4º capítulo; Antes da cerimônia
Os dois chegaram e assim que saltaram do carro foram abordados por Tina, que olhava ternamente para o filho. Ainda no outro dia era um menino e ali a sua frente, um homem feito, mostrava-se no lugar do menininho.
- Tudo bem, com você?
- Sim, mamãe! Já chegou muita gente?
- Mais ou menos... Seu pai foi conversar com Grissom e aquele amigo dele que foi CSI...
De repente o jeitão pacato se rebelou e ele livrou-se da mãe e disse com ar sombrio;
- Já falei um milhão de vezes: ELE NÃO É MEU PAI!
- É como se fosse, ele o ama como se fosse dele. E acalme-se; aqui não é hora nem lugar para discutirmos isso!
Otis percebeu que elevara a voz, e duas senhoras olhavam para ele. Recompôs-se logo. Tudo isso espantou William, que nunca havia visto o amigo assim alterado.
Tina afastou-se do filho e deu a desculpa de ver a noiva. Perguntou a William onde ficava o quarto da noiva e desapareceu da vista de ambos, meio desenxabida.
- Você está bem, cara?
- Sim, por que não estaria? É o dia mais feliz da minha vida. – Apresentou um sorriso forçado.
William não se convenceu, mas não achou que devesse insistir, naquele momento. Otis foi conversar com uns colegas de faculdade. William tomou outro rumo, procurou o pai, que conversava a um canto do quintal, com Nick.
- É, Nick, estamos ficando velhos!
- Fale por você, porque eu estou bastante jovial! – Disse Nick com seu eterno sorriso. – Devido às crianças, eu me mantenho ativo!
Grissom deu um risinho, lembrou-se de que quando os gêmeos tinham aquela idade, o estimulavam também. Disse para Nick, que davam uma canseira, mas era uma canseira gostosa!
- Acho que o problema nem é a idade, é o peso...- ajuntava Nick, apertado num terno escuro.
Ele mostrava seus "pneuzinhos" visíveis mesmo com a camisa.
- A verdade é que estou preguiçoso: não faço exercícios físicos há muito tempo. Entre a trabalheira da fazenda e o cansaço com as crianças, não me sobra tempo, nem disposição.
- É, e essa atividade toda, não emagrece.
Nessa hora, William juntou-se aos dois. Deu um beijo em Grissom, cumprimentou Nick, e tomou um aperitivo com ele. Seu semblante estava carregado. Grissom adiantou-se.
- O que foi garoto? Sua mãe mandou você me espionar? Olhe eu não estou bebendo... – Grissom mostrou as mãos nuas para o filho.
- Que ideia, papai! Não, eu não sou espião de ninguém!
- Então, por que essa cara feia?
- É a única que tenho. – Respondeu o rapaz, de péssimo humor.
- Não é verdade e, além disso, hoje é um dia especial, é o casamento de sua única irmã com seu melhor amigo! Pensei que isso o faria feliz!
- E faz, papai!
- Desculpe a minha intromissão, mas não é o que sua cara está dizendo, William! – Disse Nick.
- O que acabei de presenciar, foi uma cena áspera entre Otis e a mãe, sobre o Dr. Lassiter. Parece que ele ainda não o aceita!
- Ainda não? - Perguntou Grissom, penalizado.
Ele era pai também e podia avaliar a dor que Russel Lassiter devia estar sentindo com o desprezo de Otis. Ele mesmo não conseguia aceitar o Dr. Lassiter muito bem, simplesmente porque conhecera Warrick e sempre sentira um infundável remorso pela morte dele. Ao longo dos anos, Sara bem que tentara tirar isso dele, sem sucesso, entretanto. Reconhecia todas as qualidades de Russel, quando estavam longe. Mas ao se verem, Grissom não conseguia aproximar-se do médico, sem reservas.
- Estou parecendo arrogante, honey? – Perguntou a Sara, no ensaio de cerimônia.
- Não! Mas tente ficar menos cerimonioso com os Lassiter e lembre-se de que você não é o chefe deles! - Respondeu Sara divertindo-se com a situação.
William de certa forma sentia-se mal. Ele queria um destino diferente para o amigo. Tivera sua experiência, quando pensou que ia ficar sem pai. Fora muito doloroso e ainda era, quando ele pensava nisso, agora em seus vinte e cinco anos, que dirá a sete anos atrás.
Um pai é sempre importante, Otis não sabia o que estava perdendo, todos esses anos. A experiência, as lições, mesmo apenas o convívio com esse homem, era imprescindível, sem falar no afeto, pensava o rapaz. Vendo o semblante carregado do filho, Grissom pediu-lhe que desembuchasse o que pensava afinal? Parecia impaciente.
- Bom, além da culpa da mãe... Ela começou e vocês dois terminaram.
- EU? – Perguntaram ao mesmo tempo.
- Sim vocês dois!
- O que fizemos afinal?
- Desde que Othis começou a entender alguma coisa, Tina enfiou em sua cabeça que Warrick era um ser perfeito, sem defeitos. Naturalmente, quando ela se casou com o Dr. Lassiter, o pequeno Otis não aceitou muito bem. E por que o faria? Seu pai biológico era um deus. Por que ele aceitaria um simples mortal?
- A intenção foi válida. Mas convenhamos que foi algo bem estúpido!
-Eu concordo, foi exagerado! Mas anos mais tarde, você e Nick acentuaram isso. – Replicou William. – Nick o descreveu como o mais perfeito dos amigos. Um verdadeiro Santo!
- Ora, ele era mesmo um grande amigo! – Defendeu-se Nick, abaixando a cabeça.
- Que seja! Mas você poderia tê-lo retratado como um amigo e não como uma perfeição feito gente!
- Ele era muito bom, mas não era perfeito!
- Não foi assim que você o retratou! E você papai? Ele era fantástico, o filho que você queria ter!
- É verdade! – respondeu Grissom.
-Não duvido que ele tenha sido um bom sujeito, mas vocês não precisavam transformá-lo em alguém inumano, acima do bem e do mal!
Grissom suspirou. Como poderia contradizer o filho, se ele mesmo olhava meio de lado para o Dr. Lassiter? Nem teve ânimo para confrontar o filho, pois sabia lá no fundo, que o rapaz estava certo.
