No capítulo anterior
"E então os três ficaram se divertindo até anoitecer. Essa noite era fria e escura, sem nenhuma lua ou estrela para iluminar o céu. Graças a isso decidiram ir embora, mas algo não estava previsto. Atem começou a sentir muito sono, fora do normal. Ele não conseguia se levantar de tanto sono. Sakury foi ajudar e logo percebeu o que estava havendo. Era um pó do sono que estava impregnado no ar, e Sakury não era imune a ele. Logo os dois junto com Korio caíram inconscientes no chão".
Sempre há um pouco de loucura no amor, porém sempre a uma pouco de razão na loucura.
Prinless
A lenda de Sakury
Sakury POV.
Quando eu recobrara minha consciência, não conseguia prender o foco em algo, graças ao pó do sono que provavelmente deve ter posto eu e Atem num sono profundo, mas uma coisa eu conseguia sentir bem, e eram as presenças que se tinham a minha volta, nada. Eu tentei o máximo possível não ficar desesperada, Atem significava muito para mim, perde-lo seria um choque muito forte. Apresar dos esforços, eu não conseguia pensar em outra coisa, não conseguia ficar calma, não enquanto eu souber que meu Atem estava comigo e eu gostava de sonhar que Atem era meu, somente meu, que eu estou em seus braços, sentido carícias, abraços, beijos. Que sua atenção sempre se voltasse para mim e que... E que aquela noite se repita, aquela noite na qual dormimos bem juntos e abraçados, não sei se aquilo foi sem querer ou não, mas despertei com Atem segurando minha cintura, eu gostei, e isso o que importa. Mas isso era um sonho impossível, um jovem príncipe de um grande reino próspero não ia gostar de uma princesa imortal igual a eu. Acho que ele gosta de mim como amiga, mas acima disso eu acho impossível.
Quando finalmente conseguia ver algo, tive a certeza que estava sozinha. Eu estava em uma caverna úmida e espaçosa, a visão era escassa. Como não via muita certeza, tentei criar uma luz com meus poderes, não consegui, presumi que essa caverna estava coberta de uma magia, na qual anulava magias feitas por outros além daquele que a colocou. Eu também percebi que não estava com as roupas que usara na cachoeira, eu usava um vestido simples azul, com o contorno preto e um cinto de tecido negro na qual suas pontas ficavam soltas ao lado do vestido. Meus cabelos estavam presos num rabo de cavalo por um mesmo tecido usado no cinto. Peguei-me imaginando como minhas roupas foram trocadas e várias idéias alucinantes e maliciosas passaram na minha cabeça, chacoalhei a cabeça para tirar esses pensamentos impróprios da cabeça e me concentrei em achar Atem. Eu não sentia a presença dele, quer dizer, a presença mágica dele.
Eu achei fácil me locomover pela caverna. Apresar de ser escura, meus treinamentos de mágica estavam valendo a pena. Meus pensamentos estavam centrados em um só lugar, no bem estar de Atem. Enquanto eu andava, percebi que o caminho de dividia em dois. Eu abusando de meus bons instintos escolhi o caminho da direita. Meus instintos sempre foram bons, me lembro das vezes que eu me perdia no meu enorme castelo cheio de quartos, quando eu queria fugir do quarto. Eu sempre achava o caminho de volta, sempre seguindo meus instintos.
Atem POV.
Eu recobrei devagar minha consciência, percebi de imediato que a Sakury não estava comigo, eu estava com os pulsos doendo e percebi que estava preso em uma placa de pedra, e a minha volta só escuridão, uma melancólica e assustadora escuridão. Eu não ouvia nada, meu horizonte só se limitava até uns dois metros a partir de mim. Eu não gostava daquela escuridão, ela me lembrava aquele sonho, aquele sonho que tenho quase todos os dias. Eu sentia frio, medo, angústia, um turbilhão de sentimentos se passava por mim. Eu estava completamente sozinho, essa palavra, para mim é muito forte, sozinho... Sem nenhuma companhia para te apoiar, te ajudar e expulsar seus medos e magoas. Eu sempre fui sozinho, eu não tinha amigos, não tinha tempo para isso, eu me entregava de corpo e alma aos estudos para ser um bom rei, naquela época nem sentia, mas desde que ela apareceu e eu senti como é a amizade, agora não consigo ficar sozinho.
Desde que eu a vi pela primeira vez desacordada, senti algo esquentar em meu peito, e na frente dela não consegui ser aquele jovem arrogante e mimado que sempre era na frente dos outros, eu mostrei uma face na qual só Anzu conhecia, uma face delicada, carente, educada e muitos outros adjetivos que eu não lembro. Mas a questão é, eu não consegui usar minha mascara, fui eu mesmo.
Naquele momento eu queria estar nos braços dela, com ela dizendo que ia ficar tudo bem, que ia me proteger, eu parecia um menino medroso, mas era isso que eu sentia. Eu amava a Sakury, sim amava, a como amava, ela é uma pessoa muito boa e gentil, além de ser esperta, carinhosa, e muitas outras coisas. Ah como eu queria que ela pressionasse meu peito no chão e falasse com aquela voz sensual, como naquele dia. Aquela voz e aquela posição me deixaram bem nervoso, sem contar que uma corrente elétrica subiu pela minha espinha, uma sensação muito boa, na qual não consegui identificar na época, agora mais velho já digo com certeza que fiquei um pouco excitado com o que a Sakury fez. Eu posso dizer com certeza que a Sakury é maliciosa, ela já contou várias piadinhas de dois sentidos para mim, e várias não entendia.
Eu queria que a Sakury pulasse nos meus braços e falasse que me queria, eu queria ter aquela pele contra a minha, em carícia, abraços ou até quem sabe beijos. Um fato que demorou a aparecer é que a Sakury ficou morena, de tanto sol que ela tomou, tenho que dizer que ela morena é digno de fantasias.
Nada que eu pensasse poderia tirar o fato que naquele momento, naquela hora eu estava sem ela, e diante do pensamento que ela nunca me amaria me fez ficar mais melancólico ainda. Por que ela me amaria? Existem pessoas que podem faze-la mais feliz que eu no reino dela, ainda por cima, ela deverá se casar brevemente, é uma triste ironia mas ela, quer dizer nós já temos 19 anos, e assumiremos os tronos de nossos devidos reinos quanto a temível contagem de 20 chegar. Quando isso ocorrer eu nunca mais poderei ver a Sakury e ela eu. Eu não quero ficar sozinho novamente, não quero perder o sol que iluminou minha vida, mas essa é a triste realidade. Eu a perderia para outro. Sinto que lagrimas teimam em descer, eu sou orgulhoso demais e não deixo, mas diante dessas afirmações eu não consigo, não acho nenhuma saída, não quero perde-la, mas não posso fugir do meu dever. Não consigo mais conter e um choro incessante começa. O tempo passou muito rápido, eu nem percebi que a Sakury cresceu. Sim, agora de uma garotinha ela cresceu para uma mulher, mas conservou a aparência que tanto gosto, uma aparência despreocupada, uma inocência cativante que só a poucas pessoas que a conhecem desmentem dizendo que ela é um lobo em pele de carneiro. E não posso esquecer de sua felicidade, sempre com um sorriso, cantarolando músicas de seu reino, ou tocando sua flauta. Seus olhos sempre expressivos, ajudam a mostrar o quanto ela é feliz.
Sakury POV.
Eu continuo a seguir o caminho que o lado que eu escolhi me deu, já estou andando a cinco horas. A cada passo eu sinto mais medo. Eu não tiro Atem da cabeça, enquanto não o visse vivo e bem, não ficaria satisfeita.
Continuo a andar e percebo que um parte iluminada se aproxima, eu chego mais e mais perto, cuidadosamente. O lugar me parece uma sala de ritual, com candelabros e tochas por todas as paredes, no meio o símbolo da mágica luz/trevas. O mesmo símbolo que protejo. Ele é composto por um pentagrama dourado, com uma lua prata.
Enquanto eu observei o lugar, comecei a sentir uma dor muito forte por todo o corpo. Eu gritei em agonia e fui de joelhos no chão. Enquanto eu me contorcia de dor, um homem apareceu.
- Ora, ora, ora. Quem está aqui, a futura herdeira do trono de cristal.
- Você... – disse ao reconhecer o homem. Ele era um dos meus pretendentes a casamento, era dele que eu tinha fugido. Ele era alto, moreno, tinha 401 anos e aparentava ter 40. Tinha cabelos azuis e ondulado. Ele era malvado, sem-vergonha e sádico.
- Eu mesmo, que bom te ver Sakury, vejo que não está grávida... Ainda.
- Por que eu ficaria? – aquela dor sumiu da mesma forma que começou
- Oras, você acompanhada de um homem, um príncipe ainda e com sua personalidade, não ficaria surpreso se ficasse.
- Seu filho da... – fui interrompida antes de terminar a frase.
- Você quer que ele sofra?
- Quem? – pergunto
- Oras, aquele que você ama... – ele responde com sarcasmo
- Não se atreva – eu sinto o ódio me dominar por completo
- O deixarei livre só se você me entregar seus poderes da luz e da trevas
- Nunca!
- Então ele vai sofrer
Eu não tinha o que fazer, o ódio e a dor estavam tomando conta do meu coração. Não queria perder o Atem, mas não podia arriscar perder o reino, eu conhecia o cara, com meus poderes, provavelmente ele iria destruir meu reino.
Então num plano desesperado aceitei:
- Ta bom, não tenho escolha – eu falei, desistindo
- Ótimo, se você se atrever a fugir eu juro que mato seu namorado. – num estalar de dedos ele desfez a magia que impossibilitava os outros a usar magia.
- Agora vá até o centro do circulo – como mandado eu fui – Agora fique parada, enquanto faço o feitiço.
Agora eu estava livre para fugir e prender o cara, mas não sabia se havia outro feitiço programado, eu sabia que isso era loucura, mas decidi tentar. Num movimento rápido lancei um Emóbilus (1) nele e pus-me a correr agora eu sentia a presença mágica do Atem, ele estava no outro caminho que não escolhi.
Você não vai conseguir! Ele vai estar morto quando você chegar lá! – essa foi a ultima coisa que ouvi.
Eu corri como nunca corri antes, aquele caminho demorava no máximo umas três horas se eu correr. Eu só esperava chegar a tempo.
Atem POV.
Não sei quanto tempo fazia que eu estava preso, já parecia uma eternidade. Minha angústia e meu medo só tendem a aumentar. Eu quero que esse tormento acabe... Não agüento mais. Será que ninguém vira me salvar? Eu estarei condenado a morrer assim?
Enquanto estava preso em meus pensamentos, senti que estava ficando mais frio, meu corpo estava tremendo. Isso me deixou mais alerta e me fez perceber que não estava mais sozinho.
- Sakury? É você? – tentei chamá-la em vão.
Vultos se aproximavam em mim, não sei quantos, mas eles me davam medo. Eu estava cada vez mais em pânico. Um vulto, o maior de todos se aproximou de mim. Eu desejava cada vez mais que a Sakury me ajudasse que me falasse que fosse um sonho.
- Você não é amado. Por que ainda chama pela sua amada? – eu entendi essas palavras e elas me deram mais medo e tristeza.
- Você a matará se continuar a ama-la, ela é imortal e você um é meros mortal. Ela não te ama, pra que alimentar essas esperanças? – eu não conseguia deixar de alimentar essas palavras com mais melancolia, dessa vez eu cheguei ao fundo do poço, lagrimas corriam sem cessar em meu rosto.
O vulto maior passou uma doce e delicada mão no meu rosto para limpar as lágrimas. A mão era fria, mas ela muito gostosa. Eu olhei para o vulto, ele não tia face. Aquele vulto passou a mão no meu rosto e a desceu pelo meu pescoço até chegar no meu coração. Nessa hora eu senti uma dor muito forte, inexplicável no local, eu gritei de dor, pedindo para que parasse. Mas ninguém me escutava, aqueles vultos haviam sumido, a dor que estava localizada no meu coração, agora se espalhava para o meu corpo inteiro. Eu gritava pedindo para que parasse, me debatia e chamava pela Sakury. Eu sentia minha vida se esvair a cada momento. A dor parou quando não conseguia mais gritar, me mover, falar até respirar tava difícil, eu sentia que ia morrer. Num ultimo sobro chamei pela Sakury e perdi a consciência.
Sakury POV.
Eu já estava próxima, e ouvia gritos, gritos agonizantes, e entre eles, tinha certeza que conseguia ouvir meu nome. Tinha certeza que era o Atem, mas ainda eu estava muito longe, ele deveria estar sentindo muita dor para gritar tão alto. Eu corri o mais rápido que eu conseguia, não queria que ele morresse. Se ele morresse, não sei o que faria.
Demorou 15 minutos para eu chegar no lugar onde estava Atem, depois que eu ouvi os gritos pararem. Eu vi no meio de uma sala escura, uma pedra, e lá estava ele, Atem estava preso pelos punhos nessa pedra e seus pés não tinham apoio. Eu me desesperei. Corri até ele e o soltei. Senti que ainda estava vivo e soltei um suspiro aliviada, mas a vida dele estava por um fio. Eu não sábia o que fazer, não conhecia mágicas curativas, tão pouco tinha energia para tal. Vi que o rosto dele demonstrava um misto de dor e medo, eu fiquei pensando o que houve com ele para ele gritar tão alto... Notei que a boca dele estava aberta na tentativa de pegar mais ar. Eu a acariciei, lagrimas rolavam no meu rosto. Eu rezava para ele morrer, para ele ser forte, mas minha esperança não existia. Acariciei levemente seus lábios, de repente deu uma forte vontade de senti-los, mas minha razão dizia, para não faze-lo. Meus instintos estavam falando alto para fazer tal ato. Ele morreria logo se eu não fizesse nada e já que não sabia o que fazer... Comecei a me aproximar lentamente, para sentir seu adocicado perfume de jasmins. Sua pele emanava pouco calor, mas não passou despercebido por mim e sua respiração calma e fraca me deixou com mais medo de perde-lo. Quando já quase nossos lábios se tocavam eu hesitei um pouco, mas logo depois, fechei meus lábios num beijo delicado e esperançoso. Eu depositei todas as esperanças nesse beijo.
Não demorou muito até eu sentir que seu corpo ficara mais quente e sua respiração normal. Senti que seu coração batia normalmente. Uma onda de alegria subiu minha espinha. Agora ele ficaria bem.
CONTINUA...
