Disclaimer: Saint Seiya e seus personagens pertencem a Masami Kurumada e a ele todos os direitos são reservados. No entanto, A personagem Oksana é de minha autoria e peço-lhes respeito.A música Incidental será mostrada por completo no capítulo seguinte e chama-se "Fuego de noche, nieve de dia", de Ricky Martin, Composição: Ian Blake, K.C. Porter, L. Gómez Escolar.

N.A.: A história segue a lógica do anime, porém, considerei que os cavaleiros são um pouco mais velhos para poder dar andamento no enredo. Portanto, durante os treinos (capítulo anterior), Hiyoga e Isaac já possuem dezesseis anos.

Capítulo III- A fria realidade

Japão, Tókio. Sete anos mais tarde.

Isaac subia o lance de escadas que levava ao apartamento, depois de um longo dia de trabalho. Finalmente uma pessoa comum...

Três destinos tão distintos e ainda assim tão unidos haviam sido separados pela fria realidade da vida. Ainda mais uma vez tiveram seus caminhos cruzados, embora apenas dois deles tiveram a chance de se encontrar, mesmo que em situação desagradável. E agora surgia a oportunidade de redenção.

Quem poderia imaginar que Athena traria de volta a vida todos os marinas de Poseidon, para que tivessem uma segunda chance?! E quem ainda, poderia conceber que ele, o Kraken, seria praticamente vizinho do verdadeiro Cisne?

Há tão pouco eram inimigos mortais. Ideais e conceitos divergentes. Mas agora, havia também o perdão. Eram novamente grandes amigos, apesar de toda a dor. Ironia do destino, ou simples acaso, estavam unidos mais uma vez.

Pegou o molho de chaves entre um sorriso. A tão sonhada armadura já não lhe trazia interesse algum. No entanto, ao virar a chave na fechadura concluiu que orgulhava-se do homem que Hiyoga se tornara. Definitivamente muito mais merecedor do título do que ele próprio jamais fora.

Mal abriu a porta e o belo exemplar de Russian Blue exibiu sua exótica cor cinza azulada e reluzente ao enroscar-se sobre seus pés.

- Pelo visto está faminto, não é, Ivan?

Parecendo compreender o que dizia, o gato lhe responde com um miado sonoro, enquanto o jovem o pega no colo para fechar a porta.

- Como vai, companheiro? Alguma novidade?

Ele segue pela sala escura e atravessa o balcão que a separava do cômodo seguinte, para só então acender a luz. O felino salta de seu colo assim que ambos entram pela estreita cozinha.

- É, eu sei. Este país é muito quente pra nós dois! Enquanto frito de calor, estes japas vestem casacos que serviriam ao solstício na Rússia.

Isaac abre a porta dos armários acima da pia, mas parece não encontrar o que precisa.

- Aquele seu dono insuportável mudou sua comida de lugar outra vez, não foi?

Os olhos verdes do animal ficam a encará-lo em silêncio. O jovem fecha o armário e volta-se para o animal.

- Em vez de ficar aí me encarando, podia me mostrar onde foi que ele a escondeu desta vez.

O gato ainda o encara com os olhos verde-escuros por mais alguns segundos, antes de saltar sobre o balcão e parar na direção de outro armário. O ex-marina suspira em revolta.

- Às vezes acho que ele faz de propósito, só pra sacanear.

Abriu o tal armário, perguntando-se se ficara louco em conversar com um felino. Encontrou imediatamente aquilo que procurava e afagou o animal em um novo sorriso.

- O que ele não sabe é que tem um grande dedo-duro por aqui!

Só então pegou a travessa para servir o bicho de estimação, que logo saltou na direção da comida.

- Se quer saber, também estou faminto. – virou-se para abrir a geladeira e pegar a caixa de leite. – Mas fui resolver combinar com o Hiyoga de sairmos... Aí já viu! – Olhou para a caixa em suas mãos fazendo careta. – Se eu fosse você não deixava ele te comprar essa porcaria desnatada, porque não tem gosto nenhum!

Ao servir a outra vasilha do bichano, voltou a guardar o leite e encostou-se distraidamente no balcão, deixando deslizar um pires que estava no canto ao esbarrar nele com o braço.

O copo nas mãos de Hiyoga vai ao chão com a notícia. Ele e o amigo correm na direção apontada e lá encontram Nádya e Krystal conversando junto de outros guerreiros diante da grande fenda formada no chão.

- Já fizemos algumas buscas, mas sabemos que as correntezas daqui são muito fortes e as chances são mínimas, sem contar o risco de hipotermia.

- Quando foi que deram falta da garota? (Krystal)

- Ontem à noite, por volta das dez horas. (Nádya)

- E como podem ter certeza que ela veio até aqui?

- Achamos isto bem aqui perto das geleiras. – um subordinado se aproxima e entrega um objeto de tom dourado-envelhecido.

- Algum dos seus pode confirmar que este medalhão a pertencia?

- Eu posso. (Isaac)

- Yacob, Alexei. O que fazem aqui?

- Este medalhão é da irmã do Hiyoga, eu a vi com ele diversas vezes.

- Você confirma isto, Alexei?

- Sim...

O mestre entregou o objeto na mão do pupilo entre um suspiro.

- Eu sinto muito. Agora voltem aos treinos.

- Mas mestre, posso ajudar a...

- Não, não pode. Estas correntes são traiçoeiras e os auxiliares de Nádya já estão fazendo o possível.

- Mestre, eu sei que p...

- Seja realista, Alexei. São quase três horas da tarde, sua irmã está morta.

- Impossível, ela não pode ter...

- Yacob, leve ele a cabana e fiquem por lá até que ele volte a colocar a cabeça no lugar. Apressem-se.

Isaac, chocado, segurando a própria emoção, segurou o companheiro pelos ombros para convencê-lo silenciosamente a se afastar.

Antes de que empiece a amanecer

Y vuelvas a tu vida habitual

Debes compreender que entre los dos

Todo a sido puro y natural

- Que ótimo, sinto que hoje é meu dia de sorte. – O jovem passa as costas da mão sobre olhos para secar as próprias lágrimas. – Vê se fica bem longe daqui, Ivan, até que eu recolha esta bagunça.

Recolheu os cacos do chão em silêncio, praguejando por aquela repentina lembrança ruim. Já fazia tanto tempo que não devia mais se importar daquela maneira. E havia sido tudo tão rápido desde o dia que a conhecera, que se sentia um grande tolo por ter se envolvido demais.

Jogou os cacos embrulhados em jornal na lata de lixo, notando que o gato estava muito ocupado com sua refeição para dar atenção a qualquer outra coisa.

- Sabe qual o problema das pessoas, Ivan? É que elas têm o privilégio de falar, mas quando deviam se abrir, não dizem nada ou então falam demais. Somos completos idiotas por isto...

O cinzento devorou o restante de sua comida e engoliu um pouco de leite a tempo de alcançar o amigo que ligava a TV da sala.

Sim, na época deveria ter dito o que pensava, mas agora era demasiado tarde pra isso. A questão é que não se sentia nada orgulhoso em saber a causa da morte dela. Tinha certeza que fora armadilha dos subordinados de Nádya e quisera matá-los na época. Mas novas mortes não trariam a misteriosa loira de volta a eles e por esta razão, desistiu.

Ivan pulou no sofá em silêncio, ajeitando-se ao lado do rapaz. Isaac tocou a cicatriz que inutilizara seu olho com uma das mãos, divagando sobre o dia que fora salvo por Poseidon após ter ajudado Hiyoga.

- Aquela correnteza maldita...

Talvez a perda da irmã e a suposta perda do amigo tivessem amadurecido e preparado Hiyoga para o que enfrentaria a seguir. Males que viriam para o bem. Voltou dos devaneios e afagou o felino.

- Mas o passado já passou, Ivan. E dizem que ele não volta nunca mais...

Passou algum tempo distraído com um seriado de humor, sentindo a demora de Alexei. Levantou-se em busca de algum aperitivo na cozinha e ao retornar encontrou o gato sobre a estante, mexendo nos CDs.

- Desce daí, garoto. Não quero ouvir música.

Ao saltar de volta ao chão, o gato esbarrou em um porta-retrato e o deixou cair.

- Mas que droga. – Isaac inclinou-se para recolher o objeto e estava prestes a devolvê-lo no lugar, quando notou a fotografia. – Há quanto tempo isto está aqui?

Nunca notara aquela foto. Era Oksana, sem dúvida. Linda e com aquele sorriso sensual, de quem sempre sabia o que estava fazendo. Num suspiro pesado, jogou-se no sofá com o retrato em mãos e tomou todo o refresco que pegara num único gole.

- Oksana, quando é que vai finalmente me deixar em paz?!

Levaram algumas horas até que chegassem ao local mencionado. Mas ali estava a cabana de madeira que o jovem lhe falara. Provavelmente abandonada por ser isolada demais do restante da civilização, era agora uma espécie de esconderijo dele, quando queria ficar sozinho. Abriram a porta e entraram rapidamente. Lá dentro, havia apenas uma pequena cozinha ao canto e uma lareira de frente a rústica cama. Isaac colocou a moça sentada sobre ela para estancar o ferimento, após acender a lareira. Não havia luz. A iluminação vinha do fogo e dos últimos raios de sol que atravessavam as frestas das janelas lacradas. Ela retirou o capuz.

- Deixe isto aí, já estou bem.

- Só porque tem cinco anos a mais, não quer dizer que manda em mim.

- Andou se informando sobre minha idade! Que interessante.

- Aqui você vai estar segura até de manhã, ninguém vem aqui. Depois, você resolve o que faz.

Oksana o interrompeu no que fazia e segurou-lhe pelo queixo.

- Me diz uma coisa, garoto. Por que tirou minha máscara?

Ele ficou em silêncio e terminou de enfaixá-la, antes de levantar-se em direção à saída.

- Eu aviso o Hiyoga sobre o que houve. - Sentiu a mão dela sobre seu ombro e voltou-se.

- Não me respondeu, garoto.

Ele empurrou-a contra a parede e segurou-lhe os pulsos.

- Então me responde uma coisa. Por que você me beijou?

- Não é óbvio? Te acho atraente, apesar da idade.

- Atraente? Conta outra!

- Vou com a sua cara. Gosto de como me olha, é diferente dos outros idiotas. Mas você bem que continuou...

- Atraente. Você é bonita e todo cara gostaria de beijar uma mulher mais velha, só pra ver como é.

- Ah, claro, desculpe. – levantou a sobrancelha e sorriu cinicamente.

- Aquele dia que tentou se matar... Não foi só porque sua amiga morreu, não é?

A mulher abaixou o olhar, pensativa, parecendo entristecer com o comentário.

- Aqueles nojentos não podem me encontrar nunca mais.

- Eles tomaram sua honra, não foi?

- Honra? Não, o que eu perdi na verdade foi a minha alma. Mas não pretendia que meu irmão soubesse.

- Se prefere assim, não serei eu a contar.

- Obrigada, garoto. Pode me soltar agora?

Isaac responde com um meio sorriso. Antes que Oksana pudesse fazer algum protesto ele soltou-lhe os punhos, mas segurou-lhe pela cintura.

- Deixa-me adivinhar, continua curioso?

- Pode ser. - Ele acena em afirmativo sem desgrudar o olhar.

- Só que eu não sou sua professora, muito menos sua mestra.

- Sorte a minha! – respondeu entre risos, fazendo com que ela também sorrisse.

- Você é estranho, garoto. Diz uma coisa, mas acaba fazendo outra, completamente oposta.

- Deve ser aquela história da ponta do iceberg.

- Bom, eu nunca gostei da superfície...

Sem mais palavras, Isaac tocou-lhe os lábios suavemente, tentando voltar a respirar normalmente. Olhou-a nos olhos ainda mais uma vez com as pálpebras apertadas e então soltou-lhe o cabelo. Oksana passou os braços em volta do pescoço dele, que em seguida a puxou para si, imaginando o quanto ela ficava feminina e estonteante a meia luz e com os cabelos soltos. Retirou o medalhão que pendia em seu pescoço e o deixou sobre a lareira. Beijaram-se apaixonadamente, a intensidade e o desejo aumentando aos poucos. A ventania lá fora fazia ecos na cabana, era o únicos som que ouvia naquele momento.

Tu, loca mania

Hás sido mia

Solo uma vez

Dulce ironia

Fuego de noche, nieve de dia

Ele começou a desamarrar a fita presa na cintura dela instintivamente. Assim que se livrou do tecido, passou as mãos por debaixo de sua blusa, sentindo a textura suave da pele quente de Oksana entre os dedos. Estava abusando da sorte. Ao agir assim poderia muito bem ofendê-la, mas não foi o que houve. Ela desceu os braços pelo tórax dele e o beijou no pescoço, seguindo para o lóbulo da orelha. Ela também o desejava...

Retirou-lhe a blusa para beijar-lhe pela cintura e subir até seu pescoço. Ela conteve um gemido e passou as mãos pelas costas dele, antes de retirar-lhe a camiseta, em silêncio. Isaac sorriu ao ver o quão séria e ofegante sua parceira estava. Abaixou-se para tirar-lhe os sapatos de salto e aproveitou para percorrer as mãos pelas pernas bem delineadas de Oksana ao voltar a beijá-la e soltar a lingerie que o impedia de tocar-lhe os seios fartos. A esta altura a companheira retirava-lhe a calça e ao terminar de fazê-lo, empurrou-o pelos ombros para que deitasse sobre a cama.

E quando Isaac imaginou que ela estava sendo bastante ousada, ela retirou-lhe a última peça de roupa e reclinou-se sobre ele para subir os beijos e as carícias. Ele já incendiava de desejo quando ela finalmente chegou até seu pescoço e passava uma das mãos pela coxa dele. Isaac envolveu-a pelas costas e começou a tirar-lhe a calça passando a mão esquerda por baixo dela.

- Você não perdeu sua alma...

Muito séria, ela o encarou e subiu a mão entre suas coxas enquanto respondia:

- Não perdi?

Reagindo a onda de desejo que se intensificou com aquele gesto, ele fraquejou e inclinou o pescoço para frente para aproximar-se de seus lábios sedutores.

- Não. Mas eu sim...

Beijaram-se ardentemente em resposta. Um beijo longo e lascivo em que suas línguas exploravam-se arrebatadoramente. O cavaleiro virou-a em direção ao travesseiro e retirou-lhe as últimas peças de roupa com avidez. Segurou-lhe pela coxa e pela cintura com força e desejo, explorou-lhe o pescoço e somente depois a tomou para si. Ela apertou-lhe as costas com força em um gemido de prazer e ele soube que podia continuar.

Ambos estavam entregues ao ato de amarem-se entre suspiros e gemidos, pois tinham o mesmo compasso e completavam-se perfeitamente. No entanto, logo ela interrompeu o amante empurrando-o de volta ao travesseiro para tomar o controle. Isaac novamente perdeu as forças diante da bela e ousada mulher, que lhe deixava entorpecido. O que acontecia ali era não só o reflexo da atração de seus corpos, mas também da disputa de suas personalidades, que mesmo no ato de amar, brigavam pelo comando. Segurou-a pela cintura e entreabriu os olhos. Ela sorria...

Acometido de prazer, beijou-lhe o pescoço com voracidade e foi imediatamente retribuído. Aproveitando-se daquele momento de entrega da amada, voltou a virá-la e desta feita segurou-lhe os pulsos na altura da cabeça.

- Não tão depressa... Esqueceu do machucado?

Oksana fechou os olhos por um momento, antes de encará-lo mais séria.

- Eu disse que não foi nada.

- Não temos porque arriscar uma interrupção...

Beijou-lhe nos lábios e sorriu vitorioso, admirando-a por breves segundos.

- Confessa, está louco pra mandar em mim...

- É, pode ser isso também.

- Então tenta sorte...

Ele voltou tomar sua boca e suas curvas mais uma vez. Soltou-lhe um dos braços e puxou-lhe pela lateral da coxa. Com uma das mãos livres, Oksana pôde segurar-lhe pela nuca e incentivar-lhe a soltar o outro braço para que passasse as unhas por suas costas. Desejo. Ambos transpiravam desejo e calor.

Com os lábios próximos ao ouvido da amada, finalmente esquecera-se de qualquer disputa e preocupava-se em possuí-la. Quanto mais ela sussurrava seu nome, mais ele a queria. E como ele a queria... Não podia imaginar o quanto até o momento de tomá-la nos braços. O ritmo dos dois aumentou significativamente até que chegaram ao ápice e Oksana estremeceu, logo seguida por Isaac, que deixou escapar o nome dela entre os lábios e a beijou satisfeito e ofegante. A mulher sorriu e afagou-lhe os cabelos, deixando que, exausto, se recostasse sobre ela.

- Eu avisei que era difícil tentar a sorte...

Só então ele compreendeu que fizera exatamente o que ela queria: acatara ao seu pedido e assim, a obedecera. Uma vez ouvira mesmo dizer que não tinha como ganhar de uma mulher naquele jogo, pois até fingindo-se submissas, faziam de seus parceiros o que desejavam. Mas agora pouco importava a derrota, pois fora a melhor de todas elas e podia repetir-se para sempre.

- Isso foi golpe baixo.

- Bom, você já tem com que se gabar. – respondeu em tom de brincadeira.

- Ah, claro! Vou correndo contar pro Hiyoga que eu e a irmã dele... Nossa, que bizarro, não consigo nem imaginar isso!

Levantou-se para pegar o cobertor enquanto ela ria do comentário e quando retornou, fez com que ela deitasse em seus braços e a cobriu em silêncio. Queria dizer o quanto já a amava, mas aquela mulher parecia tão segura de si, que o acovardava falar de sua fraqueza e desistiu. Beijou-lhe o topo da cabeça e a abraçou com carinho. Ficaram assim até adormecer.

Luego te levantas y te vas

El te esta esperando como siempre

Luces tu sonrisa mas normal

Blanca, pero fria como nieve

Isaac despertou com novos raios se infiltrando pelas frestas das janelas, e, como se tivesse vindo de um sonho, ela desaparecera. Sobressaltou-se e olhou em volta. Restara apenas seu perfume no ar. Levantou-se para vestir-se às pressas e viu um pedaço de papel cair no chão.

"Agora que você não é mais tão garoto assim, rs... Se cuida e fica de olho no Hiyoga por mim, se puder. Não vou esquecer o que fez... Obrigada."

Praguejou sozinho enquanto se vestia e correu até a porta ainda vestindo a camisa, mas não adiantava mais, tinha que voltar a aldeia e Oksana não deixara a menor pista de aonde fora.

- Acho que não foi muito bom encontrar isto, não é?

Hiyoga tocara seu ombro e o retirara do devaneio. O gato já pulara para o colo do dono e também o encarava. Levantou-se sem graça e devolveu o retrato sobre o móvel.

- Está tudo bem, é que eu... Nunca tinha reparado nele.

- Sinto muita falta dela, sabe. Nunca entendi exatamente o que houve, se ela se matou ou... Sei lá. É difícil se despedir de alguém que não foi possível enterrar e ter certeza que...

- É como se sempre estivéssemos esperando que ela apareça por aquela porta.

- Sim, exatamente. Todos os dias quando acordo, tenho essa sensação.

- Isso não é nada bom.

- Não, mas é real. E te vendo olhando pra essa foto agora, acabo de crer que não sou o único. Você a amava, não?

- Palavra forte... Não temos que sair? Estou verde de fome!

- Amava, não é?

- Se isto fosse verdade, eu não estaria com essa cara de idiota agora.

- Como assim? – respondeu entre risos.

- Você até poderia estar certo, seu insuportável, se tivesse conjugado a porcaria do verbo no presente...

Tu loca mania

Hás sido mia

Solo uma vez

Dulce ironia

Fuego de noche, nieve de dia

CONTINUA...