Resumo: Rin é uma assassina contratada, mas o que será que acontece quando a situação foge ao seu controle?
Disclaimer: Não preciso falar que Inuyasha e sua turma não me pertencem, mas tb eu nem os quero, (fazendo beicinho) só o Sesshoumaru, claro.
Cap. 4 – Reviravoltas
É engraçado como a vida da gente pode mudar de repente né? Quer dizer, num minuto está tudo normal, tudo como antes, calmo, tranqüilo, monótono, rotineiro e sem que você espere os fatos de repente dão uma guinada e colocam sua vida de cabeça para baixo. Por que eu falo isso? Bom, vocês vão entender assim que eu contar uma pequena história.
Eu já contei que minha carreira aconteceu meio que por acaso né? E que eu não sofri nenhum desses traumas que se pode especular. Talvez essa última parte não tenha sido totalmente verdade, mas a verdade é que não me considero traumatizada pelo que aconteceu. Foi difícil, claro, mas acho que superei tudo muito bem, obrigado. Pois é. O que eu não contei para vocês é que eu sou órfã. Essa é a hora onde vocês dizem "Tadinha, agora eu entendi o porque disso!", mas não podiam estar mais enganados. Eu sempre fui órfã, não conheci meus pais, sempre vivi em orfanatos, junto com outros órfãos, então pra mim isso era mais que natural. É claro que eu me ressentia às vezes, principalmente quando as crianças da minha escola estavam a fim de zoar com a minha cara, mas nada que eu não superasse com uma boa traquinagem. Continuando, eu sempre vivi na mesma instituição para crianças órfãs. Volta e meia ela mudava de diretor. Alguns eram realmente bons, outros nem tanto, mas o último era realmente desprezível. Seu nome era Jinenji Agano e ele tinha assumido a direção depois da morte da velha Kaede, uma mulher bondosa, mas muito linha dura, morreu de doenças do coração, eu acho. Bom, não gostei do Jinenji desde o primeiro dia, e acho que ele sabia disso e também não gostava de mim. Acho que porque eu era inquieta demais, traquinas demais, sempre questionando sobre tudo, na época eu estava com 13 anos, era a mais velha do orfanato na época. Ele me parecia um homem muito esquisito. Tinha o hábito de dar aulas particulares as crianças depois de certa hora da noite, para reforçar a disciplina delas. Havia inclusive uma escala, sempre eram os menores, desde que conseguissem segurar uma caneta e a maioria meninos (os que ele dizia precisarem de mais disciplina). Eu, graças a Kami, nunca entrei na lista. Eu achava isso muito estranho também, apesar de agradecer, e afinal de contas quem é que queria estudar uma hora daquelas? Mas, por que ele só dava aulas aos menores, tendo em vista que não eram os mais indisciplinados? A resposta me veio um pouco depois. Eles eram mais fáceis de assustar. E quanto mais tempo passava, mais assustados as crianças ficavam. O comportamento delas mudava e se tornavam introvertidas e tristes.
Uma noite, já tinha uns seis meses que Jinenji tinha se tornado diretor, um menino chamado Kohako estava escalado para a aula da noite, ele tinha uns seis anos. Eu gostava muito de Kohako e toda vez que ele era escalado, ficava tão assustado que eu me ressentia por ele. Nessa noite eu me aproximei de Kohako e o pressionei a me contar o que estava acontecendo. O que eu ouvi me deixou com o sangue fervendo. Aquele miserável, filho da p... de uma figa, desgraçado sem pai nem mãe tocava as crianças, de maneira obscena, e as obrigava a tocá-lo também, abusava delas, de todas as formas, as machucava e humilhava, as fazia sangrar e as ameaçava. Aquilo me deixou irada, quanto mais eu ouvia, mais a raiva crescia até que eu não podia mais suportar, então decidi que naquela noite quem iria para a disciplina seria eu.
Eram quase nove horas da noite e como sempre a senhorita Yura, que era a responsável pela administração dos empregados no orfanato já tinha se recolhido, a pobre mulher era tão tapada que era bem possível que ela não soubesse o que se passava com as crianças. No horário estabelecido eu abri a porta do escritório do Jinenji. Ele tomou um susto quando me viu.
- O que você está fazendo aqui? Onde está o Kohako? - ele perguntou controlando o susto.
- O Kohako não vem hoje, nem dia nenhum. Aliás nenhuma criança nunca mais vai ter essas aulas com você. – eu vi o choque tomando conta do rosto dele, mas logo ele foi substituído por raiva e sarcasmo.
- E eu posso saber o por que disso? – o tom dele era calmo e o cinismo dele me irritou ainda mais.
- Não se faça de sonso. Eu sei o que você faz aqui com aquelas crianças. O Kohako me contou. Eu não vou deixar que você as machuque novamente seu... seu.. porco nojento. – ele riu, e a risada dele me assustou.
- Ah! Então você ficou sabendo. E essa revolta toda é realmente pelas crianças ou será que é por que você queria estar no lugar delas – ele se levantou e começou a contornar a mesa, vindo em minha direção. Naquele momento eu realmente fique com medo. Jinenji não era um homem dos maiores, mas ele era adulto e saudável e eu, bem eu, apesar de toda a raiva e determinação, era apenas uma menina de 13 anos. Não teria como impedi-lo se ele resolvesse realmente me agredir.
- F..fique longe de mim seu desgraçado, você não me põe medo como faz com as outras crianças, se aproxime mais e eu começo a gritar. – ele riu novamente e avançou mais.
- E quem escutaria você? O quarto de Yura fica do outro lado da casa, e você sabe, essa casa é enorme, provavelmente ela não escutaria. E se as crianças ouvirem, você acha que alguma delas virá te ajudar? Coitadinhas, todas tão assustadas, tão indefesas.
Se movendo mais rápido do que eu pensei que ele poderia, ele me alcançou e me imobilizou junto à parede, eu me debatia como podia e gritava e esperneava.
- Agora, sua insolentezinha, eu vou te ensinar a não se meter no que não é da sua conta.
- Me larga seu desgraçado. Me solta, ou vou acabar com você!
Eu lutava com todas as minha forças, mas parecia não adiantar. Ele me jogou encima da mesa e começou a rasgar minha blusa com uma mão enquanto segurava as minhas acima da minha cabeça com a outra. Eu continuava a gritar e a espernear e ele deu um soco no meu rosto para que eu ficasse quieta. Aquilo doeu, muito, mas eu não ia facilitar pra ele, continuei me debatendo com desespero e enquanto ele tentava abrir minhas calças consegui, não sei como, soltar uma de minhas mãos. O abridor de cartas estava em cima da mesa, bem perto da minha cabeça e foi a primeira coisa que minha mão tocou. Sem pensar eu o agarrei e com ele golpeei Jinenji nas costas. Ele urrou e meu deu outro soco, mas eu não larguei o abridor e golpeei novamente e mais uma vez e outra e de novo, um dos golpes acertou o pescoço dele, mas ele ainda me segurava, então eu continuei golpeando, com força, com raiva, até que senti ele cair pesado, inerte sobre mim. Eu o empurrei devagar, desci da mesa e me encolhi num canto da sala, instantes depois a porta foi aberta com força e a senhorita Yura entrou, seguida de Kohaku. Ele tinha ouvidos os gritos e foi chamá-la. A cena que ela viu a deixou aterrorizada, em cima da mesa jazia Jinenji, imóvel, pálido, cheio de cortes, enquanto seu sangue viscoso minava do pescoço e escorria pela mesa para formar uma poça no tapete caro que Jinenji tanto gostava, eu num canto encolhida, as roupas rasgadas, aranhões e hematomas por todo o corpo, coberta de sangue, tremendo de frio e medo. Nunca vi uma pessoa tão branca quanto ela naquele momento, parecia que ia desmaiar, mas ela era mais forte do que parecia, ela mandou Kohako buscar uma coberta pra mim, depois me cobriu e verificou se eu tinha algum machucado grave, então ligou para a polícia e enquanto aguardávamos, gentilmente me fez contar o que havia acontecido, ela realmente não tinha idéia do que se passava.
Quando a polícia chegou, isolaram o escritório e cuidaram para que as crianças ficassem longe daquela cena. O investigador responsável pelo caso, um senhor com cerca de 40 anos, de olhos sagazes e expressão calma, orientou a Yura a me levar para imediatamente para o hospital, a ambulância já estava esperando e mandou que dois policiais nos acompanhassem. Depois de eu já ter sido atendida, medicada e ter dormido um pouco ele veio me visitar. Seu nome era Bankotsu.
-Olá pequena! Como você está se sentindo? Está bem? - eu o olhava desconfiada e não falava, apenas acenava com a cabeça.
-Você fez um belo estrago lá sabia. Se eu não tivesse visto, não acreditaria que tinha sido uma menininha tão pequena. – ele dizia com ar divertido, só olhava pra ele sem nada dizer.
–Que tal você me contar direitinho o que foi que aconteceu? A Srta Yura já me disse, mas eu queria que você falasse, sabe como é, ela pode ter esquecido alguma coisa. – eu ainda me recusava a falar.
–Vamos! Não precisar ter medo.
-Não estou com medo – eu disse levantando o queixo com ar de desafio
-Ótimo! Porque não precisa. Nada vai acontecer a você. – ele me disse com segurança e eu realmete me senti segura. Então eu contei, tudo o que tinha acontecido, desde a minha conversa com Kohako. Eu sentia vontade de chorar, mas me controlei. Jinenji não ia conseguir me fazer chorar. Bankotsu ouviu tudo com atenção e não falou nada enquanto eu contava, apenas segurava a minha mão. No fim não consegui me segurar e chorei, muito.
–Fique calma Rin. Já acabou. – ele me consolava.
–Você é uma menina muito forte sabia? Graças a você seus amiguinhos estão bem agora, estão seguros. – eu ainda soluçava, mas parecia que o mundo tinha saído das minhas costas.
-E-eu..hum..eu vou..eh...eu vou ser presa?
-Presa? Por que você acha que seria presa?
-E-eu m-matei uma pessoa. Quer dizer, ele morreu não é?
-Sim, ele morreu. Mas até onde eu sei foi legítima defesa, você sabe o que é isso né? É quando a pessoa age para defender a própria vida, como qualquer um faria. Você não tinha intenção de que isso acontecesse, tinha? – eu sacudi a cabeça de um lado para o outro freneticamente
-N-não! Não tinha! Eu estava com raiva, eu queria que ele parasse que não machucasse mais ninguém, mas não queria matá-lo!
-Então pode ficar tranqüila, você não vai ser presa. Não se martirize pelo que aconteceu – eu abaixei os olhos e ele viu que eu ainda me sentia mal.
–Ajudaria saber que não era a primeira vez que ele fazia isso? – olhei pra ele surpresa.
-Ele era condenado em dois estados pela mesma coisa. Pra mim ele teve o que merecia. – ele disse sorrido e se levantando para sair, quando chegou à porta ele se virou novamente
–E mais a mais, você tem apenas 13 anos Rin, eu não poderia pendê-la, mesmo se quisesse.
Dois dias depois eu tive alta do hospital e voltei pro orfanato. As crianças ficaram muito felizes quando me viram, principalmente o pequeno Kohako. Mas quando cheguei fiquei sabendo que as coisa tinham mudado. O orfanato já tinha outro diretor, era uma mulher que não parecia ter nem 30 anos. Kikyou era alta e muito magra, parecia frágil, mas tinha uma vivacidade incrível e amava crianças. Aquela mulher parecia envolta numa aura brilhante de bondade e todas as crianças a amaram logo de início. Assim que ela me viu disse que tinha uma surpresa pra mim e me levou a sala dela, não a sala que era ocupada por Jinenji, ela decidiu que ela deveria ser trancada até que pudessem modificá-la. Lá ela me deu um monte de papéis para que eu lesse. Neles tinha um monte de termos que eu não compreendia, mas eles diziam basicamente que eu estava sendo adotada. Adotada por Bankotsu e Ayame Kimura. Eles não podiam ter filhos, então resolveram me adotar. Uma semana depois eu já vivia com eles. E foi com eles que eu aprendi tudo o que sei na minha profissão. Eles me ensinaram e me treinaram. Aos 16 anos fiz o meu primeiro trabalho, aos 18 já era uma profissional com conceito. Hoje aos 28, sou a melhor no ramo, quer dizer, era.
Agora é a hora de vocês perguntarem... "Mas o Bankotsu não era policial?" Sim, ele era. E dos bons. Mas fazia alguns serviços extras também. Foi com ele que eu aprendi a selecionar meus trabalhos, afinal de contas ele era policial, e só pegava os homens maus e honrava o lema "Servir e Proteger".
Eu sinto muita falta deles, sabe. O Bankotsu morreu a quatro anos num acidente de trânsito tosco, depois disso a Ayame entrou em depressão, eles se amavam muito, ela deixou o trabalho e decidiu passar o resto da vida viajando e prestando serviço voluntário, pra tentar dar um sentido a vida, desde então eu não a vejo. Quanto ao orfanato, eu sempre apareço por lá em datas como Páscoa, dia das crianças, Natal, pra me certificar que tá tudo bem, é muito bom ver aquela carinhas de felicidade quando eu chego com os braços cheios de presentes, e também porque eu me sinto bem junta daquelas crianças, me sinto em paz, é como se eu resgatasse um pouco da inocência que eu perdi naquela noite. A Kikyou ainda é diretora de lá, e apesar de todo esse tempo ainda tenho a mesma impressão de quando a vi pela primeira vez. O meu amiguinho Kohako, lembra dele? Bem, ele ajuda Kikyou a administrar o orfanato, e está cursando direito. Ele também superou tudo e eu estou muito feliz por ele. Bom, acho que já é hora de parar de enrolação e voltar a nossa história principal, que é por isso que vocês estão aqui né?
Manhã de domingo, mais dor de cabeça e mais preocupações. Depois que cheguei da casa dos Taisho, tudo que eu queria era dormir, mas antes ainda tive que aturar mais umas da ligações inoportunas do meu contratante. Sabe aquele tipo cricri que fica te perturbando o tempo todo, com coisas do tipo "Como esta indo o trabalho? Está demorando muito... tal e coisa e coisa e tal". Um verdadeiro pé no saco.Já estava começando a ficar de cheia. Já não bastava eu estar frustrada por ter falhado logo de início, estar tendo mais trabalho do que desejava e demorando muito mais do que previsto quando poderia a essa altura já estar aproveitando minha aposentadoria precoce e ainda por cima estar perdendo o controle das minhas emoções e do meu próprio corpo? Sinceramente eu não sabia o que estava acontecendo comigo, só sabia que tinha que terminar tudo mais rápido possível ou poderia me dar realmente mal. No meio disso tudo eu só tinha uma palavra pra definir o que estava acontecendo. Crise. Essa era a única explicação para o que estava acontecendo comigo, eu não sabia se estava tendo uma "crise de identidade" ou uma "crise de consciência", só sabia que estava em crise e precisava colocar minha cabeça no lugar. Era engraçado que isso tivesse começado nessa época, pois essas crises são típicas da adolescência. Mas talvez não fosse tão surpreendente, já que, como vocês sabem, eu só vivi a minha pela metade. O que eu sabia com certeza é que no dia seguinte eu teria que começar o trabalho na casa do Sesshoumaru e que ainda da não tinha idéia de como ia fazer para completar o meu trabalho. O verdadeiro né, porque o outro eu já sabia exatamente o que ia fazer e por falar nisso era melhor começara fazer a lista de lojas de decoração e brechós que eu, Izayoi e Kagome iríamos visitar na segunda.
Na segunda acordei tarde, praticamente só tive tempo de tomar banho e partir pra meu compromisso com Izayoi. Provavelmente meu subconsciente fez isso para ter uma desculpa quando perguntasse a mim mesmo o porquê não tinha planejado nada de útil pra conseguir completar o serviço. Não, naquela época eu não tinha consciência disso, eu só parei pra pensar nisso durante o tempinho que fiquei engaiolada antes de hoje. Quando cheguei na casa dos Taisho, as duas mulheres já estavam prontas para sair para o acontecimento mais empolgante da vida delas nos últimos meses, uma expedição por várias lojas caras e também por vários lugares de gosto duvidoso que eu tinha listado. E como eu já esperava Sesshoumaru não estava em casa, não sei por que, mas isso me desanimou um pouco, mais uma coisa pra eu por na minha lista de confusões mentais. A tarde foi agradável, não, minto, foi realmente muito divertida, me arrisco a dizer que a mais divertida que tive nos últimos anos. Escolhemos vários móveis e objetos para a redecoração e todos seriam entregues na terça pela manhã, e então o trabalho realmente começou. A princípio pelos quartos, as áreas comuns seriam as últimas.
O quarto de Izayoi foi o primeiro e devo admitir que fiquei realmente orgulhosa do que fiz ali. Foi realmente muito prazeroso fazer aquilo. Durante o restante da semana eu me concentrei quase completamente nisso, gastava tanta energia que não conseguia pensar em mais nada, só lembrava o que tinha que fazer quando esbarrava com Sesshoumaru. Como aconteceu um dia quando eu estava pintando um dos quartos de hospedes. Como só tinha mulheres e os empregados na casa eu estava bem à vontade, vestia apenas uma regata e um short jeans, e cantava, foi quando me virei e dei de cara com ele na porta, rindo a minha cara suja de tinta, como eu estava ouvindo música, não tinha escutado ele chegar. Isso tornou-se quase um hábito pra ele. Ele sempre me observava como se soubesse de alguma coisa, como se esperasse que eu fizesse alguma coisa, como se desconfiasse de mim. Eu não me sentia muito bem com isso. Isso fez meu "sentido aranha" despertar mais uma vez. Eu tinha que me afastar deles rápido. Era como se eu estivesse traindo, enganando aquelas pessoas que me tratavam tão bem. E era exatamente isso que eu estava fazendo. Nesse período também aproveitei pra xeretar um pouco. Por duas vezes consegui entrar no quarto de Sesshoumaru sem que me notasse. Lá encontrei algumas coisas sobre as investigações contra Naraku. O que eu vi me deixou de boca aberta, e olha que pra me impressionar é preciso muita coisa. O cara tava envolvido com tudo que era ilegal: além de desvio de verba, que era o que ele tinha me dito, tinha também tráfico de drogas e pessoas, extorsão, prostituição, assassinatos em massa, pornografia infantil (isso fez meu sangue ferver de indignação), isso é claro, sem contar formação de quadrilha e encomenda de assassinato (nessa eu tenho que levantar a mão e me declarar culpada também). Apesar de ter ficado revoltada com o que eu descobri (como se eu tivesse esse direito, hipócrita) me obriguei a parar de pensar naquilo. Ele podia ser um crápula filho da p..., mas eu tinha assumido um compromisso com ele, e mesmo não gostando, eu sempre cumpria meus compromissos.
Na sexta feira todos os quartos já tinham sido terminados e tínhamos começado a redecoração da sala de visitas, o hall de entrada seria o último e Izayoi decidiu não mexer na sala de jantar por enquanto. Nessa noite ela fez questão que eu ficasse para o jantar, disse que tinha mandado preparar um jantar especial para comemorar uma ótima semana de trabalho bem sucedido e que também a Kagome tinha uma surpresa para todos. Ela não tinha deixado ninguém entrar no quarto que ela escolheu para reformar, disse que estava ligado a surpresa dessa noite. Eu não queria aceitar, depois do jantar de sábado eu não tinha mais aceito jantar com eles nenhuma vez, mas não tinha como recusar naquele momento.
Como era costume deles, todos foram se preparar enquanto aguardavam o aviso de Jaken de que o jantar estava servido. Nesse dia Jaken também sentou-se a mesa. O clima durante o jantar não poderia ser melhor. Todos conversavam animadamente com as implicâncias entre Sesshoumaru e Inuyasha, o que eu notei ser um costume também, os casos do hospital que Kagome contava, o carinho entre Izayoi e Inuitasho. Até Jaken se revelou uma pessoa muito engraçada. De vez em quando eu pegava Sesshoumaru me encarando deliberadamente e também observei alguns olhares de estranhos de Inuitasho. Como se ele me observasse também. Fora isso o clima era o mais harmonioso possível, eu me sentia bem e mal ao mesmo tempo, acho que vocês podem me entender né!
Quando terminamos a sobremesa, Kagome disse que tinha chegado a hora da surpresa. Ela não tinha comido tanto dessa vez e parecia um pouco apreensiva. Pediu para que esperássemos e se retirou da mesa, voltando alguns instantes depois com uma pequena caixinha quadrada de cor azul nas mãos. Kagome se sentou novamente e sem falar nada, diante de olhares ansiosos estendeu a caixinha à Inuyasha. Ele pegou a caixinha sem entender nada.
-Mas o quê é isso?
-Abra a caixa Inuyasha – disse Kagome ansiosa
-O que foi? Eu esqueci de alguma coisa? De alguma data importante? Nosso primeiro beijo, aniversário de namoro... –ele falava nervoso e todos observávamos em silêncio.
-Nada disso meu amor. Você não se esqueceu de nada. Apenas abra a caixa antes que eu tenha um ataque de ansiedade.
Inuyasha abriu a caixa devagar, desconfiado e se surpreendeu com o que encontrou. Dentro da caixa estava um par de pequeninos sapatinhos de crochê verde água e um cartãozinho com os dizeres "Parabéns Papai!". Izayoi estava comum sorriso radiante, assim como Inuitasho. Jaken tinha desmaiado, literalmente. Até Sesshoumaru me pareceu feliz com a notícia, mas não consigo descrever a expressão de Inuyasha naquele momento, ele parecia em choque, não falava, não se movia, parecia nem mesmo respirar e Kagome ficava cada vez mais nervosa.
-Inu, por favor fale alguma coisa!
-Ka..isso é sério Ka? De verdade? – ela apenas balançou afirmativamente a cabeça, sem conseguir falar nada. Então sem dizer mais nada ela a beijou e depois abraçou e beijou novamente de maneira gentil e doce, ele tinha os olhos cheios d'água e chorou enquanto a beijava novamente, ele a olhava com adoração, como se ela fosse algo sagrado. Foi a cena mais linda que eu vi na minha vida, estavam todos tão felizes! Felizes de uma maneira que eu não achei que fosse possível. Aquilo mexeu comigo e só percebi que estava com os olhas cheios d'água também quando uma lágrima solitária escorreu pelo meu rosto. Desconcertada eu a enxuguei com as costas da mão. Eu era uma intrusa ali, eu não devia estar ali, não merecia. Eu tinha que sair dali o mais rápido possível, tinha que acabar com aquilo logo. Tentei me levantar sem chamar atenção, mas Sesshoumaru me impediu.
-Onde vai Rin? – todos voltaram a atenção pra mim nesse momento –Não está pensando em sair de fininho, está? – filho da mãe irritante, tinha que ser ele né!
-Você não está pensando em ir embora agora né? –dessa vez foi a própria Kagome, que perguntou, ela ainda fungava.
-Eu... desculpa, mas é um momento familiar, íntimo, eu não deveria estar aqui, eu não quero ser intrometida, eu.. –isso era a mais pura verdade
-Bobagem! Se você está aqui é porque nós queremos assim. Você nos fez tão felizes essa semana que gostaríamos de compartilhar essa felicidade com você. –Por que a Izayoi tinha que falar essas coisas, ah meu Kami, por que isso tava acontecendo heim!!?
-Sério! Eu realmente agradeço a consideração, mas vocês não deveriam... eu não mereço – eu não mereço, não mereço, não mereço.
-Vamos deixar de palhaçada Rin! E mais a mais a surpresa ainda não terminou. Venham comigo. –Kagome saiu da mesa puxando Inuyasha pela mão e rumou em direção ao quarto que ela redecorou, Izayou e Inuitasho os seguiram imediatamente. Nessa hora eu pensei em escapulir, mas Sesshoumaru antevendo minha intenção se aproximou de mim e me segurou pela cintura me conduzindo até eles. Kagome nos mostrou o quarto, ela o tinha decorado para o bebê, e estava lindo, nem eu poderia fazer melhor. Não que fosse dos mais sofisticados ou trabalhados, mas tudo nele, cada detalhezinho exalava amor na sua forma mais pura, mais primitiva. O sentimento era tão forte, tão real, que quase dava pra tocar. O quarto era decorado em tons de verde, azul e amarelo claros, apesar do cheiro de tinta fresca ele transmitia paz e alegria, cada móvel e brinquedo tinham sido escolhido com muito carinho, cuidado. De uma coisa se podia ter certeza, aquela seria uma criança incrivelmente feliz, uma pequena ilha cercada de amor por todos os lados. E então a realidade me atingiu como uma bomba. -Meu Deus eu estava prestes a destruir tudo isso!!!
Meia hora depois da notícia eles faziam planos de comemorar a boa nova. Tinha combinado fazer uma festa no dia seguinte à beira da piscina, apenas para amigos mais chegados. As duas mulheres insistiam para que eu fosse e eu, relutante, concordei. Não que eu pretendesse ir de fato, mas sabia que não adiantaria argumentar com elas naquele momento. Um pouco depois Sesshoumaru já me levava novamente para o hotel. O silêncio pairava incômodo dentro do carro, até que ele resolveu quebrá-lo.
- Você está quieta hoje Rin. Aconteceu alguma coisa?
-Não. Problema nenhum. Está tudo ótimo. – ah Sesshy, se tu soubesse.... Sesshy, desde quando eu pensava nele como Sesshy?
-Sei não, mas me parece um pouco triste, desanimada.
-Quem? Eu? Imagina, estou feliz como uma cotivia. *
-Bem, levando em conta que as cotovia são patologicamente deprimidas, com uma elevada taxa de suicídio.. *
-Engraçadinho. –ele riu, e era lindo –Estava apenas pensando. Dificuldades n... na faculdade – ufa! Quase
- Hum, se você diz.
-Sério, é só isso.
-Ok, ok, eu acredito.
-Sesshoumaru, você pode me responder uma coisa?
-Não, eu não pinto nem faço chapinha, eles são assim naturalmente mesmo. Brincadeira, pode perguntar o que quiser.
-Aff! Idiota. Eu só queria saber, por que um cara como você, bem sucedido, cheio da grana, que tem o melhor carro que o dinheiro pode comprar anda de metrô? –ele pensou um pouco e depois respondeu.
-Isso é culpa da Izayoi – eu não entendi, nem poderia, então ele explicou -A Izayoi é segunda esposa do meu pai. A primeira, minha mãe, morreu quando eu tinha apenas um na de idade. Nessa época a empresa do meu pai estava crescendo mais do que ele previra e ele precisava de alguém que ficasse comigo em tempo integral. Foi quando ele conheceu a Izayoi. Ela era sobrinha de uma das empregadas mais antigas da casa, tinha chegado a pouco tempo na cidade e estava procurando emprego. Meu pai a contratou como babá e se encantou por ela imediatamente. Ela tinha 18 anos, mas era muito ingênua e não percebia o interesse do meu pai. Inuitasho por sua vez não queria ser mal interpretado, por isso resolveu esperar para tentar conquistar o coração de Izayoi, por isso e também por respeito a memória da minha mãe. O engraçado é que, segundo o que Izayoi nos contou depois, ela também tinha se apaixonado por ele quase que imediatamente. Mas só depois dela completar 20 anos é que eles começaram a namorar.
Izayoi sempre foi uma mulher simples, e ainda o é, então mesmo depois que ela e meu pai começaram a namorar ela se recusava a utilizar de alguns luxos que ela dizia desnecessário, como o carro particular. Ela não sabia dirigir, nunca quis aprender, mas achava exagero ter alguém a disposição para levá-la onde quer que fosse, como uma babá. Então ela continuou a usar o metrô. Mesmo depois de casada ele manteve o hábito e sempre que eu saia com ela, era de metrô. Ela gostava de observar as pessoas no metrô, dizia que se podia aprender a conhecer o caráter das pessoas pela maneiro com que sentam, falam, andam e se mexem. Então eu acabei pegando o hábito.
-Você costuma observar as pessoas também?
- Às vezes. Quando me interessam.
- Não acredito que se possa conhecer alguém só observando a maneira como se comportam no metrô.
-Eu também tenho minhas dúvidas. Mas Izayoi nunca se enganou com relação a ninguém. Ela sabe reconhecer quando uma pessoa tem bom caráter. E a primeira impressão sempre se mostra correta. Devo confessar que ela gostou de você logo de cara. –já viram uma pessoa paralisada, gelada, imóvel, sem reação, era eu naquelemomento. – Ela me disse que viu bondade em você, nos seus olhos. Disse que você era uma pessoa especial.- Eu queria sumir naquele momento, simplesmente desaparecer.
-E você Sesshoumaru? O que você viu? – eu torcia pra que ele não tivesse a mesma opinião, que dissesse que ela estava enganada, eu rezava na verdade, quem sabe assim seria mais fácil.
-O que eu vi? Confusão, dúvida, insegurança, mas no contexto geral eu concordo com ela. –agora sim eu queria morrer.
-Pois eu acho que dessa vez vocês estão enganados, - eu abaixei o rosto sem conseguir encará-lo –Vocês não me conhecem, não achariam que sou especial se me conhecessem. –naquele momento eu mesma estava me desconhecendo, a Rin que eu conhecia nunca se abalaria dessa maneira.Ele virou pra mim e acariciou meu rosto com as costas da mão, só nesse momento eu percebi que estávamos parados em frente ao hotel. A mão dele deslizou até meu queixo e ele me forçou a virar na direção dele, mas eu me recusava a olhá-lo.
–Rin, olha pra mim. - Meu coração batia descompassado e quando o olhei nos olhos me perdi completamente. Ele acariciou meu rosto novamente olhando bem no fundo dos meus olhos
-Acredite você é especial, Rin. Especial pra mim. – e me beijou, de forma doce, quente, generosa. O que eu podia fazer senão beijá-lo de volta, um beijo nervoso, com um gosto amargo de culpa e mentira. Eu interrompi o beijo com o coração apertado e por impulso o abracei e chorei silenciosamente como se pedisse perdão, depois desfiz o abraço e saí rapidamente do carro, sem dizer nada. Minha vida estava prestes a dar outra reviravolta.
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Hi people! I'm back! Depois de mais de um ano sem atualização..rsrs (sorry :P). Espero não decepcionar muito nesse capítulo. Críticas e sugestões, estamos aí! Agradecimentos especiais a Acdy-chan e Kate Simon Cullen pelas reviews do último capítulo.
Super beijo a todos.
