Todos os personagens pertencem a Masashi Kishimoto. A história é de autoria de Margaret Moore e de seu livro O Castelo do Lobo. Essa fanfic é uma adaptação feita por JehSanti para o grupo Adattare.

Obrigada pelos comentários!

Boa leitura!

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Capítulo Quatro

– Pare! Deixe-me descer! – Sakura gritou, ouvindo a confusão ao seu redor e lutando para não cair do cavalo.

Mas Sasuke a segurava com força e ao passarem pela ponte levadiça, a única coisa que ela ouviu foi o chamado de Ino. Em seguida, Inoichi ordenou para que os soldados atirassem. No instante seguinte, ela sentiu algo lhe picar a pele, pouco pior do que uma abelha. Logo a perna estava toda ensanguentada.

– Pare! – Sakura gritou de novo, desta vez mais alto para ser ouvida apesar do cavalo galopando e os urros, vindos do castelo. – Por favor… Pare…

Mas os gritos desesperados não fizeram com que Sasuke parasse.

E não era essa a intenção dele enquanto não estivessem a uma distância segura do castelo Yamanaka. Ainda bem que tinham uma vantagem pelo tempo que os soldados levariam para montar e começar a caçada.

Pelo menos, ela tinha parado de gritar. Não seria surpresa se tivesse desmaiado, pois devia estar muito assustada e amedrontada pela surpresa do golpe impulsivo. Sasuke nunca tinha sido tão impetuoso antes. Até hoje. Até…

De repente a magnitude de seu ato o atingiu como se uma pedra caísse sobre sua cabeça. Tinha raptado uma mulher, uma nobre, roubara-a do tio rico, poderoso e influente com o rei. Havia agido sem pensar. Tolo.

Odiaria que qualquer mulher, principalmente Sakura, se casasse com um homem como Ebizo, mas não tinha direito de interferir. Seria melhor enfrentar as consequências e levá-la de volta, pensou ao virar o cavalo. Talvez o assunto não repercutisse muito se a deixasse perto…

O cavalo de Sasuke parou subitamente como se uma cobra tivesse atravessado seu caminho, ou uma flecha a tivesse atingido.

Sasuke desceu e o movimento fez Sakura resmungar, acordando. Foi então que ele viu o sangue escorrendo da coxa até o pé dela.

Que Deus o ajudasse! Ela havia sido atingida por uma flecha, que ainda estava espetada na perna. Um ferimento daqueles precisava ser cuidado rápido. Em vista disso, não havia escolha que não voltar para o castelo Inoichi, mesmo que ela perdesse mais sangue durante o caminho. Como se não bastasse, Sasuke sentiu que logo choveria. E não seria apenas alguns pingos esparsos, mas uma tempestade. Os dois ficariam ensopados a menos que…

A cabana dos lenhadores! Não estava em bom estado, mas pelo menos era um abrigo. Montando no cavalo novamente, Sasuke entrou pela mata na direção da cabana. Depois amarrou Chidori a um arbusto e tirou Sakura da sela. Ela reclamou baixinho enquanto era carregada porta adentro. Não havia onde apoiá-la a não ser na madeira. As pedras e os gravetos da fogueira que tinha feito ainda estavam ali, bem como a pilha de galhos onde dormira. Depois de tirar o cinto e colocar a espada de lado, tirou a túnica, estendeu-a sobre a folhagem e a rolou por cima do tecido.

O vento frio se esgueirava pelas frestas da madeira e logo a chuva entrava pelos buracos do telhado. Seria preciso acender uma fogueira para aquecê-los e para que a ferida na perna de Sakura fosse cauterizada. Ainda bem que ainda tinha ferro e pederneira, pois não tinha tido tempo de tirar do cinto em seu castelo. Assim, ele juntou algumas folhas secas e galhos e acendeu o fogo. Depois, correu na chuva, procurando pedaços maiores de madeira debaixo das árvores. Antes de sair, ele havia levado um pote quebrado que achara na cabana para também buscar água de um riacho próximo. Voltou correndo para a cabana e colocou a madeira no chão e aproximou o pote do fogo para esquentar a água.

Só então olhou para trás e deparou-se com os olhos arregalados de Sakura observando-o e com a mão na flecha, fincada na perna.

Sasuke se levantou e aproximou-se com cautela.

– Sinto muito, mas terei de cuidar disso. – disse ele, inclinando a cabeça na direção da flecha.

– Lamento que tenha voltado ao castelo Yamanaka. – ela retorquiu por entre os dentes cerrados. – Leve-me de volta para casa.

– Não posso. Está chovendo e logo escurecerá.

– Não ligo para a chuva. Leve-me de volta!

– Assim que a água esquentar lavarei seu ferimento.

– Você não é barbeiro-cirurgião.

– Não, mas já cuidei de ferimentos similares em mim e nos meus homens. Quanto antes cuidarmos disso…

– Leve-me para casa! – ordenou ela, mas sua voz não estava mais tão firme. – Você precisa me levar de volta. Preciso cumprir o compromisso de me casar com Ebizo.

Sakura se mexeu como se pretendesse levantar, mas a dor fez com que voltasse para o lugar com o rosto pálido.

– Fique quieta, se não irá sangrar mais.

Sakura não respondeu e contraiu os lábios numa linha fina com uma expressão de raiva e dor, mas pelo menos não se mexeu mais.

– Ainda bem que seu vestido é grosso. – disse ele, olhando para onde a flecha tinha rasgado a roupa, ao se agachar com o pote de água na mão. – Quebrarei a haste da flecha, assim posso afastar o tecido da ferida. Fique quieta. Não será fácil. Os arqueiros usam a madeira muito resistente para fazer as flechas.

– Sei disso.

– Acho que são poucas as coisas que você não saiba. – disse Sasuke, segurando a flecha com uma das mãos perto do vestido e a outra perto da pena. – Quantos dias faltam para o Natal?

– Como?

– Quero saber se falta muito tempo para o Natal. Deve ser uma época muito ocupada para você.

– Eu não…

Apesar dos esforços para distraí-la, ela gritou de dor quando a flecha foi quebrada e deixou-se cair para trás.

– Sinto muito, milady.

– Não deveria!

– Não fui eu quem a feriu. – disse ele, puxando o vestido por cima da flecha com todo o cuidado.

– Isso não teria acontecido se você não tivesse me tirado do castelo. – Sakura contraiu a perna quando o vestido saiu pela flecha. – Pelo amor de Deus, seja mais cuidadoso!

– Estou fazendo o melhor que posso.

A meia foi o mais difícil de ser removida, mas finalmente ele conseguiu desnudar a perna dela. Foi um alívio ver a parte da ponta da flecha, o que significava que não tinha penetrado até o músculo, provavelmente pela quantidade de roupas que ela vestia. Seria fácil puxar a ponteira da flecha e limpar o ferimento. Entretanto, seria um processo doloroso, mas necessário.

– Não foi tão grave. – disse ele, sentando-se no chão.

Sasuke tinha três cicatrizes de ferimentos similares, por isso sabia que tirar a flecha não seria complicado e nem causaria danos permanentes ou mesmo a morte. Graças a Deus.

Sakura não o ouvia mais, pois a dor, náusea e tontura a tinham vencido e ela desmaiara de novo.

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Sakura estava com frio, tremendo e com dor na perna. Ao abrir os olhos, lembrou que estava numa cabana caindo aos pedaços longe do castelo Yamanaka e tinha sido levada até ali por Sasuke de Otogakure, e tinha sido ferida por uma flecha. Ele tinha ficado furioso com Inoichi por ter recebido um prêmio sem valor e a tinha levado à força, na certa para exigir um resgate ou por simples vingança.

– Ah, está acordada.

Ao virar a cabeça, ela viu Sasuke se levantar de perto do fogo, onde estava curvado e de joelhos como se fosse uma espécie de monstro. Ele vestia apenas calças de lã e botas de couro, além da espada presa ao cinto.

– Não me toque! – ela gritou e se contraiu de dor ao tentar se arrastar para apoiar as costas na parede. – Não se aproxime!

Sasuke cruzou os braços sobre o torso nu.

– Não pretendo tocá-la a menos que seja para olhar seu ferimento. Se estiver preocupada com minha nudez, saiba que minha blusa está servindo de faixa na sua perna, onde os homens do seu tio acertaram uma flecha e você está deitada sobre minha túnica, caso contrário seria muito desconfortável deitar-se sobre galhos.

Sakura se virou e comprovou que estava sentada sobre a túnica dele. Ao levantar a saia com cuidado, viu a blusa dele enrolada em sua perna coberta de sangue.

Ela engoliu em seco e o encarou.

– Você tocou na minha perna?

– Tive de tirar a ponteira da flecha.

– Leve-me de volta para casa.

– Você quer voltar para o homem que quase a matou?

– Foi você que quase me matou quando me tirou de lá à força. Se ainda tiver um resquício de cavalheirismo ou a dignidade de um cavaleiro…

– Justamente por ser um cavalheiro que estou levando-a para Oto amanhã de manhã.

Sakura o encarou horrorizada.

– Amanhã? Será tarde demais. – Ignorando a dor, ela tentou se levantar. – Preciso voltar agora!

– Não podemos arriscar sair à noite, especialmente porque está chovendo. – disse ele, meneando a cabeça.

As lágrimas que escorriam no rosto dela não eram apenas de dor, mas de frustração, ao passar por ele na direção do que supostamente era uma porta.

– Pare. – ordenou ele, segurando o braço dela.

Sakura gemeu ao tentar se livrar daquelas mãos fortes.

– Está escuro e molhado. – disse ele num tom suave de voz. – É capaz de você desmaiar ou se perder antes de encontrar a estrada.

Ao puxar o braço com força, Sakura quase perdeu o equilíbrio.

– Se eu não voltar antes de amanhã de manhã, será tarde demais! Todos saberão que passei a noite fora.

– E qual é o problema? Sou um cavaleiro jurado para proteger mulheres e crianças. Eu jamais possuiria uma mulher contra sua vontade.

– Isso é o que você diz, mas será que as pessoas acreditarão? Além disso, você está seminu!

– Se eu não fizesse um curativo, você sangraria até a morte. E se continuar se mexendo desse jeito é capaz de acontecer isso mesmo. Seria melhor ter rasgado seu vestido?

– Os rumores irão se espalhar assim que souberem que você me raptou e que passamos a noite juntos. Basta isso para não acreditarem mais na minha virgindade. Não poderei mais me casar por causa da sua atitude egoísta e vingativa. E tudo isso por quê? Um prêmio?

– Eu mal a toquei, apenas cuidei do seu ferimento.

– Além de ter me agarrado, colocado em cima de seu cavalo como se eu fosse um saco de farinha.

– Sente-se antes de desmaiar de novo.

Sakura se sentou perto da fogueira, mas não pela sugestão dele, mas por sentir-se enjoada e tonta de novo. Precisava voltar ao castelo Yamanaka antes que fosse tarde demais, mas não podia fazer nada enquanto Sasuke estivesse acordado. O jeito seria esperar que ele dormisse.

Sasuke se aproximou do fogo e agachou-se perto dos pés dela.

– Tente não se mexer enquanto verifico o ferimento. – disse, levantando o vestido dela, mas levou um tapa na mão.

– Deixe-me em paz!

– Posso não ser um barbeiro-cirurgião, mas cuidei de muitos machucados, inclusive os meus próprios – disse ele, franzindo o cenho. – Então, quer você queira ou não, vou ver como está seu ferimento.

Nada do que dissesse o demoveria da ideia, então ela virou o rosto, olhando para as frestas das paredes, ouvindo a chuva tamborilar no que restara do telhado.

– A faixa não está ensopada de sangue, o que é um bom sinal – disse ele ao levantar a saia dela e abaixar em seguida. – Vou procurar mais madeira seca, se conseguir. Fique aqui e não se mexa muito.

Sakura o encarou com toda a majestade de uma rainha ultrajada antes de ele sair da cabana. Como estava nu da cintura para cima, era bem capaz de ficar doente, o que ainda seria pouco por tudo o que ele a tinha feito passar.

Quando ele adormecesse mais tarde, tentaria fugir. Estaria escuro e chovendo, mas ela podia pegar o cavalo e não tinha dúvidas de que encontraria alguma pista para a estrada. Bem, se ele não dormisse, ou acordasse antes que ela chegasse até o cavalo, tinha de estar preparada para lutar.

Olhando ao redor, viu uma lasca de madeira solta na parede bem ao seu alcance. Foi preciso puxar com força, mas ela conseguiu arrancar e enfiar debaixo do colchão improvisado minutos antes de Sasuke voltar. Ele havia encontrado alguns galhos, que colocou na fogueira e se sentou sobre as pernas dobradas. As gotas de água escorriam pelos veios dos músculos do torso forte, os cabelos encharcados grudavam-lhe nos ombros largos. Naquela posição ele não parecia mais um monstro, mas sim um bravo guerreiro da época dos celtas. Um rei guerreiro, selvagem e muito atraente, com cicatrizes espalhadas pelo torso e as calças molhadas coladas nas pernas musculosas. Mas ainda assim, um selvagem acima de tudo.

Sakura puxou a túnica, ignorando a dor que o movimento causara.

– Vista isso. – disse ela, jogando a túnica, que por pouco não caiu em cima do fogo.

– Você precisa mais do que eu. – ele respondeu, jogando a túnica de volta.

– Seu estado de nudez é ofensivo. – retorquiu ela. – Já não basta ter me raptado e agora ainda me força a olhar seu corpo nu?

– Se o meu estado de nudez é ofensivo, basta não olhar.

– Está bem, fique assim e vai acabar morrendo de gripe.

– Já passei mais frio do que isso na vida e nunca fiquei doente.

– Nem se estiver encharcado até os ossos?

– Nem assim.

– É um milagre. – disse ela, sarcástica.

– Pode ser. – Sasuke afastou o cabelo do rosto, puxando-o todo para trás. – Mas não fico doente. Nunca tive febre na vida. – Ele cutucou o fogo com um graveto para aumentar as chamas. – Acho que você também não adoece com frequência. Apesar de ter desmaiado, acho-a muito saudável.

Saudável? Um elogio estranho para uma dama, mas por que a preocupação se não era mesmo hora de elogios?

– Lamento por não poder oferecer nada para comer. Saí correndo de Otogakure.

– Não estou com fome.

– Então, descanse.

Sakura fechou os olhos e cochilou, abrindo os olhos de vez em quando para verificar o que ele fazia.

Sasuke ficou com o olhar fixo nas chamas durante um bom tempo. De vez em quando, dobrava as pernas e encostava a cabeça nos joelhos. Logo cairia no sono, pois estava exausto. Assim como ela.

Se não se mexesse também dormiria, mas ela optou por se mover bem devagar, com todo cuidado para não fazer barulho e puxou o pedaço de madeira debaixo do colchão improvisado. Apesar da dor, ela se levantou. Chegou bem perto de onde ele estava e levantou a madeira, pronta para acertá-lo.

Numa fração de segundo, ele se levantou e segurou o braço dela, forçando-a a dobrar as pernas até cair no chão.

– Você está louca? – exigiu ele, com o rosto a centímetros do dela e os olhos faiscando de raiva.

CONTINUA

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E aí? Estão gostando? Eu tô bem feliz com os comentários de vocês! Muito obrigada, esse feedback é muito importante. Queria compartilhar com você que já fiz o planejamento da fic e já sei quantos capitulos ela vai ter. Ainda estamos longe, então fiquem tranquilos que vamos surtar com a Cobra de Oto por bastante tempo!

Espero que tenham gostado desse capitulo! E não deixem de comentar, me incentiva muito a postar os novos capítulos o mais rápido possível.

Beijos e até o próximo!

Continuo pedindo que vocês coloquem o nommo corpo do comentário quando não tiver conta aqui no site. Quando o usuário comenta logado, eu consigo responder por aqui mesmo e diretamente. Se você não tem conta e não coloca seu nomezinho pra se identificar, só vai aparecer "guest" pra mim...

Guest #1: "Ameiiiiiiiiimega ansiosa pelo prox"

R: Obrigada! Aqui está o capítulo quatro, espero que tenha gostado e comente novamente!

Guest #2: "Eu to amando a história, super ansiosa pelo próximo capítulo..."

R: Obrigada! A historia é mesmo incrível. Ainda virão muitas surpresas pela frente, aguarde! O que achou desse capítulo?

Guest #3: "Ameeeeeiiiii continua"

R: Que bom que gostou. Continueiii rs gostou desse capítulo?

#JehSanti