4. Enfim explode uma paixão!

Seiya olhou o relógio: 10 horas. Olhou pela janela e viu um dia nublado e muito frio. Era, finalmente, domingo. O melhor dia da semana na opinião do cavaleiro, que odiava trabalhar e estudar. Puxou a coberta e se enrolou mais ainda, não pretendia sair da cama tão cedo, mesmo que não estivesse com sono. Começou a pensar nas batalhas que nunca esqueceu, nos cavaleiros que derrotou, parecia mentira que agora ele e seus companheiros levavam uma vida "quase" normal. Seus pensamentos voaram longe, até chegarem na razão de todas as batalhas: Atena, ou simplesmente Saori, pois na verdade Seiya sabia que mais do que pela Deusa, o cavaleiro lutava para defender a vida da própria Saori.

Eu daria a minha vida por ela... – Seiya pensava quando a campainha do apartamento tocou.

Droga, quem visitaria alguém a essa hora? – resmungou enquanto caminhava para a porta.

Bom dia, Seiya. Está ocupado?

Saor... quer dizer Senhorita Saori! O que faz aqui? – se espantou Seiya tentado esconder a bagunça atrás de si.

Vejo que não cheguei em boa hora... ou não sou bem vinda.

Não, digo, você é sempre bem vinda aqui em minha casa Senhorita. É que acabei de acordar. O ap. tá uma bagunça mas se quiser entrar...

Quando vai perder essa mania de "Senhorita Saori", Seiya? E quanto a bagunça, eu não me importo. Se está tudo bem eu gostaria de entrar..

Claro, Saori. Entre, por favor – disse Seiya enquanto tirava algumas roupas de cima do sofá da pequena sala – Fique a vontade, espere só um instante – e Seiya saiu nervoso para o banheiro, afinal, a mulher que amava estava em seu apartamento e ele não havia sequer escovado os dentes...

Então, o que te trás aqui? Aconteceu alguma coisa? – disse o cavaleiro voltando do banheiro.

Na verdade, não – Saori corou – Só estava passando aqui perto e resolvi vim te ver...

Os dois começaram uma conversa animada sobre alguns acontecimentos passados. Não parecia que havia se passado três anos desde a batalha de Hades, os acontecimentos ainda estavam pregados em suas memórias. Em um determinado momento da conversa, Saori de repente se entristeceu, parecia se lembrar de algo realmente triste.

Seiya, nunca agradeci você pelo que fez a mim naquele dia.

Você não precisa me agradeceré meu dever de cavaleiro proteger a Deusa Atena.

Nãoé seu dever me proteger, mas não é sua obrigação sacrificar sua vida por mim. Você quase foi condenado pelo resto da vida a uma cadeira de rodas. E eu, o que fiz por você? Afinal de contas, que tipo de deusa eu sou, para permitir tal tragédia?

Saori – disse Seiya que estava sentado ao seu lado no minúsculo sofá e agora segurava docemente sua mão – você é uma grande Deusa, nunca duvide disso. Graças a você, a humanidade teve e sempre terá um pouco de esperança e um pouco de paz. Além disso... - ele elevou sua mão até o rosto delicado de Saori – eu não me joguei na sua frente naquela batalha para salvar a deusa Atena, e sim para salvar você.

Sem que se desse conta, as mãos de Seiya começaram a embalar um gostoso carinho na face fina e macia de Saori. A tempos sentia vontade de esquecer quem ela era de verdade, de acreditar que sua amada não era nada mais que um mortal comum, como ele. Assim, poderia dizer a ela o quanto a amava e o quanto desejava tê-la em seus braços. Saori fechou os olhos e se entregou aquela maravilhosa sensação, sentir Seiya assim tão perto fazia seu coração disparar sem freios. Era bem verdade que ela também o amava, mas devido as condições que enfrentavam, ela precisava esconder esse amor. Pela primeira vez eles se deixaram levar pelo momento. Olhando diretamente em seus olhos, Seiya deixou que o coração o guiasse e, como um beija-flor que procura sustento na mais bela rosa, inclinou seus lábios nos de Saori e a beijou docemente. Naquele momento, ela era apenas Saori, e seguindo a paixão, que implorava para ser libertada, deixou se beijar e permitiu-se retribuir aquele beijo. Então se abraçaram e se envolveram naquele primeiro beijo apaixonado. Suas almas se conheceram e se entregaram. Tudo que Seiya desejava era ter a garota só para ele, e esquecer o resto do mundo. Por sua vez, Saori desejou que aquele beijo jamais terminasse e que seus lábios nunca mais se separassem. Era a primeira vez que aquilo acontecia, e os dois estavam felizes por terem permitido que o beijo realmente acontecesse. Estavam sonhando, e nada os libertariam desse sonho...

Seiya... Ah, me perdoem, não queria...quer dizer, não sabia que... é que a porta estava aberta, então... – Seyka acabava de chegar em uma de suas abtuais visitas a seu irmão.

Seyka – expressaram os dois bastante surpresos e acanhados, se soltando um do braço do outro e se olhando envergonhados – nós só estávamos conversando...

Sei... – disse Seyka com um largo sorriso – eu percebi. Olhem, não precisam esconder nada de mim, o que há entre vocês é bastante visível a qualquer um...

Não há nada, quer dizer, entre eu e seu irmão existe apenas... – Saori tentou explicar.

Existe apenas um amor que todos nós já percebemos, e que somente você e Seiya não se tocam ou fingem não saber disso.

Eu nunca neguei, nem fingi não amar Saori – disse Seiya tomando coragem – eu só ocultei meus sentimentos por achar que não era possível... – mas Saori o interrompeu.

Bom, já é quase hora do almoço, preciso voltar a fundação – disse com a voz trêmula – até mais Seiya, nos vemos mais tarde Seyka. Tchau – e saiu correndo do apartamento.

Droga, estraguei tudo... – Seiya se jogava desanimadamente no sofá.

Não Seiya, Saori te ama, e hoje você teve a certeza disso, com esse beijo. Você não acha? – Seyka tentava reanimar o irmão.

Ela se entregou tão docemente a esse beijo, e demonstrou tanto carinho, parecia estar gostando tanto quanto eu... Mas então porque foi embora dessa forma?

Calma irmãozinho. Tenha paciência, esse tipo de mudança mexe muito com a vida das pessoas. A descoberta do amor e o despertar da paixão são sentimentos nobres, porém confusos e nos deixam com muito medo. Você terá oportunidade para conversar com Saori, portanto não se angustie.

Seiya se despiu e tomou um longo banho. Enquanto a água quente caía sobre seu corpo ele pensava nas batidas de seu coração e naquele beijo maravilhoso. Não deixaria Saori escapar mais, iria procur�-la e convencê-la de seu amor e então nada mais iria separ�-los. Dentro do taxi, voltando para a fundação, Saori sorria como criança, o que mais desejava na vida havia acontecido e ninguém poderia tirar isso dela. Amava Seiya e, agora que estava convencida de que era correspondida, iria lutar por essa união. Seiya era dela e de ninguém mais...

(continua...)