CAPÍTULO 4 – Se eu tivesse asas

Autora: Carissa Black

Rate: T (rating pode mudar ao longo da história)

Disclaimer: a maioria dos personagens pertence a J. K. Rowling e a trama se passa num universo criado maravilhosamente por ela. Eu sou apenas uma fã de carteirinha.

Avisos: essa ficção contém slash e criaturas mágicas, se isso ofende sua sensibilidade não leia!

Pares: HP/OC, CP/OC, entre outros...

CAPÍTULO 4 – Se eu tivesse asas...

Ele estava voando, não tinha idéia de onde, mas sabia que estava a muitos metros de distancia de qualquer solo firme. Não sabia bem como explicar tal sensação, era como não ter peso algum; ser leve como uma pluma, no entanto, ao invés de planar, ele se lançava pelo ar como uma flecha, cortando nuvens macias e vaporosas, úmidas e um tanto quanto frias. Mas sua pele parecia impermeável como as penas de um pássaro, e o frio e a gravidade pouco transtorno lhe causavam. Sabia que pertencia ali, no ar, tanto quanto qualquer um dos pássaros e dragões que por aqueles céus já planaram. O tempo parecia não existir aqui em cima e Harry não poderia dizer por quanto tempo já estava lá: minutos, horas, dias...Nada disso importava, ele estava voando!

oooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooo

Na enfermaria de Hogwarts a tensão reinava como um peso quase palpável por sobre todos aqueles que ali se reuniam, ao redor de uma das muitas camas enfileiradas em cada lado do extenso hall de cura. As paredes de pedra, antigas e resistentes, intercaladas de ora em ora por tochas, apagadas naquele momento, davam ao ambiente um aspecto pouco habitual para um hospital. O local mais parecia um aconchegante dormitório, com colchas e cortinas brancas, que por sua vez cobriam colchões macios e janelas altas respectivamente.

Entretanto, feitiços de assepsia (muito antes de seu descobrimento pelos trouxas) foram lançados em cada centímetro do local já no tempo de sua construção, por uma zelosa curandeira que entrou para história como uma dos quatro fundadores daquela instituição, Helga Hufflepuff. E ano após ano, tais feitiços – entre outros – eram renovados pelos professores da escola, que adicionavam sua própria magia a base antiga, aumentando-a e expandindo seu foco. Afinal, nada poderia ser mais forte que um trabalho feito em comunhão; assim fizeram os deuses, os homens e a natureza (Hufflepuff, Um Estudo Aprofundado em Herbologia, p. 7, Prefácio).

Naquele ambiente, deveras aconchegante, uma pequena família, amigos e professores trocavam olhares ansiosos entre si, alguns visivelmente desconfortáveis perante o estarrecedor silêncio que caíra sobre todos os presentes enquanto Madame Pomfrey examinava seu mais novo paciente. O próprio Severus Snape, mal humorado de plantão, com sua língua afiada e mirada certeira, mantinha-se calado e atento em um dos cantos do hall, o único sinal de tensão era a visível rigidez em sua postura. Seu rosto, entretanto, continuava impassível.

James, por outro lado, poderia acabar cavando um buraco profundo no centenário chão da enfermaria, tal era sua agitação. Caminhava de um lado para o outro, apenas parando, brevemente, para passar a mão através dos espessos cabelos pretos, já bem bagunçados, e soltar um suspiro agoniado. Lili, pálida e com os olhos vermelhos, grudara-se a cabeceira da cama em que estava o caçula da família e apenas lhe soltara a mão devido as ameaças expressivas da velha enfermeira, enquanto esta tentava realizar seus exames. Agora, ela as mantinha apertadas em seu colo, tentando controlar o anseio que tinha em tomar novamente a pequena mão de Harry nas suas.

Sirius tinha Cris em seu colo, e ambos conversavam baixinho, em leves surros, tentando consolar-se mutuamente. Remus, do lado deles, mantinha-se visivelmente calmo, enquanto buscava internamente conter o lobo e a sua preocupação. Bem que ele gostaria de se expressar como James, indo de um lado ao outro do largo recinto, mas aprendera desde cedo a praticidade do autocontrole. Fato este que não impedia seu pé de bater ritmicamente no chão em um crescendo compassado; o que, no entanto, estava começando a irritar ainda mais o já irritadiço Severus.

Minerva e Albus, mais atrás, conversavam a meia voz, as cabeças próximas, as cadeiras quase coladas, ambos pareciam determinados a não serem ouvidos por terceiros, o que realmente era irrelevante uma vez que já haviam criado uma bolha de silêncio ao redor deles. Especialidade, obviamente, do diretor de Hogwarts, cuja mente escondia mais segredos que o próprio Departamento de Mistérios (DOM).

As atividades apenas cessaram, quase que instantaneamente, quando da cabeceira da cama, Lili emitiu uma pequena exclamação de surpresa; alertando os demais, que rapidamente se voltaram na sua direção. A própria enfermeira parou no meio da analise de um dos muitos exames que já executara, para ver o que se passava.

Lili, por sua vez, observa como admiração e curiosidade o pequeno rostinho a sua frente.

"Ele está sorrindo..." murmurou, sem perceber que algumas das linhas de preocupação que marcavam sua testa iam aos poucos desaparecendo.

oooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooo

Harry jamais se divertira tanto, ele planava sobre a copa das árvores, dava piruetas e apostava corrida com os pequenos pássaros que se animavam a chegar mais perto. Não tinha idéia de quanto tempo passara ou por quanto ainda permaneceria ali, mas tinha certeza que jamais se divertira tanto.

Foi após mergulhar por entre uma espessa nuvem e voltar à tona que o pequeno menino percebeu não estar mais sozinho, um vulto tão pálido quanto a névoa ao seu redor se aproximava de sua posição com graça e leveza invejáveis, aos quais somente as aves podiam aspirar. Aos poucos o vulto foi tomando forma e em seu lugar uma bela coruja branca surgira, planando ao seu lado e emitindo notas baixas e ressonantes, da mesma forma que uma pessoa – capaz de fazê-lo – cumprimentaria outra com efusivo afeto. Ela parecia conhecê-lo, ponderou Harry, mas não tinha idéia de como, afinal jamais vira aquela ave antes ou, de outra forma, com certeza se lembraria. Mesmo assim, tinha a ligeira impressão de serem amigos de longa data e foi por isso, mais do que qualquer outra coisa, que – quando ela mergulhou na direção oposta – acenando com uma das asas para que o garoto a seguisse, ele não hesitou sequer um instante em fazê-lo, confiando na pequena amiga para guiá-lo em segurança.

E não se arrependeu por um segundo em fazê-lo, ainda mais, quando ao olhar para baixo percebeu o paradisíaco lugar que sobrevoavam. Um lugar que jamais imaginara encontrar em qualquer recanto da Terra. Lembrou de suas aulas de geografia e tentou imaginar em que parte do planeta estaria, certamente não na Inglaterra... Perdido como estava em suas divagações, nem ao menos reparara quando seu pequeno corpo cruzara uma barreira invisível de magia comprimida no espaço.

O mundo a sua volta era inigualável, montanhas brancas com picos altos – como uma cordilheira, lembrou – cercavam um vasto vale, que misturava os inúmeros verdes do verão com as belas e clássicas cores outonais. Uma cachoeira, alta e cristalina, caía de um dos picos mais altos da cordilheira circular, ao norte do vale, e formava um largo aro-íris em seu centro. O rio, alimentado por suas águas, corria apressado até certo ponto, no qual uma cachoeira menor dava espaço a outro rio, seu leito mais lânguido e largo que o anterior. Até, por fim, deterem-se em um imenso lago de águas claras e leito profundo, alimentado também por outros córregos, que vinham de diferentes direções e, as margens do qual fora erguida uma formidável fortaleza, em pedras claras, acinzentadas, e mármore colorido.

Tudo isso, o menino assimilou com excitação crescente, detendo-se desejosamente sobre o suculento pomar ao lado do castelo, no qual se viam os mais diversos frutos, maduros mesmo fora de estação. Entretanto, sua amiguinha branca já ia longe, piando para chamar-lhe a atenção e indicando que ainda havia mais a ser visto. Harry a seguiu com inegável excitação, lançando apenas um último olhar ao pomar que estivera admirando, prometendo a si mesmo voltar ali algum dia.

O que o moreno não percebeu, e nem poderia compreender por ser ainda muito jovem, é que ao partir daquele vale ele deixara para trás uma impressão, uma assinatura pessoal que cada criatura mágica carrega dentro de si, como uma impressão digital. E aquela impressão deixara uma marca, pequena é claro, pois apenas seu espírito estivera presente, e nem todos os habitantes do vale a notaram, a bem da verdade somente um ser sentiu tal presença e foi ele que acordou sobressaltado de seu sono profundo, um risco de suor marejando sua face e escorrendo pelo pescoço, onde uma veia latejava com força. Não conseguia compreender exatamente o que havia lhe arrancado tão brutalmente do sono, mas sabia que era importante e alteraria sua vida para sempre. Uma forte apreensão invadiu-lhe a alma, a mesma que muitos o julgavam incapaz de possuir. Seja lá o que estivesse por vir, algo lhe dizia que seria em breve.

oooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooo

A coruja branca, ao perceber que o menino voltava a segui-la, apressou novamente o ritmo e seguiu em um vôo rápido e gracioso para o mais alto pico da cordilheira, diretamente atrás daquele pelo qual fluía a maravilhosa cachoeira e ficava exatamente no lado oposto àquele em que fora construída a fortaleza, ao sul do vale. A montanha era enorme e tinha sua metade superior imersa em brumas tão espessas que tornavam praticamente impossível a descrição do seu relevo. O pico, no entanto, era coberto por um domo de magia, "um escudo" Harry compreendeu, e dentro dele ficava o mais belo Castelo que o menininho já vira. Alto, com torres subindo em um crescendo de tamanho e espessura, todo em cristal e mármore branco. A edificação era vasta, ocupando por completo o pico da montanha, e ainda assim perdia em tamanho para a fortaleza construída no vale.

Para o garoto, aquela construção tinha uma aparência delicada, mas lembrava-lhe as geleiras eternas do Ártico, sobre as quais lera na aula de geografia. O que desmentia sua aparente fragilidade. Era lindo, como se tivesse sido criado em um conto de fadas. Um vento gelado soprava sobre o pico, mas o domo mágico que o envolvia mantinha a temperatura ambiente levemente mais aquecida. O suficiente para ser suportável em altitudes tão elevadas. Contudo, Harry não passou pelo domo, apenas vendo-o de fora e essa foi a única impressão que conseguiu obter como observador. O que mais aquele domo escondia Harry não descobriria por muitos anos e até lá essa visita seria apenas uma vaga lembrança de sua mente infantil.

Ao partir com sua companheira o menino deixou para trás a mesma impressão que ficara no vale, mas esta infelizmente não seria sentida por ninguém naquele momento, pois o domo que cercava o local protegia seus habitantes, isolando-os de tudo e de todos.

oooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooo

Na enfermaria de Hogwarts, a noite já chegara e levará com elas a maioria dos presentes. Apenas Lili e James permaneciam, Cris tentara ficar junto do irmão – dando seu maior chilique desde que tinha sete anos e os pais o proibiram de montar na vassoura de James. Entretanto, pouco surtira efeito além de aborrecer seu pai o suficiente para colocar o garoto de castigo, no final ele teve de ser carregado para fora por seu padrinho e Remus, ambos relutantes em partir, mesmo sabendo que nada poderiam fazer ali. Lili, exausta também, apenas desviara a atenção do pequeno menino na cama para beijar a testa do filho mais velho e recomendar que dormisse bem, se quisesse voltar amanhã bem cedinho.

Os três partiram por floo, deixando o jovem casal para zelar por seu filho mais novo. Eles mal haviam partido, quando a ruiva bocejou largamente, esfregando os olhos como se pudesse assim afastar o sono e a exaustão. James notou de imediato o estado da esposa.

- Lili, é tarde...por que não você descansa um pouco? Eu te acordo se houver alguma mudança.

- Não, James. Eu est-tou be-bem... – tentou dizer, mesmo sendo interrompida por novo bocejo. Seus olhos lacrimejaram, mas ela sentou-se ereta na cadeira e deu batidinhas leves no rosto, determinada a se manter desperta caso seu garotinho precisasse dela. – Mas uma xícara de café preto bem que seria útil...

Seu olhar não poderia ser mais expressivo e James que – apesar de fingir – não era nem um tolo, percebeu exatamente o que estava implícito naquela afirmação. Com um suspiro resignado ele acenou que compreendera e levantou-se para atender ao pedido da esposa. Lili acompanhou seus movimentos até que a porta da enfermaria se fechasse atrás do marido e voltou a olhar para Harry, pensado que – em momentos como esse – ela de fato entendia por que se apaixonara tão perdidamente pelo homem com quem gerara duas vidas maravilhosas. Deixou seus olhos vagarem pelos traços angelicais de seu bebê e pediu, silenciosamente, para quem estivesse ouvindo suas preces, que seus garotos estivessem sempre com ela. Como somente alguém que era mulher e mãe poderia sentir, ela sabia que sua vida não teria sentido sem eles ao seu lado.

James não demorou sequer quinze minutos para voltar da cozinha, mas nesse meio tempo sua esposa acabara por sucumbir à exaustão que a dominara pelas últimas horas. Sua cabeça repousa na cama do filho, junto da do próprio garotinho, a mão dela ainda segurando a pequena mão em busca de conforto. A cena arrancou um sorriso terno de seu marido, o vinco de preocupação que marcava sua testa desaparecendo por alguns instantes enquanto observava sua esposa e filho juntos, em um sono profundo e aparentemente tranqüilo.

Aliviado de por fim ver a esposa repousando, James pegou sua varinha e com gestos precisos fez a mulher levitar para cama mais próxima, cobrindo-a em seguida. Para logo depois tomar o lugar que ela desocupara, bebericando o café que originalmente seria de Lili. "Bem, pensou, um dos dois precisaria ficar acordo de qualquer modo."

Com essa idéia em mente, o homem levou o café forte e quente aos lábios, porém antes mesmo que conseguisse dar um único gole, um movimento na cama a sua frente lhe chamou a atenção. Voltando-se para observar o rosto de seu garotinho, ele pode observar um lento movimento de sua cabeça, apenas um leve inclinar para o lado, mas ainda assim era mais do que havia ocorrido o dia inteiro. Ao menos desde que Harry saíra de dentro daquele maldito domo esfumaçado.

Os luminosos olhos verdes abriram por breves segundos não muito depois dos primeiros sinais de que o menino estava despertando. James não sabia ao certo, mas pareceu-lhe que os olhos antes já em um tom raro de verde, ganharam agora o brilho esplendoroso das mais belas esmeraldas, sua cor parecia intensificada pela magia que fluía em suas profundezas. James respirou fundo e em um sussurro que pretendia não alarmar o filho ou acordar a esposa, chamou o nome da criança.

Esta por sua vez, parecia relutar em obedecer ao terno mais insistente convite do pai, virando um pouco de lado, para se colocar em uma posição confortável e seguir dormindo.

- Harry...filhote... – surrou James novamente.

- Humn...- os olhos verdes abriram-se lentamente dessa vez, girando de um lado para o outro enquanto o menino tentava discernir onde estava, para em seguida se focarem na face pálida de seu pai. – Papi... – a voz era fraca e sonolenta, mas os bracinhos que estendeu na direção de James estavam firmes. Envolvendo-o pelo pescoço, ele o abraçou apertado para que seu papai soubesse que estava bem. Harry podia sentir no ar a tensão que o rodeava. A agonia e a preocupação da tarde deixaram impressões praticamente vivíveis para o sensitivo menino.

O homem, profundamente aliviado de ter seu menininho são e salvo em seus braços, deixou-se abraçar, aspirando o perfume que era só do seu filhote e de mais ninguém. O pequeno encaixava-se perfeitamente nos braços do pai, e não pela primeira vez a sensação fez James refletir em quão pequeno era Harry, apesar de sempre ter sido bem alimentado e ser – na medida do possível – um menino saudável. Pensou que talvez devesse consultar Poppy sobre isso, mas a estatura combinava tão perfeitamente com seu menino que realmente não lhe gerava grandes preocupações a respeito. Afinal, se houvesse algum problema a enfermeira de Hogwartz certamente o teria mencionado na primeira oportunidade. Não era segredo o quanto Poppy Pomfrey era cuidadosa quando o assunto era Harry Potter.

Harry, cuja cabecinha havia estado pousada no ombro do pai, tornou a levantá-la poucos minutos depois, fazendo sua preciosa mirada verde chocar-se com os olhos castanhos do pai. Um sorriso leve e alegre brincava em seus lábios.

- Você ta melhor, papi?

- Agora que você está de volta, filhote, eu estou ótimo!

- Mas eu nunca fui embora, papi! – riu o garotinho, embora tivesse a estranha sensação de que de fato estivera em outro lugar. Seu pai abriu um sorriso divertido e respondeu, tentando permanecer sério:

- Então como é que você não respondeu quando te chamei para comer bolo de chocolate com estrelas de marzipã?

O menino, não percebendo a brincadeira, olhou horrorizado para seu pai e James não conseguiu se controlar por muito tempo, soltando uma ruidosa gargalhada. Harry, apesar de muito ingênuo, não era nenhum tolo e logo percebeu ser alvo de gozação, seu tom de horror transformando-se em indignação: - Papai! Exclamou, enquanto um pequeno punho atingia o homem no ombro.

A risada subseqüente de James foi tão contagiante que aos poucos Harry também aderiu a ela. Juntos, pai e filho, com todo barulho que fizeram, conseguiram acordar o dois dragões adormecidos nas redondezas: Liliam Potter e Poppy Pomfrey.

Ambas, abruptamente despertas, correram para a cama da criança assim que se puseram de pé, dispostas a averiguar qual era a comoção. Cada uma em um estado diferente de lucidez, o que as fez demorar alguns segundos para compreender o que estavam vendo quando chegaram mais perto da origem de todo aquele barulho.

Enquanto isso, James e Harry, que ouviram os passos apressados vindo na direção deles, um do escritório da enfermeira e outro da cama mais próxima, olharam-se apreensivos.

- Ho-ho – resmungou James, enquanto o garotinho aproveitava para se esconder em seus braços, a cabeça enterrada no pescoço do pai, olhos firmemente fechados. Estava pronto para ignorar tudo em volta e deixar o "adulto" lidar com a situação. James ao perceber a intenção do filho pode apenas murmurar uma única sentença antes de se virar para enfrentar as "damas" que vinham em sua direção – "Seu pequeno traidor".

A única resposta que obteve, contudo, foi sentir os lábios de Harry formando um leve e matreiro sorriso contra a sua pele.

oooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooo

Na manhã seguinte, assim que Remus e Sirius chegaram com Christian, foram informados por um alegre Hagrid que James e Lili estavam na enfermaria esperando por eles e que Harry havia acordado durante a noite. Essa última notícia colocou um sorriso exuberante em cada um dos rostos a sua frente.

Cris, emitindo um rugido de alegria, correu em direção ao Castelo sem esperar pelos demais, seus padrinhos apenas pararam para agradecer ao amável meio-gigante antes de seguirem seus passos ligeiros.

Assim que entraram não puderam deixar de sorrir ante a cena que os recebeu. Cris havia se jogado sobre a cama, e agarrava Harry com força contra si, dando pulos sobre o colchão. James ria sem parar, mais de cara de espanto de Lili, da qual Cristian roubara o lugar, do que da atitude do filho. Harry, por sua vez, retribuía com entusiasmo o abraço do irmão, pulando com ele e apertando-o com força.

- Cristian! Cris! Pare de sacudi-lo desse jeito! Cris!

- Deixa eles Lili, ontem foi difícil para todos nós - apartou James, lançando um olhar significativo para a esposa. Afinal ela também quase esmagara o garotinho em seus braços quando o vira acordado. E, provavelmente, nem ao menos teria parado se a enfermeira não tivesse chegado e separado ambos, afirmando que ela só poderia fazer seu trabalho se o paciente ainda estivesse vivo. O fato de Harry ter precisado respirar fundo diversas vezes depois que ela o soltara também não tinha escapado à atenção de nenhum deles.

Um sorriso embaraçado brincou nos lábios de Lili, ao mesmo tempo em que ela se voltava para os meninos ainda abraçados na cama. Suspirando resignadamente, observou o afeto entre os irmãos e não pode deixar de sorrir: fora presenteada com meninos de ouro!

Remus e Sirius, tendo parado por alguns instantes para observar a cena, agora se aproximavam da pequena família sorrindo e no caso de Sirius, também pulando na cama para se juntar aos garotos. Gesto que arrancou outro grito indignado da pobre mãe.

O animago apenas rio, e estreitou ainda mais os braços em volta de seus filhotes. James precisou segurar rapidamente a cintura de Lili, para impedir que esta se jogasse sobre o último dos Black, no intento de por um fim aquela família.

Coube a Remus, mais divertido que exasperado, a missão de afastar o companheiro das crianças já muito vermelhas de tanto rir, dando espaço para que elas pudessem respirar.

Quando todos já estavam mais calmos, os olhos do grupo se voltaram para o menor deles e, pela primeira vez desde que chegaram, os padrinhos puderam reparar nas mudanças que ocorreram no físico do pequeno, cuja preocupação anterior os impedira de notar: seus cabelos, antes negros e despenteados, caiam agora em cachos lustrosos até os ombros e suas mechas pareciam brilhar como se pequenos diamantes estivessem presos aos fios negros. Lembravam um céu estrelado. Seus olhos, envoltos por finas e arqueadas sobrancelhas e cílios espessos, eram de um verde esmeralda ainda mais brilhante do que antes, atordoantes em sua intensidade. Os lábios rubros estavam ainda mais cheios e delineados. Era a face de um anjo, na opinião de seus padrinhos. O corpo do menino também sofrera algumas alterações, estava mais delgado e sinuoso, lembrando aos adultos dos pequenos "sprites" que habitavam os bosques da região.

Essas mudanças, apesar de não serem muitas ou negativas, os trouxeram de volta a realidade. Lembrando aos quatro adultos o quê se passara no dia anterior, e que aquilo ainda não estava terminado. Afinal, era bem provável que o incidente tivesse produzido mais do que as conseqüências obviamente visíveis.

- Hum-hum, bem Harry - iniciou James - nós precisamos conversar com Professor Dumbledore agora, e Padi e Remi irão também. Você vai ficar bem aqui com Cris, enquanto estamos na sala do diretor?

- Claro, papi!

- Eu cuido dele, pai, pode deixar comigo!

James esculhambou o cabelo do filho mais velho, com afeição. "Sei que sim, Cris, seu irmão não poderia estar em melhores mãos" continuo, vendo o filho estufar o peito de orgulho. E dirigindo-se aos outros, indicou com a cabeça as portas duplas da enfermaria. "Bem, então vamos, não é..."

"Ah! Espera aí, eu tenho...hum" apartou Sirius que apalpava freneticamente os bolsos de seu robe. "Onde foi que eu...ah...achei!" Exclamou com uma expressão de alívio, enquanto extraía os óculos de Harry de um dos seus inúmeros bolsos. "Pronto, aqui está, Harry!"

Ao invés de alcançar os óculos que seu tio lhe oferecia, o pequeno meneou a cabeça. "Mas eu não preciso mais deles, tio Padi! Posso ver tudo direitinho!" a abriu um sorriso largo para sua família, pois sempre detestara usá-los, uma vez que viviam caindo para ponta do seu nariz.

"Vê?" exclamaram os demais e, pela primeira vez, repararam que o menino não dera sinais, nem sequer uma vez, de que sua vista o estava incomodando. Preocupados, trocaram olhares apreensivos. Todos esperavam que Albus e Poppy pudessem jogar um pouco de luz sobre aquela situação e caminhavam para a reunião com ambos na esperança de obterem respostas que aliviassem algumas se não todas as suas preocupações quanto ao que se sucedera. Somente assim poderiam se tranqüilizar e deixar o susto do dia anterior para trás.

oooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooo

Olá, peço desculpas por ter desaparecido por algum tempo. Mas tem sido difícil encontrar tanto tempo quanto inspiração para escrever. Esse capítulo foi obra de uma luta ferrenha com a minha inspiração e mesmo assim, não sei se saí vencedora. Mas prometo me esforçar mais daqui em diante.

NÃO ESTOU ABANDONANDO ESSA FIC, mas haverá mudanças em seu roteiro. Espero que continuem a ler e me perdoem por demorar tanto em atualizar.

Bjos! Carissa

PS: Por favor gente, mandem reviews!