Itachi foi visitá-la no dia seguinte e no outro também. Conversavam sobre suas vidas, tomando chá. Ela nunca mais fora vista acompanhada dos barões, que iam à sua casa todas as noites. Diziam pela cidade que ela servia a um só homem e todos tentavam imaginar quem seria o felizardo.
Caminhava pela rua onde a cortesã morava, quando avistou Kakashi, um amigo de seu irmão, saindo da casa de Hinata, contente demais para o gosto do Uchiha mais velho. Itachi esperou que o homem sumisse na esquina mais adiante e subiu as escadas como um furacão. Encontrou Hinata de combinação, com os cabelos soltos e um pouco bagunçados e a cama desarrumada. Itachi a encarou e ela percebeu a fúria que emanava de todos os poros do moreno.
-O que eu lhe pedi, Hinata?-ele disse, disfarçando, sem sucesso, a mágoa na voz.
-A que está se referindo, Itachi?-ela perguntou, sentando-se na penteadeira e escovando os longos cabelos, encarando-o pelo espelho.
-Eu lhe peço que abandone esta vida e o que a senhorita faz?-ele disse, rancoroso.-Vi Kakashi saindo daqui com ar de contentamento.
Hinata olhou-o incrédula, mas Itachi lhe deu as costas. Ela se preparava para dizer boas verdades quando percebeu que ele tremia, o rosto escondido nas mãos, se sentando no sofá. Um lágrima caiu na calça cinza e ela sentiu o coração apertar. Aproximou-se dele e puxou delicadamente uma de suas mãos da frente do rosto. Sentou-se em seu joelho e o abraçou, um pouco receosa do que ele faria. Itachi nunca permitia que ela se aproximasse. Mas ela relaxou quando ele a envolveu em um abraço e afagou os cabelos negro-azulados.
-Porque choras, Itachi?-ela perguntou, em meio ao êxtase de estar tão próxima e tão segura nos braços daquele que amava.
-Choro pela senhorita.-ele disse.-Choro porque a amo, mas não tenho nada para lhe oferecer!
Hinata sentiu o coração parar de bater e voltar aceleradíssimo, como se tentasse recuperar todas as batidas perdidas de uma só vez. Segurou o rosto com belos traços de Itachi e sorriu.
-Não precisa chorar por mim, Itachi. Acaso já não sabe que meu coração lhe pertence?-ela disse lhe depositando um beijo na ponta do nariz.-Kakashi esteve aqui para me pagar uma dívida, mas em dinheiro. Emprestei-llhe uma pequena quantia num momento de necessidade.-ela desviou o beijo para a bochecha.-E como não tem nada para me oferecer?Amando-o como amo, não preciso de luxos. O mais importante acabou de entregar-me.
Itachi fechou os olhos, aproveitando cada toque da jovem. Como ela era doce! Não era de surpreender que tantos homens gastassem rios de dinheiro com aquela bela criatura. Mas quando ela lhe tocou os lábios com os seus, ele esqueceu-se da vida. Parecia que tudo no mundo apenas fazia sentido quando estavam unidos daquele jeito. O Uhiha aprofundou os beijos, descobrindo novas sensações com o encontro das línguas, suas mãos enterradas na cascata macia e perfumada que era os cabelos de Hinata e sentí-la tremer a cada toque dele. Separou-se da jovem com um pouco de dificuldade, mas devia respeitá-la. Ela o olhou e levantou-se. Trancou portas e janelas e acendeu um pequeno abajur em seu quarto. Voltou e lhe estendeu as mãos.
-Venha! Vou lhe contar como comecei a vida que tanto rejeita.
Itachi lhe deu as mãos e a acompanhou até o quarto.
OoOoOo
Ela estava aconchegada entre suas pernas, as mãos grandes do moreno repousavam sobre sua barriga. Ela sentia-se protegiada ao lado dele, como se nada no mundo fosse lhe fazer mal enquanto estivesse em seus braços.
-Eu morava em Konoha, uma pequena cidadezinha no Japão, com meus pais e minha irmã mais nova, Hanabi. Uma grande peste assolou a cidade e toda a minha família caiu doente. Milagrosamente, fui a única que permaneci de pé. Tínhamos dinheiro, mas os médicos e os remédios eram muito caros. Logo tivemos que vender nossa casa e alguns móveis caros para que eu não ficasse orfã. Mesmo assim o dinheiro acabou e meus pais pioraram. Minha irmã foi mandada para um convento, onde foi medicada e tratada por médicos caridosos. Mas eu tive que trabalhar para manter meus pais. Comecei a ajudar um jovem senhora que tinha dois filhos pequenos, quando eu tinha quinze anos. Ela gostava muito de mim, mas nunca permitia que eu ficasse sozinha com seu marido. Após dois meses, eu recebi o pagamento em uma quantidade muito grande de remédios. Agradeci aos meus patrões e finalmente, meus pais começaram a dar sinais de melhora. Mas um dia, o marido da jovem senhora procurou-me. Disse que eu não retribuí completamente o favor que ele me fizera e aconteceu. Ele me desonrou e, quando meu pai tomou conhecimento, mesmo sabendo que eu não entendia muito bem o que ocorrera, me expulsou de casa. O senhor deve compreender, eu vivia no interior, não tinha acesso à informação! Quando cheguei à esta cidade, fiquei sabendo que envergonhara minha família.
-E como veio parar aqui, Hinata?-Itachi perguntou, depositando um beijo carinhoso em sua cabeça. Ela sorriu.
-Vim como clandestina em um navio e comecei a trabalhar nas ruas primeiro. Até o dia em que uma senhora me ofereceu esta casa.-ela ficou pensativa.-Itachi, amanhã pode me acompanhar até um lugar?
-Claro!-ele respondeu. Olhou para o relógio. Já passava das onze, mas o rapaz não tinha amenor intenção de ir embora!
-Pode passar a noite aqui comigo, Itachi?-Hinata pareceu ler seus pensamentos.-Me sinto mais segura quando está por perto!
Itachi descalçou os sapatos e retirou o terno, ficando com o colete e de meias. Deitou-se na cama e aconchegou Hinata em seus braços. Adormeceram abraçados e com sorrisos nos rostos.
