabia.

Mas, ocorreu-lhe uma ideia, a princípio, absurda. Raneban começou a cogitar até que o rei fazia isso somente por diversão. Será? Tinha vontade de descobrir. Porém, deixaria pra depois.

Resolveu agir mais como um pai do que como um tutor.

- Alteza... Acalme-se... – disse, pondo a mão no ombro do garoto.

Tarble olhou para trás e viu Raneban agachado. Enxugou as lágrimas com o dorso de uma das mãos e o encarou. Viu que o olhar de seu tutor era bem diferente do olhar de seu pai. De fato, o olhar do saiyajin era de compaixão. Mais parecia de um pai que queria confortar o filho.

- Senhor Raneban – disse o príncipe, um pouco mais calmo. – Por que meu pai não gosta de mim?

- Sinceramente não sei, Alteza. – ele tentou se esquivar da pergunta.

- Ele me disse que sou a vergonha da família. Isso é só porque não sou forte como o meu irmão?

Raneban ficou mudo. Como poderia falar tudo o que havia visto desde o começo para uma criança de apenas três anos de idade? Como ele entenderia o ódio que o rei tinha dele?

- Acho que é mais ou menos isso... – despistou.

*

- Papai, por que não posso treinar com o Tarble?

- Porque você não tem tempo para perder com coisas que não vão te ajudar a se tornar um guerreiro poderoso, nem ajudar a ser um rei. – argumentou o rei Vegeta.

- Mas o Tarble é o meu irmão... – justificou o príncipe Vegeta.

- Ele não vai te acrescentar nada. Esqueceu o que eu disse a respeito dos fracos?

- Não, papai.

- Então repita o que eu disse pra você sobre isso.

- Sim, senhor... – o príncipe disse aborrecido. – Um guerreiro de classe alta não deve se misturar com a classe baixa... E os fracos não passam de escória!

- Não se esqueça do que disse. Os fracos não passam de escória!

- E o que isso tem a ver com o Tarble?

- Seu irmão é fraco! E ele, sendo fraco, também é uma escória! E eu não quero que se misture com ele e tenha as fraquezas dele! Entendeu?!

- Entendi... – o garoto respondeu mecanicamente.

- Majestade! – era a voz de Raneban.

- O que você quer, pra chegar assim e interromper a minha conversa com o meu filho? – perguntou o rei Vegeta já aborrecido.

- Preciso falar com Vossa Majestade. – nisso, dirigiu o olhar para o príncipe. – E em particular.

- Está bem – cedeu o rei. – Pode se retirar, Vegeta. Depois falo com você de novo.

O garoto se retirou. Ia se dirigindo ao seu quarto, a fim de esperar o pai chamá-lo novamente. Mas...

- Tarble! O que está fazendo aqui?

- Eu vim atrás do senhor Raneban, mano... O que ele tá fazendo na sala do papai?

- Eu não sei...

- Vamos lá! – disse o pequeno Tarble. – Vamos lá ver o que o senhor Raneban está falando com o papai!

Vegeta foi, puxado por Tarble, até a sala do trono, onde eles entraram sorrateiramente. Esconderam-se cada um atrás de uma coluna do grande salão e começaram a ouvir o teor da conversa.

- Você já está me aborrecendo, Raneban! O que quer?

- Majestade, eu quero apenas respostas!

- Que respostas?

- A respeito do príncipe Tarble... Se o despreza tanto, por que não o enviou para outro planeta, como os outros que também nasceram fracos?

- Por que quer saber?

- A mesma lei não deveria ser aplicada a todos? Que eu saiba Majestade, a família real não está acima da lei... Ou será que está?

- O que está insinuando, Raneban?

- Não estou insinuando nada, Majestade. Apenas quero, como tutor do seu filho, o príncipe Tarble, saber por que a lei não foi cumprida como se determina nesses casos!

- Isso não é da sua conta, sargento!

- Isso é da minha conta, sim, Majestade! – Raneban ergueu a voz sem querer. – É da minha conta, porque não concordo com a forma de agir de Vossa Majestade! Se fosse assim, meu filho Bona teria que ficar aqui no planeta Vegeta, como o seu filho! Apenas me responda... Por que o príncipe Tarble não foi para outro planeta?

O rei Vegeta mantinha-se frio o tempo todo. Simplesmente disse:

- Eu o mantenho aqui, porque quero mostrar a todos que neste planeta os fracos não têm vez, e que eles não passam de mero estorvo.

Raneban começou a fuzilá-lo com o olhar. Como ele podia ser tão frio? – se perguntava. O rei prosseguiu:

- Além disso, nunca considerei esse moleque inútil como meu filho... E jamais vou considerar Tarble como o meu filho. Para mim, ele não passa de um bastardinho! Gurde bem as minhas palavras, sargento Raneban... Eu odeio o Tarble desde que ele nasceu... E nunca aceitarei que a minha família tenha pessoas fracas em seu meio! A propósito... Você se lembra do que aconteceu com o último sujeito que me questionou assim...?

Nisso, o rei desferiu um forte soco que atingiu a barriga de Raneban, que caiu de joelhos na sua frente. O sargento levou alguns instantes para se recuperar, só que deu de cara com um raio que iria acertá-lo. Conseguiu se esquivar, apesar se ser atingido de raspão no ombro esquerdo. Mas viu Tarble aparecer bem na trajetória do raio.

- NÃO!! – Raneban gritou, sem ação.

Tarble seria atingido, mas alguém o protegeu. Ouviu um urro de dor. Ficou surpreso com quem o protegeu:

- Ve... Vegeta...? Por quê...? Mano, por que me protegeu?!

- Porque... – ele respondeu. – Porque você é meu irmão...!

O garoto mais novo ainda estava perplexo.

- Se vou ser o rei quando crescer... – continuou o mais velho. – Tenho que ser forte... Pra proteger o meu povo... E defender a minha linhagem...! Foi pra isso que nasci, Tarble...! Agora... FOGE!!!

Tarble, assustado, começou a correr imediatamente. Corria o máximo que podia, para alcançar a porta da sala. Mas, quando chegou até lá, deu de cara com o pai. E, pra completar, levou um forte chute no rosto, que o jogou pra perto do irmão.

- Você não passa de um inseto, Tarble... E dos mais inconvenientes!!! Olha só o que você fez com o seu irmão!!!

Tarble percebeu que seu irmão estava ferido nas costas, consequência de seu ato impensado. Ao mesmo tempo em que se sentia amedrontado com o pai, sentia-se culpado por toda aquela situação.

O garoto Vegeta sentia a consequência de ter entrado na frente do pai e receber o ataque que seria para Tarble. O ferimento nas costas ardia muito. O ataque tinha rasgado a capa, quebrado a armadura e queimado o uniforme que estava por baixo. Aquele raio poderia ser mortal, se não tivesse sorte. Isso poderia piorar?

Sim, poderia. E piorou.

Vegeta acabou golpeado pelo pai e colidiu com uma das paredes da sala, em meio à surpresa de Raneban e Tarble. Aturdido, levantou-se com dificuldade. Não entendia por que o pai agira dessa maneira.

Veio a explicação:

- MOLEQUE IDIOTA!!! – esbravejou o rei. – EU NÃO ACABEI DE DIZER PARA VOCÊ NÃO SE MISTURAR COM ESSE FEDELHO?! POR QUE DEFENDEU ELE?!

- Eu... Eu defendi o Tarble... Porque ele é o meu irmão!! – respondeu o garoto.

- Não seja insolente, Vegeta!! Deveria me obedecer, e não me desafiar!

- Guardas! – o rei ordenou. – Levem esse moleque inútil daqui! – apontou para Tarble.

Os guardas reais pegaram Tarble sem hesitar, mesmo ele esperneando para se desvencilhar deles.

- Para onde devemos levá-lo, Majestade? – perguntou um dos soldados.

- Para o quarto dele. E quero vigilância redobrada na porta!

E acrescentou:

- Preparem uma nave de longa jornada. Amanhã mesmo ele vai seguir viagem para um planeta distante, onde não haja oponentes poderosos!

- Mas papai... – balbuciou o príncipe Vegeta.

- Sem questionamentos! Isso será o melhor para vocês dois!

Nisso, os soldados de elite arrastaram Tarble para fora da sala do trono com o destino já traçado: seria mandado embora do planeta Vegeta no dia seguinte.