Já estavamos quase adentrando no local, até que o meu celular toca. Casa chamando. Atendo.

– Alô?

– Katniss! – urra o velho maldito Haymich. Ele era o meu padrasto, diga-se de passagem. – Aonde você está querida?

– No baile da escola, pensei ter falado. – digo.

– Pois volte às meia noite! Eu e sua mãe iremos a uma festa importante hoje da empresa de vinhos. E eu como o degustador de vinho tinto, tenho que ser pontual! E como Prim não pode ir, você deverá cuidar dela. – grita no telefone.

Suspiro decepcionada. – Tudo bem.

– Não se atrase, querida. – diz Haymich e desligo o telefone.

– Droga de velho bêbado e babão! – reclamo.

– O que o seu Padrasto queria? Deu para ouvir a voz dele. Como ele grita. – diz Thalia agitando suas mãos.

– Escute... Temos que ir embora meia noite. – digo.

– O QUE? – Exclama a minha amiga.

– Pelo menos eu. O maldito bastardo vai sair em uma festa, e eu tenho que cuidar de Prim. – digo triste.

– Não se preocupe, eu vou te ajudar a cuidar dela, vou embora meia noite também. – Thalia se apressa a dizer.

– Obrigada Tha! – digo feliz.

– Animadinha pra festa para quem não queria vir ein? – diz Thalia rindo. – Mas bom, vamos logo. Vamos aproveitar o pouco tempo que nos resta! – assinto e entramos no local.

Chegamos chegando [?], e fomos logo pegar algo para beber. Terminamos a bebida rapidamente e fomos direto a pista de dança!

Dançamos loucamente e admito que eu me diverti muito mesmo não sendo do tipo "festeira". Enfim, tudo muito legal e tal, até que chega um loiro incrivelmente alto e muito atraente. Ele tinha uma cicatriz enorme embaixo de um de seus olhos, mas continuava incrivelmente lindo. Ele se inclinou para Thalia e ela o cumprimentou. Os dois se olhavam radiantes e ele a chamou para dançar. Ela aceitou, parecia o conhecer de eras. Ela me olha pedindo desculpas por me deixar sozinha, e vai adentrando mais a pista.

Suspiro, e volto a mesa de ponche, e pego um copo para beber. Parece que o resto da noite não seria tão divertido assim... Mas como eu me enganei.

Alguém me cutucava, e eu olho curiosamente para trás para ver que que queria comigo. E me dou de cara com Peeta Mellark, o meu amor, a minha paixão.

Ele me olha sorrindo, e fico com vergonha.

– Me desculpe, mas você é desta escola? – ele me pergunta. – Nunca vi uma menina tão bonita por aqui... – ele termina e eu fico escarlate. Sorte de estar usando uma máscara.

– Não Peeta, eu sou desta escola mesmo. – digo timidamente.

Ele me olha intrigado. – Você me conhece? Disse o meu nome.

– Claro, somos do mesmo ano. – digo ocultando o fato de sermos até da mesma sala de aula.

Ele ri. – Você não está falando a verdade, certo? Eu me lembraria de uma garota tão bela...

Se é que tinha como, eu fiquei mais escarlate.

Dou uma risada sem graça. – Estou falando a verdade.

Ele coloca as mãos em meus ombros, curioso. – Mas eu te conheço?

– Creio que sim. – digo abaixando a cabeça sem nem perceber. – Acho que não me reconheceu, ou nunca reparou muito...

– Kat... – ele começa a dizer, mas começa a tocar uma música que eu amo muito e fico radiante. Ele parece perceber a mudança de humor. Eu estava ficando maluca, ou ele quase disse meu nome?

Estende a mão para mim. – Dança comigo?

– Mas é claro. – digo sorrindo.

Começamos a dançar a música eletrônica juntos.

– Qual é o seu nome? – ele me pergunta. Então ele realmente não sabia meu nome.

– É segredo! – digo divertida.

– Ei, isso não vale! Você sabe coisas sobre mim, e eu não sei nem ao menos o seu nome! – diz brincando, mas parecia estar um pouco indignado.

– Tudo bem, eu posso responder algumas de suas perguntas.

– Quantos anos você tem? Qual a sua matéria favorita? Você gosta da nossa escola? O que mais gosta de fazer? Tem namorado? Gosta de festas assim? – ele já invade com muitas perguntas e eu começo a rir enquanto ele fala e nós dançamos.

– Nossa, quanta coisa. Eu tenho a mesma idade que você. Sim, eu sei sua idade. – digo piscando um dos olhos e a bochecha do Peeta fica vermelha.

– É bom saber que você interessa na minha vida. – diz ele sorrindo.

Fico vermelha como um tomate.

– Continue a me responder, linda.

– Minha matéria favorita é física, pois acho muito difícil. E eu gosto de desafios. Eu gosto muito de ler, de conversar com a minha amiga Thalia e minha irmã Prim, de dormir também. – ele ri da parte de dormir.

– E o namorado? – ele me pergunta olhando em meus olhos intensamente.

– Eu ham... nunc- quer dizer, não tenho namorado. – digo desconcertada pela intensidade daqueles lindos olhos azuis.

Em sincronia perfeita, quando começamos com esse clima mais, digamos, "quente", o DJ resolve trocar o estilo de música e coloca lenta.

– Essa são para os casais apaixonados! – o DJ grita e alguns assoviam.

Ele se aproxima mais de mim, e começamos a dançar coladinhos, de em completa sincronia com a música. Nossos olhares não se desviavam nem por dois segundos.

– Posso tirar a sua máscara? – Ele diz chegando cada vez mais perto de meu rosto.

Já estavamos quase nos beijando. Até que o "sonho" acabou. Hora da realidade.

– UAAAAAAAA! Quase meia noite! VAMOS EMBORA MENINA! – grita Thalia atrás de mim.

Quase pulo de susto e me afasto de Peeta.

– Eu... err... tenho que ir. – digo a ele sem graça.

– Mas já? – diz ele com um olhar super triste, me segurando cuidadosamente com sua mão.

Eu queria dizer para ele que eu ficaria a noite inteira se ele quisesse, que tiraria a minha máscara, que falaria o meu nome e contaria que eu sempre o amei desde o dia que ele me "salvou", mas isso não aconteceu.

Eu me soltei de seus braços.

– Desculpe-me Peeta. Até algum dia. – digo meio triste e saio correndo atrás de Thalia, que já estava quase na porta do lugar.

Nessa correria toda que eu apronto, um dos pares do sapato de Thalia que eu estava usando se perde. Claro, afinal o pé dela era maior, e a "gambiarra" não deu tão certo assim, afinal.

Entramos no carro, Thalia o liga e dirige rapidamente até a minha casa.