N. da A.: Minha nossa! Faz décadas que não apareço por aqui, mas resolvi criar vergonha na cara e atualizar a história. Eu prefiro não prometer que vou postar outro capítulo logo e muito menos prometer que vou terminar a história um dia, mas eu realmente espero que faça isso.
Lifehouse – Sick Cycle Carousel
If shame had a face I think it would kind of look like mine
If it had a home would it be my eyes
Would you believe me if I said I'm tired of this
Well here we go now one more time
(…)
So when will this end?
It goes on and on over and over and over again
Keep spinning around I know that it won't stop
Till I step down from this sick cycle carousel
This is a sick cycle carousel
Sick cycle carousel
This is a sick cycle, yeah
Lifehouse – Círculo Vicioso Doentio
Se a vergonha tivesse um rosto acho que se pareceria um pouco com o meu
Se tivesse um lar seriam meus olhos?
Você acreditaria se eu dissesse que estou cansado disso
Bem, e agora vamos nós uma vez mais
(...)
E quando isso está prestes a acabar?
Continua de novo uma vez, outra e outra novamente
Continua girando, eu sei que não vai parar
Círculo vicioso doentio
Isso é um círculo vicioso doentio
Círculo vicioso doentio
Isso é um círculo vicioso
"Onde você pensa que vai, cherie?" – perguntou, puxando-a pelo braço, fazendo com que ficasse de frente para ele.
"Para casa. E se você não se importa eu vou levar o meu braço." – disse, puxando o braço da mão dele. Vampira começou a andar rápido pela rua, com Gambit atrás dela.
"Eu não estou entendo, cherie. Do nada você resolveu ir para casa?"
"Do nada? – ela disse se virando para encará-lo – Do nada? Olha eu até aceito ficar sentada com você conversando, mas eu não vou aceitar você ficar flertando com outra mulher na minha frente."
Ele sorriu.
"Você está com ciúme, cherie?"
"O quê? Não. Não se trata de ciúme. É uma questão de consideração e você não teve a mínima por mim."
"Mas foi ela quem deu em cima de mim."
"Ah! É mesmo? Você estava mesmo com cara de quem não estava gostando." – disse ela sarcasticamente.
"Nós podemos ir para outro lugar, cherie."
"Não, nós não podemos, Gambit"
Ela voltou a andar e ele continuou parado no mesmo lugar, olhando para ela. Quantas vezes ele já havia sido deixado por uma mulher? Nenhuma vez. Isso não ia acontecer agora. Não se dependesse dele.
"Você ainda não tomou seu suco– ele gritou, mas ela nem deu ouvidos .– Eu ainda estou com a sua carteira...
Ela parou.
"Droga!"
Ela não podia chegar em casa sem a carteira. O cartão de identificação que dava acesso a mansão estava lá dentro. Como ela ia explicar o jeito que tinha perdido o cartão?
"Ah! O cartão? Então... um dia desses eu estava passeando pelo Shopping e encontrei o Gambit ... e ele me convidou para passear e eu não aceitei. Então ele ficou com a minha carteira. Claro que agora o Magneto e a turma dele tem acesso a mansão e também aos dispositivos de segurança... Mas quem se importa? Nós ainda estamos na vantagem... não é mesmo?"
Péssima idéia. Ela já conseguia até visualizar a cara de raiva do Wolverine.
"Tudo bem – ela disse caminhando na direção dele -, mas eu não vou voltar para aquele lugar."
"Sem problemas, cherie, nós vamos pra onde você quiser."
"Certo."
Eles caminharam durante um tempo em silêncio, cada um envolvido em seu próprio pensamento, indo em direção ao parque. Não era um silêncio constrangedor, era como se só a presença de ambos fosse suficiente, sem a necessidade de palavras. Chegava a ser assustador a forma como eles se sentiam a vontade na presença um do outro.
O parque de Bayville era um lugar amplo e bonito. Possuía um lago, várias árvores e flores, bancos, mesas e brinquedos, incluindo balanços que ficavam espalhados. Era freqüentado por toda a população desde jovens adolescentes à velhinhos, passando por pais com seus filhos pequenos. Estava quase escurecendo, portanto a quantidade de pessoas que estavam ocupando a extensão do parque era bem pouca e composta basicamente de adolescentes bagunceiros.
Vampira resolveu sentar em um balanço que estava vazio e Gambit sentou no que estava ao lado. Ela já estava mais calma. Na verdade a situação nem era tão ruim assim, de certa forma ela estava precisando de companhia, e apesar de forçada, a que ela tinha no momento estava se mostrando razoavelmente agradável.
"Porque..."
"Cherie..."
Os dois falaram ao mesmo tempo, o que provocou um sorriso de ambos.
"Pode falar" – disse Vampira.
"Non, cherie. Eu sou um cavalheiro e uma das principais regras dos cavalheiros é: 'Primeiro as damas'".
"Desde quando você é um cavalheiro, Gambit?"
"Desde que nasci eu sou assim, cherie. Irresistível e extremamente gentil."
Ela arqueou a sobrancelha e disse:
"E convencido."
"Oui, cherie. Três qualidades são sempre melhores que duas" – disse ele, sorrindo, fazendo com que ela sorrisse também.
"Você não veio nos ajudar com o Apocalipse, por quê?
"Eu tinha os meus próprios problemas pra resolver, cherie, e o Apocalipse não era um deles."
"Isso me soa um tanto egoísta."
"E quem não é? Não vai me dizer que você ajudou porque ficou com pena do que provavelmente seria a morte certa para os humanos? Isso combina com muita gente, menos com você. Aposto que também teve o seu motivo egoísta para estar lá."
Silêncio.
"Agora eu fiquei parecendo uma pessoa sem coração" – disse ela depois de um tempo.
"Eu não quis dizer isso. Quer um refrigerante? – ele perguntou, e foi buscar depois de um aceno afirmativo dela. – Eu só estava querendo dizer que você não é, nem falsa e nem boazinha demais para estender a mão a quem te vira as costas – continuou, entregando-a uma latinha –, mas não é uma coisa ruim. Eu admiro isso em você, cherie."
"Nossa! Eu fico lisonjeada que você admire isso em mim" – disse ela, sarcástica.
Ele sorriu e ambos ficaram tomando seu refrigerante em silêncio, até que Gambit perguntou:
"Cherie, você se lembra do beijo que me deu?"
Nesse momento ficou difícil eleger se a cena mais bizarra era a Vampira cuspindo todo o refrigerante que estava na boca e quase morrendo engasgada, ou se era a cara do Gambit de 'essa é a pergunta mais normal do mundo'.
"Foi uma piada, né?" – disse ela, com um quê de desespero na voz.
"Non. Você não se lembra?"
"Eu não posso me lembrar de uma coisa que nunca aconteceu."
"Então você acha que eu estou mentindo?"
"Não, não. É só que... Olha, não me leva a mal, Gambit, mas se isso realmente tivesse acontecido eu me lembraria – ele arqueou a sobrancelha; ela ficou vermelha. – Não que isso fosse importante, é só que... isso não acontece com muita frequência – ele sorriu; ela conseguiu ficar ainda mais vermelha. – Não que isso não aconteça, é só que... Ah! Esquece. Eu tenho que ir para casa" – ela disse, se levantando para pegar a bolsa.
"Por quê?"
"Porque... porque... porque já é tarde. É, é isso. Eu até perdi o jantar, olha só" – ela disse, mostrando um pulso sem relógio.
Ele riu.
"Ok, isso foi constrangedor, mas nada engraçado. Eu tenho mesmo que ir" – ela disse, virando as costas e começando a caminhar.
"Belle!" – ele chamou.
Ela suspirou e virou, já irritada.
"Que é?"
Ele jogou a carteira para ela e disse, sorrindo:
"Bonsoir!"
Em uma árvore, não muito longe de onde se encontrava o casal, um passarinho voou com destino certo.
N. da A.: Espero que vocês tenham gostado e muito (mas muito mesmo) obrigada pelas reviews passadas.
Ah! E perdoem os erros, se acharem algum aí. xD
Um obriagada especial a Duachais Seneschais pela ajuda com os erros. :)
