Como Rachel e Finn não tinham viajado em lua de mel, lá estavam eles na semana seguinte assistindo às aulas do seu último ano no ensino médio e participando dos ensaios do Glee Club, normalmente. Isso se considerarmos possível chamar de normal uma semana em que o irmão do qual Blaine evitava falar apareceu, e todos descobriram que se tratava de um ator de comerciais que tinha ficado famoso recentemente, a treinadora Sue foi afastava de seu cargo de comando à frente das líderes de torcida e resolveu usar de seus métodos pouco amistosos para, segundo ela, ajudar Will com o coral, e ainda aconteceu um tradicional momento para os alunos que estavam prestes a se formar.
"Sabemos porque estamos aqui. Esperei cinco anos por isso!" Noah Puckerman falou, sentado no encosto de uma das poltronas da biblioteca e recebendo a atenção de todos os colegas do clube do coral, inclusive não-formandos. "Quero ideias para o dia de matar aula. Vai!"
"Caça ao tesouro Gershwin-Sondheim." Sugeriu Kurt.
"Isso parece uma tortura." Retorquiu Santana.
"Quero ideias boas, Kurt." Reclamou Puck.
"Maratona de dança. Ritmo louco... Ritmo louco 2011." Foi a contribuição de Mike.
"E um pub crawl não alcoólico?" Questionou Mercedes.
"É o dia dos formandos matarem aula, não idosos." Afirmou Puck, sarcástico.
"É primavera. Gostaria de ver algo dando à luz." Comentou Brittany e todos riram.
"Eu acho que deveríamos ir ao Six Flags." Quinn se manifestou, depois de alguns minutos de silêncio, e todos pareceram gostar da ideia, a julgar por seus sorrisos largos.
"A Srta. Fabray escolheu sabiamente." Puck fingiu solenidade. "Será o Six Flags! Reunião suspensa." Todos começaram a dispersar, falando juntos, animados. "Finn, pode ficar mais um segundo?" O melhor amigo pediu e ele franziu a testa, mas parou, permanecendo na biblioteca, enquanto os demais iam embora.
"Yeah!"
"Quero te mostrar um coisa!" O garoto de moicano disse, se aproximando de uma mesa. "O cara da Apple. O do Facebook. Abraham Lincoln." Foi enumerando, enquanto colocava fotos sobre a mesa. "O que eles tem em comum conosco?"
"Sei lá. Eram de corais?" Finn arriscou, confuso.
"Nenhum deles levou a escola a sério, cara! Foram excluídos pelo mundo até terem a Grande Ideia. Bingo! O resto é história."
"Tudo bem. Qual é a sua grande ideia?"
"Em Lima, só há vinte e duas piscinas." Afirmou, já tendo limpado todas. "No sul da Califórnia, há oitocentas mil! Eu vi no Google." Completou, orgulhoso de sua pesquisa. "Depois da formatura, vou me mudar para Los Angeles e expandirei meu negócio, e quero você como meu parceiro!" Afirmou, apontando para o peito de seu grande brother. 'Com seu cérebro e minha lábia, vou te dizer que arrasaremos."
"Cara, é uma honra que você tenha pensado em mim, mas depois da formatura vou pra Nova York com a Rachel."
"Certo. Mas... e se não fosse? Talvez ela não entre naquela escola chique ou, mesmo se ela entrar..."
"Eu e ela nos casamos! Você se esqueceu?" Riu. "Agora, eu tenho que ir aonde ela for."
"Porra nenhuma! É ela quem tem que ir aonde você for."
"Brother, isso é machista!"
"Ista por ista, ela querer que você vá pra um lugar onde tem tudo o que ela quer e não tem nada pra você é egoísta!"
"Ela sempre teve esse sonho e eu não tenho nenhum." Respondeu, se afastando, um pouco aborrecido.
"Okay, okay... mas pode me fazer um favor, pelo menos?" Pediu e Finn se virou para ele de novo. "Sabe aquela loira da Rua Sycamore que corta a grama usando um top?"
"Yeah... Sra. Tenninson."
"Essa! A jacuzzi dela emperrou e, como você entende muito de motores, pensei que poderia dar uma olhada e me ajudar nessa."
"Tudo bem. Posso fazer isso." Afirmou, antes de ir para mais um ensaio comandado pela Srta. Silvester, com a participação surpreendente (e nada boa!) do irmão de Blaine, que perdeu a admiração de Rachel e Kurt, ao dizer que teatro era chato e a Broadway estava morta, e fez brotar um sorriso convencido e esperançoso no rosto de Puck, bem como pensamentos novos no cérebro de Finn, ao afirmar que faculdades não serviam para nada e que os verdadeiros artistas contemporâneos fazem filmes e TV, por isso os aspirantes ao drama deveriam ir para LA e não para NY.
A ida à casa da tal loira que estava com a banheira quebrada, na tarde daquele mesmo dia, não surtiu o efeito que Puck gostaria, porque o fato de ela ser uma mulher mais velha gostosa não afetava Finn como afetava a ele. No entanto, também não foi totalmente infrutífera, porque os dois amigos tiveram outra oportunidade para conversar e agora o futuro empresário do ramo da manutenção de piscinas e jacuzzis tinha novos argumentos.
"Você diz que é um esforço em equipe, mas por que então é você quem sempre cede?" Perguntou. "Talvez seja hora dela pensar em você!" Enquanto Puck limpava a piscina e falava, Finn tomava um drinque servido pela dona da casa, fingindo indiferença, mas estava, na verdade, pensativo, desde a primeira conversa dos dois, horas antes. "Não é como se você fosse pedir pra ela sacrificar a carreira, nem nada. Você ouviu o irmão do Blaine. Los Angeles é o que há! Ela pode aparecer na TV, representar um papel... sei lá. E... você pode atuar também ou ir à faculdade, e este aqui pode ser seu trabalho. Você passa muito tempo pensando somente nela. Tire um tempo e pense em você!"
Finn mudou de assunto e eles terminaram o serviço rapidamente, mas ele não esqueceu as palavras do amigo, até a hora de pegar no sono, naquela noite. Rachel percebeu que ele estava agindo de um jeito diferente, mas ele deu a desculpa de estar apenas ansioso para matar aula e ir ao parque com todos, no dia seguinte, e ela, animada com o programa e, ao mesmo tempo, aborrecida com as interferências de Sue e de Cooper Anderson, começou a falar sem parar e nem percebeu que ele não estava prestando atenção alguma.
A ida ao Six Flags afastou Finn dos pensamentos sobre o futuro próximo. Ele andou com toda a turma de montanha russa, comprou algodão doce para Rachel e ganhou vários bichos de pelúcia para ela em muitos jogos diferentes, namorou a esposa dentro do trem fantasma e em um carrinho só dos dois na roda gigante, brincou de esconde-esconde com ela no labirinto, implicou com os meninos no carrinho bate-bate, e tudo pareceu, por algumas horas, simples e fácil, como se a vida adulta não estivesse batendo na porta de muitos deles.
"Finn, eu quero aquele! É tão fofo!" Rachel disse, quase na hora de ir embora, apontando para um cachorrinho.
"Rach, meu amor, a gente já pegou uns quatorze bichos. Enchemos duas sacolas e demos um pro Kurt."
"Por favor, Finn! Ele é tão lindo! Dá tanta vontade de apertar! Além do mais, eu ainda não dei o nome de Finny-D a nenhum deles e seria Finny-D de Finny-Dog. Seria TÃO perfeito!" Implorou, juntando as mãos e fazendo bico.
"Okay, mas é o último." Assegurou. "Até porque já tá na hora da gente ir lá pro ônibus, ou vamos ser os últimos e vão encher a gente de reclamações!"
"Obrigada, amor." Ela o beijou nos lábios e deu pulinhos em direção à barraca dos dardos, onde ele teve que jogar três vezes para conseguir o cãozinho. Contudo, ele não pode deixar de sorrir, vendo o cativante e contagiante sorriso dela, e as suas feições de menina que também quase faziam com que ele acreditasse que o tempo de escola poderia durar para sempre.
À noite, ele não se preocupou com nada também, a não ser com amar Rachel várias vezes, e fechar o dia com chave de ouro. O melhor de estar casado com ela, finalmente, era justamente poder tê-la para si todas as noites, dormir abraçado com ela, e acordar vendo seu rosto e seu sorriso, e recebendo carinhos e beijos, além de, algumas vezes, ser contemplado com pão de banana ou outros quitutes igualmente deliciosos.
A pior parte era ter decisões a tomar, como sobre o lugar em que passariam a viver, quando saíssem da casa dos Hudson-Hummel, e que carreira ele tentaria seguir, para não ser só o marido de Rachel Hudson. Ele não queria encarar essa parte e conseguiu não fazê-lo naquela noite, mas, no dia seguinte, de volta à escola, ao receber de Puck parte do pagamento depositado pela Sra. Tenninson na conta do amigo, acabou decidindo que tinha que dividir com Rachel o que estava passando por sua cabeça. Estava tão confuso àquela altura que acabou fazendo isso ali mesmo, no corredor da escola, ao invés de esperar que estivessem em casa, sozinhos e com tempo, como provavelmente teria sido mais sensato.
"Ei! Como acha que fui nas aulas do Cooper?" Perguntou Rachel, se aproximando do marido, que acabara de abrir seu armário para guardar um livro. O irmão de Blaine tinha dado mais uma aula de atuação, no horário que seria destinados ao ensaio do coral, porque Sue era fã do rapaz e achou que as dicas dele poderiam fazer grande diferença na preparação dos jovens cantores, na hora de interpretar diferentes estilos musicais nas Nacionais. Mesmo incomodada com o desdém do mais velho dos Anderson pela Broadway, Rachel fora a aluna aplicada de sempre.
"Fez parecer que você encontra cadáveres todos os dias." Finn respondeu, se referindo à cena escolhida por Cooper, que tinha algo relacionado com corpos e trabalho investigativo. "Se fosse pra valer, teria o papel." Completou e ela riu.
"A equipe de NYADA virá logo. Acho que estou pronta." Afirmou, mesmo parecendo insegura.
"Já pensou no que farei em Nova York?" Ele questionou, afinal.
"A única coisa que sei é que vamos descobri juntos."
"Isso é muito legal, mas sinto que preciso pensar seriamente no meu futuro. Você já pensou na Califórnia? Não sei... sinto que há tantas oportunidades lá pra mim." Afirmou, a deixando confusa e preocupada. "E Puck tem planos para um negócio de limpeza de piscinas." Continuou, animado, mas ela não conseguiu corresponder. "Você poderia fazer audições e não teria que se preocupar com dinheiro, porque eu poderia te sustentar, sabe... como seu marido e..."
"Finn..." Ela o interrompeu. "O que está fazendo?" Questionou, tentando manter a calma.
"Estou pensando no meu futuro."
"Achei que fosse nosso futuro." Riu, nervosa.
"Claro! Claro que é! Nosso futuro." Disse, pegando a mão dela. "Mas parece que essas conversas andam sendo unilaterais, ultimamente." Continuou, mostrando-se chateado dessa vez. "Até o irmão do Blaine disse que Hollywood é onde deve ir se quiser ser famosa."
"Não quero ser atriz de Hollywood. Está bem? Em Nova York o importante é o que você faz, não o que já fez. Então, não há outra opção pra mim. Eu sou fiel à Broadway."
"Mas se queremos que nosso casamento dê certo, eu não deveria opinar também?"
"SE queremos?"
"Parece que não liga para os meus sonhos, Rach."
"Eu ligo. É claro que eu ligo!"
"Liga, se não interferirem nos seus!"
"Ouça!" Pediu. "Preciso estar em Nova York e preciso de você comigo. Não consigo sem você!"
"Só preciso que tenha certeza, sabe? Certeza de que ama a mim e não alguém que você quer que eu seja." Ele disse, batendo o armário e saindo, sem que ela tivesse bons argumentos para usar.
Quando resolveu ir atrás dele, encontrou Kurt, que foi logo perguntando se estava tudo bem, pois ficara desconfiado do desentendimento entre os dois quando o irmão lhe pedira que desse carona a Rachel no final do dia. Respondendo apenas que eles tinham tido uma discussão normal entre casais, ela passou o resto do dia pensativa, calada e triste, mas nem por isso deixou de ser orgulhosa, e não tentou conversar com ele ou dissuadi-lo da ideia de dormir em um sofá velho no escritório da oficina de Burt.
Somente quando apagou as luzes e tentou dormiu foi que ela refletiu realmente e percebeu a gravidade da questão. Finn devia estar mesmo decidido a pensar em si próprio e não ir com ela para Nova York, apesar de os dois terem se casado, para ter preferido um sofá pequeno e duro, dentro de um escritório com cheiro de graxa e bastante empoeirado, à cama limpa e quentinha que tinha o cheiro do perfume dela.
Só um problema muito sério poderia explicar que estivessem dormindo separados durante a semana em que ainda deveriam estar em lua de mel.
