Jesseh-chan
Soffy

K-chan258

OBRIGADA O VOCêS TODAS.

quando escrevi o capitulo de máquina do tempo, reli esta história e fiquei com imensa vontade de continuar. Não desisti dela , porque ainda tenho muitas ideias para pôr em ordem, só não tenho tido o tempo que tanto desejava para escrever.

Espero que com tanta demora não tenham desistido... e mais uma vez obrigada.

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Capitulo 4 – Inesperadamente fracos

O jantar foi sossegado, visto que a Kaoru não interrompeu mais nenhuma vez.

Mas por dentro estava contrariada, queria sair dali o mais rapidamente possível. Por isso assim que terminou pediu:

" – Já terminei. Posso voltar para o meu quarto?"

O Enishi que continuava a comer respondeu: " – Nunca ouviste dizer que é falta de educação sair da mesa enquanto as outras pessoas ainda estão a comer?"

Ela sabia que numa situação normal isso seria falta de educação, mas, não se tratava de uma situação normal. Aliás nada ali era normal.

Como não conseguia ser obediente a nada do que ele pedisse respondeu:

" – Não tens moral para e dizer o que é falta de educação ou não!"

Como que incitado pela resposta dela ele perguntou pronto a brincar ao rato e ao gato:

" – Uh… Magoa-me dizeres-me que sou mal educado…" – ele gozou e depois de mais um gole no vinho ele acrescentou: "- Diz-me Kaoru, alguma vez fui mal educado contigo? "

Ela pestanejou várias vezes: " – Desde Raptares-me, trancares-me nesta casa, onde não conheço nada para além do quarto onde durmo…" Ela estava pronta para continuar com uma lista de coisas quando ele interrompeu

" – Alto ai! Só não conheces mais desta casa porque não queres, cada vez que te chamo para jantar TU é que te trancas no quarto e tu é que insistes em só sair quando eu não estou. Portanto, tu és a única culpada pelo teu desconhecimento total do lugar."

Enervada com o fato de ele ter a razão ela grunhiu. " – Ok."

Terminando de comer ele disse: " – Se quiseres o Chen pode mostrar-te um pouco da casa."

A Kaoru pensou um pouco, ao inicio parecia que ele estava a gozar, mas, na realidade ele tinha dito mesmo aquilo. " – O Chen? Que Anfitrião que és…"

Com um sorriso estranho nos lábios ele perguntou: " – Querias a minha companhia?"

A Kaoru abanou a cabeça e com um ar de repulsa disse: " – Não. É obvio que não. O Chen está óptimo."

Ignorando a resposta dela o Enishi levantou-se e chamou o empregado, que assim que o ouviu veio imediatamente.

" – Chen, eu vou ter que sair. Mostra-lhe a casa." – o empregado acenou positivamente,

Enquanto via o Enishi retirar o casaco pousado no bengaleiro e o vestir, quando estava prestes a sair voltou-se para trás e avisou que iria chegar tarde, tinha de tratar de "negócios".

A Kaoru não ficou nem um pouco importada e vê-lo a sair foi um alívio.

Suspirando ela esperou por uma acção da parte do empregado.

Ele notando que estava a ser observado voltou-se e disse: " – Por aqui senhorita. Vou ser o Anfitreão esta noite." – ele apontou para as escadas fazendo sinal que deveriam subir para o andar de cima.

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Já fazia mais de um mês que aquele homem tinha aparecido ali.

Ele simplesmente chegou, acorrentou a espada a um canto e se afastou para bem longe dela, como se aquele objecto fosse algo repugnante que só lhe tinha trazido sofrimento.

Depois disso encostou-se á parede e passava os dias todos a olhar numa só direcção.

Talvez seja apenas mais um samurai resignado com o fim da sua era… - o velho pensou

Mas não podia deixar de notar que aquele homem era diferente.

Todos naquele lugar eram pessoas que queriam esquecer a sua vida, quase todos com a mesma história, mas ele não. Havia algo nele que o diferenciava, apesar de ele nem sequer falar ou agir.

Desde que o tinha visto pela primeira vez tinha notado isso. Mas o episódio de ontem tinha reforçado aquilo que ele inicialmente pensava:

Recordando:

Já não era a primeira vez que aquele jovem aparecia ali. Um jovem moreno de olhos escuros com aproximadamente 12 anos que tinha uma bokken nas suas costas, provavelmente aprendiz de Kendo. Parecia que todas as vezes que ali vinha o chocava vê-lo assim.

" – Kenshin… Tens que sair daqui… aqui não é o teu lugar…" – ele disse aproximando-se dele

Mas o Kenshin não reagiu, aliás era como se nem sequer o estivesse a ver.

Após várias tentativas ele desistiu e estava prestes a ir-se embora quando outro rapaz este mais velho e com uma roupa branca na qual nas costas tinha o símbolo "MAL", escrito.

Ele muito mais beligerante falou bem alto:

" – O Kenshin que eu conheço não desistiria assim! Vamos voltar!"

Ele fixou os olhos no ruivo, mas este nem sequer se moveu.

Novamente ele tentou: " – Kenshin!" – o tom de voz dele mostrava alguma agressividade, e finalmente quando viu que ele não lhe ia responder, num gesto bruto segurando o tal Kenshin pelas golas da sua roupa levantou-o do chão e Fê-lo olhar nos seus olhos:

" – A Kaoru merece ser vingada…" – os seus olhos eram como se tivessem fogo – " – Não podes ficar aqui parado assim… ela merece muito mais do que isto…" ele gritou

" – Não podes continuar assim ela não ficaria feliz a ver-te…"

Antes que o mais alto pudesse falar mais o ruivo respondeu: " – Deixa." – o seu olhar continuava distante, era como se nada do que lhe dissessem fosse mudar a sua situação…

Com raiva o outro que mais tarde vim a descobrir que se chamava Sanosuke deu-lhe um murro e gritou: " – És um fraco!"

" – Eu vou partir, mas quando voltar, volto para vingar a Jou-chan, e só espero que tu tenhas voltado a ser o mesmo, se não, eu vou ter que te bater até tirar para fora de ti o verdadeiro Kenshin! O Kenshin de quem a Jou-chan gostava!!!" – dito isto virou costas e foi embora levando consigo o outro rapaz.

Sem reacção o Kenshin ao contrário de tudo que se pudesse pensar sorriu e mururou de uma forma quase inaudivel: " – Sano…"

Fim das recordações:

Algo na vida dele tinha acontecido de muito grave. E ele simplesmente se deixou adormecer na dor... era mais fácil agir assim do que enfrentar a situação…

Mas mesmo assim alguma força interior ele tinha que não lhe permitia desistir totalmente… Era como se houvessem momentos de lucidez e momentos de sonho… era como se ele falasse com alguém…

Ele não ai ficar aqui para sempre como todos os outros… Este homem tem uma vida para além daqui… Assim que encontrar a sua resposta interior ele vai deixar o Rakunimura e voltar onde ele pertence. – com a idade que tinha ele conseguia distinguir bem isso…

Olhando novamente para o ruivo reparou que este o olhou. Como se estivesse a sentir que estava a ser o objecto dos seus pensamentos.

Vamos dar tempo ao tempo…

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DE VOLTA A KAORU

" - E aqui é a sala onde o sr Enishi costuma vir para meditar…"

" – Meditar??? Aquela criatura também medita?" – ela deixou escapar

Dando uma pequena risada, o empregado respondeu:

" – O Sr Enishi tem momentos de meditação sim…"

Continuando pela casa ele mostrou-lhe várias coisas os quartos, as várias salas, explicou para que serviam todos eles, e aproveitou para dizer que quase nenhuns tinham sido utilizados porque o sr . Enishi não utilizava muito aquela casa. E quando usufruía dela não era muito o tempo que passava ali.

Chegaram ao final do corredor e a Kaoru estava pronta para entrar no último dos quartos quando o Chen falou:

" – A visita termina aqui… senhorita Kaoru."

A Kaoru estranhou e perguntou: " – Mas ainda falta este quarto?"

O empregado abanou negativamente a cabeça: " – Não tenho a chave desse quarto."

Intrigada a Kaoru perguntou novamente: " – Mas o que há lá dentro?"

" – Não sei. Nunca lá entrei…" – ele disse enquanto os seus olhos que pareciam estar sempre fechados se abriram um pouco demonstrando que ele próprio também se indagava o mesmo " – Só o Sr. Enishi é que entra aí…"

A Kaoru estranhou. Mas não estava na casa dela, por isso não ia desatar a fazer perguntas… aliás isso nem lhe interessava… Vá lá. Tens de admitir que estás um pouco curiosa… O que será que ele esconde lá dentro?

Por momentos a sua cabeça começou a pensar em coisas mórbidas… como cádaveres, ossos… por isso quando o relógio grande da sala de baixo soou as primeiras badaladas da meia-noite ela estremeceu…

Notando que as horas já tinham passado o criado advertiu: " – Senhorita deve estar cansada, se calhar era melhor ir dormir…"

Embora não estivesse cansada mas concordando que já era tarde ela obedeceu.

Chen escoltou-a de volta ao quarto, onde prontamente disse que se precisasse de algo lhe dissesse.

A Kaoru agradeceu, entrou dentro do quarto mas, em vez de ir para a cama ficou a olhar lá para fora da janela.

Tanto mar… Seria impossível fugir daqui a nado… Se não fosse comida pelos tubarões, morreria congelada…

Kenshin… Eu sei que tu consegues… Tu consegues tudo… Por favor… Não desistas de mim… Kenshin… uma lágrima escorreu pela sua face quando ele lhe veio ao seu pensamento…

Tinham vivido muitas coisas juntos… ele não podia desistir assim dela…Todo o seu intimo gritava por uma só pessoa, um só nome…

Kenshin…

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VOANDO ATÉ AO LUGAR CHAMADO RAKUNIMURA

Kenshin… era como se o vento sussurrasse com a voz dela o seu nome…. Ele acordou com essa impressão.

Ele estava alheio a tudo o resto, mas as recordações continuavam vivas na sua memória…

A fragrância que impregnava toda a sua roupa… jasmim… Quando lavava a roupa não era necessário olhar para saber que era dela…

Recordou as vezes que entrava no quarto dela quando nem ela nem mais ninguém estavam em casa e se deixava ficar ali…Só para saborear aquele perfume que só ela tinha…

Já tinha passado um mês, mas desde daquela noite que tinham passado juntos, era como se ela tivesse deixado nele uma marca ainda maior… Uma parte dela…

Tanto tempo perdido…- ele pensou

Naquele momento só desejava saber que ela estava viva, que podia correr e abraçá-la, ouvi-la a treinar com o Yahiko, a ralhar com o Sano… Sim… isso seria marailhoso…

Mas tudo tinha acabado… e ele não era capaz de aceitar isso…

A dor de a perder era impossível de aguentar…

A imagem da mulher que amava com a espada do seu inimigo cravada no peito, e com a mesma cicatriz que ele tinha gravada na cara, era cruel demais…

Assim que a viu assim ali… naquele estado… gritou… berrou… mas não teve coragem de olhar segunda vez para ela…. Antes, fugiu até aquele lugar onde sabia que ninguém lhe iria perguntar nada.

Não quis ir assistir ao seu enterro, não foi capaz de retirar aquela espada dela…. Não conseguia vê-la de olhos fechados e saber que não os voltaria a abrir… que a voz dela não iria mais ser ouvida e que o seu sorriso não seria mais um calmante para a sua alma.

Tudo tinha terminado… Aquele sonho tinha terminado…

Agora não tinha mais coragem para ser nem Kenshin o vagabundo, nem Battousai o Esquartejador… agora ele era um nada… ele não era ninguém.

Como o Sano disse ele era um fraco…

Kaoru dono…

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NA MANSÃO DO ENISHI

Ela acordou sobressaltada com a porta a fechar com tanta força.

Imediatamente correu até lá para ver o que se passava.

Desceu as escadas e assim que verificou o que tinha acontecido colocou a mão a tapar a boca com espanto.

Á sua frente estava um Enishi ensanguentado… com vários cortes em todo o corpo…

Ele tentava aguentar-se de pé, mas estava cansado como se estivesse a lutar há horas…

O sangue pingava lentamente na carpete da sala de entrada.

Sem mais demora berrou pelo nome do criado e correu até ao Enishi.

" – Achas que consegues caminhar até ao teu quarto?" – ela perguntou enquanto colocava o ombro dele por cima do dela para o ajudar a caminhar.

Ao inicio ele tentou evitar isso, mas com um olhar firme ela disse: " – Não são horas de reagires assim…"

O criado apareceu e ficou confuso com aquela cena. Mas deixando as perguntas para mais tarde correu para ajudar.

Segurando-o de um lado ambos conseguiram levá-lo até ao quarto da Kaoru que era o mais perto das escadas.

Assim que viu a cama o Enishi deixou-se cair em cima dela, visivelmente cansado.

" – Temos que tratar das feridas…" – a Kaoru disse

" – É melhor chamar um médico…" – o Chen tinha razão, era preciso cozer os cortes mas estavam numa ilha e um médico ainda iria demorar…

" – Espera, ele não pode ficar aqui a esvair-se em sangue até o médico chegar…" – os olhos dela demonstravam a urgência da situação – " – Traz-me água quente, um pano e ligaduras… Depois sais e procuras um médico com urgência."

O criado acenou e obedeceu prontamente. Rapidamente chegou com a água quente e com tudo o resto que tinha pedido.

" – Senhorita, eu volto o mais rápido que puder…" – e dito isso correu para fora dali.

Pondo imediatamente mãos á obra ela começou a limpar as feridas enquanto ele estava inconsciente.

" – O que terás feito para vires neste estado?" – ela perguntou alto sabendo que ninguém iria responder.