Capítulo Três

-Você quer que eu durma sozinho?

O ar de horror absoluto em seu rosto teria sido cômico se simplesmente não se houvesse posto pálido. Qualquer um poderia pensar que lhe havia dito que devia ser justiçado ao amanhecer! Qual era a armadilha?

-Sim, espero que passe a sós aqui a noite no quarto de hóspedes. - A palavra hóspede foi dita com ênfase para insinuar que ele não o era - Nessa cama.

-Não posso!

Isso estava se voltando incomodo. Uma negativa larga e obstinada depois de outra. Depois de que ela tinha tratado de fazê-lo partir, ao qual ele rotundamente se recusou, tinha tratado de lhe fazer entender que se equivocou em ir ali. Ele se tinha recusado a acreditar nisso também. Agora chiava a respeito dos planos para dormir. Ela soltou uma respiração sofrida, cruzando os braços sobre o peito.

-Por que diz que não?

-Devo dormir em contato. Todos nós devemos. Não posso cair na condição do sonho sem isso.

-Está me dizendo que sempre tem que dormir ao lado de alguém?

Quando ele confirmou com a cabeça, ela levantou as mãos. Pelo amor de São Pedro, isto é muito! O que aconteceria a seguir? Estava agradecida de que não tivesse convocado a um anjo da guarda com sua petição. Só Deus sabia o que teria produzido isso! Ocorreu-lhe uma possibilidade.

-Há alguém mais em sua nave?

-Não, vim sozinho.

Ele pareceu um pouco incômodo com sua confissão. Sakura pensou que talvez houvesse saído correndo quando não deveria havê-lo feito. Bem, se estava metido em uma confusão, não era de sua conta. Talvez próxima vez pensasse duas vezes antes de perseguir uma chamada equivocada através da galáxia.

-Espera um momento... Como dormiu em sua viagem, se estava sozinho como diz?

-Há uma imagem do seu sensor... Sabe o que é?

-Posso adivinhá-lo. - respondeu ela em um tom irritado. - Isso... Simula a sensação de contato. Já vejo. - Demônios. - Não poderia simplesmente retornar a sua nave à noite? - perguntou esperançosamente.

-Não. As viagens repetitivas através do Transporte Essencial esgotariam as reservas de minha nave. Calculei esta excursão muito cuidadosamente; preciso conservar toda a energia possível.

-Bem. - Sakura se rendeu a contra gosto. Não podia sentir-se responsável por que o pobre tipo sofria de privação de sonho. - Vamos. - Ele a seguiu ansiosamente até seu dormitório. Muito ansiosamente, pareceu a ela. Sakura parou bruscamente, quase o obrigando a esbarrar com ela. - Nada de conectar-se. - Ela apontou um dedo severo para ele. Ele negou com a cabeça, seriamente, como um aluno castigado.

- Não, minha Escolhida.

-De acordo, então... Por que está tirando a roupa?

-De que outra forma dormiremos em contato? - ele a olhou como se lhe falhassem alguns circuitos. De que outra forma, certamente.

-Você deve tirar o vestido também.

-De maneira nenhuma, José.

-Deve. O contato tem que ser para ambos. Tire isso.

Mordeu seu lábio inferior. Deveria? Tinha opções? Não, se não queria ser necessariamente cruel com ele. De acordo, não era como se ele sentisse alguma atração por ela dessa maneira. Suspirou. Realmente tinha importância? Só para ela, já que não para ele.

Rapidamente se despojou de suas roupas e mergulhou sob os cobertores. Estava certo; ele nem sequer tinha dirigido o olhar em sua direção. Mas ela sim jogou um olhar em sua direção. O envoltório não fazia justiça ao conteúdo. E embora ele parecesse inútil para o amor físico, tinha a parte do equipamento correta. E que parte.

Sasuke se meteu debaixo dos cobertores, atraindo-a para ele.

-Ouça!- ela bruscamente tratou de romper seu abraço.

-Shh, relacionaremos um com o outro. Agradar-te-á. Já posso sentir uma diferença contigo que nunca antes havia sentido. Será bom. - dito isso, sua palma grande empurrou sua cabeça para seu largo e musculoso peito.

Meu deus, ela jazia nua nos braços de uma espécie de Studmuffin². Um Studmuffin dormido. E pela expressão tranquila em seu rosto, malditamente cômodo.

*² Studmuffin: lutadores de luta livre de um programa de TV norte americana

O dorso da mão masculina acariciou a curva de sua cintura.