A.N: A minha musa decidiu entrar de férias sem a minha permissão, por isso a demora!


Sasuke acordou em um susto, o seu próprio grito o surpreendendo.

A respiração ofegante e o corpo coberto em suor.

Ele tentou levantar com as pernas cambaleantes, caindo novamente na cama. Socou o colchão, irritado com a sua fraqueza.

Vez ou outra esse pesadelo voltava para atormentá-lo. Sempre a mesma coisa. Ele dentro do avião com seus pais, ele sabe que vão cair, mas ninguém parece escutá-lo. E então a queda vem, esmagadora. Não que ele saiba como realmente é estar em um acidente de avião, porém sua mente faz um ótimo trabalho em o convencer de que é tudo real. Os gritos dos seus pais ecoando em sua cabeça transformam-se em seus próprios, as lágrimas nos olhos de sua mãe viram suas e ele acorda assim, atordoado, sem saber o que é real e ficção.

O moreno tenta pensar em algo para distraí-lo, alguma boa memória, alguma coisa que o faça voltar a dormir. E é algo muito vago, mas algo muito precioso para si.

Risos infantis.

Ele não sabe muito bem o porquê da sua versão mais jovem estar tão feliz. Sasuke sabe que isso foi depois da morte dos pais, então é algo que não faz muito sentido. Ao pensar na situação em que se encontrava, não consegue entender como surgiu um sorriso que fosse em sua face. Mas é por causa dessa memória que ele voltou. Mesmo que não conseguisse lembrar como, Konoha o ajudou. Ele sabe que sim. O que exatamente o ajudou? Essa é uma boa pergunta.

Lentamente, o conforto da memória o embala em um novo sono. Dessa vez, sem aviões e sem gritos.


- Não. Não. Não. - Disse o moreno irritado, passando as mãos pelo cabelo. As sobrancelhas espremidas juntas já estava virando rotina e ele tinha quase certeza que havia uma ruga se formando. - Tem de ser mais rápido. Bem mais rápido.

Naruto bufou, tão irritado quanto. Nem uma só palavra de elogio. Tudo que o Uchiha sabia fazer era reclamar e reclamar e reclamar desde que começaram a trabalhar juntos. O loiro apertou ainda mais o ritmo, mas acabou se embaralhando com as notas. Sentiu um calafrio lhe correr a espinha quando os olhos do Uchiha caíram sobre ele novamente. Frias e severas, as duas bolas ébano o julgavam.

- Você tem certeza de que praticou o bastante? Já estamos gastando tempo de mais nessa peça. Como você espera fazer algum tipo de evolução se não se esforça?

A voz saiu gélida. E Naruto, já sem paciência, respondeu como já tinha se acostumado a responder o moreno: aos gritos. Era bem ridículo. Primeiramente o Uchiha não se deixava abater. Mantinha a postura e o mesmo tom de voz, jogando os seus comentários sarcásticos por cima do falatório quase sem sentido do loiro. Mas depois de um tempo ele não conseguia mais se segurar e acabavam os dois aos berros, proferindo todos os tipos de xingamentos que conheciam. Depois de um tempo, o loiro jogava mais um xingamento por cima do ombro e batia a porta, deixando um Uchiha irado para trás.

- Garoto insuportável.

Disse o moreno para si enquanto jogava as coisas dentro da pasta. Nessas duas semanas, não tinham terminado uma só aula no horário planejado. Era sempre encurtada por uma briga. E era só com o loiro que tinha problemas, mais ninguém. Bem, talvez ele fosse um pouco mais rígido com o Uzumaki. No entanto, não é como se ele não tratasse todos da mesma forma. Ele não passava a mão na cabeça de ninguém, era frio, distante e até um pouco rude em certos momentos. Naruto era o único que fazia escândalo toda vez. O problema, então, não era Sasuke, mas sim o loiro. Afinal, todos os outros estavam muito bem recebendo o mesmo tipo de tratamento.

Isso é o que ele pensa obviamente. As suas duas alunas já foram vistas no campus chorando depois de uma aula particularmente terrível. E, mesmo que não se comente muito sobre isso, o outro aluno dele também foi visto chorando algumas vezes. Ninguém, no entanto, parecia apto a reclamar.

Ninguém com exceção de Naruto.

- Babaca, maldito!

Disse o loiro para si enquanto batia os pés no chão com força, se dirigindo à diretoria. Passou pela secretária que fez objeção e, sem nem bater, o menino entrou na sala da Tsunade.

- Ai meu Deus. De novo?

Reclamou a mulher.

- Eu não vou mais ter aula com esse desgraçado!

Esbravejou o menino, batendo as mãos na mesa da loira.

- Primeiro: tire as mãos da minha mesa agora. - Ela encarou o loiro até que ele a obedecesse. Sorrindo brevemente, ela continuou a falar. - Segundo: Eu já te falei, várias vezes aliás, que isso só ocorrerá quando vocẽ arranjar alguém pra trocar com você.

Caindo na cadeira na frente da diretora ele grunhiu. Ele já tinha procurado, mas ninguém parecia apto a isso. Já estavam todos acostumados com seus respectivos professores e com a fama que o Uchiha tinha ganhado estava difícil achar até mesmo uma das taradas dele que aceitasse a cruz.

- Mas ninguém quer ter aula com ele!

- Eu não posso fazer nada por você, então!

Os dois se encararam por alguns instantes.

- Agora sai da minha sala, fazendo o favor, que eu tenho coisas a fazer, OK?

Fazendo bico, o menino cruzou os braços e se levantou.

- Tá, que saco...

Dizendo isso, fechou a porta, fazendo a mulher suspirar em alívio.

Reclamar sobre o moreno era basicamente tudo que Naruto fazia desde que as aulas começaram. Tsunade já estava ficando irritada. Mas ela não sabia realmente dizer se o loiro estava relatando os fatos exatamente como eram ou se estava exagerando. Se mais alunos falassem sobre a situação... Conhecendo o Uchiha era bem possível que todas essas atrocidades estivessem mesmo acontecendo. O que fazer, no entanto? Ela tinha de manter o moreno na Instituição de qualquer jeito. Afinal, muitos alunos estavam lá por ele. E a maioria deles não tinham aula com ele. Podiam apreciá-lo de longe sem experimentar do veneno de sua língua. Sacrifícios tinham de ser feitos para o bem do Instituto Konoha. Talvez Hatake podia falar com ele. Mas não ia fazer diferença, ia? Ou ia?

- No que eu fui me meter?


Sasuke se despediu do seu último aluno do dia. A garota saiu rapidamente, lhe dando um breve sorriso que não fora correspondido. Seus olhos a seguiram até ela desaparecer pelo vão da porta, sua figura sendo substituída por um homem de cabelos prateados. Hatake Kakashi.

- O que é agora?

O moreno perguntou seco.

- Você sabe.

- Não sei.

- Sabe sim.

- Não.

Hatake respirou profundamente, adentrando a sala, aproximando-se mais do seu ex-aluno.

- Sasuke, o que você espera que aconteça aqui?

Sasuke ergueu as sobrancelhas.

- Aqui aonde?

- Aqui, com você em Konoha.

- Bem, que minha inspiração volte.

O Uchiha respondeu com sinceridade.

- Mas como?

A resposta do moreno foi o silêncio e Kakashi sorriu-lhe condescendentemente.

- Sasuke, você tem de ser menos teimoso. Não é agindo do jeito que você está que as coisas vão melhorar. Não é maltratando seus alunos e aquele garoto em especial que as coisas vão mudar. Não é fazendo eles duvidaram de si mesmos que as suas dúvidas sobre você vão se silenciar.

Os dois se encararam em silêncio por alguns instantes.

- Eu não sei o que fazer.

Admitiu o moreno. O plano dele não fora bem pensado. Sasuke só sabia que tinha de voltar para Konoha e, na sua mente, como mágica tudo ficaria bem. Mas as coisas não estavam acontecendo bem assim, não é mesmo? Estava frustrado e estava descontando nos seus alunos. Mesmo que essa não fosse sua real profissão, ele tinha de agir como um profissional. Ele já havia tinha tido professores assim, que te jogam no chão, e sabia muito bem o que esse tipo de tratamento podia te trazer. O Uchiha ficou a encarar as próprias mãos, com raiva da própria fraqueza, com raiva da sua situação. Não estava fazendo isso conscientemente, maltratar os garotos, tirar sua confiança pouco a pouco, mas era isso que estava fazendo, não era? Sentia que Kakashi o conhecia bem demais, às vezes. A mão do amigo lhe tocou o ombro.

- As coisas vão se resolver. Você vai recuperar o que você precisa. Mas saiba que não é esse o caminho.

Sasuke deu uma risada seca.

- Eu queria saber o que fazer.

- Você vai descobrir.

Sorrindo-lhe novamente, Hatake se despediu do seu ex-aluno. Antes de sair pela porta ele parou, virando-se para o Uchiha mais uma vez.

- Sobre o que falei sobre alunos e professores, eu falei sério. Eu aprendi muito com um certo aluno meu. Uma peste, mas uma peste brilhante. Tente conhecer seus alunos melhor, professor Uchiha.

Com isso ele saiu, deixando Sasuke com seus próprios pensamentos.


Naruto estivera em um péssimo humor desde que as aulas começaram e hoje ele tinha decidido não aparecer. Não iria ter nem mais uma aula com o Uchiha. Não mesmo. Ele encontraria uma sala vazia e viraria auto-didata ou algo assim. A maioria estava ocupada, mas ele encontrou uma no final do segundo andar. Sentando à frente do piano pegou uma das peças de prática. Se fosse bem sincero era o que menos gostava. Obviamente melhorava sua técnica. Porém, o que ele gostava mesmo era de passar sentimento por uma música. Isso, para ele, era o mais importante no trabalho de um artista, o sentimento. Sem vontade de tocar o exercício, decidiu improvisar alguma coisa, só por diversão. Ele nem escutou os passos apressados vindo em sua direção, surpreendendo-se quando a porta foi escancarada.

- Que isso?

O loiro esbravejou, virando-se para encarar... Sasuke.

- Posso saber porque você está aqui e não na minha sala?

O moreno perguntou, visivelmente irritado.

- É que eu não aguento mais ter aula com você.

Respondeu o loiro, agressivo. O Uchiha bufou e se aproximou mais do Uzumaki, pegando-o pelo braço e arrastando-o para fora da sala.

- Ei! Você não pode fazer isso não! Ei! EI!

O loiro puxou o braço de volta, afastando-se do moreno. Sasuke não sabia exatamente por que tinha se comportado daquela forma. Ele nunca entendia. O garoto despertava nele o pior que ele tinha, a maior infantilidade e agressividade. Ele abriu a boca uma ou duas vezes pra falar alguma coisa. Desculpas? Ele? Pedir desculpas? Não. O Uzumaki apenas o encarou curioso.

- Olha, se quiser que eu vá tanto assim pra sua aula eu vou. Mas as coisas tem de mudar, cara!

Naruto disse impulsivamente.

- Eu não vou passar a mão na sua cabeça.

Sasuke disse em resposta, fazendo o loiro rolar os olhos.

- Não é isso que eu quero. Eu quero que você reconheça quando eu acerto, e reconheça que eu sou bom. Eu sei que sou e não vou deixar você tirar essa certeza de mim.

Sasuke encarou o chão por alguns instantes. Naruto não esperava que isso fosse surtir algum efeito, no entanto, surtiu.

- Tá certo, então. Desde que você me respeite como seu professor e aceite minhas críticas.

O Uzumaki sorriu para o Uchiha pela primeira vez, surpreendendo o moreno. Não que Sasuke nunca tivesse visto o garoto sorrir. Isso era o que mais fazia. Entretanto, o sorriso nunca era direcionado a ele. Sentiu uma estranha ponta de felicidade, mas ignorou-a.

- Tá certo. Combinado então.

Disse o loiro estendendo a mão para Sasuke, querendo selar o combinado com um aperto de mão. O Uchiha hesitou, mas acabou por estender a própria mão, pegando na do garoto e balançando uma ou duas vezes antes de largar a mão dele.

- É. Combinado.


A.N: Histórias de viagem- Passei um mês na Europa, foi ótimo. Tive até uma inspiração pra mais uma história de SasuNaru. Eurotrip, anyone? Enfim. Michel Teló faz tanto sucesso por lá que chega a ser ridículo. Na Itália vi um cara vestido de gladiador cantar e dançar essa bosta de música, queria ter gravado. Pela minha cara de desgosto ele imediatamente soube que era brasileira hahahaha.

Bem, espero que tenham gostado!