Capítulo 3 - Insanidade:
"Eu estou tão cansado de brigas, eu odeio elas.
Vamos, me deixe abraçar você, tocar você, sentir você, sempre!
Beijar você, provar você, a noite inteira, sempre!"
(Always - Blink 182)
Severus Snape:
Estou exausto. Completamente exausto. Acabo de falar com Dumbledore sobre tudo o que aconteceu hoje. Acertamos que amanhã, quando acordar, Potter será transferido para a ala hospitalar. Ao contrário do que eu pensava, de que Dumbledore sairia da lareira num rompante, prestes a me matar, em defesa do seu menino de ouro, ele ouviu tudo com calma, e disse que confiava em meus cuidados. Aquele velho cabeça dura disse que era melhor deixarmos Potter continuar dormindo aqui o resto da madrugada, para então o relocarmos na ala hospitalar amanhã de manhã. Afirmou que não havia necessidade de incomodar Madame Promfrey em plena madrugada, se o menino estava estabilizado. Ou ele não entendeu a gravidade de tudo o que aconteceu com Potter, ou ele confia muito em mim. Acho que, inacreditavelmente, é a segunda opção.
Na verdade, Dumbledore parecia mais preocupado comigo do que com o fato de que Potter quase morreu. Percebi que durante nossa conversa via Flú, enquanto eu contava tudo o que havia acontecido, ele me olhava com pena. Ao se despedir, ainda me fez prometer que eu descansaria um pouco. E foi apenas quando Dumbledore se foi, mandando que eu repousasse, que eu percebi o quanto eu estou esgotado.
Me largo na poltrona ao lado da minha cama, e olho para Potter dormindo. Quero levantar e me servir de um copo de whisky, mas não tenho forças para nada. As cenas de tudo o que aconteceu esta noite invadem a minha mente.
Quando finalmente cheguei às masmorras, com Potter inerte em meus braços, corri como um furacão até os meus aposentos. Depositei o menino em minha cama, e corri para a minha estante de poções. No desespero de achar as poções das quais precisava, derrubei quase todo o meu estoque. Não sei como não explodi toda a masmorra. Vários vidros se quebraram no chão, e eu cortei uma das minhas mãos, empurrando frascos e cacos de vidros, tentando achar o que eu procurava. Sempre me orgulhei do meu equilíbrio emocional e da minha organização. Que ironia agonizante. Mal consegui me reconhecer naqueles instantes. Quando achei as poções certas, voltei para a minha cama correndo, com três frascos coloridos em mãos. Ele continuava pálido como a morte, sua respiração quase inexistente.
Sem pensar direito no que eu estava fazendo, tirei as vestes do menino. Ele estava hipotérmico, e precisava ser aquecido. Potter ficou nu na minha frente. No entanto, esta imagem, que tantas vezes fantasiei em minha mente, não causou nenhum efeito em mim. Meu desespero era grande demais, para que eu conseguisse apreciar qualquer sentido malicioso da situação. Com um feitiço, sequei seu corpo, e esquentei magicamente os meus edredons, tornando-os térmicos. Depois, o envolvi nestes lençóis quentes. Isto ajudaria a reverter o seu quadro. Ele continuava respirando com dificuldade.
Me aproximei do rosto do menino, com o primeiro frasco de poção em mãos, e inclinei sua cabeça para que ele a bebesse. Uma poção azulada, que faria com que ele expelisse qualquer resquício de água que estivesse em seus pulmões. Era uma poção para casos de afogamento. A pessoa que a toma, fica com o efeito colateral de uma vontade incontrolável de fazer xixi, pois é assim que a água é expelida do corpo. Mesmo dormindo, consigo fazer Potter beber o suficiente.
Depois da poção Antis Submersis, peguei uma poção lilás, e fiz o garoto beber alguns goles. Esta poção, conhecida como a poção Vitalis Signa Restituens, é capaz de restaurar os sinais vitais dos doentes mais moribundos, pessoas em estados graves, a beira da morte. Quase que instantaneamente, a cor do rosto de Potter voltou, e seus lábios, antes roxos, voltaram a ficar rosados.
Com um certo alívio no peito, peguei o terceiro frasco, de líquido vermelho escarlate. Essa poção, Reset Sanguine, é revitalizadora, e ajudaria a repor o sangue que ele perdeu, por causa da pancada na pedra. Seu efeito é igual ao que os trouxas chamam de transfusão de sangue. Tentei fazer o menino se sentar para tomá-la. Essa poção tem um gosto terrível, e temi que ele vomitasse. O garoto começou a tomar a poção, e, como previ, mesmo que ainda inconsciente, ele quase vomitou o líquido. Realmente, o gosto dela é nauseante.
O deitei novamente. Vi que alguns lugares do seu corpo tinham algumas escoriações. Fiz um feitiço cicatrizante que sumiu com os arranhões e com as manchas roxas, em sua pele sensível e pálida. Parei para observá-lo. Fisicamente, ele parecia bem. Ainda tentei acordar o menino, sacudindo seus ombros delicadamente, mas ele gemeu e se abraçou. Eu queria que ele acordasse para ouvir de sua boca que ele estava se sentindo bem. Só assim o meu coração iria se acalmar. Mas refleti que o garoto precisava descansar, e o deixei dormir. Observei que ele continuava se abraçando. Ele estava com frio.
Foi aí, depois de passado todo o meu desespero inicial, que percebi que o menino, mesmo coberto pelos lençóis, ainda estava nu. Na minha pressa de tirar suas roupas molhadas, e aquecê-lo nos cobertores, esqueci de conjurar novas roupas para ele. Com um feitiço, vesti o garoto com pijamas também aquecidos. Depois, fui até a lareira do quarto, e a acendi. O garoto precisava se manter quente. Voltei para a cama e conjurei um cobertor mais grosso. Cobri Potter até o pescoço, sentindo-o suspirar confortavelmente. Ele não queria acordar, mas respirei aliviado, sabendo que ele estava bem. Um pouco mais tarde ele acordará, provavelmente pela vontade incontrolável de fazer xixi, devido a poção anti afogamento que eu lhe dei.
Após ver que Potter estava a salvo, procurei Dumbledore via Flú, e contei tudo o que aconteceu durante a noite.
Agora estou aqui, sentado em minha poltrona, observando-o dormir. Me sinto exausto, física e psiquicamente. Deslizo pela poltrona, enquanto fito o menino. Estou acabado, mas não tenho sono. A adrenalina da noite ainda corre em meu sangue. Até poderia dormir, mas não posso. Não conseguirei dormir, enquanto não vê-lo acordado.
Depois de todo esse susto, enquanto observo o menino dormir inocentemente, percebo o quanto é errado que ele esteja aqui em meu quarto, dormindo em minha cama, ao invés de estar na ala hospitalar. Maldito Dumbledore! No desespero de salvar o menino, com medo de que Papoula não tivesse todas as poções necessárias, não pensei um segundo, e o levei para o lugar que achava ser o melhor para salvá-lo. Mas, agora, com Harry dormindo tão serenamente em minha cama, como se não estivesse doente, como se apenas tivesse passado a noite comigo, vejo como tudo isso é bastante impróprio. Talvez não o fosse com qualquer outro aluno, mas, ter Potter em minha cama, sendo apaixonado por ele do jeito que eu sou, me parece errado de qualquer forma, sob qualquer circunstância. A simples presença dele, tão entregue e vulnerável, dormindo em meus lençóis, me tira qualquer pensamento coerente. Antes de amanhecer, eu estarei louco.
Tento afastar estes pensamentos infames, e passo a mão pelos cabelos, nervoso. A adrenalina ainda não deixou meu corpo por inteiro. Estive muito perto de perdê-lo. E tudo seria minha culpa. Que coisa imatura e desarrazoada. Rebater um feitiço dele, sem perceber que o menino, de tanto andar para trás, já estava na margem do lado negro. Céus. Ele poderia ter morrido. Este pensamento não para de assolar a minha mente, e me assusta. Céus, como me assusta. Uma angústia tão grande toma conta de mim. Esse sentimento que tomou meu coração desde que ele caiu naquele lago. Agi de forma mecânica para salvá-lo, mas, só agora, com ele descansando, eu me dou o direito de ser humano. Sim, Severus Snape é humano. Foi depois de Harry Potter que eu passei a ter o direito de ostentar este título.
Olho novamente para a cama. Ele respira suavemente. Potter precisará ficar em observação na ala hospitalar. Sua recuperação completa demandará alguns dias. Mas ele ficará bem. Sinto um forte sentimento de alívio.
Começo a sentir sono, meus olhos estão pesados, mas não posso me dar ao luxo de dormir. Preciso velar seu sono até que ele acorde. Não posso dormir, pois o menino ainda está em situação de risco e atenção.
Olho novamente para ele. Constato que mesmo que ele estivesse bem, eu não dormiria. Velar o sono dele é um presente, uma visão divina. Eu poderia passar o resto da minha vida assim, vendo-o dormir. Dentro de mim surge uma vontade insana de me deitar ao seu lado, junto a ele, na cama. Tento afastar esta idéia absurda, ao mesmo tempo que começo a pensar em como seria essa sensação. A sensação de dormir abraçado com Harry Potter, e acordar ao seu lado.
Harry Potter:
Acordo, mas não consigo me mover imediatamente. Meu corpo está dormente, e minha cabeça dói demais. Preciso fazer xixi.
Não sei aonde estou. Não estou mais no lago negro, aqui é fofinho, é confortável, é quente. O cheiro é maravilhoso. Tem o cheiro dele. Abro os olhos devagar, e me deparo com lençóis negros. São tão sedosos. Não estou na Grifinória. Estou em um quarto escuro. A única iluminação vem de uma lareira no fundo do local. Preciso muito fazer xixi.
No impulso, tento me sentar na cama. Não consigo. Parece que meus músculos estão moles, e não obedecem ao meu comando. Sinto uma nova pontada no baixo ventre. Eu realmente preciso fazer xixi.
Olho ao meu redor: as paredes são escuras, de pedras. Vejo um móvel bonito, de madeira antiga, que parece ser um guarda-roupa. Um pouco mais a frente, vejo uma porta, que presumo ser o banheiro. Tento me mexer novamente, preciso chegar até lá. Já estou desesperado. Não estou aguentando, vou urinar. Faço uma força surreal para me sentar, mas não adianta, não tenho forças para levantar, e o pior acontece. Faço xixi na cama.
Não consigo entender o que acabou de acontecer, nunca senti uma vontade tão descontrolada de ir ao banheiro. Pelo menos desde que eu era... Tento afastar as lembranças da minha memória. Fecho os olhos e suspiro alto, tentando afastar as lembranças de quando eu era criança. Das surras que eu sempre levava quando fazia xixi no meu colchão velho. Abro os olhos novamente, e olho para a cama: ela está completamente molhada. Eu nunca urinei tanto de uma vez só em toda a minha vida. Não consigo entender, nem acreditar no que eu fiz. Chega a ser ridículo. É tão infantil, que qualquer pessoa iria rir disso. Obviamente, eu não consigo rir.
Estou tão confuso por não ter conseguido segurar a minha bexiga, que demoro a perceber a respiração de outra pessoa no quarto. É quando percebo que existe outra pessoa ali, que olho para o outro lado do aposento, e paraliso. Snape está sentado em uma poltrona perto de mim. Ele parece cochilar desconfortavelmente. Aperto meus olhos para enxergar melhor, pois estou sem meus óculos. Ele parece tão cansado, sua respiração é pesada, e ele não parece dormir um sono tranquilo.
Após observá-lo por alguns segundos, meu horror só aumenta. Onde quer que eu esteja, Snape está ao meu lado, e saberá que eu sujei a cama. Ele vai me matar. Se esse for... O quarto dele? Não consigo imaginar uma humilhação maior que esta. Eu tento me mexer novamente, e consigo me sentar. Preciso achar a minha varinha e limpar a cama. Tento me levantar, mas sinto uma vertigem. Solto uma exclamação de raiva. Consigo me sentar novamente, e no meio da minha aflição, percebo que não escuto mais a respiração pesada de Snape. Quando olho em sua direção, me vejo querendo sumir daquele quarto, querendo que o chão se abra, para que eu desapareça por ele. De pé, ao lado da cama, o meu professor de poções me encara intrigado.
Severus Snape:
Devo ter cochilado alguns minutos. Fiquei algum tempo observando-o dormir, decorando cada detalhe do seu rosto inocente. Em algum momento devo ter adormecido. Algum mínimo barulho, no entanto, me acorda minutos depois. Meu sono sempre foi muito leve, coisa de espião. Olho angustiado para a cama, temendo que ele não esteja bem, e me deparo com o garoto tentando se levantar. Ele parece aflito. Levanto-me depressa, e vou para perto dele.
- Potter! Como você está? Está se sentindo mal? - Minha voz sai um pouco desesperada, e eu me amaldiçoou por isto.
Ele me olha angustiado, e não fala nada. Chego mais perto dele, e Potter solta um gemido de pura aflição.
- Você está sentindo dor? - Estou a centímetros dele. Apesar do quarto está um pouco escuro, vejo que ele continua me olhando angustiado.
- POTTER! - Minha voz sai mais bruta do que eu gostaria, mas de que outra forma eu poderia falar? Estou preocupado com o menino, e ele não me fala nada!
Ao ouvir a minha voz, noto que ele se encolhe. O garoto está com medo de alguma coisa. Com um feitiço, ilumino o quarto. No mesmo instante, Potter puxa os lençóis para si, e se encolhe mais. Então eu vejo o motivo de sua angústia, o que ele quer esconder. Os lençóis estão molhados, o garoto fez xixi na cama. Fico aliviado ao constatar isto. A poção Antis Submergis está fazendo efeito. Ele não terá nenhuma complicação pulmonar devido à água que engoliu. Pela quantidade de molhado nos lençóis, tudo está sendo expelido.
Mais aliviado, observo Potter. Ele parece bem, está bastante corado, provavelmente com vergonha, e continua encolhido. Tento ser paciente, e respiro fundo antes de falar pausadamente:
- Potter, como você está se sentindo? - Resolvo não tocar no assunto do xixi enquanto ele não me responder.
Falar com um pouco mais de maciez parece surtir algum efeito, pois o menino, apesar de ainda aflito, me responde:
- Eu... Estou bem. O que... O que estou fazendo aqui? Onde estou? Eu... - Ele para de falar com certa timidez.
Sua voz não passa de um fiapo do seu tom sempre tão firme e desafiador. Mal o reconheço. Onde foi parar aquele jeito impertinente do garoto? Isso tudo não pode ser por causa de um xixi. Ele deve estar confuso. É natural, devido à pancada na cabeça.
- Potter, você se lembra do que aconteceu? - Meu tom de voz continua paciente.
O menino me olha confuso, antes de balançar a cabeça negativamente, e falar:
- Eu... Eu fui ao lago... - De repente seu olhar se torna repleto de dor, e ele abaixa a cabeça, evitando me olhar.
Me preocupo com ele. Não só pelos seus danos físicos da noite de hoje. Algo está angustiando demais o menino. Ao lembrar de que estava no lago, o olhar dele se transforma em pura dor. Provavelmente ele deve ter brigado com a Weasley. Mas eu sou muito orgulhoso para perguntar. Este assunto me fere mais do que deveria. Ficamos em silêncio por alguns instantes, até que noto que ele está se esforçando para se mexer. Ele está incomodado.
Claro que está incomodado, ele está sentado em uma cama com lençóis molhados, sentindo o desconforto de estar sujo. Antes de limpá-lo, no entanto, resolvo contar o que aconteceu, explicar o porque dele estar aqui no meu quarto, e o porquê dele não ter aguentado se segurar para ir ao banheiro.
- Potter... Você deve estar confuso. Vou resumir o que houve. Você sofreu um acidente no lago. Eu o causei. Você me atacou no lago, tentou me azarar com um Expelliarmus. Eu não deveria ter contra atacado o feitiço. Fui imprudente. Com a força do contra ataque, você voou para longe, e caiu no lago. Bateu a cabeça em alguma rocha dentro da água, e desmaiou. Foi grave o que aconteceu. Você engoliu muita água, se afogou, esteve perto de ter uma parada cardíaca, e morrer. Quando lhe resgatei no fundo do lago, você estava hipotérmico, e tinha perdido muito sangue. - O garoto me olha perdido, como se tentasse lembrar de algo, mas estivesse falhando miseravelmente.
- Provavelmente você não se lembra de nada, e deve estar sentindo uma forte dor de cabeça, por causa da pancada. Você teve que tomar algumas poções também. Entre essas poções, tive que lhe dar uma poção anti afogamento. Ela retira qualquer água que ainda esteja nos pulmões da vítima. Contudo, o jeito de expulsar o líquido engolido é através da urina. As pessoas que tomam essa poção ficam com uma vontade incontrolável de urinar. -
Ele me olha corado. De repente, seu rosto atinge uma cor tão vermelha, que eu chego a me surpreender, já que ele estava tão pálido antes. Ele fica adorável assim. Potter desvia o olhar e abaixa a cabeça, antes de falar:
- Eu... Professor... Eu... - Ele para, respira fundo como se estivesse tomando coragem para dizer algo, e solta de uma vez só:
- Eufizxixiemsuacama. - Sua voz é tão baixa, e ele fala tão rápido, que mesmo me esforçando, eu não consigo entender o que ele disse.
- Potter? - Ele suspira insatisfeito, enquanto olha para as mãos.
- Eu... Quando eu acordei... Não foi culpa minha... - Ele se lamenta de uma forma tão apreensiva, que tenho vontade de pegá-lo em meus braços e niná-lo. No entanto, Potter continua:
- Eu... Tentei me mexer... Tentei me levantar. Mas não consegui... Não aguentei... Eu queria ter ido até o banheiro, mas não consegui ter forças. Eu fiz... Me desculpe... Eu sujei sua cama. Me desculpe. - Todas essas palavras vêm num fio de voz desolado e cheio de medo. Ele parece uma criança assustada. Não sei qual é o problema dele em relação a fazer xixi na cama, mas ele realmente está com medo de mim. Não preciso usar Legitimência para constatar isto. Posso sentir seu medo pela voz, e por sua linguagem corporal.
De repente, entendo tudo. O que aqueles malditos tios trouxas fizeram com Potter quando ele era criança, para ele estar tão assustado por ter feito xixi? Ao observar o garoto encolhido, meu sangue ferve, e sinto todos os meus instintos assassinos aflorarem. Com certeza, o garoto sofreu alguma violência grande, para ficar com tanto medo da minha reação. Potter é sempre corajoso, é sempre destemido. Se ele está agindo como um animalzinho encurralado e indefeso, encolhido na cama, é porque aqueles miseráveis trouxas o traumatizaram de alguma forma, quando ele era criança. Aperto minha mão com tanta força, que sinto minhas unhas rasgarem a minha pele. O ódio me domina por completo. Respiro fundo algumas vezes, tentando me acalmar, e, então, faço um feitiço silencioso que limpa Potter e os lençóis.
Imediatamente, ele levanta a cabeça e me olha perplexo.
- Potter, como eu disse, a poção que lhe dei tem efeitos colaterais. É mais do que esperado que você elimine, através da urina, a água que engoliu enquanto se afogava. Aliás, é lenitivo que isto esteja acontecendo, pois nos mostra que você se recuperará completamente, e não terá sequelas pulmonares. - O garoto me olha desorientado, como se eu estivesse usando trajes grifinórios.
Nem eu sei o que está acontecendo comigo. Existe um ditado trouxa que diz que "o ser humano só valoriza algo, quando o perde". Acho que existe alguma consistência neste pensamento, pois desde que ele quase morreu em minhas mãos, algo se transformou dentro de mim. Uma necessidade pungente de cuidar dele, de amá-lo, de protegê-lo de qualquer mal, assola meu peito. Acho que não conseguirei mais agir com indiferença com ele. Céus, no que eu estou me transformando?
- Eu pensei que... Eu sujei sua cama... Pensei que o Senhor... - Ele balbucia nervoso, mas não estou mais prestando atenção no que ele diz. Ele me chamou de Senhor? Sem nenhuma ironia? Céus, aqui na minha frente está apenas uma figura fraca do verdadeiro Potter. Do Potter pelo qual eu me apaixonei. O menino tem uma postura tão resignada e medrosa, que eu me sinto incomodado perto dele. Eu não gosto desta versão submissa de Potter, e falo isso a ele:
- Pensou o quê, Potter? Que eu lhe atingiria com alguma maldição, ou lhe daria uma detenção, só porque fez xixi na minha cama? Você não teve culpa de nada, e mesmo que assim o fosse, não quero que aja como se fosse um subalterno meu. - Ele me olha incerto, mas depois balança a cabeça em concordância.
- Agora que está limpo e confortável, creio eu, espero que eu tenha respondido suas perguntas. Você está no meu quarto, nos meus aposentos pessoais, nas masmorras. Seu ferimento era tão grave, que não pude arriscar levá-lo até a enfermaria, pois lá poderia faltar alguma poção, que no momento era essencial para que você sobrevivesse. Certamente, é inadequado que você esteja aqui, mas já mandei um aviso para o professor Dumbledore. Como você se encontrava estável, o diretor achou melhor que você fosse transferido para a ala hospitalar apenas ao amanhecer.
O menino ainda me olha com um certo espanto. Percebo que ele tenta ensaiar algumas vezes algo para falar, mas permanece calado. Após alguns instantes, parecendo procurar as palavras certas, Potter finalmente fala:
- O senhor... O senhor me salvou. - Sua voz parece incrédula. É mais uma afirmação do que uma pergunta.
Eu não respondo nada.
Após mais alguns instantes de silêncio, o menino pergunta:
- Eu... Eu serei expulso, não é? - Sua voz parece calma, mas ele respira com dificuldade, e seus olhos permanecem angustiados.
- Expulso? - Me surpreendo com a sua pergunta.
- Sim. Eu o ataquei. Atacar um professor é motivo para expulsão. Nem Dumbledore pode mudar este fato. Claro que isso não precisará nem ser discutido - Ele suspira cansado. Sua voz é de pura resignação.
Seja o que for que está acontecendo com ele, o está fazendo desistir de tudo. Ele nem mesmo se importa com algo importante como a sua expulsão, e no que isto pode acarretar em seu futuro. Ele parece conformado com qualquer destino que for colocado para ele.
Sem conseguir impedir meus impulsos de cuidar dele, eu o respondo:
- Não, Potter. Você não será expulso. Não esta noite. E não pelo que aconteceu hoje. - O menino me olha angustiado, antes de dizer:
- Professor, creio que nem mesmo Dumbledore pode mudar os regulamentos da escola. Eu não tive um motivo lógico para atacá-lo, você não estava ameaçando a minha vida para que eu o fizesse. Com certeza, Dumbledore não poderá me ajudar, o que para você será um grande motivo de felicidade. - A última frase dele vem repleta de tristeza.
- Dumbledore não precisará mudar nenhum regulamento, Potter. Simplesmente porque, para que ele tome alguma atitude sobre o que aconteceu hoje, ele precisará de uma denúncia formal da minha parte, e eu não pretendo em nenhum momento fazê-la. - O menino me olha incrédulo.
- Eu não entendo... Você não vai pedir a minha expulsão? Mas você espera isso há sete anos! Finalmente você poderá se ver livre do aluno que mais odeia. Por que quer que eu continue na escola? Para me torturar diariamente? Eu não entendo! Seu prazer em me torturar, dia após dia, é maior do que o prazer que teria de me ver humilhado e expulso de Hogwarts, por suas mãos? - Ele fala tudo com mágoa.
Eu não o odeio, garoto. E quero falar isto para ele. Não falarei dos meus sentimentos, eu nunca poderia falar a ele o que sinto. Mas preciso que ele saiba que eu não o odeio. Quase perdê-lo hoje me fez acordar para certas coisas. Eu não quero mais fingir que o odeio, não quero que ele se sinta odiado e humilhado por mim a todo instante. Quase o perdi, e ele iria embora deste mundo achando que eu o odiava.
- Potter, eu não tenho pretensão nenhuma em vê-lo longe de Hogwarts, não anseio por sua expulsão, e não o odeio. - Olho ansioso para o menino, a fim de ver sua reação ao que eu acabei de dizer. Ele me olha intrigado.
Aproveito a vulnerabilidade dele para fazer uma pergunta. Não aguento mais a curiosidade. Por trás de todos os fatos desta noite, existe algo de muito sério acontecendo com Potter. Algo que o fez ir ali naquele lago à noite, chorando, desagasalhado, e em pleno inverno. De repente, a pergunta já saiu:
- Potter, o que o levou para o lago esta noite? O que lhe aconteceu, que te deixou tão amargurado? - De repente, o olhar do menino se transforma completamente em sofrimento novamente, parece que eu estou vendo o mesmo olhar de horas atrás, quando o encontrei no lago negro. Ele abaixa a cabeça. Acho que quer chorar, mas está fazendo um grande esforço para não fazer isto na minha frente.
Não quero vê-lo assim. Existe tanta dor no olhar dele, que isto me desarma completamente. Normalmente, não sou de ter sentimentos de piedade, nem mesmo por Potter. Muito pelo contrário, sempre ajo com raiva e ódio com ele, de forma implacável, a fim de, justamente, produzir este tipo de olhar nele. Mas hoje não. Estou piegas, me sinto frágil, desnudo de qualquer máscara de indiferença que sempre usei com ele. Hoje apenas quero cuidá-lo, ampará-lo.
Quase perder Harry fez algo se modificar em minha alma. Minha máscara, tão enraizada e onipotente, se quebrou. Tirá-la, depois de tantos anos, é difícil. Sinto como se minha pele estivesse indo junto. E não sei o que sobrou em mim. Não sei mais quem eu sou, quem eu era antes das minhas máscaras, quem eu poderia ter sido se não as tivesse usado, e quem sou eu agora que as abandonei. Algo renasceu dentro de mim. Algo que ainda não sei como controlar, mas que não me permite mais agir com desdém com o menino. Foi quando quase o perdi, que percebi o quanto fui tolo esse tempo todo. Não quero que ele me odeie mais. Ele pode nunca me amar, mas não quero mais causar nenhum sofrimento a Harry.
Eu o chamei de Harry? Eu me referi a ele, mesmo que em meus pensamentos, como Harry? Nunca tinha me permitido chamá-lo assim, nem nas minhas maiores fantasias.
O menino continua de cabeça abaixada, mas eu vejo lágrimas caírem em seu colo. Me aproximo, e sento ao seu lado, na cama. Então, eu chamo por ele.
- Potter?
Ele estremece quando o chamo, e escuto um soluço mal contido. É óbvio que ele está morrendo de vergonha por chorar na minha frente. Ele quer sumir daqui. Seu orgulho grifinório está torturando-o. Como ele está muito fraco para se levantar e sair correndo, ele apenas esconde o rosto, olhando para baixo. Estou tão perto dele, que consigo ver um rio de lágrimas em sua face, que está vermelha, de tanto tentar conter seus soluços.
- Potter... O que... Olhe para mim! - Minha voz sai mais severa do que eu gostaria, mas vê-lo assim, tão destroçado, me deixa nervoso, e eu não sei o que fazer. Nunca consolei alguém. Nunca tive piedade, empatia, amabilidade, sensibilidade ou compaixão por qualquer pessoa.
Não consigo pensar em nada que faça ele parar de chorar, e seus soluços estão me deixando cada vez mais perturbado. Decido ser pragmático. Pego seu rosto, e faço com que ele olhe para mim. Encontro dor em seus olhos, muita dor. E sei muito bem o tipo de dor que é. Minha capacidade de ler a alma das pessoas, pelos anos como espião, me faz desvendar facilmente o tipo de problema de Potter. Ele é transparente para mim. O menino está sofrendo por amor.
Sinto uma sensação terrível no fundo da alma, chega a ser um incômodo físico. Como se algo muito gelado estivesse invadindo todo o meu ser. É um sentimento de perda. Um sentimento que reitera que ele nunca será meu, que ele ama outra pessoa, e que está sofrendo por ela. Porém, não consigo sentir raiva dele como das outras vezes. Quero ajudá-lo, quero que ele saia deste sofrimento. Mesmo que ele tenha que ficar com a Weasley, se ele estiver feliz, eu aceitarei.
Me choco com este pensamento, tão nobre, que chega a ser o de um verdadeiro lufano. Saio dos meus devaneios, e olho novamente para o menino, antes de falar:
- Potter... Talvez o que eu lhe diga não sirva de nada, mas, mesmo assim, preste atenção. O que quer que tenha acontecido entre você e Virgínia Weasley não é o fim do mundo. Se vocês brigaram, e isto está te deixando tão infeliz, corra atrás da menina. Se foi algo irreversível, bom, paciência! Você é muito jovem e...
O menino dá um sorriso amargo antes de me interromper:
- Sou muito jovem, e logo isto tudo passará. Afinal, só porque sou jovem, não posso amar alguém de verdade. Só porque sou uma criança, como você acha, meus sentimentos são volúveis, e não merecem ser levados a sério. - Ele me olha com um olhar ferino, antes de continuar:
- Desculpe, professor, mas seu conselho não faz o menor sentido para mim, apenas porque o Senhor não faz ideia do que acontece em meu coração.
Vê-lo falando de forma tão profunda sobre o seu amor pela Weasley me atinge em cheio. Me sinto nocauteado por suas palavras. Mesmo assim, não quero fazer nenhum tipo de mal a ele. Procuro uma paciência que eu nunca soube existir dentro de mim, e continuo:
- Potter... Eu não estou desmerecendo seus sentimentos. Apenas... Merlim, isso é uma paixão adolescente, não é o amor da sua vida. Você tem apenas 18 anos! E encontrará muitas garotas como a Weasley, ou melhores que ela, durante a sua vida. Amanhã mesmo, se quiser começar a procurar. Não há um ser humano em Hogwarts que não gostaria de estar no lugar desta garota, e ter o seu amor. Qualquer pessoa daqui gostaria de ser a eleita do "eleito". Além disso...
O garoto me interrompe. Percebo o seu olhar surpreso pelo o que eu falei.
- Não há um ser humano em Hogwarts que não me amaria? O que você quer dizer com isso, professor? - Os olhos de Potter estão brilhando. Conheço esse tom de ironia dele, mas decido ignorar.
- O que quero dizer, Potter, é que qualquer pessoa deste castelo ficaria honrada em ter o seu amor. Você não precisa se ater a alguém que não o quer, se...
- Qualquer pessoa, professor? Tem certeza do que diz? - Ele me interrompe. Seus olhos estão brilhando ainda mais, e, apesar de toda a minha experiência como espião, legitimente, e comensal, eu não consigo decifrá-los agora.
Me incomoda a falta de auto-estima dele. Será que ele não percebe o quão maravilhoso ele é?
- Sim, Potter. Eu tenho certeza. Você pode ter qualquer um desta escola. Qualquer pessoa daria tudo para estar no lugar da Weasley, então, se a menina não o quer, vire a pagina. - Ele me olha com um olhar desafiador, antes de aproximar seu rosto de mim.
- O Senhor está errado. - Ele continua muito perto de mim.
- Não. Não estou, Potter. Você se prende a única menina que aparentemente não quer estar com você, enquanto poderia ter quem quisesse! - Me surpreendo com meu tom de voz irritado.
- Qualquer um deste castelo, o Senhor disse. - Ele fala com uma falsa e fria tranquilidade.
- Sim.
- Inclusive o Senhor?
Harry Potter:
Olho nervoso para Snape. Me sinto corar. Assim que falo, me arrependo das palavras que proferi. Ele me olha chocado, acho que está com nojo do que eu falei. Reúno toda a minha coragem e falo:
- Está vendo, Senhor. O Senhor me disse que qualquer pessoa deste castelo gostaria de estar comigo. Contudo, o Senhor mora em Hogwarts, e não se encaixa nessas pessoas de que falou. Logo, o Senhor está errado.
Meu tom é de desafio, mas minha voz sai mais magoada do que eu gostaria. Tento abaixar minha cabeça, antes que ele diga algo que irá me deixar mais humilhado, no entanto, ele me segura pelo queixo. Seu olhar ferino me assusta. Snape se aproxima de mim, quase tocando o seu nariz no meu, e fala ao meu ouvido:
- Potter, eu nunca estou errado. - Então ele se aproxima mais, e cola os seus lábios nos meus. Ele me beija.
Sinto uma corrente elétrica nos envolver, e olho para ele, sem acreditar no que está acontecendo. Ele percebe minha falta de atitude, e abre os olhos, me encarando sério. Primeiro, noto alguma preocupação ali no seu olhar, talvez por eu não ter correspondido ao beijo. Fui pego de surpresa! E acho que ele percebe isto, pois seu olhar se transforma, e passa a ser de pura fome. Ele tem uma expressão de desejo tão intensa, que eu não consigo mais resistir. Fecho os olhos, e o beijo de volta.
Severus me puxa para ele, e imediatamente invade a minha boca de forma assustadoramente faminta, me descontrolando totalmente. Não consigo reagir. Não consigo acreditar que ele está me beijando. Céus. Eu estou beijando Severus Snape! O beijo dele tem um leve sabor mentolado. É perfeito. É delicioso. É muito melhor do que eu sempre imaginei que seria.
Ele invade minha boca de forma experiente, me provocando com a sua língua, fazendo movimentos eróticos, quase selvagens. Quando começo a reagir, invado-lhe a boca com minha língua, fazendo-o arfar, enquanto enrosco minhas mãos em seus cabelos.
Após a surpresa inicial, Snape para de me beijar, e olhando-me cheio de lúxuria, começa a mordiscar meu pescoço. Na verdade, ele devora meu pescoço com beijos, lambidas e mordidas. Suas mãos percorrem, ansiosas, as minhas costas. Eu... Eu nunca beijei alguém assim.
Depois de minutos de beijos deliciosos, ele começa a me deitar, e se coloca em cima de mim. Eu estou muito excitado, é impossível não perceber nossas ereções.
Enquanto morde meu pescoço, ele desliza suas mãos por dentro da minha camisa. Eu gemo com o contato, e ele geme de volta. Beijá-lo é o paraíso.
De repente, Snape me olha faminto, antes de voltar a me beijar, e desliza a mão sobre meu pênis, ainda por cima da calça do meu pijama. Eu paraliso meus movimentos. Ele está completamente excitado, sei disso porque tem algo muito grande e duro contra a minha perna.
Eu... Eu também estou duro. É tão bom o que estamos fazendo... Mas... A gente vai...?
A ideia me surpreende, e me assusta um pouco. Eu o amo. Mas... Céus, como me sinto nervoso. Eu... Eu nunca fiz isso, e...
Tento dizer para mim mesmo que não estamos indo rápido demais, que isso é normal quando se está com alguém. São assim os relacionamentos adultos, certo? Eu não quero que ele pense que sou uma criança.
Snape deve estar acostumado a ter relacionamentos maduros, onde, é obvio, existe sexo. De repente, como se eu tivesse levado um banho de água congelante, este pensamento me paralisa numa realidade amarga: Snape já tem um relacionamento. Com Heydrich.
Ele continua me beijando de forma voraz. Mas agora eu não sinto mais tesão. Na verdade, começo a me sentir um pouco sujo com isso. Não quero transar com ele, que deve estar me beijando apenas porque eu o desafiei, sabendo que ele tem um relacionamento com outra pessoa. Isso parece muito errado.
Não consigo mais permanecer de olhos fechados. Estou nervoso, inseguro, e magoado. Me sinto um idiota. O que Snape pensa que eu sou? Ele tem namorado! Tento afastá-lo de mim, e ele percebe que há algo de errado, pois para de me beijar e me olha atônito.
Severus Snape:
Perdi o controle de todas as minhas ações. Eu ensandeci. Devo ter comentado que hoje, após o episódio do lago, algo novo nascera em mim. Algo que não quer mais ficar longe de Harry, algo que não quer mais maltratá-lo, algo que me leva a perder qualquer raciocínio de sanidade.
Ao ver o olhar desafiador do garoto, me indagando que eu nunca iria querê-lo, algo me dominou. Uma fome, uma vontade de abraçá-lo, de tocá-lo, de sentí-lo, de tê-lo, de beijá-lo, de prová-lo, de fazê-lo meu. Beijei o menino de forma faminta, esquecendo todos os meus princípios éticos de respeito, de cavalheirismo, e de todas as objeções que sempre tive em relação a ter algum envolvimento com ele.
Beijo-o e ele se rende a mim. Em algum momento, quando estou mordiscando cada pedacinho do seu pescoço, ele geme, e eu perco qualquer resquício de sanidade. Fico tão duro que dói. O gemido dele é a coisa mais deliciosa que eu já ouvi na vida. Eu o quero agora, e ele parece querer o mesmo. Quanto toco seu pênis, percebo que ele também está excitado.
Devoro seu pescoço, prestes a tirar sua roupa, quando noto que o garoto para de me beijar. Contra toda a minha volúpia, eu me afasto, e olho para o seu rosto. Ele me olha com medo. Este olhar parece me derrubar no chão com um baque seco. Este olhar me traz de volta a realidade.
O QUE EU ESTOU FAZENDO? MERLIM! O QUE EU ESTAVA FAZENDO?
Me afasto de Potter, como se o simples toque dele pudesse me matar com uma descarga elétrica. O que eu estava fazendo? Eu beijei um aluno. Eu ataquei um aluno. Eu... Eu iria levá-lo para cama, eu iria fazer amor com ele!
Eu sou insano, eu sou doente. Como posso ter me descontrolado desta forma? Eu o olho novamente, me afastando dele como se ele tivesse a pior das doenças contagiosas. Me levanto da cama atordoado. Ele está nervoso e magoado. Acho que está com medo de mim.
Eu não sei o que fazer. Eu... Isso é hediondo, forçar uma criança a... CÉUS, estou com asco de mim. Já longe da cama, escuto a voz trêmula do garoto:
- Professor... eu... Me desc...
Professor. Esta palavra me atinge como um Cruciatus, e me mostra toda a minha imundície. Eu sou um monstro. O menino estava completamente vulnerável. Fisicamente ele está de cama, não consegue se defender, nem mesmo consegue se levantar, ele quase morreu há horas atrás. Emocionalmente, ele está com o coração partido. Que tipo de pervertido doente sou eu, que me aproveito de um momento desses, para atacá-lo?
- Potter... - Eu engulo seco antes de falar. - Eu...Me perdoe. Eu...Não sei o que deu em mim. - Passo a mão pelos cabelos nervosamente.
- Mas... - Tento me recompor, ajeitando minha roupa completamente amassada. - Peço perdão pelo meu comportamento completamente abusivo. Amanhã mesmo, quando você estiver se sentindo melhor, chamarei Dumbledore na sua frente, para contar o que eu fiz. Receberei todas as punições cabíveis, tanto pela escola, como pelo Ministério, quando você fizer uma denúncia formal.
O menino está prestes a chorar, cada palavra que eu falo o deixa mais desesperado. Isso me deixa atordoado.
- Eu... Não se preocupe, eu não vou me aproximar de você. Irei para o meu escritório, e não voltarei neste quarto antes que você seja removido para a ala hospitalar. Espero que confie no que digo, e consiga dormir um pouco, depois de toda esta violência. Se precisar de qualquer coisa, apenas faça um sinal com a sua varinha, que está em sua cabeceira, e eu mandarei alguém ver o que você precisa. - Me calo por um instante. O menino está com os olhos marejados. Não aguento mais vê-lo tão desolado.
- Eu sinto muito, Senhor Potter. Eu... - Não há mais o que falar. Eu sou um monstro. Sempre fui. E sempre serei.
Me viro de costas, saindo em passos apressados do quarto, deixando o menino sozinho.
Enquanto ando apressadamente, percebo uma nova insanidade tomar conta da minha mente. A sensação do nosso beijo começa a me assolar, mesmo que eu já esteja longe de Potter. Uma sensação que parece que irá me perseguir por onde quer que eu vá, a partir de hoje. Essa sensação que, agora, estará para sempre gravada em minha alma.
"Eu me tornei insano, com longos e terríveis intervalos de sanidade."
(Edgar Allan Poe)
N/A: Oi, pessoal! Adorei escrever este capítulo, e confesso que adoro a parte em que tenho que escolher a música e a citação do final. O que eu posso dizer? Esta fic não seria minha, se não tivesse Blink 182 na parada! Adolescência feelings! =DD
Enfim, se tiver alguém por aí, espero que goste do capítulo, e que me mande alguma review! =D
MALFEITO FEITO!
