Disclaimer: Sailor Moon pertence à Naoko Takeuchi e a quem mais possuir direitos autorais. E eu não estou incluída nesse grupo.

Sinopse: "Por mais que tentasse entender, Rei Hino nunca descobriu o motivo de sentir-se tão incompleta. Talvez, a resposta esteja com em suas memórias, embora ela ainda não saiba como tê-la".

Nota: Essa história é uma das minhas favoritas, mesmo depois de tanto tempo. Espero que o Flashback não atrapalhe.

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Casablanca Memories

Capítulo 3: O destino

O ônibus era algum tipo de roda da fortuna em seu grupo de amizades, Rei pensaria muito depois. No momento, estava ocupada demais olhando distraidamente a paisagem fugaz da janela.

Todas aquelas pessoas eram tão mais despreocupadas. Às vezes, só algumas vezes, gostaria de ser como elas. Sem o peso de responsabilidades, fossem elas presentes ou futuras.

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Rei, é um convite para você – seu avô deslizou calmamente a porta de correr da sala de meditação – Aquele moço bonito veio entregar. Quando soube que você estava meditando, ele deixou comigo.

E não convidou Kaidou para entrar? – bufou – Honestamente, vovô – olhou-o reprovatoriamente – Isso foi só estratégia sua para ler o que quer que ele tenha para mim.

Eu preciso saber o que minha jovem neta recebe, é claro – o velho sorriu, descarado – É uma festa, na casa dele – cantarolava. Rei tentou pegar o convite, mas o sacerdote do templo apenas rodopiava em volta dela. Por fim, conseguiu acertar-lhe com a vassoura, e o homem choramingou – É muito malvada, Rei. Desse jeito aquele rapaz Kaidou nunca vai querer casar com você.

Meta-se na sua vida – leu rapidamente: Seu avô tinha razão, era uma festa particular na mansão da família. Havia uma nota de rodapé escrita à mão:

"A sua vida é sua. Esqueça-se do resto.

Está intimada a vir. Tenho uma coisa que preciso mostrar.

Kaidou"

Ele já havia previsto sua recusa, e a tornado impossível. Sabia que, fora seu aniversário, Rei não gostava de estar no mesmo lugar que seu pai.

E o muito importante político Hino com certeza não perderia uma reunião social de seu provável sucessor.

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O veículo diminuiu suavemente, e mais pessoas subiram. Entre elas, o rapaz da sua visão.

E ele estava exatamente igual ao que se lembrava. O cerúleo frio de seus olhos, o porte esmerado e o rosto alongado – sempre pensou que ele e Kaidou fossem parecidos, desde a primeira vez que sonhou com ele. Todavia, bastou observá-lo para perceber que as diferenças eram sutis: Ele era bem mais jovem, e tinha algo que era o oposto exato do secretário de seu pai.

Kaidou possuía um sorriso reconfortante, e olhos calorosos. Parecia distribuir calor só de estar presente em algum lugar.

Foi uma das primeiras coisas que notou sobre ele.

Já aquele outro... Era tão gelado quanto ela mesma se sentia por dentro. Sozinho, como se ninguém mais o entendesse, ou não fizesse questão disso. Identificou-se profundamente com aquele sentimento.

Ela emanava essa mesma aura muito costumeiramente.

Como se lendo sua mente, ele olhou diretamente para Rei. Permaneceram assim por um segundo, até as outras pessoas forçarem seu caminho, obrigando o jovem a mover-se.

Ele acabou indo para o fundo do ônibus. No banco vizinho ao dela.

Este lugar – sua voz era um sussurro suave. Ele tinha a mais bela voz masculina – Está ocupado?

Por favor – retirou sua pasta do assento vazio, a sensação de dê já-vu apoderando-se mais profundamente de seu coração – Sente-se.

Nenhuma outra palavra foi trocada, mas ela sabia quando ele a estava observando – porque ele o fez de forma intensa, muito provavelmente refém dos mesmos sentimentos que ela possuía – Rei também o olhou por algum tempo, enquanto ele rabiscava alguma coisa em um pedaço de papel.

O sol de fim de tarde o transformava num tipo de deus dourado meditativo e taciturno, uma combinação deveras intrigante.

Hino Rei – Seus olhos tornaram a olha-la, e lhe entregou a folha – Você desce aqui.

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Lady Mars, me permita – o lírio foi posto em seu cabelo, e ela sorriu – Desculpe se pareço impertinente.

Está tudo bem – a colina onde ela e o membro da guarda do príncipe estavam de vigia iluminava-se com o luar, e os lírios estavam em flor. Era uma bela cena – Ninguém o assistiu quebrar o protocolo, Lord Jadeite. Além de mim.

Eu acredito... – levantou-se, ficando de costas para ela – que quebrei o protocolo mais vezes que possa mensurar, Lady Mars.

Está tudo bem. Foi uma decisão conjunta manter sigilo sobre o romance de Endymion e Serenity – a brisa de verão farfalhou a grama, e assanhou-lhe os cabelos. O lírio caiu, perto de onde estava o general – Oh...

Não me refiro ao príncipe – Jadeite recolheu a flor, e aproximou-se. Tirou uma das luvas, e tocou-lhe o cabelo, tentando encontrar sustentação para o lírio – Eu a tenho observado. Mesmo enquanto não estamos aqui, eu olho para a senhorita. Seu sorriso é belo, e sua altivez cativante – ele contornou a bochecha feminina com a ponta dos dedos muito suavemente – Acredito que me apaixonei pela senhorita desde que eu a vi pela primeira vez, quando éramos crianças, e que estarei apaixonado até o último dia de minha vida – um passo atrás – Gostaria apenas que soubesse disso.

Me ama? – sentia-se atônita. Nunca a haviam amado, e jamais ninguém demonstrou tamanho fervor por sua figura como os olhos dele transpassavam. Mirava-a com admiração calorosa, e chocante sinceridade. – Não é correto.

Sei – ele respondeu, e retornou a sua posição de vigilância – Creio que devo me desculpar novamente.

Era tarde, o amor dele envolvia-a totalmente, e a fez sentir-se... Livre, pela primeira vez em sua vida.

Como aquele dia em que se viram, onde ele sabia quem era, e mesmo assim a deixou ir.

Jadeite não a queria por seu status, seus predicados ou dons inatos. Amava-a por que simplesmente gostava do que via enquanto olhava para ela.

Eram muito parecidos. Ele sabia que os deveres impunham-se ao individuo, e que as responsabilidades pesavam. O general da Terra sentia-se tão só na imensidão palaciana quanto ela, e nunca colocaria mais um grilhão em seu pescoço. Com ele, poderia ter seu pequeno gosto de liberdade.

Naquele momento, apaixonou-se por ele.