Capitulo 4

Naruto PDV:

Estávamos parados no meio de uma piscina de água quente completamente deserta. Os seus olhos olhavam-me com tanto ou mais espanto que eu. Com surpresa e irrealidade. Ambos boiávamos à superfície, a criança que esbarrara contra mim, ficou também parada com a prancha nas mãos a olhar ora para mim, ora para o moreno.

Os deuses só podiam estar a fazer uma paródia comigo! Como era possível eu estar ali para esquecer, naquele fim do mundo tecnológico, a única pessoa que não podia esquecer e de repente essa mesma pessoa apareceu-me à frente?

A criança agarrou na prancha e pôs-se alegremente a cantar uma melodia infantil e a nadar com os pés batendo fortemente entre nós fazendo salpicos de água irem bater na minha cara. E assim perdi o contacto com os olhos de Sasuke que até ali tinham estado fixos em mim, pois, tive que fechar os olhos devido à água.

– Naruto pára quieto. – Ouviu-o ordenar, não era um tom ríspido, era apenas como se fosse uma fala simpática e calma. Ele estava a falar daquela maneira para mim? Desde quando é que ele era simpático ou calmo?

– Mas eu estou quieto! – Respondi-lhe abrindo novamente os olhos pois a criança tinha parado.

– Não estou a falar contigo, mas com ele. – Sasuke apontou com a cabeça para o pequeno sorridente que ainda se mantinha em cima da prancha e que agora sorria abertamente para mim.

O miúdo com uma aparência igual à de Sasuke mas com o meu nome? Eu tinha batido com força nalgum lado e agora estava desmaiado e a sonhar. Usei chakra, se é que se podia usar chakra num sonho, e subi para cima da água, fui até à borda e sentei-me na espreguiçadeira enrolado na toalha. Será que os sentimentos que tinha por Sasuke me estavam a fazer tão mal à cabeça que até me fizessem alucinar?

– Papá ele anda por cima da água! – Gritava a criança entusiasmada. – Naru também quer fazer isso. – Nesse momento o menino tentou meter os pés em cima da prancha. Levantei-me de repente. Aquilo não era bom. Não era nada bom. Mesmo sendo uma alucinação não podia deixar a criança fazer aquilo. Ele estava demasiado perto da borda da piscina, ele ia com certeza desequilibrar-se em cima da prancha, e se caísse para o lado da borda bateria com a cabeça, e numa criança daquela idade uma queda dessas era quase fatal.

– Não faças isso! – Avisou o pai, mas era tarde, o menino já estava em cima da prancha, e no momento em que ia cair exactamente para o lado da borda, tive que saltar. No momento em que derrapei pelo chão para poder agarrar na criança baixa, foi o momento em que bati contra Sasuke, pois ele fizera exactamente o mesmo que eu, mas no sentido contrário, e logo a seguir o pequeno caiu em cima de mim.

You… do you remember me?Like I remember you

(Tu… lembras-te de mim? Como eu me lembro de ti)

Do you spend your life, going back your mind to that time?

(Será que passas a tua vida, indo com a tua mente até àquela época?)

Cause I, I walk the streets alone, I hate being on my own

(Porque eu, eu passeio pelas ruas sozinho, detesto estar por minha conta)

And everyone can see that I really feel, and I'm going through hell

(E todos podem ver o que eu realmente sinto, eu estou a passar por um inferno)

Thinking about you with somebody else

(Ao pensar em ti com outra pessoa)

Sasuke PDV:

Nós estávamos deitados. estendidos de peito no chão na borda da piscina.

Eu estava petrificado. Estava completamente hipnotizado. Não conseguia tirar os olhos dele. Também não conseguia pronunciar nenhuma palavra. Estava nervoso? Podia não parecer. Podia realmente não dar a entender nadinha, mas eu estava cheio de nervos. Eu sabia que não era uma ilusão porque se fosse aquela queda não teria doido. Ainda bem que pelo menos o meu filho tinha caído sobre ele e não directamente no chão da borda da piscina. Fiquei a olhar para o louro até ouvir o meu filho chorar. Ele tinha-se assustado com a queda. Levantei-me rapidamente e peguei nele ao colo.

– Pronto, pronto. – O meu pequeno Naruto agarrou-se fortemente ao meu pescoço a chorar. Enquanto o embalava nos meus braços, vi o louro sentar-se e esfregar e abanar a cabeça. E depois a sua mão ficou parada na testa como se testasse que não estava febril. Depois olhou para mim com aqueles grandes olhos azuis e fixou-os em mim. Automaticamente o meu coração acelerou, começando a bater fortemente contra o meu peito.

– Nee, nee, Sasuke, tens um filho com um nome muito giro. – Sorriu antes de se levantar.

Naru elevou a sua cabeça para olhar para Naruto. Tinha os olhos ainda com lágrimas aos cantos, e a pele das bochechas ainda vermelha, mas abriu um pequeno sorriso.

– Naru tem o nome de um herói ninja. – Contou o pequeno achando que aquilo era um facto muito importante. Bom, era realmente um facto importante. Ele tinha o nome de Uzumaki Naruto, que não era qualquer pessoa. Mas ao contar todas aquelas coisas eu sentia que lentamente ele me estava a denunciar.

– A sério? Eh eh eh. – Riu-se Naruto. Bolas, aquele riso tão idiota, como eu me recordava tão bem dele. Mas soava muito melhor depois de tantos anos sem ouvi-lo.

– Um herói ninja dobe. – Com aquilo o riso idiota parou e ele olhou para mim com cara de poucos amigos. Arreliado. Ah, era mais forte do que eu, sempre adorei irritá-lo.

– Nani? – Ele estremecia de raiva, mas depois essa dissipou-se tão rápido como tinha começado. – És mesmo o Sasuke?

Esperem! Mas ele ainda não tinha chegado a essa conclusão?

A porta da piscina foi aberta de repente fazendo um estrondo ao ser aberta. Aika entrou. Parecia-me ofegante. E soube apenas pela expressão dela que ia haver sarilhos. Mas não pude pensar muito, pois nesse momento Naru, ao ver a mãe, saltou do meu colo, com uma agilidade notoriamente ninja, que eu não sabia que ele possuía, e pulou novamente para dentro da piscina, a prancha impediu que ele se afundasse e ajudou-o no percurso que fez até ao outro lado da piscina, onde permaneceu, sem sequer olhar para trás.

– Sasuke! Eu andei à procura dele por todo o lado! E afinal ele estava aqui contigo! Podias ao menos ter-me avisado. Achas que é bom para uma pessoa na minha condição percorrer esta estância toda a pé? Eu preocupada e afinal vocês estavam aqui a brincar. – Enquanto gritava comigo, ia avançando para mim.

– Tu não o deixaste sozinho? – Perguntei. Não era a primeira vez que isso aconteceria.

– Achas! Ele voltou a fugir de mim! – Ela estava agora com a cabeça dela a centímetros da minha. Eu sentia-lhe a raiva. Bom, também era verdade que Naru andava sempre a fugir dela.

– Então? Acalma-te. – Pedi-lhe. – Já andaste muito e não te podes preocupar ou enervar. – Envolvi-a com um braço meu e puxei-a para ela se ir sentar numa das espreguiçadeiras. Ouvia-a suspirar. Depois observei-lhe o rosto para me certificar que ela estava bem. Estava cansada mas nada mais. – Aika sentes-te bem?

– Sim, eu estou bem. – Disse-me, mas os seus olhos estavam postos no louro que se mantinha perto da piscina, muito estático e muito espantado.

O meu coração caiu-me aos pés. Ele agora sabia. De uma assentada Uzumaki Naruto ficou a saber da minha nova vida como pai de família. Viu-o sorrir para mim docemente. Como se estivesse contente por mim. Como se estivesse contente de me ver rodeado por uma família. Aquele sorriso que eu tanto amava… magoou-me. Foi como se tivesse sido trespassado por uma flecha no coração. Não, por favor, eu não queria aquele sorriso. Não queria que ele estivesse feliz por mim.

– Sasuke, quem é ele? – Perguntar-me Aika.

– É… é um amigo de infância. – Acabei por responder. – Uzumaki Naruto.

– Oh! O famoso Uzumaki Naruto. Eu já me estava a perguntar quando é que o conheceria. – O quê? Ela sabia de Naruto. Impossível! Eu nunca lhe tinha contado nada sobre Naruto. Nem mesmo quando baptizei o meu filho e ela perguntou de onde vinha um nome tão ridículo. Ela levantou-se e foi até à beirinha da piscina ter com o louro. – Ouvi falar de si pelos corredores da estância, é o Hokage de Konoha, não é?

Então as pessoas estavam a falar de Naruto pela estância, então era assim que ela sabia de Naruto. Espera o que é que ela tinha dito? Hokage? Ele era Hokage? Olhei surpreso para ele. Ele tinha atingido o seu sonho. Fiquei subitamente com uma vontade louca de saber mais o que se passara na vida dele. Afinal ele já sabia de uma parte da minha.

– Sim, sou. – Respondeu Naruto sorrindo para Aika. Por amor aos Deuses que existem, pára de sorrir dessa maneira. Eu não queria vê-lo sorrir daquela maneira para a minha mulher. Queria que aquele sorriso fosse só para mim. Magoava vê-lo sorrir para ela. Pois eu sabia o que sentia, e sabia que a estava a trair. Sabia que devia amar a mulher que me dera os meus filhos, mas por mais que eu tivesse tentado, por mais que tivesse fugido e negado o meu coração voltava sempre para o mesmo.

– Eu sou a mulher de Sasuke, Uchiha Aika. Prazer em conhecê-lo! Desculpe aquilo de há bocado, eu confundiu-o com outra pessoa. – Desculpou-se Aika. Aquilo de há bocado? Eles já se tinham cruzado antes?

– Tudo bem.

– Não sabia que era amigo de infância de Sasuke.

– É, sou.

– Ele nunca conta muito sobre o passado.

Nesse momento outra pessoa entrou na piscina. O meu coração que já estava mal, ficou ainda pior. Hyuuga Hinata. Grande, crescida e sexy. Frisar que estava muito sexy com o seu fato de banho preto que ficava perfeitamente na sua pele leitosa. Já para não falar que tinha um bom par de mamas e umas belas curvas. Qualquer hetero teria uma excitação instantânea, mas acontece que eu sou muito gay.

– Naruto-kun! – Chamou ela e avançou para o louro e enlaçou-lhe o braço. Senti o meu coração bater em agonia. – Olá Sasuke-kun!

"Sasuke-kun, uma ova! Outro caralho que te foda que não seja o de Naruto. Por favor acalma-te! Lembra-te. Mulher. Filho. Melhor, filhos. Respira. Respira." E ali estava a minha mente ciumenta a rugir. A tentar libertar todo o meu sentimento encolhido fortemente dentro do meu peito.

– Olá. – Saiu-me da boca. E depois virei as costas e fui verificar Naru, que já estava há muito tempo dentro de água. Era o melhor ou sairia parvoíce da minha boca. Naru olhou para mim e sorriu-me. Sorri-lhe dentro dos possíveis de volta.

Outra coisa afligiu o meu coração? Quem mais tinha vindo de Konoha? Sentei-me na borda da piscina e mandei, devagarinho, água á cara do pequeno Naruto. Hokage de Konoha? Serie ele o homem ilustre de quem o meu chefe falara e que tinha pedido que eu recebesse?

– É a sua mulher? – Questionou Aika. Fiquei atento à resposta.

– Sou a namorada. – Hinata corrigiu sorrindo para Aika.

– Então venham jantar connosco hoje. – Pediu a minha mulher loura. Eu queria gritar. NÃO, NÃO, NÃO. Naruto não podia ter namorada. Naruto não podia ir jantar connosco.

– Claro será um prazer. – Ouvi a voz de Naruto concordar, estranhamente baça.

Porra! Jantar com Naruto e Hinata? A minha vida estava a chegar ao fim, não estava? Ou seria o destino? O destino a querer provocar-me.

– Agora teremos que ir. Temos outras coisas para ver. Mas vemo-nos no restaurante às sete horas. – E Hinata puxou Naruto para fora do recito aquático, depois de terem ido buscar a toalha de Naruto à espreguiçadeira.

Oh, céus! Eu tinha um jantar com a minha família, com Naruto e a namorada!

– Naru fica contente por ir ter jantar com o herói louro. – Naru agarrou-se às minhas pernas.

– Alguém que fique. – Desabafei afagando-lhe as mechas pretas e molhadas.

– Ele salvou a vida de Naru duas vezes.

– Pois foi.

– Naru fica contente por saber que o papá gosta do Naru.

– Claro que gosto de ti.

– Sim. O papá gosta do Naru pequeno, mas também gosta do Naru grande. – E sorriu.

Oh céus! Ele não estava a dizer aquilo que eu pensava que ele estava a dizer. Claro, que não. Vá lá, é uma criança de quatro anos. Tino Sasuke, tino!

Como gostava que me tivesses matado no passado, Naruto!

Somebody wants you, somebody needs you,

(Alguém te quer, alguém precisa de ti)

Somebody dreams about you every single night

(Alguém sonha contigo todas as noites)

Somebody can't breathe without you is lonely

(Alguém não consegue respirar, sem ti sente-se sozinho)

Somebody hopes that one day you will see

(Alguém tem esperança de que um dia tu vejas)

That somebody's me, That somebody's me, yeah!

(Esse alguém sou eu, esse alguém sou eu, yeah!)

Naruto PDV:

Eu aguentei. Aguentei, aguentei, aguentei. Ainda aguentei mais. E mais ainda. Eu até sorri. Estava habituado a sorrir para disfarçar as minhas emoções. Nada de mais. Ninguém percebia. Bom, apenas ela é que percebia. A minha salvadora. Ainda bem que me tirou dali.

Mas mal entramos no quarto e eu ouvi-a fechar a porta cai de joelhos sobre o tapete.

– Naruto! – Ela veio alarmada a correr ter comigo. – Naruto?

– Eu estou bem Hinata.

– Não me mintas.

– É verdade. – Elevei os olhos e ela arregalou os dela ao ver que os meus estavam repletos de lágrimas. – Eu estou feliz por ele. Ele tem uma família.

– Naruto…

– É verdade. Ele tem um filho muito bonito.

Hinata abraçou-me e deixou-me repousar a cabeça sobre o seu colo. Senti as lágrimas grossas como gotas de chuva encharcarem-me o rosto.

– Ele deu o meu nome ao filho. – Contei. Ela apenas me ouvia. – Ele tem uma mulher. E ela está à espera de outro filho…

Então descontrolei-me. Berrei descontroladamente enquanto chorava e soluçava Eu sentia-me miserável. Eu devia estar feliz por ele. Ele tinha uma família. Ele conseguira seguir com a vida. Conseguira construir qualquer coisa. Ao contrario de mim que era um completo idiota agarrado ao passado e às lembranças. Era o resto de uma pessoa do passado. Era algo simplesmente por causa de um amor que me fazia sofrer e não me deixava morrer.

– Pronto, Naruto, isso já passa. Tudo ficará bem. – Dizia Hinata em sussurros para me acalmar. Era muito mais que uma amiga para mim. Era uma irmã mais velha, com a aura protectora de uma mãe. Acabei por me acalmar com as suas palavras e com as suas mãos que me acariciavam os cabelos.

– Sou tão estúpido. Sou patético.

– Não, Naruto, amar alguém como tu amas Sasuke não te faz patético, faz-te humano. Um humano maravilhoso.

– Obrigada Hinata.

– De nada, é para isso que estou aqui, meu amigo.

– Agora temos que ir a um jantar!

– Se quiseres não tens que ir a esse jantar.

– Mas eu quero ir. Quero saber mais sobre a vida actual de Sasuke. Já agora diz àqueles polícias para não irem connosco.

– Bom, sabes que terás aqui a namorada para te ajudar. – Hinata sorriu, já não era a primeira vez que se passava por minha namorada, aliás em Konoha havia mexericos sobre o namoro do Hokage com a principal filha Hyuuga. Todos torciam para que desse sorte. Eu até gostava de me apaixonar por ela, mas a merda do meu coração está nas mãos de outra pessoa.

Devias ter-me morto no passado Sasuke!

How, How did we go wrong? It was so good and now it's gone

(Como, como foi que nos enganamos? Foi tão bom e agora acabou)

And I pray at night, that our paths soon will cross,

(E eu rezo à noite, para que os nossos caminhos se cruzem)

What we had isn't lost, 'cause you're always right here in my thoughts

(Para que o que tivemos não esteja perdido, porque tu estás aqui sempre nos meus pensamentos)

Sasuke PDV:

Nunca tive medo de nada. Aqueles que sabem da minha história, sabem como vivi terrificamente a minha vida até Naruto me bater bem forte para eu abrir os olhos. Então como é que eu estava com tanto medo de um simples jantar? Eu estava aterrado. Ao contrario de Aika que parecia estar e muito bom humor, apesar de nervosa. Talvez por ir jantar com uma pessoa tão ilustre. Também estava nervoso, embora por motivos diferentes.

Tal como Aika, também demorei bastante a escolher o que havia de levar. Eu devia era estar louco. Mas eu queria estar o mais sexy possível. Não ia seduzir ninguém, obviamente, mas não conseguia evitar. Queria ser mais que Hinata. Mas eu não tinha trazido roupa de jeito. Tive que sair e comprar. Sim, a estância tinha lojas de roupas e outras, e acabei esbanjando dinheiro num fato novo e preto. É, parecia que ia para uma gala, mas ao menos estava elegante. Tudo isto não melhorou o meu nervosismo. Logo a seguir ao problema: o que vestir, veio o problema: que perfume usar. Aqui não pensei muito, só tinha um, usei o que tinha. Não podia gastar mais dinheiro.

Contudo, às sete em ponto estávamos na porta do restaurante. A minha mulher fazia-me par com a elegância do vestido vermelho, com um acessório lhe segurava a barriga de grávida, uma espécie de pano de ceda brilhante, que dava um laço nas costas, em preto; com o cabelo louro apanhado e uns brincos de diamante que eu lhe oferecera nos anos. Os olhos azuis sobressaíam com a maquilhagem em tons de vermelho e preto, qualquer homem a cobiçaria. Não me importava com isso.

Mas se a minha mulher estava bonita, a Hinata competia-lhe em glamour e beleza. Ela escolhera um vestido justo, cumprido, sem costas com um bom decote, e pendurado ao pescoço descansando sobre o peito um colar prateado com um pingente azul-turquesa, muito idêntico ao azul dos olhos de Naruto. O cabelo longo e solto com uma bandelete preta segurando a franja para fora da cara. Tinha pouca maquilhagem, apenas um batom de brilho sobre os lábios e um prateado sobre os olhos, delineados a lápis preto.

Eu e Naruto tínhamos duas bombas sexuais como acompanhantes. Mas nenhuma delas chegava aos pés da beleza exótica e solarenga de Naruto. Pelo menos aos meus olhos. Ele tinha posto gel, ou pelo menos parecia, sobre o cabelo revolto e pontiagudo. Deixando-o com um ar selvagem. A pele morena parecia brilhante, mas não brilhante por estar oleosa, brilhante como se estivesse estado ao sol, com um dourado brilhante. Trazia um fato de casaco branco e calça brancas, via-se que não estava à vontade com o fato, as roupas eram diferentes daquelas que se usavam em Konoha. E quando me aproximei dele, senti-lhe o cheiro, e pensei em coco. Ai, ele cheirava tão bem.

– Olá Hinata, Naruto. Vamos entrar? – Perguntei numa maneira demasiado cordial.

– Claro. Mas onde está o pequeno Naru? – Perguntou Naruto.

– Ficou num local para crianças. – Falou Aika. Olhei para a minha mulher, ela obrigara-me a deixar Naru num local criado especialmente para as crianças ficarem enquanto os pais se divertiam durante umas horas. Escusado será dizer que parti o coração do meu filho que estivera ansioso para ir jantar com o "herói louro". Em troca tive que prometer ao pequeno que no dia a seguir veria o seu no idolatrado herói.

Entramos no restaurante e um empregado veio ter connosco para nos levar a uma mesa para quatro. Distribuiu as ementas. E esperou enquanto os clientes, ou seja nós, nos decidíamos sobre o que comer.

– Quero o Bife da Casa, com ovo, se faz favor. – Pediu Naruto entregando a ementa ao empregado que anotou o que ele pedia num pequeno aparelho.

– Eu vou comer o mesmo. – Acompanhou Hinata.

– Eu quero Arroz de Marisco. – Disse Aika.

– Uma dose de Arroz de Marisco dá para dois? – Perguntei ao empregado.

– Sim, dá.

– Então é uma dose de Arroz de Marisco, por favor. – Pedi, enquanto ele recebia as ementas e digitalizava o pedido através do pequeno aparelho.

– E para beber o que vão desejar?

– Que tal sangria? – Propôs Hinata. – Menos para a Aika-san claro. – Ela sorriu para a minha mulher. Eu e Naruto concordamos com a cabeça. – Um jarro de sangria para nós os três. E para si?

– Não tens que me tratar formalmente, afinal vocês são amigos do meu marido. Eu quero um sumo de manga natural.

– Trago já os pedidos. – E o empregado afastou-se.

– Ah, quem diria que te íamos encontrar aqui Sasuke! – Comentou Hinata para mim.

– Sim, quem diria que nos encontraríamos no Fim do Mundo. – Tenho plena consciência que a frase me saiu com ironia. Mas realmente nunca tinha pensado que encontraria alguém de Konoha ali. E por sorte, ou azar, tinha encontrado Naruto e a namorada.

– E como foi que vocês se conheceram? – Questionou Aika que acariciava a barriga fazendo os meus olhos ficarem presos naquele movimento.

Somebody wants you, somebody needs you,

(Alguém te quer, alguém precisa de ti)

Somebody dreams about you every single night

(Alguém sonha contigo todas as noites)

Somebody can't breathe without you is lonely

(Alguém não consegue respirar, sem ti sente-se sozinho)

Somebody hopes that one day you will see

(Alguém tem esperança de que um dia tu vejas)

That somebody's me, That somebody's me, yeah!

(Esse alguém sou eu, esse alguém sou eu, yeah!)

Naruto PDV:

Ele ficou com os olhos presos nas mãos que acarinhavam a barriga de grávida. Percebi que havia amor nos olhos dele. Soube que ele mudara, as chamas nos seus olhos estavam brilhantes, não de perigo, mas de amor. Graça aos céus que o meu coração já estava tão partido que foi impossível partir-se mais, mas pelo menos fiquei feliz por ele ter encontrado alguém para amar. Alguém que lhe tenha dado filhos. De certeza que continuar com o seu clã, reconstruir uma família, construindo uma família, era uma coisa que dava felicidade a Sasuke. Por isso, apesar da minha dor, por saber que nunca ia estar ao lado de Sasuke eu fiquei feliz. Feliz por ele. E quando ele virou o seu olhar ónix para mim, pois deve ter dado conta que eu o olhava fixamente, eu pude sorrir-lhe.

Os pedidos finalmente chegaram à mesa. Cheirava tudo muito bem. Mas eu tinha um nó no estômago. Se pudesse teria continuado a chorar no quarto até que as lágrimas me levassem para a outra vida.

– Nós conhecemo-nos todos da aldeia. Andamos todos na academia. – Contou Hinata.

– Na aldeia? Na aldeia de Konoha? Tu eras de Konoha e nunca me contaste? – Perguntou a mulher Uchiha encarando o marido.

– Estás a saber agora. – Respondeu Sasuke, frio. Era uma particularidade na personalidade que ele não perdia cada vez que se falava em assuntos que ele não gostava. Mas a mulher pareceu já estar habituada, pois não lhe ligou nenhuma.

– E como é que ele era na academia?

– O melhor da turma. – As mulheres continuaram a falar enquanto comíamos, só eu e Sasuke permanecíamos calados.

– Só podia. – Riu-se Aika. – Ele é o melhor polícia das forças policiais. – Parecia orgulhosa de se gabar desse facto.

– Então agora és polícia?

– Sou. – Respondeu seco à pergunta de Hinata que simplesmente sorriu.

– Que tipo de academia era? Militar, aposto.

– Não. Era uma academia Ninja. – Revelou Hinata.

– Ninja? O Sasuke esteve para ser ninja?

– Esteve para ser ninja? Não, Aika, Sasuke é um ninja. Não sabias?

– Não… - A mulher olhou assombrada e chocada para o marido.

– Acalma-te. – Disse-lhe Sasuke, enquanto se servia de Sangria. – Eu fui um ninja, mas já não sou.

– Como assim já não és? – Perguntei arrancando-lhe o jarro de sangria das mãos. Não podia querer no que estava a ouvir. Sasuke a dizer que já não era mais um ninja. Onde estava o orgulho Uchiha de querer ser o mais forte?

– Simples, reformei-me.

– Reformaste-te? O que é que te aconteceu?

– Aconteceu que eu mudei de vida.

– Não… o que é que te aconteceu? Que aconteceu ao meu rival? Que aconteceu à pessoa que me arreliava? Que aconteceu com o Sasuke que eu conheci? – Aquele ser calmo, aquele ser que dizia aos outros para ter aquele calma, aquele ser era uma versão apagada do verdadeiro Sasuke.

– O vingador já não existe. – Ele sorveu um golo de sangria.

– E o Uchiha Sasuke também não? – Eu também bebi sangria, só que bebi um copo de uma vez.

– Não faças perguntas idiotas.

– Tu nãos és Uchiha Sasuke.

– Não digas patetices.

– És um gatinho assustado!

– Cala a boca Dobe! – Reagiu Sasuke por fim, pondo-se em pé e puxando-me pelo colarinho, pondo-me a mim com a força também em pé, apenas com uma mesa cheia de comida a separar-nos, com certeza queria esmurrar-me. Aika ao lado dele deu um guincho ao ver a velocidade do marido. Por seu lado, Hinata permaneceu quieta e espantada a olhar para nós os dois, enquanto Sasuke segurava um punho no ar em ameaça, e eu o olhava fixamente nos seus olhos.

– Tudo bem, Teme, pelos vistos não desapareceste completamente.

Hinata desatou-se a rir e eu também. Sasuke deu um sorriso torcido e soltou-me, voltando para o seu lugar e endireitando a mesa que ele deixara torta devido ao ataque de fúria que eu provocara nele.

– Não te preocupes Aika, estes dois sempre se trataram assim. – Sossegou-a Hinata. – Mas no fundo são bons amigos.

– Ah, amigos… - Parecia não acreditar, mas também depois da demonstração de Sasuke era normal que ela pensasse mal, tanto de mim como dele.

O resto do jantar passou normalmente. Hinata contou por alto como é que me tinha tornado Hokage, como eram os nossos dias, e porque é que tínhamos tirado férias. Aika contou como era ter que cuidar de um menino tão descuidado como Naru. Como passava os dias preocupada com as coisas da casa, com as coisas do menino, e como seria difícil ter mais um filho, enquanto passava os dias preocupada com o perigo que Sasuke podia estar a enfrentar, pois ser policia era uma profissão muito arriscada e qualquer dia podia ficar sem marido. Agora que sabia que o marido era um ninja, já não se ia preocupar tanto, mas que iria continuar preocupada, pois é isso que as esposas dedicadas fazem.

Depois Hinata teve que contar uma história de como é que o nosso namoro tinha começado. Enquanto as mulheres tagarelavam, eu e Sasuke acabamos com o jarro de sangria e ainda pedimos mais um. Entretanto acabamos os nossos pratos e pedimos sobremesas. Mousse de chocolate para todos. E mais um jarro de sangria, desta vez apenas partilhado por mim e por Sasuke.

A seguir pagamos o restaurante e decidimos ir para uma discoteca. Que raio de sitio era esse? Eu e a Hinata estávamos curiosos. E quando chegamos descobrimos. Um lugar com músicas mexidas, com luzes supersónicas, e um bar cheio de bebidas alcoólicas. Um local que respirava juventude e diversão.

A discoteca já estava cheia e a pista de dança já tinha pessoas a dançar. Eu, liberto por toda a sangria que tinha bebido, atirei-me para a pista depois de ter largado o casaco em algum lado, e pus-me a dançar, ao meu lado juntou-se Hinata.

Sasuke PDV:

Naruto, era sempre Naruto. Sempre cheio de energia. Fiquei inebriado ao vê-lo na pista de dança. Ao ver o corpo dele mexer-se ao ritmo da música. Ele era simplesmente lindo. Sentado ao lado de Aika que não queria dançar apenas observar os outros, deixei-me ficar a observá-lo. Os anos sem o ver tinham-no feito ainda mais bonito do que aquilo que ele já era. Definitivamente ele era a minha perdição.

oOo

You will always be my life, even if I'm not in your life

(Estarás sempre na minha vida, mesmo que eu não esteja na tua)

'Cause you're in my memory, you, when you remember me

(Porque estás na minha memória, tu, quando tu te lembras de mim)

And before you set me free, oh listen please

(E antes que me mandes embora, oh por favor ouve-me)

Narração:

Sasuke farto de estar quieto, embriagado pela bebida e entregue ao amor que sentia e que se soltara com o álcool, levantou-se no sofá onde estava com a mulher e dirigiu-se à pista de dança, em direcção a Naruto que dançava colado a Hinata. Por seu lado o louro assustou-se quando sentiu uma mão no seu ombro, e mais ainda quando viu que era Sasuke que pedia a sua atenção.

– Queres mais uma bebida? – Perguntou ao ouvido de Naruto.

– Sim. – Respondeu Naruto. Sasuke pegou na mão do ex-colega de equipa e puxou-o até ao bar, não se dando conta que tinham deixado na pista sozinha a pobre Hinata. Que olhou preocupada ao ver Naruto a sorrir alegre ao ser puxado pela mão por Sasuke. Resolveu ir ter com Aika, dando-lhe a desculpa de que Sasuke e Naruto tinham ido buscar bebidas e meter a conversa em dia.

No bar Sasuke pediu dois shots bem fortes. E a seguir a estes outros três pares vieram a seguir. Deixando o Uzumaki muito embriagado, assim como o próprio Uchiha, mas eles já tinham começado a competir e quando começavam ninguém os parava. Depois dos shots pediram Vodka Ice, e Sasuke puxou Naruto até um terraço que existia no prédio da discoteca. As estrelas cintilavam lá no céu. A noite estava quente. E eles já estavam bastante soltos e desinibidos. Sentaram-se lado a lado com as bebidas na mão. Ali podiam falar sem ter mais ninguém por perto, enquanto a música se ouvia mais ténue.

– Então para deixares de ser ninja algo deve ter acontecido?

– É a minha maneira de me castigar.

– Castigar?

– Sim, pela merda toda que fiz.

– Mas tu ajudaste-me a derrotar Madara, isso não chega para te redimires.

– Um acto bom, não apaga tudo o que fiz.

– Mas as pessoas, mesmo na aldeia já te perdoaram.

– O problema não é elas. Sou eu. Ainda não me perdoei.

– Então não és feliz?

– Não, não sou feliz.

– Mas tens uma família.

– São a única coisa que me trás alento. – Confessou o Uchiha. – Embora a Aika me sufoque. Os meus filhos são a minha alegria. No entanto, neste mundo sinto-me sozinho, abandonado. Sou um estranho aqui. Não compreendo esta sociedade. Estou deslocado. Sou um ponto negro no meio do branco.

– É. Sei como é. Estar sozinho, apesar de rodeado de pessoas. Também me sinto assim.

– Como? Não és feliz ao lado de Hinata? Sendo Hokage de Konoha?

– Konoha sufoca-me. – Respondeu Naruto indo buscar as palavras de Sasuke em relação à mulher. - Todos pedem algo de mim, menos Hinata. Ela é uma boa amiga. Mas todos querem mais de mim. Sinto-me sozinho, pois parece que não há ninguém que se lembre que eu antes de ser um herói, era e sou Uzumaki Naruto. Todos me admiram demasiado, todos me acham invencível. Todos me vêem como algo para ser venerado, e não alguém com quem podiam conversar. É obvio que vem falar comigo, mas só me falam nas coisas magníficas que fiz, ninguém me sabe perguntar: como foi o teu dia?

Sasuke compreendeu-o. Sabia-o na solidão, tal como ele estava.

– Como foi o teu dia? – Perguntou Sasuke, querendo ser um bom amigo.

– Uma merda! Reencontrar-te magoa-me. – Naruto encarou os olhos ónix de Sasuke que estavam espantados com o que o louro acabara de dizer. Os olhos dele brilhavam, reflectiam as estrelas do céu. Eram lindos. Sasuke era lindo. – Eu amo-te! – Declarou.

Mexeu-se rápido, sem se levantar, agarrou no colarinho de Sasuke e capturou os lábios de Sasuke com os seus lábios. Como o moreno era quente. Como era uma voracidade de contacto e sentimentos. Como era uma corrente eléctrica que lhe percorria o corpo. Como era tudo aquilo que o seu coração desejava. Como era aquilo que a mente chorava. Foi invadido por uma língua que sabia a Vodka. A sua mente estava tão cansada, era possível que estivesse a beijar Sasuke? Que aquela língua tão apaixonante fosse dele?

As lágrimas escorregaram pela face de Naruto. Ele amava tanto Sasuke. A amava ao ponto de doer. Amava ao ponto de ser levado à exaustão, obviamente que a bebida ajudava muito, mas a sua mente paralisada com o amor, com o carinho, com a serenidade do beijo, deixou de funcionar e ele adormeceu.

O beijo foi interrompido bruscamente por Sasuke, quando este ouviu o copo de Naruto cair no chão partindo-se, e depois teve que agarrar no louro antes que este caísse ao chão. Assustou-se, pensando que Naruto tinha desmaiado, mas depois reparou que ele tinha apenas adormecido, provavelmente devido ao álcool em excesso. Encostou-o contra si, e pediu que o mundo, o tempo, que tudo parasse ali naquele terraço, debaixo de todas aquelas estrelas. Ele queria ficar ali para sempre.

– Será que te vais lembrar disto amanhã, meu amor? – Sussurrou para o Naruto que repousava contra si. – Será que eu vou me lembrar? Será que não é mais uma ilusão minha?

Somebody wants you, somebody needs you,

(Alguém te quer, alguém precisa de ti)

Somebody dreams about you every single night

(Alguém sonha contigo todas as noites)

Somebody can't breathe without you is lonely

(Alguém não consegue respirar, sem ti sente-se sozinho)

Somebody hopes that one day you will see

(Alguém tem esperança de que um dia tu vejas)

That somebody's me, That somebody's me, yeah!

(Esse alguém sou eu, esse alguém sou eu, yeah!)

Continua…