Fanfic dedicada a PATRICIA MORAIS

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Eros: o Deus do Amor

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Capítulo 4

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- Já a encontraram?

- Não, Majestade. Procuramos a noite inteira e nada. Não há sinal dela, lamentamos muito. - disse Miroku de cabeça baixa e ajoelhado perante o Rei.

- Aff… - tocou as têmporas, mostrando a sua insatisfação face à situação - Vá buscar a senhorita Sango, general. Quero falar com ela. Se há alguém que sabe o paradeiro de minha filha, é ela. Vá buscá-la agora!

- Sim senhor! - ele ergueu-se e saiu.

Minutos depois, Sango entrava no salão e Miroku a mandou ajoelhar.

- Mandou chamar, Majestade?

- Sim, mandei. Sango… - começou, se levantando. - Sabia que a Princesa fugiu?

- Meu deus! Fugiu? Mas para onde? Temos que a procurar, ela pode estar em perigo! - a moça levou as mãos à boca, fingindo surpresa.

- Não se faça desentendida, senhorita Sango. Eu sei muito bem que você está por detrás disso. Você sabe onde ela está, não sabe?

- Não, meu Senhor. Não faço a menor ideia.

- Diga a verdade, Sango. Ninguém te vai castigar. - acercou-se dela e se colocou atrás. - Onde ela está? - sussurrou no seu ouvido.

- Não sei.

- Mentirosa! - um estalo fez Sango cair ao chão. Miroku tentou intervir, mas os restantes soldados não deixaram. Já sabiam que o Rei podia ser muito severo quando estava irritado. - Sabe que consequências vieram com o desaparecimento de Kagome? Sabe? O sobrinho do Rei do Reino vizinho está em seus aposentos. Ele veio de propósito para se casar com ela e agora vai ter que ir embora. É uma desonra e uma humilhação enorme para nosso Reino!

- O sobrinho? Pensei que… pensei que era o filho que iria desposar Kagome.

- Não. Infelizmente ele morreu numa batalha. Por isso, decidimos que o sobrinho, Houjo, o substituiria. Mas não mude de assunto. Exijo que me diga, onde está minha filha?

- Eu já disse que não sei!

O Rei mudou a sua expressão do rosto. Estava agora sentindo uma ira total por Sango. Levantou a mão, pronto a desferir outro golpe nela e Sango se encolheu toda, preparando-se. Jamais poderia revidar um golpe do Rei, por mais fácil que fosse para ela. De repente, uma mão segurou o antebraço do homem. Era Miroku.

- Majestade, por favor. Pare com isso, se Sango disse que não sabia, então é porque não sabe. Não bata mais nela, é uma mulher.

- Eu… - ele pareceu voltar à realidade e baixou a mão. - Me desculpe, senhorita Sango. Não sei o que me deu. - dirigiu-se ao trono, dando costas para ela - Po-pode ir.

Sango olhou para ele, que parecia bastante transtornado e se ergueu, limpando as roupas. Ela não estava mentindo, realmente, não sabia onde Kagome estava. Só sabia que ela tinha fugido para o bosque. Nada mais.

- Podem sair todos. Me deixem sozinho.

Todos os soldados saíram e Miroku pegou pela mão de Sango, a levando para uma arrecadação escura. Fechou a porta e a prendeu contra uma parede, com as mãos ao lado do rosto dela.

- Você não mentiu, pois não?

- Claro que não! Miroku, eu disse a verdade. Não sei onde ela está.

- Mas você sabe por onde ela fugiu, não sabe? - disse erguendo o seu olhar azul para ela.

Prendeu a respiração. Não conseguia mentir quando ele a olhava daquele jeito.

- Sim. - sussurrou muito baixo.

- Eu sabia! - largou-a e se virou de costas para ela. - Sango! Você sabe a gravidade da situação? Sabe a que está sujeita se o Rei descobre isso?

- Sei.

- Sabe? Não parece! Se ele descobre, não levará apenas um tabefe. Desta vez irá a pena de morte.

- Eu…

- É crime fazer desaparecer alguém da realeza!

- Eu sei! Mas…

- Mas o quê? Você me prometeu que iria mudar! - apoiou a mão na parede à sua frente e descansou a cabeça no braço. - Não adianta parar de roubar se continua cometendo crimes. Eu confiei em você, Sango! Você me mentiu!

- Para! Já chega! - gritou exasperada. - Não sou mentirosa! Não quero saber se o Rei descobre! Não quero saber se vou a pena de morte! Não menti a ele, não sei onde ela está. Apenas sei que fugiu pelo bosque. Eu sei que você confiou em mim, mas eu cumpri a minha promessa! Estou lutando pelos meus princípios! Não te traí!

- Princípios? Quais princípios, Sango? Ajudar a Princesa a fugir é algum princípio?

- Não é disso que estou falando.

- Então é do quê?

- Amor!

Miroku se virou para ela com os olhos arregalados.

- Amor…? O que é que isso tem a ver com essa história?

- Você acha que ser princesa é fácil? Não é só andar para trás e para a frente vestida elegantemente, mostrando pose e graciosidade para todos, acompanhada de serviçais! É uma responsabilidade muito grande, fique sabendo! Às vezes, um fardo que castiga severamente. Uma princesa não tem liberdade de escolha! Muitas vezes faz decisões arriscadas pensando em seu povo.

- Sango…

- Casar sem amor é uma delas! - a mulher não teve piedade. Ele havia duvidado dela e agora ia ouvir até ao fim. - Como é que acha que uma moça que nem a Kagome iria ficar depois da noite de núpcias, hein? Nojo! Com nojo de si mesma quando no dia seguinte acordasse e visse que toda a sua pureza e virgindade foram retiradas por um príncipezinho mimado que quer apenas fazer sex---

Miroku correu a tapar a boca dela. Não era muito bonito uma moça dizer aquela palavra tão grotesca e tão… directa. Já se tinha habituado que quando Sango se zangava, falava demais. Tirou a mão e deixou que ela respirasse.

- Então era por isso? Não queria que a virtude de Kagome fosse ameaçada, não era?

- Sim. Eu não iria suportar ver ela casada com um homem qualquer. Miroku, eu continuo defendendo meus princípios. Não menti para ninguém e muito menos traí sua confiança!

- Eu sei. - encostou-a de novo à parede e a prendeu com seu corpo. - Me perdoa por ter duvidado de você?

- Cl-claro que sim.

- Então, me permita que reclame um beijo para fazermos as pazes.

- Um b-beijo?

- Sim.

- N-Não sei se posso, sabe. E-Eu estou muito atrasada, tenho que ajudar umas empregadas a tomar conta da pirralha da Rin e tenho que arrumar os aposentos do filho do Rei vizinho, quero dizer, do sobrinho dele visto que o filho morreu numa batalha o que é muito triste e agora…

Um beijo a calou.

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- Eros?

- Hai!

- Deus?

- Hai!

- Amor?

- Hai!

- Tem certeza?

- Hai!

- Ahahahahahahahahahahahah!

- O que foi?

- Ahahahahahahah! Deus do Amor! Ahahahahahahahahahah! - simplesmente estalei em riso. - Que coisa é essa? Isso não existe! Ahahahahahahah!

- Está rindo do quê? É verdade!

- Ahahahahahahah!

- Olha que se continua rindo assim, ele vem até aqui e te dá um castigo!

- AHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAH! - meu deus! Façam ele para ou eu juro que morro sem ar!

- Ele está aqui, sabia?

Ok, aquela informação me deixou sem graça. Será que ele tinha ouvido meu riso? Não, acho que não… Eu fui discreta. Acho.

- Aqui? Aqui como?

- Aqui.

- No castelo?

- Hai!

- Nesta sala?

- Hai!

- Agora?

- Hai!

- Tem certeza?

- Hai!

- Filho da mãe!

- Opa! Não diga isso, Kagome! Olha que ele te ouve!

- Não pode ser verdade! Ele não está aqui! - coloquei minhas mãos na cintura e adoptei uma expressão de irritação. - Se ele estivesse aqui, como bom anfitrião que é, deveria me receber pessoalmente!

- Ele não gosta muito de mostrar o rosto.

- Porquê? É assim tão feio? - zombei.

- Bem… - ele encolheu os ombros, mas podia ver em seu rosto uma expressão divertida. - Tire suas conclusões quando o vir, esta noite.

- Ele vai aparecer à noite? Porque não agora?

- Ele está ocupado.

- Sei.

- Bom, ele me deu ordens para te manter ocupada o dia inteiro até ele aparecer.

- Oh, mas que atencioso… - disse sarcástica. - Isso quer dizer que vou passar o dia todo brincando com você?

- É isso mesmo!

- YAY! Que legal! O que vamos fazer primeiro? - dei uns pulinhos e bati palmas alegremente. Não pensem que sou criança, nem nada, mas é que a ideia de ficar mimando aquele garotinho fofinho o dia todo me animou. Ele é tão querido que só tenho vontade de apertar aquelas bochechinhas!

- Tudo o que quiser!

- Hmm… deixa eu ver… Já sei! Me mostre todos os lugares do castelo! Quero saber onde são todos os aposentos!

- Sim! Vem comigo!

O menino me pegou na mão e me puxou pelas escadas acima. Puxa! Eu tropecei em metade delas, com a velocidade que ele corria. E olha que a escadaria tinha umas 30 escadas. Quando chegamos lá em cima, ele me apresentou todos os quartos. Excepto um.

O quarto de Eros.

Não sei o que tem de especial, mas tive muita curiosidade de ver o que tinha dentro! Maldição! Agora vou ficar com a pulga atrás da orelha toda a tarde. Sim, porque eu tenciono esperar pelo tal deus e pedir para ir lá dentro. Eu tenho cara de pau suficiente para pedir isso.

Mais tarde, fomos almoçar e quando entrámos na cozinha, apanhei um dos maiores sustos da minha vida. A anã me persegue!

- Senhora Kaede?

- Ah! Princesa Kagome! Pensei que ainda não tivesse chegado! Onde esteve toda a manhã? - ela mexia com uma colher enorme na panela enorme atrás do enorme balcão da enorme cozinha. Lá era tudo enorme.

- Err… Brincando com o Shippou.

- E eu que pensava que você estivesse cuidando do cavalo de Eros! Não sabe que ele já chegou? - falou a velha, repreendendo o garoto.

- Já sim, mas ele me disse para entreter a Kagome até ser noite!

- Psiu! Olha como fala da menina! É Princesa, tá? Ela não é sua mãe para se dirigir assim a ela!

- Por acaso até é! - disse ele, se defendendo e tapando a cabeça do cascudo que Kaede lhe dera.

- O quê?

- Err… Eu e Shippou nos tornamos muito amigos, e logo quando nos conhecemos concordamos que eu seria a sua mãe. Ele me contou que ela tinha sido vítima de um ataque cardíaco quando deu à luz. Pobre mulher, lamento muito. - disse, em socorro de Shippou.

- Não faz mal, senhorita Kagome. O que passou, passou. Além disso, eu mesma tenho cuidado desse moleque. Não precisa se preocupar em fazer de conta que é mãe dele. Ainda é muito jovem.

- Ah, não se preocupe! Eu adoro ele! - e nisto o abracei e dei um beijo estalado em sua bochecha. É claro que ele gostou, mas fingiu que não, me afastando.

- Ah! Já chega de beijo! Isso é coisa de mulher!

- Kagome? Não quer tomar um chá comigo? Entretanto, Shippou, vá cuidar do cavalo. Eros não quer que ele coma fora de horas.

- Hunf… Já tou indo… - colocou as mãos nos bolsos e saiu pela porta.

- Agora, Kagome, me conte, como foi sua fuga? - disse quando nos sentamos frente a frente na mesa (enorme).

- Ahn? A senhora sabia que eu ia fugir?

- Claro! Eu não lhe disse? Eu sou a encarnação do Oráculo.

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- Oi Entei! E então? Já está com fome?

O menino recebeu um relincho como aprovação e passou a mão na crina.

- Hehe… Vem, vou pegar umas cenouras. - pegou as rédeas e foi puxando o animal.

- Espere, Shippou. - uma voz masculina soou e o menino parou para ver quem era.

- Ahn? Ah! Eros! Pensei que estivesse lá dentro.

- Já disse que me pode chamar pelo meu nome verdadeiro. Esse nome divino me incomoda às vezes.

- Certo, Inuyasha. Oi, você não vai ver como está a Kagome? Ela está falando com a vovó Kaede.

- Sim, eu sei. É melhor deixar a velhota explicar tudo para ela. Não quero ter que perder meu tempo com histórias. Tenho planos melhores para logo à noite. Shippou, quando o jantar terminar, leve a Princesa para os meus aposentos para que possa se banhar. Depois… Rua daqui para fora!

- O quê?

- Não quero ninguém no castelo nos próximos dois dias. A velhota Kaede te levará com ela para a sua casa.

- Ohh… e eu que tinha gostado tanto da Kagome… - suspirou - Vai fazer o quê com ela de noite?

- Uh! - ele olhou para ele corado - Não é nada que te interesse. Não é para a tua idade, moleque! - e deu um cascudo nele. - Vai alimentar o Entei, agora. Ele deve estar faminto.

- Ai! Poxa! Pare de me bater!

Depois de gritar, teve pouco tempo para se desviar de um chute no traseiro que levou do homem.

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- Deixe ver se eu entendi. O Oráculo era uma mulher nos tempos antigos que adivinhava o futuro?

- Sim, ao contrário do que dizem, o Oráculo nunca foi um homem, era sempre uma mulher. E não só adivinhava o futuro como também aconselhava as pessoas sobre o presente. Também era costume receberem visitas dos próprios deuses do Olimpo.

- Uau! Que legal! E então, o que é que eu tenho a ver com isso tudo?

- Eros quer te ver, apenas. Tem coisas importantes a falar com você.

- O que será que ele quer de mim?

- Isso depois você pergunta para ele.

- Tá bom. - dei de ombros e bebi o resto do meu chá. Não é que a anã sabe fazer um chá óptimo?

- Olhe, tem um jardim muito bonito nas traseiras do castelo. É só passar por essa porta. Se quiser pode ir lá e ficar a tarde toda. Depois eu mando o Shippou ter com você.

- Certo!

Levantei e fui para o tal jardim. Era lindo! A grama era rente ao chão e fofa, havia muitas flores de todas as cores, tamanhos, formas e cheiros por todo o lado. Uma árvore grandalhona aparecia no meio do jardim, perto de um pequeno riacho. Ah! Que lindo! Amei! A água era tão limpinha que não pensei duas vezes antes de tirar meus sapatos e colocar lá meus pés cansados. Depois me deitei para trás e fiquei vendo a forma das nuvens até que a luz forte do sol me deixou mole e sonolenta.

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Inuyasha caminhava lentamente para a parte traseira do castelo. Estava inquieto. A vontade de correr para Kagome e a beijar desesperadamente era muito grande. Quando ele a salvou dos bandidos, teve que se conter para não a tocar mais do que devia, estava perdendo o controle só por respirar o doce aroma dela.

Era incrível como era parecida com Kikyou e ao mesmo tempo não era.

Em boa verdade, ela era parecida com Kikyou fisicamente. Tinha a mesma cor de cabelo, embora fosse mais ondulado nas pontas, a mesma altura, a mesma cor de pele um pouco pálida. Só os olhos eram diferentes. Os de Kikyou eram castanhos, frios, quase sem emoções. Os de Kagome eram azuis, expressivos e doces.

Por dentro, as duas eram total e completamente diferentes. Kikyou era anti-social, não gostava de demonstrar carinho por ninguém, principalmente se fosse em público, detestava crianças e falava pouco.

Mas pelo que pode saber sobre Kagome através de suas espiadas quando ela estava no castelo, a jovem era delicada e ao mesmo tempo tinha força suficiente para deitar por terra um homem com apenas um soco certeiro. Era doce e ao mesmo tempo tinha uma grande boca que deitava palavrões para tudo quanto era canto quando se zangava. Era inocente e ao mesmo tempo era dona de uma sensualidade incrível e desconcertante.

Ela deixava os homens em estado 'alegre' só de passar e sorrir para eles e Inuyasha sabia que ela não fazia ideia do que provocava neles.

Era uma mulher muito apetecível e era capaz de o deixar louco de desejo num instante. Tinha que ser muito cuidadoso nessa noite. Era noite de Lua Nova e ele estaria vulnerável se não tivesse cuidado para que Kagome não descobrisse o seu nome verdadeiro. Pelo que Kaede dissera, Kagome havia escutado a conversa dela e do Rei quando estavam falando dele. Kagome apenas sabia que um homem chamado Inuyasha a procurava.

De repente parou. A mulher de seus devaneios estava deitada na grama, com os pés no riacho e olhando para o céu. Ou se calhar estava dormindo. Com todo o cuidado e tão silencioso como um gato, ele se aproximou dela e sentou ao seu lado.

Os cabelos negros e cacheados estavam espalhados displicentemente pelo gramado baixo e as pestanas espessas roçavam levemente nas bochechas, dando um ar de inocência. Os lábios rosados entreabriam-se deixando ver o branco dos dentes. Tinha as faces coradas devido à luz intensa do sol, o decote um pouco aberto e a respiração calma. Foi esmagado pelo desejo de a beijar.

Com cuidado, segurou o rosto dela entre as mãos e baixou o seu. Ao fechar os olhos sentiu que a respiração calma e quente dela batia em sua face. Com mais atenção, sentiu muito próximo o calor que emanava dos seus lábios delicados. Não aguentou mais e acabou com o espaço que os separava.

Os lábios de Kagome eram macios, quentes e suaves. Uma combinação perfeita na opinião de Inuyasha. Eram carnudos, muito diferentes dos de Kikyou que eram finos e frios. Ele estava perdendo o controle. Subiu para cima dela e apoiou as mãos no chão, ainda a beijando. Não sabia quando iria parar nem tão-pouco se o queria fazer.

Passou a língua nos lábios dela e depois deixou que a atenção de sua boca se focasse na carne macia e gostosa do pescoço dela. O cheiro de flores de cerejeira invadiu o seu nariz e o embriagou. Agora estava certo que não poderia parar tão facilmente. Era a prova que Kagome nada fazia mas mesmo assim o conseguia fazer seu prisioneiro. Seu eterno prisioneiro, pensou.

- Inuyasha? - a voz de Shippou o surpreendeu.

- Shippou? O que faz aqui?

- A vovó Kaede me pediu para brincar com Kagome. O que está fazendo em cima dela?

Ele se ergueu de um salto e se recompôs.

- Não meta o nariz onde não é chamado, pivete.

Nesse momento, Kagome começou a despertar e os dois rapazes olharam para ela assustados. Tanto Inuyasha como Shippou sabiam que ela não poderia encontrar o anfitrião do castelo tão cedo.

- Ai! Inuyasha, ela está acordando! Depressa, se esconde! Vai embora!

- Tá bom, tá bom. Mas olha uma coisa. - abaixou-se a seu lado e sussurrou em seu ouvido - Não conte para ninguém que me encontrou aqui com ela.

- Certo! Agora vai!

Assim que Inuyasha desapareceu Kagome abriu os olhos e se levantou.

- Shippou, estava falando com quem? Parece que ouvi vozes.

- Com ninguém, não! Esqueça! Vem, eu quero que você veja os peixinhos dourados do riacho!

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Já era noite, o Shippou me esgotou, simplesmente. Nesse momento, ele me levava até aos aposentos.

- Pode entrar.

Olhei para a porta ricamente revestida em ouro e o fitei confusa.

- Shippou, esse é o quarto de Eros. Você tinha dito que ninguém entrava aqui sem a sua autorização.

- Eu sei, mas ele deu permissão para você entrar. - disse sorrindo - A banheira está cheia e já tem os sais perfumados de banho. É só entrar e desfrutar. As toalhas estão penduradas logo atrás da porta. Espero que goste, fui eu que as perfumei e tudo!

- Obrigada, Shippou, você é muito atencioso. - entrei no quarto e me virei para ele. - Não quer entrar?

- Não, não posso. Fica para outra altura.

- Mas eu não quero ficar sozinha! Eu nem conheço esse quarto!

- Não fique preocupada, Kagome. Nesse castelo, você nunca se sentirá só. Boa noite! - sorriu mais uma vez e fechou a porta.

O que é que ele quereria dizer com aquilo? Dei de ombros. Oh, bom… Não deve ser nada de importante, devia ser só para me confortar. Crianças têm o hábito de querer que todo mundo fique contente e relaxado.

O quarto era… enorme. Tinha uma cama de casal… enorme. E uma mesa para escrever… enorme. Para variar. Bom, é melhor procurar o banheiro senão a água esfria. Estou tão cansada e suja que esse banho seria divino para meu corpo.

Mal encontrei a banheira cheia de água quentinha e cheirosa, tirei a roupa, espiando por cima de meu ombro. Não vá Eros entrar de repente. Quando me enfiei na banheira, senti meus músculos descontraírem. Ah! Que alivio!

Depois de tomar o mais longo banho de minha vida, saí e me embrulhei numa toalha. Estava colocando um vestido azul quando reparei na janela aberta que deixava o ar nocturno e frio entrar. Quando a fui fechar, vi um vulto no jardim da frente.

- Meu deus! - coloquei a mão na boca - Será um ladrão? - olhei pela janela à procura de soldados - Mas que espécie de castelo é esse que nem um soldado tem? Parece que vou ter que fazer alguma coisa. Vamos lá Kagome! Você é capaz!

Sem pensar duas vezes, arregacei as mangas do vestido e cuspi em minhas mãos, subindo para o parapeito da janela para saltar. Posso dizer que eram uns dois metros até ao chão. Merecia um prémio por ter sido, milagrosamente, silenciosa e não ter reclamando da dor aguda que subiu pelos meus pés até à coluna. Olhei para todos os lados e peguei num pau de madeira grande que estava no chão.

- Quem é você? - disse apontando a minha 'arma' para o vulto que estava de costas para mim - Não sabe que está em propriedade privada? Saia daqui!

Vi quando ele se moveu para se virar mas, devido à luz fraca oferecida pela Lua Nova, não pude ver se era um homem ou uma mulher, mas acho que era homem porque o porte era forte e alto.

- O quê? Propriedade privada? Hmm… Devo estar metido em furada, então. - falou ele. Aquela voz… Eu conhecia aquela voz! Era daquele homem estranho que me salvou dos bandidos! HÁ! Eu disse que iria encontrá-lo! - Principalmente porque tenho uma menina metida a guerreira com um ramo na mão apontado para mim. - zombou. O tom de sua voz mostrava que estava sorrindo.

- Ora seu… - baixei minha 'arma' - Eu sei quem você é! Eu disse que iria te conhecer! Você é aquele homem mal-educado que me salvou dos bandidos hoje de manhã!

- Mal-educado? Bandidos? Do que está falando?

- Ora, não se faça desentendido! Admita, eu te encontrei e te reconheci sem nem precisar ver seu rosto!

- Deve estar me confundindo com alguém… - quando ele chegou mais perto, senti minhas pernas tremerem. Lembro perfeitamente quão arrebatador era o seu olhar e o seu corpo. - Eu sou o anfitrião desse castelo.

- Q-Quê? - gaguejei - Você é Eros?

- Uhum. - acenou com a cabeça. - Ninguém te disse que eu iria vê-la essa noite?

- Sim, c-claro, mas… Eu tenho quase a certeza que a sua voz é a mesma que a daquele grosseirão de cabelos pratas.

- Ahah! A senhorita é tão bem-educada. Não haja dúvida, uma autêntica flor exótica e delicada. - chegou perto de meu ouvido e sussurrou - Mas com espinhos venenosos que não deixam ninguém chegar perto.

- O que está insinuando? - estendi o ramo e apontei para sua barriga, obrigando-o a afastar-se.

- Sua língua é muito comprida. - disse encolhendo os ombros.

- Grosso!

- Há! Está vendo?

- Argh! Pare com isso! - me aproximei dele, ainda não o tinha visto e minha curiosidade me estava matando. - Se você é Eros, porque não se mostra?

- Com todo o prazer.

Nesse instante, senti que ele correra para mim, e numa velocidade impressionante, colocou os braços por debaixo de meus joelhos e me ergueu. De um salto, passou pela janela e estávamos de novo em seu quarto.

Olhei para ele. A luz das velas abundantes do aposento iluminava seu rosto. Tinha cabelos compridos e negros, os olhos eram cinza escuro e a pele mais pálida que o grosseirão que me salvou. Mesmo assim, ele era lindo de morrer!

- Deus! - sussurrei - Você não tem nada a ver com ele!

Ele sorriu e me colocou no chão.

- Se a senhorita o diz…

- Mas mesmo assim,… - comecei, era demasiado teimosa para desistir tão fácil assim - há muitas semelhanças.

- Como por exemplo?

- A sua altura é idêntica à dele. O seu nariz é que nem o dele. O seu queixo também é igual. A sua voz é a mesma, inconfundível. O seu modo de falar…

- O que tem meu modo de falar? - perguntou erguendo a sobrancelha.

- É igual. Despreocupado e grosso. Leva tudo na brincadeira. E também é sarcástico.

- Obrigado, me sinto muito elogiado.

- Está vendo?

- Mas porque me está comparando com ele? Acaso está apaixonada?

- EU? Claro que não, ora essa!

- Então porque queria vê-lo tanto assim?

- Eu fui atacada essa manhã, e ele apareceu do nada e me salvou. Só isso.

- Só? - ergueu uma sobrancelha e chegou mais perto. - Não me parece que tenha sido só isso.

- É que depois ele disse que eu nunca iria descobrir quem ele era e nem me disse seu nome. Eu só… queria agradecer pelo que ele fez. A essa hora eu poderia estar morta.

- Hmm… - ele coçou o queixo - Realmente, esse homem parece ser muito bondoso.

Fiquei olhando para ele durante uns minutos, até que não resisti.

- Ok, pare com isso. - ele pareceu surpreso com o que eu disse.

- Como?

Saltei para cima dele e me coloquei em suas costas.

- Onde sua cabeleira postiça está presa? - falei puxando seus cabelos. Estavam mesmo bem colocados, até pareciam verdadeiros! - Me mostre seus cabelos prateados! Mentir é feio, sabia?

- O que está fazendo? Ai! Pare com isso! Largue meus cabelos! - me agarrou e me deitou na cama, prendendo meus pulsos no colchão mole. - Acaso endoideceu?

- Não brinque comigo! Eu sei muito bem que você está fingindo! Você é aquele homem! - gritei, lutando para me soltar. Até que ele subiu em cima de mim e o colchão cedeu lentamente sob o seu peso.

- Eu sou Eros!

- Qual a diferença? Eu não gosto que tirem sarro de mim!

- Acha que sou parecido com ele? Se ele tem cabelos prata porque é que eu tenho cabelos negros? - apesar de ele estar me ralhando, ele tinha um sorriso no rosto.

A raiva se apoderou de mim, ele estava brincado comigo! Idiota!

- Idiota! - gritei.

Nesse momento, os lábios dele desceram para encontrar os meus. Céus! Que lábios gostosos! Tão experientes e tão meigos! Parece que já nos tínhamos beijado antes, mas seria impossível. Esse é meu primeiro beijo. Apesar da minha relutância em deixar ser beijada, não pude resistir muito tempo. Deixei que ele me beijasse quanto tempo queria. Era tão bom sentir o calor e a humidade de sua língua atrevida em minha boca que me deixei levar.

Não sei quanto tempo passou. Podiam ser apenas alguns segundos ou minutos. Mas também poderiam ser horas. Não importa. Naquele momento eu só queria sentir sua boca contra a minha.

Devagar, passei minhas mãos por suas costas até chegar em sua nuca. Com a ponta dos dedos, o acariciei e ele pareceu me apertar mais forte em seus braços. Nossa! Não sabia que eu era assim tão boa para seduzir… Ainda para mais um homem daqueles!

Os seus beijos se desviaram para meu pescoço e um arrepio percorreu minha espinha toda quando o ouvir sussurrar com a voz grave e rouca.

- Você ganhou, Sua Alteza. Eu sou o mesmo homem que te salvou dos bandidos.

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Continua...

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Oi gente! Quero agradecer as reviews que têm mandado! Um dia desses eu faço um capítulo só para agradecer às fãs da minha fic.

Quanto à história, decidi prolongar mais um pouquinho. Quero fazer uns capitulozinhos depois que eles casarem e coisa e talz.

Deve ter uns 8, mas não mais de dez (ainda não tenho a certeza).

Espero ter agradado vocês com esse capítulo e o próximo vai ser hentai!!!!

Mais uma vez, obrigada por acompanharem e por mandarem reviews. AMEI TODAS ELAS! *.*

Ja ne, minna!