Chapter 4: Emeralds and Strawberries.
Ergueu o braço e apoiou o cotovelo na mesa, o grifo balançou em sua argola e parou encostando a pele da mulher. Snape ficou olhando o símbolo, conhecia-o e muito bem, já o havia visto diversas vezes num passado não muito distante. O braço esquerdo da mulher continuou parado, com ambos admirando o pingente generoso. Snape pegou-o entre os dedos e sentiu o metal frio.
- Sabe, - começou Miller. – este foi um presente de quando eu me formei! – falou com pompa. – Do professor John!
- Grint. – sussurrou Snape.
- Ele mesmo! É o brasão da família Grint. – informou. – Sempre gostei deste pingente, ele costumava ficar pendurado junto com o relógio de bolso de John.
Snape soltou o pingente e encarou os olhos profundos, livres das lentes quadradas. Finalmente reconhecera aquele nome, como pudera ser tão relapso assim? Bem, se fosse contar as vezes com a qual Snape e o tal Grint estiveram juntos, seria razoavelmente fácil encontrar uma desculpa, mas ele era Severus Snape, o homem dos menores detalhes. O homem a que nada passava, agora, quase nada.
- Conhece Willian Grint?
Os olhos de Allison se arregalaram e sua mão escorregou pela borda da mesa. O sorriso que tinha foi murchando e sua face se tornou inexpressiva, fria.
- O que tem ele?
- Conhece?
A movimentação de alunos indo para suas aulas deu uma perfeita desculpa para a professora de Defesa. Precisava esquivar-se, não tinha nada o que responder a Snape. E francamente, era só dizer um bruto "Não é da sua conta!" e sair, mas uma desculpa bem esfarrapada e capenga lhe pareceu a melhor saída naquele momento.
- Bem Snape, não disponho de tempo para papear agora, tenho uma aula com os quintanistas! – Levantou-se e saiu sem olhar para trás.
O coração de Allison estava acelerado, descompassado como se estivesse próximo a parar a qualquer momento quando ela passou pela porta lateral que Snape costumava sair, andava atônita, suas pernas a levando inconscientemente pelo castelo até o terceiro andar. Encontrou a porta e a abriu muito lentamente, como se o tempo estivesse congelando e ela a qualquer momento fosse ficar presa naquela cena. Felizmente os alunos ainda não haviam chegado, o tempo voltou a correr normalmente e entrou na sala, deixando todos os seus receios e preocupações ficarem do lado de fora.
Ela adorava essa praticidade que tinha, era muito fácil esquecer das coisas ocupando a mente com outra e era assim que ela vinha vivendo há algum tempo, não sofria, não muito, esquecia o que não queria lembrar, e quando o assunto batia a sua porta, ela ignorava e mudava o rumo das conversas.
Levou a varinha até os cabelos negros, e os mesmos se enrolaram e prenderam no topo de sua cabeça em um coque levemente frouxo.
Alguns alunos já podiam ser ouvidos do lado de fora e subitamente a porta se abriu revelando a professora de pé, em frente a sua mesa com as mãos na cintura e um sorriso simpático no rosto. Uma pessoa sem a menor das preocupações a não ser encher, como o próprio Snape costumava dizer, as cabeças ocas com algum conhecimento.
- Entrem! – chamou amistosa.
E foram entrando sentando-se misturados, o amarelo e o vermelho das casas Hufflepuff e Gryffindor combinavam perfeitamente bem. Mal sabia Miller que nem todas as casas se misturavam com tamanha facilidade. Os olhos dos alunos brilhavam, com certeza agradeciam a Dumbledore por ter contratado uma mulher jovem para o cargo, ao menos a metade da sala parecia agradecer, metade masculina, porque a feminina, estava relutante em aceitar a nova professora.
- Allison Miller, Prazer, Professora de Defesa Contra a Arte das Trevas! – começou ela e alguns estranharam o sotaque. – Brasileira formada na Instituição de Magia e Feitiçaria Artherium!
Um burburinho percorreu a sala, Allison andou entre os alunos os observando. Eles se assustaram quando do nada um uivo de Lobisomem foi ouvido, algumas meninas se agarraram umas as outras procurando de onde havia vindo o som.
- Se acalmem... Apenas sonoplastia! – riu a professora voltando a mesa e retirando a capa. – Aprenderemos sobre lobisomens hoje! Ou melhor, sobre a transformação de um homem são em um Lobisomem!
-xoxoxoxoxoxoxo-
Os alunos saiam radiantes da sala de DCAT, até as garotas, que estavam um pé atrás com a bela professora estavam felizes, Ah sim, e puderam constatar que seus pontos ganhos haviam sido computados em suas ampulhetas, 15 para cada uma das casas que haviam tido a aula da nova professora. Mas ao olharem os seus horários, os alunos desanimaram, teriam o segundo tempo de Poções nas masmorras, com o mal humorado morcegão.
- Hey, porque Dumbledore num despede ele e contrata uma Prima da professora Miller? – perguntou um quintanista Hufflepuff descendo as masmorras.
Os outros deram de ombros.
-xoxoxoxoxoxoxo-
Snape abriu as portas das masmorras onde lecionava e os alunos entraram em profundo silêncio, o homem de preto, conhecido pelos alunos como o sádico morcegão das masmorras, estava sentado à sua mesa.
- Mata-cão! – disse ele em seu tom arrastado e baixo enquanto a porta rangia se fechando. – alguém sabe que poção é essa?
Uma Gryffindor levantou a mão.
- Senhorita Christie! – ele deu a permissão.
- A Poção Mata-cão senhor, - começou ela com um pouco de receio. – é uma poção que se usa em lobisomens para diminuir os efeitos lunares em seu cérebro, o tornando tão lúcido quanto o possível, porém não menos perigoso!
- Correto! – disse ele espantado, mas sem esboçar nenhuma reação. – Vejo que alguém aqui fez a lição de casa direito!
- Não senhor, - começou um outro garoto Griffyndor. – a Professora Miller nos ensinou sobre Lobisomens hoje e...
- Menos 10 pontos para a Gryffindor por falar sem ter a permissão! – e se virou para uma Hufflepuff que ria. – e menos 15 para Hufflepuff por ser insolente e rir a minhas costas! Abram o livro na página 125!
Ah sim, aquele era Snape, cruel e baixo, qualquer motivo que fosse ele tirava pontos das casas e assim a aula de Poções permaneceu no mais profundo silencio, apenas o barulho de fogo crepitando, poções fervendo e a capa do morcegão farfalhando.
Allison mal percebeu e já estava sentada a mesa no Salão Principal almoçando sorridente, a capa negra, descartada desde cedo na aula, porém, os cabelos agora longos, graças a um feitiço de crescimento, cobriam suas costas como um véu negro e sedoso. Notava também, de tempos em tempos o olhar inquisidor de Severus Snape, lançado a si e logo em seguida ao grifo pendurado em sua pulseira.
- Severus meu filho... – chamou Dumbledore, recebendo a atenção do mestre em poções em seguida, e abaixou sua voz a um quase sussurro. – Assim você deixará a senhorita Miller sem graça! – e piscou maroto.
- Velho! – rosnou ele. – A propósito, temos de ter uma conversinha!
- Ah sim meu caro, passe em minha sala mais tarde!
E voltaram a comer, o Salão Parecia divertir Allison. Alguns alunos do quinto ano a sorriam de suas mesas e a simpática respondia a cada sorriso com um maior ainda. Aquilo fazia os olhos de Snape revirar nas órbitas como se estivesse ensandecido.
- Não pense que fugiu de mim Miller! – rosnou ele enquanto cortava um pedaço de frango.
- Não sabia que estávamos brincando de pique-pega! – disse divertida arrancando um sorriso extra dos lábios de Dumbledore.
Ah sim, aquela mulher tinha o dom de infernizar, provocar e irritar Snape, mas o cara por mais que detestasse ser contrariado, parecia um masoquista quando estava perto dela. E era uma das coisas que ele não sabia explicar, porque ele não sabia mesmo, como tinha se afeiçoado com ela, porque, por mais que Dumbledore dissesse, e ele vinha dizendo bastante, Snape jamais daria o braço a torcer assumindo qualquer outro sentimento.
Allison Miller, em apenas dois dias ela cativara algo dentro do amargo Severus Snape, e mesmo que o homem de negro jamais fosse assumir isso em publico, era um grande feito, se Dumbledore soubesse, mandaria o Ministério da Magia oferecer a Miller uma Ordem de Merlin Primeira Classe.
E isso apenas estava fazendo Snape ficar mais e mais injusto com os alunos. E a viu afastar-se assim que terminou a sua alimentação folhosa.
-xoxoxoxoxoxoxo-
O restante das aulas passou com a costumeira rotina, alunos indo e vindo pelos corredores, professores dando pontos, ora tirando alguns, sorrisos e conversas, feitiços aqui e ali. Coisas comuns, comuns para uma escola de Magia. O jantar transcorreu como o almoço, irritante ao ver de Severus Snape. A professora a seu lado não mais vestia o tomara que caia vinho. Estava completamente vestida em negro, um longo vestido de gola alta feito de um material muito fino, quase como uma segunda pele, uma capa muito grossa e aparentemente pesada com vários fechos em prata, os cabelos soltos e bem penteados presos em um dos lados com uma presilha preta que apenas aparecia por ter uma minúscula esmeralda que brilhava. Estava completamente séria, comendo uma salada de rúcula pensativa. Os punhos de seu vestido lembravam os punhos das vestes de Severus que o próprio pode contar ser composto de exatos oito botões em forma de botão de rosa, todos negros como o vestido.
Ouvia algo vindo de Dumbledore que debatia com Minerva, provavelmente algum assunto sobre transfiguração. Além dos dois, não ouvia nenhum som próximo de si, Allison estava completamente muda, se fechasse os olhos Snape poderia jurar que a mulher em questão nem estava ali, olhou novamente para as mãos da mulher, as longas unhas vermelhas e os oito botões bem fechados, escondendo bem a pulseira de prata, porque ele podia notar um relevo desnecessário no pulso dela. Era como se ela quisesse esconder dele a pulseira, mas para isso, o mais pratico seria retirá-la, não?
Ao que ela se moveu em sua cadeira para pegar suco de abóbora Snape abriu a boca para falar algo, mas fora interrompido por um aluno quintanista de Ravenclaw que sorria de frente para a mulher.
- Pois não? – Ela disse em um tom jocoso, que soou muito falso com o rosto sério.
- Allison... – começou o jovem.
- Professora Miller! – cuspiu Snape ríspido.
- Desculpe! Professora Miller, Eu sou... – ia se apresentar, mas novamente fora interrompido.
- Adam Addams, eu sei quem são meus alunos Senhor Addams! – respondeu ela para o jovem de longos cabelos loiros e olhos âmbar.
- Desculpe-me. – tornou o garoto. – Será que a senhora gostaria de ir comigo até o povoado de Hogsmeade neste fim de semana?
Os olhos de Snape espreitaram-se, quem afinal de contas aquele fedelho achava que era? E porque raios ele, Severus Snape estava irritado com isto?
- Sinto muito... – respondeu Allison sorrindo. – Sou sua professora, não se esqueça disto meu jovem!
As bochechas do garoto tomaram uma coloração avermelhada. Snape notou alguns alunos companheiros de casa daquele jovem rir enquanto o olhava voltar a seu lugar com um ar de derrota estampado no rosto.
Os pratos haviam sumido da mesa, dando lugar a alguns pratos de sobremesa e xícaras de porcelana. Bules voavam para lá e para cá, e a xícara de Snape era cheia com chá verde.
Miller tinha os olhos presos em uma gelatina de amora, mas Snape sabia que a mulher nem havia notado a mudança na mesa.
- Miller... Miller? – chamou e os olhos fora de foco dela encontraram os negros dele e voltaram ao foco novamente. – Miller, a gelatina já está intimidada o suficiente.
- Como? – disse ela parando um bule de café que encheu sozinho a sua xícara.
- Allison! – falou Snape com maior ênfase. – está derramando café sobre a mesa!
- Opa! – e afastou a capa puxando a varinha de um bolso interno da mesma. – limpar!
Allison abandonou a xícara sobre a mesa e saiu sem nada dizer, muitos que olhavam estranhando a distração da mulher não entenderam quando ela saiu apressada.
- Severus... – chamou Dumbledore fazendo o homem virar-se para ele. – Vá!
Snape tinha tido uma longa conversa com o Diretor na parte da tarde em que tinha um tempo livre entre uma aula de poções e outra. Os dois haviam conversado sobre a Professora de Defesa e o envolvimento dela com os Grint, mas como sempre, Dumbledore nada havia revelado, mas manifestou a sua preocupação quando Snape citou sobre como Willian Grint era possessivo e obsessivo.
Snape levantou-se em seguida, e passou pela mesma porta lateral que vira a mulher passar, ouviu passos ecoar até ele, revelando onde estava a mulher em questão. Andou lentamente equilibrando o peso sobre os pés para não fazer barulho e a encontrou andando em direção as portas principais e sumir fundindo-se com a escuridão noturna.
-xoxoxoxoxoxoxo-
Allison sentiu a grama macia sob seus saltos e a brisa noturna roçar em seu rosto, sentiu a capa ondular e a saia aberta de seu vestido colar em seu corpo. Estava um pouco complicado andar com a roupa tremulando entre suas pernas, mas venceu este empecilho e parou a beira do lago negro e ficou olhando a lua alta refletida na água tremulante. Desde que chegara a Hogwarts lembrava-se constantemente de sua época de escola, e algumas lembranças estavam ficando difíceis de serem esquecidas como ela sabia fazer muito bem. Percebeu uma movimentação atrás de si e se virou muito bruscamente fazendo a capa voar para o lado e seus cabelos atrapalharem a sua visão.
-xoxoxoxoxoxoxo-
Snape sentiu o estomago gelar quando a mulher se virou e a capa esvoaçou para o lado, a parte de cima de seu vestido era de um pano semitransparente e na altura dos seios era coberto com um pano mais grosso que se modelava pela cintura fina e era abotoado em seis botões de cada lado de sua silhueta, partindo de seus seios e parando em sua cintura fina, eram os mesmos botões que ele vira na manga, negros e em formato de botão de rosa.
Sacudiu a cabeça a tempo de vê-la se livrar dos cabelos e encarar-lo por detrás dos óculos quadrados os seus olhos azuis que brilhavam com a lua.
- Pois não?
- Miller... – ele descobriu ter certa dificuldade de falar com ela naquele momento, afinal, o que ele diria a ela?
- Já disse, chega de formalidades, pode chamar de Allison!
Snape já ia virar e sair dali, não sabia como começar uma conversa, nem sabia muito bem o porquê de ter acatado as ordens do velho senil que era Diretor daquela escola. Mas o olhar dela tornou-se sereno ao olhar para além de si e virou-se dando de frente com Dumbledore em suas vestes azul claro.
- Isto aqui é uma competição que quem usa mais botões? – perguntou o velho sorridente olhando de um para o outro.
Allison sorriu para o diretor. O vento parou naquele instante e as capas pararam de tamborilar ao ar caindo inertes ao longo dos corpos.
- Posso me livrar deles facilmente diretor! – e ameaçou a desabotoar os botões de uma das mangas. O que fez Snape se lembrar da jovem senhorita Smiths, se não tivesse controle sobre seu corpo teria corado, algo pior, bem mais embaraçoso.
- Belo prendedor Allison! – disse Dumbledore apontando para o pescoço da mulher.
Snape virou-se e notou que um pequeno prendedor de gravatas estava enfeitando a gola do vestido, um prendedor de prata, mas não haviam esmeraldas incrustadas nele e sim rubis, vermelhos e escuros.
- Achei que gostasse de Esmeraldas... – comentou Snape formulando uma frase completa pela primeira vez desde que chegara ali.
- E gosto, é apenas uma lembrança do meu Pai...
- Sabe, gosto de morangos, são deliciosos e combinam com muitas comidas e bebidas também! – comentou Dumbledore se afastando deixando dois bruxos sem entender absolutamente nada.
Quando o velho estava longe o suficiente, Allison se virou rindo para Snape, e abriu a boca em uma pergunta. Estava apenas a um passo de distância, e os olhos negros grudaram nos lábios rosados que se moviam, mas alheio a tudo Snape não ouvia o que ela perguntava.
- Como? – perguntou ele voltando a olhar nos olhos azuis.
- Ele é sempre assim?
- Ah sim, um velho senil que acha que sabe tudo! – disse Snape retirando os olhos de Allison e virando-se para o lago que agora refletia a lua sem nenhuma ondulação.
Allison virou em seus calcanhares e ficou olhando Snape, havia ouvido pelos corredores como ele, no primeiro dia de aula conseguira acabar com os pontos que os alunos ganharam nas aulas, ouvira também como ele era grosso, irônico, ácido e alguns xingamentos que a fez rir. Snape ouviu um risinho enquanto ela o olhava, espreitou seus olhos e lhe lançou um olhar gelado.
- Por algum acaso tenho cara de palhaço? – E cruzou os braços ameaçadoramente. – Ou lembrou de alguma piada, se for o caso, gostaria de saber, para quem sabe rir também!
- Não, não Severus... – Snape estranhou o seu nome sendo dito por uma voz tão melodiosa. – Não acho que você seja tudo o que os alunos dizem... Só isso!
- Não me interessa!
- Sei que não... Mas acho que realmente eles estejam equivocados, mas, saiba que algumas coisas eu tenho de concordar com eles!
- E o que seriam? – perguntou erguendo uma sobrancelha.
- Achei que não interessasse!
- E não mesmo! – ralhou irritado.
- Ok, esqueça isso, não vale a pena, voltando ao assunto Dumbledore... – Miller desabotoou a capa e a jogou no chão sentando-se sobre ela. – Não acho que ele seja senil, é apenas um homem excêntrico! E como todos os excêntricos, são mal compreendidos!
- Excêntrico? – Snape a olhou de cima de seus botões.
- Sim, Sabe, só conheci um como ele, e também era uma pessoa genial... – falava sem olhar para o homem de negro.
- E quem era?
- Mapple Weisberg, um senhor simpático do meu País!
- Não me é estranho este nome.
- Creio que não! Ele é um confeccionador de varinhas, excelentes diga-se por passagem. – e bateu com a própria varinha na capa indicando para Snape sentar-se.
- Posso? – perguntou ele ainda de pé olhando a varinha branca da mulher.
- Sente-se aqui primeiro...
Snape revirou os olhos, mas algo naquela mulher o deixava menos irritado, ou mais, dependia muito do contexto. Sentou-se e olhou para ela esperando que ela lhe entregasse a varinha, ele raras vezes teve uma varinha que não fosse produzida por Olivaras em suas mãos, aquela seria uma boa oportunidade. A mulher parecia receosa, mas depois de muito relutar o deixou pegar.
Snape sentiu a varinha mais pesada do que realmente deveria ser. E a notou estranhamente mudar da cor branca que vira para uma cor de madeira comum. E ao revirar ela em seus dedos, soltaram faíscas vermelhas. Allison a retirou rápido das mãos do homem, e a varinha voltou a ser branca.
- O que... – começou ele.
- É uma varinha temperamental, que não aceita outro dono, sentimentalista e quase com vontade própria, além é claro de ser muito orgulhosa!
Allison examinou a própria varinha, mais para Snape poder ver do que para ela mesma. Havia em seu cabo várias ranhuras que formavam desenhos de galhos com folhas finas. Snape bufou.
- Acredita que eu sou imbecil Miller? – Ele sabia que as varinhas eram objetos pessoais e que raramente um bruxo se sairia bem com a varinha alheia, mas aquilo era como se ela debochasse do intelecto de Snape.
- Não Snape, esta varinha é única, não é a varinha mais poderosa do mundo, longe disto... – e a varinha soltou uma poeira cintilante. – mas é poderosa para mim, e única!
Snape achou aquela conversa toda sobre varinha interessante, mas nem de longe acreditava muito, ah sim, uma varia com vontade própria! Há muito engraçado, o que viria a seguir, um Dementador piedoso?
- Tudo bem, pode rir, mas é verdade!
- E de que ela é feita?
- Carvalho, maleável, boa com feitiços e transformações, 27 centímetros e fio de cabelo de Dríade.
Snape franziu o cenho, nunca tinha visto uma varinha com aquele tipo de elemento mágico.
- Porque ela é branca e tão pesada? Quero dizer como você aguenta uma varinha pesada como esta?
- Pesada? Que isso, ela não pesa quase nada! – falou sem encarar Snape. – Ela é temperamental... Muda de cor de acordo com que a empunha, não funciona direito com outros bruxos, e agora que me disse, dependendo de quem a empunha ela fica pesada! Mapple disse que era uma característica da Dríade que ele pegou o cabelo, sabe, o orgulho.
- Quanta baboseira este homem lhe disse! Vamos, me dê a varinha aqui, vamos ver se ela não funciona comigo!
Allison ficou olhando indignada para o homem ao seu lado.
- Ande Miller, vamos ver se essa varinha é tudo isso que diz mesmo! – ele praticamente tomou a varinha da mão dela.
A varinha mudou de cor ficando mais escura que da ultima vez, soltou um silvo e algumas faíscas roxas, Snape viu Allison se afastar um pouco. A varinha foi ficando incomodamente pesada, e Snape teve certa dificuldade em alguns floreios.
- Exorior cattus. – disse e apenas pelos pretos rompeu da ponta da varinha que estava quase tão pesada quanto um pedaço de tora.
As gargalhadas de Allison foram ouvidas por Snape, que se virou para ela e entregou-lhe a varinha irritado. Allison fez o mesmo que o mestre de poções e ao recitar o encanto um gato laranja saiu da ponta da varinha, ronronando para os dois ali.
- Finite! Eu lhe avisei! – disse tamborilando a varinha branca como a neve entre os dedos. – Sabe, Mapple disse que ela muda drasticamente de cor dependendo da alma de quem a empunha. Quando a vi nas mãos dele, tinha um leve tom de cinza.
- Está me sugerindo que sua alma é branca? Pior, está dizendo que a minha alma é negra? – Snape falava em um tom quase sussurrado, totalmente de pé, olhando a mulher levantar-se e puxar a capa para si.
- Não disse, mas as suas conclusões são suas! Há algum significado nelas para você, e eu não tenho no que me intrometer! – respondeu ela sorrindo levemente. – e a propósito Snape... – o tom divertido tornou-se sério e pesado, era quase palpável a aura de irritação que a circundava, as pupilas contraindo-se e a íris azul tornando-se dourada lentamente. Seu rosto estava próximo do Professor e ele pode ver alguns pelos eriçarem-se como uma ave faz quando algo indesejado toca seu ninho. – Não se intrometa nos meus assuntos!
Snape pode jurar naquele instante que ouvira um silvo "áquilo". Mas, sabia bem ele, que por ali não haviam águias, devido a grande quantidade de corujas de estimação. Notou as íris tornarem-se azuis profundas quando a mulher lhe sorriu afastando-se com um meneio de cabeça.
Se ela pretendia assustar Snape falhou miseravelmente, porque um homem como ele, não se assustava com mulheres como Allison, mas despertara curiosidade na mulher que adentrava as grandes portas e sumia no castelo. Ah sim, ele conheceria os mistérios de Miller ou ele trocaria de nome!
-xoxoxoxoxoxoxo-
Aquela noite seria uma noite difícil para Severus Snape, debruçado ao beiral da torre de astronomia, ele observava com curiosidade o Salgueiro Lutador balançar seus galhos livrando-se de incomodas aves que descansavam desavisadamente sobre seus galhos providos de poucas folhas. Os pensamentos do Professor de Poções vagavam entre verdes e ruivos, o mesmo tom de verde das esmeraldas sempre exibidas por Allison e pela ampulheta de sua casa. Já o ruivo, era um tom quente, como uma paixão avassaladora.
Sentia o piso de pedra gelado sob seus pés descalços, os sonhos que o levavam a um passado medíocre onde ele implorava o amor de uma Gryffindor o havia acordado. Deixou-se suspirar e apoiou as costas no beiral, encarando os próprios pés. Vestido apenas com uma calça preta e uma camiseta branca, envoltas por um grosso roupão preto com as suas iniciais bordadas em prata. O silvo áquilo o tirou de seus devaneios no exato momento de ver uma magnífica Aquila pomarina sobrevoar o castelo e pousar nos campos em uma das balizas de gol no campo de quidditch. A ave abriu as asas absorvendo o tom prateado da lua alta em suas penas, silvando, como um canto triste, melodioso, e aquele canto lhe remetia a algo que estava confuso demais na sua cabeça. Era como se conhecesse o canto daquela ave.
Snape conhecia bem o significado que uma águia carregava em suas asas, força, grandeza, realeza, perspicácia e inteligência. Além de saber que as águias são providas de visão aguçada. Mas por um vão momento ele deixara escapar um fator primordial,
Águia-pomarinas não são nativas daquela região.
E naquele momento a águia novamente levantou sumindo de suas vistas.
- Curioso... – falou abrindo um largo bocejo. Finalmente o sono havia chegado para ele.
-x-
N/A:
Exorior cattus – feitiço original de conjuração de gatos.
Aquila pomarina ou Águia-pomarinas - é uma grande ave de rapina do leste da Europa. O nome pomarina é uma referência à Pomerânia, região onde é frequente. Pertence à família Accipitridae como todas as águias típicas.
Agradeço a Sofie, Eris e Morgan Prince
Obrigada por acompanharem a fic! Embora eu seja péssima em comédias, achei alguém que ri das minhas loucuras! xD
Meninas, se tiverem algumas sugestões podem me falar sim?
Pois bem, aqui está a capa da fic, sei que não é grandes coisas mas é legal!
http[:]//fanfiction[.]nyah[.]com[.]br/fanfics/15934/images/1248449294_HoldingHands[.]jpg
É só tirar os colchetes para vizualizar!
Até o Chapter 5: True Duel.
Beijos Senju Yume – J.M.
