Disclamer: Os Personagens de Naruto não me pertencem, são de criação e autoria de Masashi Kishimoto.

Boa Leitura!

.

.

.

Os olhos verdes se abriram devagar devido o incomodo do sol, que entrava pela janela aberta do quarto. Perguntou-se que horas deveriam ser e, de sobressalto, pensou que estava atrasada para ir ao hospital, mas antes que pudesse pular da cama e jogar os lençóis longe, lembrou-se que teria menos tempo de trabalho.

Não teve tempo, no entanto, de ficar feliz por isso; os motivos do seu descanso não eram estimulantes de alegria e sim de dor de cabeça; no sentido literal, as pontadas eram extremamente incomodas.

Decidiu que o melhor seria um bom banho e uma caneca quente de café. Calçou suas pantufas roxas e caminhou até o banheiro, abrindo um pouco o zíper da saia. Olhou-se no espelho coçando a cabeça. Tinha algo estranho.

Talvez fosse o penteado bagunçado ou o lápis borrado no olho ou...

Arregalou os olhos ao se dar conta do que estava errado. Na verdade, agora que ela tinha se dado conta, havia uma serie de coisas erradas e fora do normal.

Só pra começar ela não se lembrava de como havia chegado a sua cama; também não lembrava de como andou até a sua casa e pra fechar com chave de ouro: ela sabia perfeitamente, mesmo que tivesse exagerado um pouco no saquê, que não havia aberto os quatro botões de sua camiseta branca.

- Sasuke! – urrou baixo, seu rosto ficava vermelho, as veias de seu pescoço saltaram enquanto soltava o ar em bufadas.


Passou a toalha branca pelo cabelo molhado enquanto andava pelo quarto. Tinha desistido de tentar dormir mais depois de ter se revirado na cama varias vezes. Já estava acostumado com a insônia, normalmente ele dava um jeito nisso treinando ou só pensando em estratégias, às vezes afiava sua espada ou os outros instrumentos ninjas.

Mas essas distrações ele não teria naquela casa; talvez encontrasse Naruto para um treino rápido ou até algo melhor, poderia encontrar o amiguinho da Haruno e ensiná-lo porque não deveria falar com ele da maneira da noite passada.

Claro que, de novo, sua mente traiçoeira o fazia recordar a infeliz cena que ele presenciara.

O jeito como aquele cara a segurava, como se ela fosse dele; o modo como ela ria... desde quando Sakura havia crescido e se tornado uma mulher?.

Uma médica recatada e decente não podia agir daquela maneira, muito menos no meio da rua, com um qualquer!

Ativou o sharingan automaticamente quando sentiu o chakra esmagador e furioso dela se aproximando ameaçadoramente da porta do seu quarto e se conteve para não apanhar algumas kunais na cômoda quando ela socou a porta, forçando o trinco para que abrisse. A porta despencou no chão revelando a rosada atrás de uma pequena fumaça de estilhaços que saíram dos cantos da porta. O punho ainda levantado da maneira como ela havia socado a madeira.

Ela viu o Uchiha caçula ficar tenso e alguns músculos das suas costas ficarem rígidos, mas ele se virou devagar passando a toalha no cabelo, mostrando o olhar do poderoso sharingan, aparentemente de uma maneira despreocupada.

- O que quer aqui? – perguntou simplesmente, de maneira seca, mas ela não perdeu a postura.

- Você! – esticou o dedo indicador para o corpo do Uchiha, mas não disse mais nada, só continuou com os olhos fixos nos dele.

Se os olhos dela não fossem verdes ele teria certeza que estariam vermelhos de raiva, mas ele ainda não entendia bem o porquê daquela reação. Até que ela apontou o dedo acusador dele para ela.

Pelos olhos dele ela soube que ele não havia entendido exatamente, o que não era difícil de entender, ela não havia realmente dito o que estava tentando mostrar pra ele. Na verdade ela nem sabia por que tinha ido até ali, ela não sabia o que dizer "Hei, você abusou do meu corpo durante a minha embriaguez?" não era exatamente o que ela pensava, tinha agido por impulso e agora estava em uma saia justíssima.

Ela tentou mais uma vez só gesticular; apontou pra ele e depois para os botões abertos e ele acompanhou seus dedos, vislumbrando a pele clara exposta.

- Você derrubou a porta do meu quarto por causa de botões abertos? – piscou devagar com os olhos voltando ao tom negro e impenetrável.

- Primeiro: esse quarto é meu e eu posso derrubar as portas quantas vezes eu quiser; Segundo: eu acordei com a blusa quase totalmente aberta e a ultima coisa que me lembro de ontem a noite é de você ter me.. ajudado a entrar em casa e terceiro: eu quero uma boa resposta pro porque disso ou a porta não vai ser a única coisa derrubada nessa casa.

- Eu não te ajudei, te carreguei pra dentro de casa, porque você não conseguia nem se quer andar depois de beber tanto. – o rubor de raiva foi passando e dando lugar ao de vergonha, mas ela não se encolheu, conforme ele a acusava e aumentava o tom grave da voz ela se aproximava disposta a enfrentá-lo. – Mas não culpo você, é óbvio que isso foi culpa do seu amiguinho que deve ser uma péssima influência pra essa sua cabecinha de..

- Escuta aqui seu magrelo prepotente e nojentinho, você não é meu pai, pra falar a verdade não é nada meu e eu não te devo satisfações de com quem eu ando ou deixo de andar. Não aja como se me conhecesse porque sabe a verdade. Não sabe nada de mim, nunca soube, até porque não é nem nunca foi de seu interesse – a diferença entre as alturas dos dois era muito grande, mas ela não iria se encolher diante da postura firme dele, ela não tinha mais medo, sabia se defender se fosse necessário. – e só pra você saber: o Aiko é a melhor companhia que eu poderia escolher, melhor do que a sua, eu posso afirmar.

Em poucos passos os dois estariam prontos pra fazer um combate corpo a corpo e ele se controlou muito para não ativar o sharingan novamente.

- Eu tinha achado que você tinha amadurecido e mudado, mas eu errei, ainda é uma menininha estupida e imatura por debaixo dessa moldura de mulher.

Era aquilo que faltava pra que ela se sentisse pronta pra dar um belo soco no rosto dele ou talvez uma joelhada no meio das pernas pra que aprendesse a tomar cuidado com o que dizia pra ela. Ele esperou que o golpe viesse, porém o cômodo ficou silencioso, ela respirava de maneira pesada e ele a encarava severamente, ela arrumou sua postura calmamente, respirou fundo uma única vez e se virou pra sair do quarto.

- Só não esqueça que está na minha casa, me deve um mínimo de respeito e satisfação. Amanhã te entregarei as regras da casa.

Ele ficou observando o corpo se afastar do seu quarto e de repente a casa parecia fria. Ela caminhou calmamente até virar e sumir do seu campo de visão, claramente indo até o quarto dela.

De todas as reações que ela teria, aquela, sem dúvida, não estava na lista dele.