Nota: Os personagens de Saint Seiya não me pertencem, pertencem ao mestre Masami Kurumada e empresas licenciadas.
Uma boa leitura a todos!
Quando um homem ama uma mulher
IV – Meu coração é o seu lugar
Quando despertou, Thétis percebeu que já não estava mais naquela sala. Estava entre lençóis macios e pesadas cobertas. Ainda chovia e via a chuva fina fustigava a janela. Sentou-se esfregando os olhos e se enrolando nos lençóis. Só então percebeu que no lado direito da cama havia uma bandeja com alguns biscoitos e também café, algo simples, mas a sutileza do gesto já era mais que o suficiente para tornar aquele o melhor café da manhã que havia tomado.
No entanto, o que lhe chamou a atenção foi uma pequena margarida que ali estava, parecia fresca como se tivesse sido colhida naquele instante. Pegou a pequena flor e levou-a até o rosto. Aquele gesto era tão delicado, tão belo que não pode deixar de sorrir. É talvez estivesse mesmo enganada sobre quem era o Senhor M. Athanasios...
Nesse instante Milo saiu do banheiro que ficava anexo ao quarto, com os cabelos molhados e vestindo o roupão rosa da sereia. O sorriso de Thétis se alargou diante da cena e o rapaz sorriu divertido ajeitando o roupão.
-Ainda bem que compra coisas três vezes maiores que você, pelo menos no caso desse roupão; brincou Milo e a verdade era que o roupão rosa e bordado de Thétis havia mesmo servido em si.
Thétis sorriu divertida enquanto servia-se de uma xícara de café e mordiscava um pequeno biscoito. Milo se aproximou e então se sentou ao seu lado aos pés da cama. O pé delicado e branco como mármore da sereia, jazia para fora das cobertas, as unhas bem feitas pintadas de vermelho. Repousou a xícara novamente na bandeja ao ver a intenção do rapaz.
Milo puxou com delicadeza os pés da sereia para o colo e então passou a beijá-los com ternura enquanto suas mãos grandes o massageavam.
A jovem suspirou e se ajeitou melhor entre os travesseiros, sentindo cada músculo de seu corpo relaxar. Aquilo era tão bom... Ele era tão bom... A noite passada havia sido maravilhosa e agora ele lhe trazia café na cama e ainda fazia massagem em seus pés?
-Não sabia que tinha esse tipo fetiche...; ela murmurou de olhos fechados e então se voltou para o rapaz que sorriu.
-Eu adoro pés...; disse Milo e voltou a beijar os pés delicados da mulher para então subir uma série de beijos por seu tornozelo e sua perna à medida que os ia descobrindo. –Mas em você tudo é fetiche...
Aquele arrepio gostoso voltou a subir por sua espinha e sentiu-se corar diante do sorriso maroto do rapaz que parou o que fazia quando alcançou seu joelho, repousando um beijo suave ali. Milo se afastou dando a volta na cama para então sentar-se ao lado da sereia. Thétis sorriu vendo-o agora distraidamente enchendo outra xícara de café e comendo alguns biscoitos.
-A onde você conseguiu isso? –A sereia apontou para a margarida.
-Perto do parque; Milo respondeu.
-Você foi até lá só pra isso? –Thétis indagou perplexa e ao mesmo tempo satisfeita, feliz naquele gesto ter sido dirigido a si.
-Fui; Milo respondeu num sorriso como se fosse uma coisa corriqueira. –Me lembrei que naquela estrada tinha margaridas, e como eu presumo que você não goste muito de rosas, pelo menos não depois do que eu fiz, bem...
-Eu adorei as suas rosas; Thétis o interpelou tocando-lhe o rosto ternamente. –E também adorei a margarida, muito mais que as rosas, se quer saber.
-Que bom; Milo sorriu beijando a palma da mão da jovem. –Ah e foi bom também eu ter ido lá, porque vi eles rebocando o seu carro.
-Sério?
-Sim, mas não vai tomar café? –ele indagou apontando para a bandeja depois de ter comido pelo menos metade dos biscoitos. –Olha, me desculpe, mas a pobreza desse café é culpa exclusivamente sua. Você não tem absolutamente nada no armário e na geladeira. Me diga, como consegue viver assim?
Thétis voltou a sorrir. Engraçado... agora já não parecia mais aquele homem sedutor que tanto havia lutado para conquistar o seu amor, agora parecia ser um garoto aquele que lhe falava. E gostava tanto disso... Aquele charme, aquela sedução a flor da pele que com um simples toque a fazia queimar, mas que de repente se alternava com uma espécie de aura inocente que o fazia aparentar um garoto. Mal se conheciam, mas havia gostado muito de estar com ele e não só na cama. Ele lhe completara naquela noite chuvosa, com seu brigadeiro de panela, seu riso e também seus beijos e abraços.
-Obrigada...; ela sussurrou chamando-lhe a atenção.
-Pelo que?
-Por tudo, mas principalmente por não ter desistido...
Ooo -O- ooO
Thétis despertou com o barulho do chuveiro ligado. Espreguiçou-se esfregando os olhos e só então se dando conta de que não estava mais naquela cadeira. Havia cochilado enquanto velava o sono dos filhos e do marido e com isso relembrado muita coisa do passado em seus sonhos tumultuados, porem tão nítidos em determinadas situações, que era como se estivesse vivenciando tudo aquilo de novo. Havia relembrado tanta coisa... E engraçado, como da primeira vez em que haviam passado a noite juntos, Milo a havia levado pra cama sem que sequer percebesse, a sereia constatou ao ver que estava em sua cama agora, mas havia algo estranho...
A onde estavam os garotos?
-Eles estão bem, eu os levei para o quarto deles; Milo respondeu como se adivinhasse seus pensamentos, enquanto saia do banheiro vestindo um roupão branco e enxugava os cabelos com uma toalha.
Thétis sorriu e se recostou melhor sobre a cama enquanto Milo se sentava ao seu lado.
-O que foi? –ele indagou, era como se tivesse algo engraçado em si, ou coisa do tipo.
-Nada não; disse Thétis contendo o riso. –É que eu estava me lembrando de você vestindo aquele meu roupão rosa depois na primeira noite que passamos juntos.
-Se lembrou também de como eu fiquei sexy com ele? –Milo brincou.
-Ah, claro, como não? –Thétis revidou caindo no riso novamente junto do rapaz. –Mas me diga uma coisa como conseguiu a proeza de levar os garotos pro quarto sem que eu percebesse?
-Sabe, a verdade é que não foi fácil levar os pequenos pra cama, mas depois de uma pequena chantagem envolvendo a Delicia de Chocolate Athanasios, bem...
-Milo você deu chocolate pros meninos há essas horas? –Thétis o interpelou em tom de reprimenda. –Você sabe que eles não dormem depois. Não sei, muito açúcar circulando no sangue e...
-Não se preocupe, eles escovaram os dentes depois sob a minha supervisão e a verdade é que eu não agüentei aqueles olhos enormes e pidões em cima de mim... Mais pareciam três versões, só que humanas daquele gato do Sherek. Poxa eles estão doentes meu amor, eu não podia negar uma coisa boba como aquela; Milo se justificou gesticulando displicente.
-Milo, eles estão com gripe só isso e; Thétis suspirou pesadamente. Os garotos eram mestres na arte de 'dobrar' o pai. Milo era sempre sim para os trigêmeos, mesmo quando devia ser não. –Bom, chocolate não é remédio e você sabe disso; ela completou.
-Mas certamente os fez se sentirem melhor, eu me sinto melhor quando como chocolate, acho que qualquer pessoa se sente e; Milo ponderou estava falando sério agora, aquilo era algo cientificamente comprovado e a esposa ria novamente. –O que foi?
-Nada, é que eu estava me lembrando de quando você fez brigadeiro pra mim pela primeira vez; disse Thétis com um largo sorriso. –Você quase destruiu a minha cozinha.
-Ah, isso? Está um tanto nostálgica hoje não? –Milo indagou num sorriso. –Bom, mas eu lhe avisei que não era um bom cozinheiro e...
-E que ainda sim fazia o melhor brigadeiro do mundo; Thétis completou a frase. –E o pior é que aquilo era verdade.
-Eu disse que era, e mais; Milo se aproximou reclinando-se perigosamente sobre a esposa. Aproximou-se de seu ouvido e sussurrou. –Fazer brigadeiro não é nem de longe o que eu sei fazer melhor e... Você sabe disso...
-Bobo! –Thétis o afastou com ambas as mãos e com o rosto levemente corado.
-Não pense; Milo ponderou num largo sorriso, um sorriso cheio de segundas intenções enquanto afagava os cabelos da esposa, deslizava as pontas dos dedos delicadamente entre os fios dourados. –Bem, não pense que eu me esqueci daquele assunto pendente... Você se lembra não?
-Ah... Aquele assunto? Acho que sim; Thétis sorriu divertida.
-Acha? –Milo arqueou a sobrancelha.
-É, acho...; Thétis provocou vendo-o serrar os orbes azuis.
-Vou te fazer lembrar então...; Milo sorriu maroto se aproximando mais uma vez da esposa, mas a milímetros de tocar seus lábios ouviu uma voz chorosa na porta.
-Pai!
Milo suspirou pesadamente e então se voltou para trás.
-O que foi Heitor?
-Aléxandros e Nikos estão brigando de novo; disse o garotinho apontando para o corredor. Trazia nos braços o pobre macaquinho de pelúcia o qual arrastava puxando pelo rabo. –Nikos disse que eu e Aléxandros somos dois idiotas pra acreditar no que o Senhor disse sobre a mamãe...
-Sobre mim? –Thétis se empertigou fitando o marido com curiosidade e então se voltou para o filho. –O que o papai disse sobre mim Heitor?
-Que você é uma sereia mamãe; respondeu o garotinho. –Igual a Ariel do desenho, mas que também encontrou um príncipe e que se apaixonou por ele decidindo vir morar aqui na terra com a gente.
-Milo! –Thétis balançou a cabeça para ambos os lados. –Que história é essa, e... Príncipe? Modéstia realmente nunca foi o seu forte não é mesmo? –ela completou serrando os orbes, mas não conseguiu deixar de sorrir.
Milo passou as mãos demoradamente pelos cabelos num meio sorriso, quase que constrangido. Quase...
-Mas é o que eu penso... Você é a minha sereia, minha nereida; ele finalmente se voltou para a esposa que sorriu.
-Pai! –Heitor voltou a chamar.
-Ta bom Heitor eu vou lá ver o que esta acontecendo; Milo se levantou da cama e então se voltou para a esposa. –Eu já volto, e... Não se esqueça, bem... Você sabe...
-É eu sei; Thétis sorriu vendo o marido se afastar sendo arrastado pelo filho que o puxou pela mão.
Cerca de uma hora depois...
Milo suspirou levando ambas as mãos até os cabelos alisando-os demoradamente. É, ser pai não era nada fácil. Havia encontrado os garotos se engalfinhando no quarto, mas a briga já era outra.
"O Homem Aranha existe sim!"
"Existe nada! Ele é como o papai disse apenas um idiota vestindo a bandeira americana...".
Aléxandros, Nikos e Heitor realmente eram muito diferentes um do outro e se tinham algo de parecido era a aparência externa e nada mais. Heitor era o mais comportado dos três e o que ria das suas histórias mesmo que fossem repetidas pela enésima vez. Quando lhe contara a história da origem de seu nome, o pequeno havia ficado maravilhado com a idéia de ser o nome de um príncipe. Vez ou outra o via brigando com Nikos que de provocação o ficava lembrando que Heitor havia sido derrotado por Aquiles na guerra de Tróia.
Aléxandros, por sua vez, era para o seu 'desgosto' alguém que parecia não querer ser grego. Havia recebido o nome do mais célebre conquistador do mundo antigo, Mégas Aléxandros, Alexandre, O Grande e ainda sim, amava o Homem Aranha como se o herói de quadrinhos fosse o Senhor do universo e reclamava de suas histórias sobre Hércules e Jasão, mas no fundo sabia que ele também se divertia com isso. Era um garoto muito inteligente e às vezes aquilo até o surpreendia. Fazia perguntas que muitas vezes nem ele mesmo sabia as respostas e com isso havia percebido que ser pai acima de tudo era um grande aprendizado.
Já Nikos era o clássico 'do contra', adorava perturbar os irmãos e discordar sobre o que gostavam ou acreditavam. Às vezes até lhe recordava o velho Kinaros em determinadas situações. Pedia a todos os deuses que o seu xará, o velho Nikos, não resolvesse contar algumas das pitorescas e constrangedoras histórias de seu passado, principalmente quando adolescente ao garoto. O que, infelizmente, o pai dos amigos Aiolia e Aiolos, vez ou outra se recordava justamente quando a casa estava cheia e rodeada de amigos e parentes até de quinto grau.
No Natal passado o pequeno Nikos havia feito Helena chorar dizendo que o Papai Noel não existia e que era apenas um velhote barrigudo que se vestia de vermelho no mês de dezembro. Aiolia ficara furioso com aquilo, por o garoto ter feito sua filha duvidar de si por conta da história do Papai Noel e também da magia que envolvia o Natal, o que queria dizer, que no Natal seguinte certamente não iriam voltar a se ver na casa do velho Kinaros. Enfim, não era nada fácil lidar com três escorpianos hiper ativos e tão diferentes um do outro como os trigêmeos.
Um sorriso bobo moldou seus lábios. Se lembrava claramente do dia em que haviam nascido, um dia depois de seu aniversário e aquele havia sido o melhor presente que havia ganhado na vida. Já tinha a mulher que amava e agora tinha também três filhos. Naquele dia havia ganhado uma família e com isso se tornado um homem realizado.
O rapaz continuou a caminhar ainda pensando nos filhos e nas suas confusões e quando deu por si já estava no quarto.
-Droga!
Havia demorado demais...; ele pensou ao ver que a esposa havia tomado um banho e se vestido para dormir, ah e detalhe, realmente havia dormido...
Thétis jazia de olhos fechados deitada confortavelmente sobre os travesseiros e lençóis macios. O livro aberto e caído no chão, só comprovava que ela havia se cansado de esperar e caído no sono.
Os longos cabelos se espalhavam sobre os lençóis como ondas douradas como o sol e de forma graciosa. Realmente parecia uma sereia com aquelas pernas longas e alvas a transparecer sob a camisola curta. Aproximou-se de vagar e então se sentou aos pés da cama. Os pés delicados da mulher imediatamente lhe chamaram a atenção, as unhas pintadas de vermelho sangue eram um verdadeiro fetiche pra si. Sempre haviam sido.
Irresistivelmente aproximou os lábios dos pés pequenos cobrindo-os de beijos, sobre cada dedo e então foi subindo lentamente começando pelos tornozelos delicados, para depois passar para as pernas suaves por onde suas mãos grandes deslizavam.
Sentiu-a se remexer e sorrir para então abrir os olhos.
-Você demorou; ela sussurrou esfregando os olhos.
-Eu sei; respondeu Milo e voltou a sua peregrinação.
Continuou a depositar beijos suaves e cálidos até o joelho da jovem para então se reclinar sobre si a envolvendo possessivamente entre os braços. Beijou-lhe os lábios com ternura e então voltou a fitá-la nos olhos.
-Os meninos; murmurou Thétis, mas Milo a cortou tocando-lhe os lábios com as pontas dos dedos.
-Estão dormindo agora, eu posso lhe garantir; ele sorriu.
Depois de quase uma hora tentando, havia finalmente agradado os garotos e isso consistia na promessa de passarem o dia seguinte, um domingo, juntos no clube. A esposa tinha razão quando lhe dissera mais cedo que os garotos sentiam a sua falta, mas agora, naquele momento, não queria pensar nos garotos...
-Mas me diga uma coisa; ele ponderou depois de alguns instantes de silêncio. –Você não se esqueceu, não é?
Milo arqueou a sobrancelha sugestivamente antes de afundar a cabeça no pescoço da mulher e aspirar longamente o seu perfume.
-Não; respondeu Thétis e diante de uma resposta tão direta o rapaz se voltou imediatamente pra si. –Jamais vou me esquecer do homem que amo...
Milo sorriu, um meio sorriso e fitou-a tão intensamente que era como se a estivesse despindo com os olhos, enxergando dentro de sua alma para então tomar-lhe os lábios com sofreguidão, paixão... Amor...
É o amava... Amava seus beijos, seus abraços, seu sorriso... E até suas falhas... Agora sabia que aquele homem, o antigo Casanova, ainda era um conquistador, a conquistava todos os dias, mas também era o pai de seus filhos, um pai dedicado como poucos, o homem a quem entregara verdadeiramente o seu coração e não se arrependia disso, mesmo que a principio não tivesse reconhecido esse amor que tanto a completava agora. E não havia outro lugar a onde ele pudesse ficar a não ser ali, dentro de seu peito e em seu coração...
FIM!
Gente, acabou... Buá! Buá! XD
Mas e aí curtiram?
Espero q sim!
Ah, e se não for pedir muito... Aquele botão roxo, esse mesmo, ele serve pra isso sabe? Pra vcs me dizerem o q acharam. É só clicarem nele, aí é só dizerem o que acharam da fic... Boa, ruim? Péssima? Ótima? Ah que bom! Enfim, o que importa pra mim é saber a opinião de vcs!
Um grande bju e um forte abraço a todos!
