For A Friend

Capítulo III - Reação Em Cadeia.

Lilly sabia que Sirius tinha razão. Ser a esposa de um Black lhe daria toda a proteção possível e imaginável contra o que quer que Elle Potter pudesse imaginar que pudesse prejudicar a ela ou a seu bebê. Mas, mesmo assim, não seria justo com Sirius. Ela não o amava, e ele merecia alguém que o amasse acima de todas as coisas. Alguém como Eve, sem os ataques histéricos de ciúme, obviamente.

Corrigindo: ela o amava. Mas como um irmão querido, a quem ela queria proteger. E Lilly sabia que este tipo de amor não era intenso o bastante para manter um casamento.

Mas ela também sabia que nunca seria capaz de deixar que Elle tirasse seu filho dela. E, se para manter seu bebê, seria preciso casar-se com Sirius, ela o faria.

"Sim", ela disse em voz baixa. "Sim, Sirius, eu aceito me casar com você".

Ele deu um sorriso para ela, e conjurou um lindo anel de prata com um discreto diamante. Lilly ficou boquiaberta. "Sirius, não, não precisa..." Ela disse em grande agitação.

Ele colocou um dedo delicadamente sobre os lábios dela. "Você aceitou o meu pedido. Precisa de um anel para torná-lo oficial".

Ela estremeceu à delicadeza daquele toque. "Mas, Sirius..."

"Calma, Lil. Uma hora, todos vão ter que saber. Mas não se preocupe. Como eu disse, o nome Black a protegerá de qualquer fofoca. Eu posso ser uma desgraça para a família, mas ainda sou um Black, e como minha futura esposa, ninguém quererá cair em desgraça conosco".

Lilly ficou tocada por Sirius pensar em tudo. Fragilizada e sensível como estava, não demorou muito para a jovem sentir as lágrimas caindo por seu rosto. Sirius ficou alarmado com o pranto de sua nova noiva. "Ei, Lil, qual o problema? Não chore..."

"Ai, Sirius... Não sei o que fazer... Vou ter um filho, vou me casar com você... E eu sinto que isso é uma injustiça com o James, não tem nem três meses que ele morreu!"

"Calma, Lil. Você nunca foi de ligar para o que pensassem de você... Por que isso agora?"

Remus e Clara entraram na cozinha, e a jovem foi a primeira a notar o belo anel na mão de Sirius. "Oh, por Circe!" Ela murmurou, quase deixando o prato de sopa cair de suas mãos.

"Clara!" Remus virou-se para ela, assustado. Lilly se ergueu de um pulo, com uma expressão culpada em seu rosto jovem e pálido. Sirius fechou a mão em um reflexo, escondendo o anel em sua palma. "O que houve?" O lobisomem perguntou.

Clara olhava para Lilly e Sirius como se estivesse vendo um fantasma. Mas havia um brilho emocionado em seus olhos, que deixou Sirius tocado. "O Sirius pediu a Lil em casamento", ela disse baixinho, os olhos brilhantes de lágrimas.

Sirius sentiu as bochechas esquentarem. Não era assim que imaginara pedir Lil em casamento. Queria fazê-lo com calma, dando tempo para que ela pensasse em seu pedido e dissesse-lhe sim certa do que queria.

Remus sorriu um pouco. "Uma bela atitude, Sirius", ele disse. "Sei que ele dará o seu melhor para fazê-la feliz, Lilly".

"É, eu sei", a jovem grávida falou, mas parecia desanimada.


A bomba não demorou a estourar. No dia seguinte, havia um pequeno anúncio na coluna de noivados e casamentos de O Profeta Diário.

A família Black está em festa. O filho mais velho de Arthur e Elizabeth Black vai trocar alianças com a doce e sensata Lilly Marie Potter. A jovem futura sra. Black está esperando o primeiro bebê do casal, para meados de agosto.

Logo nas primeiras horas, uma horda de corujas invadiu o pequeno apartamento onde Lilly estava morando. A maioria delas continha cartas de seus antigos colegas de Hogwarts, uns especulando o motivo de ela e Sirius casarem-se tão logo depois da morte de James, outros gritando com ela por ela não respeitar a memória de James.

Havia também pedidos de entrevistas para o feliz casal. Ao fim da tarde, Lilly ainda estava até o pescoço em cartas. A noiva fez uma careta quando leu a carta pomposa, escorregadia e maliciosa de Anne Skeeter, e jogou-a no fogo.

Sirius entrou no apartamento, e ela pareceu aliviada ao vê-lo. "Oi", ela o cumprimentou com um sorriso cansado. Ele sorriu para ela, e ela soube que aquele era o primeiro sorriso que ele dava no dia. "Tudo bem?"

"Recebi um berrador de Elle Potter", ele disse, abaixando-se ao lado dela. Ela fez uma careta, mas estava pálida.

"Oh, Merlin!" A moça murmurou, pálida. "E o que ela disse?"

"O de sempre. Que eu era uma vergonha para minha família, que devia tomar vergonha de me casar com uma mulher que foi casada com o meu melhor amigo", ele disse, e a beijou brevemente no rosto. "Quanto ao bebê... Ela disse que dá graças a Merlin que não é neto dela".

Os olhos de Lilly se encheram de lágrimas. "Oh, Deus!" A garota atirou-se nos braços dele. "O que vou fazer se o bebê nascer e ser a cara do James?"

"Podemos dizer que ele puxou a um parente meu".

"É, pode ser. Ai, Sirius, em que confusão eu te meti!"

"Não", ele disse, com uma gentileza firme. "Eu te pedi em casamento e, quando o fiz, sabia muito bem no que estava me metendo. Não tenho medo de nada, Lil, e vou proteger você e o bebê, custe o que custar".

Lilly sorriu, e os dois compartilharam um doce abraço.

Estavam assim - Sirius meio sem fôlego por ter o delicado corpo de Lilly entre seus braços, Lilly sentindo-se grata e apoiada por seu melhor amigo - quando a porta se abriu com um estrondo.


Uma mulher alta, de longos cabelos negros e tempestuosos olhos castanhos da cor do chocolate invadiu a pequena sala, as íris brilhando em fúria quando seus olhos caíram sobre o casal abraçado no meio do assoalho.

"EU SABIA!" Eve Caroline O'Malley gritou, trêmula de ódio. "EU SABIA!"

Lilly largou de Sirius como se ele estivesse ardendo em chamas. O rapaz ergueu-se de um pulo e retirou Eve dali.

"ME LARGA!" Ela gritou, histérica. "SEU FILHO DA MÃE MALDITO! SEU GRANDE MENTIROSO!"

"EVE, CALE A DROGA DA BOCA!" Sirius gritou, perdendo por completo o controle e largando Eve no meio do corredor. "Você não sabe de nada! NADA! Não sabe porque pedi Lils em casamento ou por que ela aceitou!"

"Eu sei de UMA coisa. Eu sei que você sempre a amou! E ela, Sirius, ela não te quis nunca! Acha que esse casamento vai ser bem-sucedido?" A jovem bruxa passou os braços ao redor do pescoço dele, tentando seduzi-lo. "E eu... eu te amo, Sirius. Sempre te amei!"

Sirius sentiu uma pena incrível daquela linda e encantadora moça que fora sua namorada por anos. "Eve, eu lamento..."

A moça sentiu uma tristeza imensa. "Não adianta, não é?" Ela disse baixinho. "Você nunca vai me amar do jeito que a ama. Nunca amou".

"Eve, eu juro que tentei. Tentei com todas as forças não amar a Lil... Mas não consegui. Esse amor é maior que eu, maior que tudo no mundo..."

Eve sentiu os olhos ficarem marejados de lágrimas. "E quanto a mim? Eu amo você, Sirius! Eu amo você. É tão difícil entender?"

Sirius tomou Eve nos braços. "Eu queria tanto poder retribuir esse amor, Eve. Mas não posso. Sinto muito... Mas não posso. Não vou poder... Nunca".

Eve o abraçou, escondendo o rosto no pescoço dele. As lágrimas dela caíam por suas faces e escorriam pela pele firme de Sirius, que acarinhava seus cabelos. Ele se afastou depois de alguns minutos.

"Se algum dia... Esse casamento não der certo... Pode me procurar, Sirius", ela disse, séria. "Eu vou estar te esperando".

Quando Sirius entrou, parecendo tranqüilo e pacificado, Lilly ergueu uma sobrancelha. "O que aconteceu?" Ela perguntou. "Conseguiu acalmar a fera?"

"Consegui", Sirius disse, sentando-se ao lado dela. Ele a abraçou, hesitante, mas, fragilizada, a moça aceitou o carinho sem reservas. Sirius sentiu o coração disparar à proximidade dela. Uma coruja entrou pela janela e jogou um envelope no colo da jovem.

"De quem é?" Sirius perguntou.

A moça apanhou o envelope e o abriu. Leu o pergaminho, e sorriu. "Da Andie e do Ted Tonks. Eles querem nos receber para jantar, hoje à noite".

Sirius sorriu. Mas franziu o rosto. "Você está se sentindo bem o bastante para sairmos e irmos jantar com eles?"

Lil sorriu. "Estou. Eles nos esperam às oito".

"Okay".

C O N T I N U A