3. Pior
Zoey entrou no hall de entrada e olhou para o ecrã do telemóvel da mãe:
48 CHAMADAS PERDIDAS
4 MENSAGENS
Desligou o telefone e deu uma espreitadela à sala. A luz estava desligada e a televisão ligada. A mãe dormia na poltrona e do Ron não havia sinal.
– Graças a Deus – disse Zoey – Ele já se foi.
Foi até à cozinha. Encheu um copo com água e sentou-se pesadamente em cima de uma cadeira. Sabia que não era uma pessoa muito boa porque estava sempre envolvida em confusões. Era inteligente e até tinha boas notas, mas devia-se esforçar mais. Zoey lembrou-se de todas as vezes que os professores lhe tinham dito que estava a desperdiçar as suas capacidades. Agora pensava que tinham razão.
Zoey ficou a ler até adormecer. Sonhou que tinha sido expulsa da escola e acordou num sobressalto. A televisão da sala ainda estava ligada com o volume alto. James desligou-a.
– Mãe – chamou ela.
Zoey teve uma sensação estranha, a sua estava demasiado quieta. Tocou-lhe na mã, estava fria. Colocou a mão em frente ao rosto dela. Não estava a respirar. Não tinha pulso. Nada.
Zoey encontrava-se na parte de trás da ambulância. O cadáver da sua mãe estava a dois palmos de distância, tapado por um cobertor. Quando a ambulância chegou à morgue, Zoey viu a sua mãe a ser levada numa maca. Entendeu nesse momento quqe aquela seria a última memória que teria dela: uma forma enore debaixo de um cobertor, com luzes azuis intermitentes a iluminá-la. Aquele cenário foi demais para ela. Desceu da ambulância, agarrou-se ao poste e inclinou-se sobre e despejou violentamente a sua última refeição.
– Olá, sou a Drª May. Deves ser a Zoey.
Endireitou-se e tentou focar a vista.
– O que me vai acontecer?
– Vem cá uma assitente social falar contigo. Ela entrará em contacto com os teus parentes.
– Não tenho parentes. A minha avó morreu o ano passado e não sei quem é o meu pai.
