"Na balança da vida"
AUTOR: LARYSAM
BETA: VICKYLOKA
DATA: SETEMBRO DE 2009
FANDOM: J2, Padackles
PARES: JARED/JENSEN,
NOTA1: Os atores de Sobrenatural, ou quaisquer outros atores de quaisquer outros seriados, não nos pertencem. Somos apenas fãs que gostam de brincar com as inúmeras possibilidades que se apresentam na relação dos mesmos. Meus textos não têm fins lucrativos.
ADVERTÊNCIA: O conteúdo desta história é adulto. Estão advertidos, portanto, os leitores.
RESUMO: Um sempre acreditou no melhor das pessoas, no direito de ser considerado inocente até que se prove o contrário. Para o outro não existe meio termo e segunda chance, tudo é preto no branco. Ambos têm uma característica em comum: não jogam para perder. Mas, no jogo da vida, alguém sempre perde. O que acontece quando seus destinos se cruzam, mas em lados opostos? Poderão o amor e a justiça se encontrar, mesmo sendo ambos cegos?– Padackles/AU
CAPÍTULO 4
A tensão no escritório era palpável, todos estavam com os olhos grudados na televisão, absorvendo cada palavra que Jensen Ackles pronunciava em sua entrevista. As reações eram as mais diversas, surpresa, descrença, mas principalmente raiva. Somente uma pessoa mantinha um sorriso no rosto.
Quando a entrevista acabou, aos poucos todos foram voltando aos seus afazeres, comentando, murmurando, ou amaldiçoando. Chad foi um dos últimos a desgrudar o olhar da televisão e ainda tinha o celular com o qual tinha falado com Jared, em sua mão num forte aperto, entretanto, ao se virar para voltar ao seu escritório, viu sua passagem bloqueada por Cassidy.
- Pelo jeito seu amiguinho já começou causando grandes estragos. – Cassidy comentou sorrindo. – Eu sabia que o garoto não ia dar conta, só não imaginava que ele ia perder o caso assim tão rápido.
- Nós ainda não fomos tirados da jogada, Cassidy. O Ackles nem falou qual seria o motivo do crime. Até onde eu sei pode ser tudo blefe, ele não tem nada que aponte para Higlinton. – Chad mantinha uma expressão séria.
- Não seja idiota, Murray. Você sabe muito bem que Ackles não blefa, ele deve realmente ter provas suficiente para apontar o motivo. – Cassidy analisou bem Chad. – Você já foi mais inteligente, mas pelo jeito está se importando com o novato. Só tenha cuidado e não se envolva muito, pois quando ele cair, pode te levar junto.
- Do que você está falando? Todos nós estamos envolvidos no caso. – Chad não sabia se estava entendendo direito. – Você está sugerindo que eu o atrapalhe?
- Agora, eu tenho certeza, você é um idiota. – Cassidy rolou os olhos. – Claro que não. Só estou dizendo para não ficar muito amiguinho. Faça sua parte e deixe que ele cave a própria cova sozinho. E acredite-me, Murray, você não vai querer estar do lado certo quando isso acontecer.
- O que você tem contra ele?
- Nada, só não acho que esse caso deveria ser dele. Eu aposto como Ackles vai estraçalhá-lo. O melhor que temos a fazer é fechar um acordo com a promotoria antes que o estrago fique pior.
Chad fez menção de falar algo quando Sophia apareceu e foi até eles, avisando que Lehne esperava pelos dois em sua sala. Se possível, o sorriso de Cassidy aumentou ainda mais.
Eles seguiram em silêncio. Ao chegar à porta, Chad tomou a dianteira e com uma leve batida, abriu a porta dando passagem para Cassidy.
Lehne estava de costas para a entrada e não falou nada por um minuto, fazendo Chad e Cassidy trocarem olhares. Por fim, Cassidy voltou a sorrir e se aproximou de Lehne, que finalmente tinha se virado para encará-los.
- Senhor Lehne, acho que o que aconteceu agora pouco só comprova o que eu falei sobre o Padalecki...
- Acho que já tenho conhecimento sobre sua opinião a respeito do Padalecki, Cassidy, obrigado, mas não foi para isso que lhe chamei aqui. – Lehne interrompeu a loira e Chad teve que segurar o sorriso ao vê-la cortada desse jeito. – Murray, temos alguma coisa para revertemos a situação?
- Não, senhor, nada novo. Mas, não ajuda não sabermos o que temos que reverter. A raposa do Beaver não soltou nada, se é que há algo. – Chad lançou um olhar rápido para Cassidy que voltava a ter um vestígio de sorriso no rosto. – Mas Jared encontra-se na casa dos Higlinton e talvez consiga algo a nosso favor.
- Certo. Pode ir então, Murray, tenho que acertar alguns detalhes com Cassidy antes dela ir à Promotoria. – As últimas palavras de Lehne fizeram Chad, que já estava se virando para sair, voltar-se rapidamente para o chefe.
- Chefe, nós não vamos fechar acordo, vamos? Jared não vai concordar...
- O que o senhor Padalecki concorda ou não, não vem ao caso agora. Pode ir. – Lehen interrompeu, pondo fim a conversa.
- Sim, senhor.
Chad ainda olhou mais uma vez para Cassidy, que agora sorria triunfante, antes de sair a contra gosto. Dando a volta na mesa, a loira se posicionou atrás de Lehne e começou a fazer-lhe uma massagem.
- Você está muito tenso. – Cassidy começou com uma voz suave.
- O que você esperava? Esse caso mal começou e parece já querer sair das nossas mãos. – Lehne se permitiu relaxar um pouco ao toque daquelas mãos.
- Então, você quer que eu vá fechar um acordo com a Promotoria? – Cassidy já não escondia a alegria.
- Não se anime tanto, isso não é nada bom para a empresa. E o Padalecki conseguiu algo que nenhum de vocês jamais conseguiu. – Lehne sorriu por sua vez.
- Estragar um caso no primeiro dia? Por que se for isso eu já tinha lhe avisado. Ele não tem perfil para trabalhar conosco.
- Talvez você tenha razão, mas eu tenho que dar crédito ao garoto. – Lehne sentiu as mãos em seus ombros perderem um pouco da suavidade. – Afinal, ele conseguiu tirar o grande tubarão dos eixos, essa entrevista fugiu muito ao estilo dele. Se eu não o conhecesse diria até que foi uma medida desesperada. – Lehne terminou, rindo.
- Você realmente está vendo isso com bons olhos?! – Cassidy perguntou incrédula, tendo virado a cadeira em que o chefe sentava para olhá-lo nos olhos.
- Sim, isso quer dizer que o Padalecki pode alcançar o Ackles. E, por essa razão, eu o estou mantendo no caso.
- Você não pode estar falando sério. Eu pensei que...
- O quê? Que eu ia lhe passar o caso? Pedir para você fechar um acordo? – Lehne riu com mais vontade. – Não seja inocente, Cassidy. O que eu quero é que você vá a Promotoria com o falso pretexto de considerar um acordo e descobrir o que Ackles tem contra nós.
Cassidy se afastou com raiva e respirou fundo. – Se é isso, por que você não manda seu queridinho Padalecki? Ou até mesmo o idiota do Murray?
- Eu quero você. Eu preciso que o Ackles acredite que talvez consiga resolver isso através de acordo e com o Padalecki isso não vai ser possível. Quanto ao Murray, ele não vai conseguir arrancar tudo que você pode conseguir.
- Filho de uma mãe. – Cassidy amaldiçoou num sussurro.
- Não me importa se não era o que você tinha em mente. Agora, concentre-se e vá fazer seu trabalho. – Lehne sorria, nitidamente se divertindo.
- Sim, senhor. – Cassidy disse se virando, mas uma mão no seu pulso a impediu.
- Espero que você faça seu trabalho. – Lehne, que havia se levantado, tomou-a num beijo agressivo, mas rápido. – Só para lembrar a quem você deve sua lealdade.
Cassidy só acenou e se soltou, saindo finalmente do escritório.
Jared estava a caminho do escritório quando algo lhe ocorreu. Baixando o vidro que o separava do motorista, ele o observou por algum tempo.
- Carlos, não é mesmo? – Jared começou.
- Sim, senhor.
- Então, Carlos, você estava na mansão ontem à noite? – Jared tinha pegado seu bloco de anotações.
- Não, senhor. Geralmente o senhor Higlinton me libera às 18h e como a senhora não tinha nenhum compromisso à noite, aproveitei para sair um pouco. – Carlos respondeu meio incômodo, com certeza não estava acostumado a ter atenção voltada para si, a não ser para receber ordens.
- Hum... e a senhora Higlinton tinha muitos compromisso à noite?
- Não muitos, mas há um mês ela começou a sair todas as quartas e sextas à noite. – Carlos observava Jared pelo retrovisor.
- E era você quem sempre levava ela? Sempre mesmo lugar?
- Sim, a senhora não sabia dirigir e não gostava de pegar táxis. Quanto ao lugar, era sempre ao Hotel Hitz ou Palace.
- Você sabe o que ela fazia neles? – Jared observava Carlos, não querendo perder nenhuma reação.
- Não é minha tarefa saber o que os patrões fazem, senhor. Mas, se é isso que o senhor quer saber, esse hotéis são conhecidos pelos rotineiros eventos realizados neles.
Jared parou um momento, pensando e analisando tudo que tinha acontecido até o momento.
- Sua relação com a senhora Higlinton, como era? – Jared observou o motorista ficar um pouco tenso.
- Ela... hum... era uma boa patroa.
Jared observou atentamente Carlos, mas esse não olhou em nenhum momento para ele. – E com os outros empregados?
- Ela era uma boa patroa como eu disse. Mas... ela não mantinha amizade com os serviçais. – Carlos respondeu, um pouco mais à vontade.
- Nenhuma discussão recente? Ou algo fora do normal?
- Bem, nada fora do normal, mas... a senhora Higlinton não se dava muito bem com a Maria. – Carlos voltou a ficar tenso. – Ela sempre falou que tinha sido um erro o senhor Higlinton ter casado com a Sarah. Mas, ela era uma má pessoa.
Jared acenou com a cabeça e fez mais algumas anotações. Não tinha passado despercebido por ele, como Carlos tinha chamado a senhora Higlinton pelo primeiro nome e como ele tinha soado distante. Foi, então, que lhe ocorreu algo.
- Carlos, eu mudei de idéia, será que você pode me levar à delegacia? – Carlos lançou um olhar confuso, mas fez como tinha sido pedido.
- Sim, senhor. – Respondeu ainda, antes de pegar o retorno.
Jensen terminou a entrevista e saiu da sala apressado, ele precisava encontrar com Chris e pedir desculpas. Quando chegou à sala do amigo, viu que esta estava vazia e passou a mão pelos cabelos, soltando um longo suspiro.
- Que foi, Ackles? Perdeu seu cachorrinho? Sabe, até o animal mais fiel tende a se afastar quando é maltratado e você, com certeza, sabe como machucar alguém.
Jensen escutou aquela voz e fechou os olhos. "Não, de novo não e não agora". Respirando fundo, se virou, colocando sua cara mais impessoal.
- Acho que a entrevista já acabou, Collins, hora de você ir embora, não acha?
- Oh, eu já estou de saída, mas passei e vi sua cara de desolado e não me agüentei, tive que vir lhe dizer que ela lhe cai muito bem. – Misha retrucou sorrindo. – Sem contar, que eu quis ver se descobria o que tem naquele envelope. É o tal motivo ali não é mesmo?
- Como... – Jensen foi pego de surpreso, mas logo se recompôs. – Sabe, eu não faço a menor idéia do que você está falando, Misha.
Misha sorriu ainda mais com a reação e Jensen. – Oh, agora voltamos a ser íntimos, Jensen. – E reforçou a pronúncia do nome do loiro
- Eu realmente tenho mais coisas para fazer do que me preocupar com um mero reporterzinho policial. – Jensen falou, indo em direção a Misha que estava parado à porta.
- Oh, Jensen, eu não sou nenhum reporterzinho, na verdade, eu acho que você ainda se lembra que "zinho" não se aplica muito a mim. – Misha falou se aproximando mais de Jensen.
- Sua bola não está tão cheia assim, Collins. – E dessa vez foi Jensen que sorriu. – Na verdade, acho que "zinho" se aplica muito bem. Agora, se me dá licença.
E dito isso, saiu, deixando um espumante Misha para trás e saiu atrás de Chris. Parando um pouco, Jensen sorriu quando percebeu onde poderia encontrar o amigo. Pegou o elevador e foi até o último andar, subindo as últimas escadas que levariam ao terraço. Surpreendeu-se quando viu que já devia ser umas 15h, o dia estava passando rápido, mas continuou e logo achou Chris sentado no canto do terraço com sua guitarra na mão.
- Eu ainda não entendo porque você tem que levar essa coisa para tudo que é lugar, cara. – Jensen falou ao se aproximar.
Chris não se assustou, provavelmente, estava esperando Jensen vir atrás dele, ou o tinha escutado. Mas, também não respondeu o comentário do amigo, ignorando-o.
Jensen suspirou e se sentou à frente do amigo. – Chris... – Nada. – Qual é, cara? Me desculpe, ok? Eu não quis dizer aquilo e sei que você só estava querendo ajudar, mas...
Chris só continuava a ignorar Jensen, brincando com as cordas da guitarra. Ele sabia que Jensen estava perdendo a paciência, mas não ia tirar o amigo tão fácil assim da cruz.
- Ok, acho que eu mereço mesmo isso. – Jensen manteve o olhar na guitarra e sorriu. – Você se lembra daquela vez no nosso último ano de faculdade. Cara, eu estava tão bêbado. E para completar sendo o mala de sempre, ninguém agüentava ficar do meu lado, até o Steve estava prestes a me mandar para puta que pariu – Jensen riu nostálgico – Mas, você sabia porque eu estava sendo um porre e não me deixou sozinho. Na verdade, você me convenceu a subir no palco daquele bar e juntos cantarmos. Eu nem lembro como eu cheguei em casa. – Jensen sorria com o olhar distante.
- Steve me ajudou nessa parte. – Chris falou, trazendo Jensen para o presente. – Eu finalmente tinha conseguido lhe arrastar para uma festa e, Deus, como eu me arrependi depois. Só eu e Steve para lhe agüentar quando você estava nos seus "melhores" dias.
- Acho que não mudou muito. – Jensen falou baixinho. – Eu sinto falta dele. Éramos os três mosqueteiros.
- Também sinto falta dele, mas já faz 3 anos, Jensen. – E pela primeira vez desde que Jensen tinha chegado, Chris levantou os olhos e encarou o amigo.
- Eu sei. – Os dois caíram num silêncio até Jensen voltar a quebrá-lo. – Me desculpe, ok. Você sabe como eu sou um grande idiota, principalmente quando estou nervoso ou com raiva.
- Coloque grande nisso. Cara, você é um filho da mãe convencido. – Chris falou sorrindo. – Precisa colocar um freio nesse seu ego.
- Eu sei, mas você não vai se livrar tão fácil de mim. – Jensen deu um leve murro no ombro do outro. – Eu preciso de você para me lembrar que eu não sou merda nenhuma.
- Ah, pode deixar que isso eu faço isso com o maior prazer. Afinal, eu não posso lhe privar da verdade, não é mesmo?
Os dois riram descontraídos até caírem no silêncio novamente, só que dessa vez mais leve. Ficaram um tempo sem ligar muito para o tempo quando o telefone de Jensen tocou. Este olhou para o visor, vendo que era Alona e atendeu. Minutos depois estava sorrindo.
- Pelo jeito Lehne ficou incomodado com a entrevista. – Jensen falou para Chris. – E aí, você me acompanha?
- Não sei, Jen.
- Qual é, Chris? Não vai querer realmente perder a cara daquele grandão ao ter que fechar acordo comigo. Quer dizer, conosco. – Jensen corrigiu rapidamente.
- Ok. – Chris sorriu. – Mas, eu gostei do garoto. – Chris parou ao olhar de Jensen. – Quê? Você precisa dar crédito a ele. Ele se saiu super bem no primeiro confronto com você. – Chris riu.
- Vê se não enche, Chris. – Mas, Jensen não conseguiu evitar o sorriso. E pensando direitinho, seu amigo tinha até certa razão. Esse novato estava colocando uma boa disputa.
Jared entrou na delegacia e seguiu direto até onde pretendia, não parando nem quando um policial o chamou da recepção, perguntando aonde ele estava indo. Não, ele continuou até parar na porta do delegado Beaver, esperando a permissão para entrar, após uma leve batida.
A porta se abriu e Beaver olhou surpreso para Jared, mas logo lançou um sorriso, acenando para Jared entrar.
- Não esperava vê-lo de volta aqui tão cedo, Padalecki. Sente-se. – Beaver de volta a sua mesa, sentou-se em frente à Jared. – O que o traz aqui?
- Tenho certeza que você sabe muito bem exatamente o que me traz aqui. – Jared respondeu, observando Beaver que o observava de volta.
- Realmente, acho que o país todo já sabe o motivo que lhe trouxe aqui mais cedo do que o esperado. Mas, acho que você próprio provocou isso.
- Desculpe-me, fazer o meu trabalho, fez o Ackles tentar manipular para opinião popular num caso que será julgado pelo Tribunal do Júri. – Jared deixou sua raiva aparecer um pouco.
- Se acalme, garoto. Eu não disse que concordava, disse? – E com isso o jovem voltou a se acalmar.
- Me desculpe, não era minha intenção acusar.
- Bom, agora, o que o traz aqui? – Beaver falou com mais determinação.
- Eu levei meu cliente para casa e comecei a colher alguns dados. Alguns interessantes, devo falar, mas o que eu gostaria de saber era se vocês estão cogitando a hipótese de haver outro suspeito?
- Nunca descarto essa possibilidade, mas não temos nada no momento para trabalhar com essa possibilidade.
- Então, vocês vão simplesmente descartar o amante de Sarah Higlinton? – Jared percebeu quando Beaver se mexeu surpreso na sua cadeira. – Meu cliente me falou das fotos, e considerando que ele não sabe onde elas se encontram, presumo que esse seja o motivo que a Promotoria acredita ser suficiente para prender William Higlinton por assassinato.
- E você não acha que isso seria um motivo para o crime? – Beaver estava curioso.
- Um dos motivos que podem levar a um homicídio sim, mas, delegado, quantos homens não são traídos por suas mulheres ou vice-versa? Sério, se todos fossem assassinar o infiel...
- Ora, mas esse não seria o primeiro caso, temos muitos presos por isso.
- Sim, mas quantos com o mesmo grau de instrução que o meu cliente. Na posição de Higlinton, adultério leva a divórcio, um que resulta numa grande dor de cabeça, e não a homicídio. – Jared sorriu. – Vamos lá, delegado, meu cliente é uma figura pública e todos conhecem seu temperamento e suas atitudes, qual das duas situações você acha que ele se encaixa melhor?
- Não cabe a mim achar nada sobre a personalidade de seu cliente, Padalecki. Minha tarefa é achar o assassino ou provas suficientes que indiquem quem é. – Beaver retribuiu o sorriso. – Agora, o seu é que é provar que seu cliente é inocente ou que ao menos não há provas suficientes de sua culpa, mas não é a mim que você deve voltar seu discurso.
- Justo, mas já fala o direito que na dúvida o réu deve ser considerado inocente e seu pupilo quer implicar justamente a idéia contrária.
- Jensen já não é mais meu pupilo, então, guarde as reclamações, pois não tenho nada a ver com as decisões dele. – Beaver não estava gostando do rumo da conversa e resolveu ser mais objetivo. – Mas, vamos ficar falando do Promotor ou do caso? Afinal, você deve ter vindo aqui com o objetivo de ajudar seu cliente e eu não sei onde essa conversa o ajuda.
- Bem, na verdade, eu vim para pegar uma cópia dos vídeos de segurança. – Jared respondeu também diretamente.
- Hum... Suponho que você já deve saber que eles praticamente não serão de muita ajuda, já que convenientemente o sistema entrou em pane.
- Sim, mas eu gostaria de dar uma olhada neles de qualquer forma. – Jared sorriu mais uma vez, como se estivesse escondendo o jogo, mas ele realmente não sabia se encontraria algo naqueles vídeos. – Então, eu gostaria da sua autorização para levar uma cópia.
- Tudo bem, acho que não tem problema nenhum. Não vejo no que a investigação possa ser atrapalhada.
- Então, é isso, pois acredito que as investigações ainda estão devagar. – Jared se levantou e estendeu a mão para Beaver. – Quando vocês vão começar o interrogatório dos empregados e demais?
- Devemos começar amanhã. Tanto vocês como a Promotoria receberam um relatório do andar do inquérito.
- E o relatório da autópsia?
- Deverá estar pronto a qualquer momento. Não se preocupe, vocês receberão uma cópia. – Beaver sorria, o garoto à sua frente não deixava passar nada. – O que foi? Finalmente colocaram o atrevido do Murray para fora?
- Como? – Jared perguntou sem entender.
- Meu jovem, eu sei como as coisas funcionam naquele escritório e você está fazendo o que Murray fez mais cedo.
- Ah! Não, não, Murray continua, eu só estava aproveitando, não é que... – Jared realmente tinha ficado desconsertado com a idéia de estar passando o colega de trabalho para trás.
Vendo o jovem e determinado advogado a sua frente ficar nervoso, Beaver começou a rir. – Relaxe garoto, eu não quis dizer que você estava passando a perna em alguém.
- Desculpe-me. Bem... acho melhor eu ir embora.
Jared se virou e seguiu até a porta e Beaver não pode deixar de pensar que o garoto realmente tinha bom coração e boas intenções, na verdade, ele se perguntava como alguém como ele terminava trabalhando para Frederic Lehne.
- Ei, Padalecki. – Beaver o parou quando este tinha aberto a porta. – Você realmente acredita que William Higlinton é inocente?
- Acredito. Afinal, não cabe a mim provar que ele é inocente, senhor, mas a quem o está acusando provar que ele é culpado e até agora, isso não foi feito. A mim só resta, juntar provas que derrubem as acusações. – E Jared ia se virando para sair.
- E se você descobrir que ele é culpado?
Jared parou um pouco como se pensando na hipótese, sendo observado atentamente por Beaver. – Bem, ainda assim acredito no direito a uma defesa, afinal, alguém tem que garantir que lhe seja aplicado o que ele lhe cabe, seja a absolvição ou uma pena justa.
Quando Jared se virou para sair dessa vez, Beaver não o interrompeu, mas ficou observando a figura do jovem advogado se afastando pelo corredor, com um sorriso no rosto.
Jensen desceu com um sorriso triunfante, acompanhado por Chris. Se dirigindo até Alona, perguntou onde encontraria a pessoa da Defesa, sendo informado que esta já se encontrava em seu escritório. Ele mal podia esperar para se encontrar com o tal Padalecki e ver a cara dele ao ter que discutir o acordo. Por essa razão, não pode deixar de sentir certa decepção ao entrar no seu escritório e dar de cara com Katie Cassidy.
- Você? – Saiu antes que conseguisse frear.
- Esperando outra pessoa, oh, grande tubarão branco? – Kassidy perguntou sarcasticamente.
- Não necessariamente, mas você serve também. – Jensen respondeu num tom de indiferença.
- Falando desse jeito você fere os meus sentimentos. Eu queria tanto lhe ver.
- Corta a enrolação, Cassidy. – Chris a interrompeu se colocando ao lado de Jensen. – Melhor irmos direto aos negócios.
Cassidy lançou um olhar torto para Chris – Certo, se você nos dá licença, então.
- Ele vai ficar, afinal ele também faz parte da Promotoria e está atuando no caso tanto quanto eu. – Jensen respondeu.
- Bem, eu vim aqui para falar com o Promotor principal e não com ele e seu cão de guarda. – Cassidy voltou seu olhar sério para Jensen.
- Olha aqui, sua víbora, é bem simples, ou você fala com os dois, ou não precisamos nem citar a palavra acordo. O que você me diz disso? – Jensen estava encarando Cassidy, que mantinha o olhar.
- Jensen. – Chris tentava chamar atenção do amigo, que parecia realmente querer se redimir pela atitude de mais cedo.
- Bem, então acho melhor eu não perder meu tempo. Boa tarde. – Cassidy disse se virando e sorriu quando ouviu Chris mandando-a esperar.
- Jensen, não seja irracional, eu posso muito bem esperar no meu escritório. – Chris argumentava com Jensen que parecia estar prestes a reclamar. – Além do mais, se você vai deixá-la ir, para que então você foi até a mídia? – E esse último argumento tinha calado Jensen, que mesmo assim não perdeu a cara de poucos amigos.
Chris saiu, lançando um último olhar para Cassidy, que sorriu sarcasticamente e acenou em cumprimento.
- Agora, vamos aos negócios. – Cassidy disse, voltando-se para Jensen.
- O acordo é ele se confessar culpado e pegar 30 anos, com direito a condicional em 20. – Jensen foi direto ao ponto.
- Ow, ow, cowboy, calma. Nós vamos conversar primeiro.
- Não temos nada para conversar. Eu tenho o motivo do crime e a oferta de acordo, vocês escolhem se aceitam ou não.
- E como eu vou concordar com um acordo se eu nem sei se vocês têm o motivo nem se ele é forte o suficiente? – Cassidy cruzou as pernas e se encostou à cadeira. – Qual é, tubarão branco, você pode me dar mais do que isso.
- Justo. Pois bem, eu tenho aqui provas materiais de que Sarah Higlinton estava tendo um caso extraconjugal e dadas as circunstâncias em que as provas foram encontradas, William Higlinton tinha acabado de tomar conhecimento. – Jensen parou, esperando alguma resposta da loira à sua frente, mas essa continuou sentada como se esperando ele continuar.
- Só isso? – Cassidy disse por fim. – Poxa, depois de todo aquele enxame com a entrevista ao vivo, eu esperava mais.
- Só isso? – Jensen repetiu a pergunta. – Muita coincidência, William Higlinton descobrir sobre o caso de sua mulher e na mesma noite ela terminar morta.
- Querido, você mesmo sabe que isso pode ser facilmente contornado, até o sonso do Padalecki é capaz disso. – Cassidy, então, se inclinou, buscando ficar mais próxima. – Vamos fazer o seguinte. Pena mínima de 20 anos, condicional em 15.
- Nem pensar, com a progressão penal, ele vai está no regime semi-aberto antes dos 15. – Jensen argumentou quando algo lhe intrigou. – E eu só preciso que os Júris acreditem que isso não tem como ser coincidência. Além do mais, se como você disse esse motivo é de fácil contorno, como você pretende firmar acordo?
- Digamos, estou tentando resolver um problema em comum. – Ela respondeu sorrindo.
- E qual seria esse problema? – Jensen arqueou uma sobrancelha, desconfiado.
- Jared Padalecki. – Cassidy respondeu simplesmente. – Além do mais, o motivo do crime não precisa ser rediscutido quando fecharmos o acordo.
- Você está sugerindo que eu minta sobre as provas que eu tenho para que você possa prejudicar seu novo colega de trabalho? – Jensen disse estreitando os olhos.
- Não seja tão dramático, Ackles. Eu estou sendo prática. Você quer vencer o caso e eu quero que o Padalecki não seja mais uma dor de cabeça. Dois buracos numa tacada só.
- Chega, saia da minha sala. – Jensen estava com raiva. – Eu posso fazer tudo que está no meu limite para ganhar e eu ganho, mas não trapaceando e não visando prejudicar alguém. Se eu quero Higlinton preso é porque eu realmente acredito que ele é culpado.
- Por que você acredita mesmo que ele seja culpado? O que você tem realmente contra ele? Ele só é o principal e único suspeito até o momento, sem nenhuma prova apontando exatamente para ele como o autor dos disparos, mas sejamos honestos, você sequer considerou a possibilidade de existir outro suspeito? – Cassidy estava séria agora. – Nós somos parecidos, Ackles, não nos importamos muito com culpado ou inocente, só queremos ganhar.
Jensen sorriu ao lhe responder. – Você pode até ter razão, mas eu jogo com as cartas que eu tenho nas mãos, não trapaceio ou jogo sujo. E nossa conversa acabou.
- Você quem sabe, mas se mudar de idéia.
- Tenha uma boa tarde, senhorita Cassidy. – Jensen a cortou.
- Boa tarde, Ackles. – Cassidy sorriu quando se levantou. – Qualquer coisa eu volto a lhe procurar.
Jensen nem se deu o trabalho de responder e soltou uma respiração quando ela sumiu de sua vista. Pegou o telefone e falou com Alona, pedindo para chamar Chris. Jensen se encostou à cadeira e deixou a cabeça cair no encosto.
- É, Padalecki, parece que não foi só comigo que você comprou briga. Mas, vamos no encontrar breve, breve. E pelo jeito no Tribunal. – Jensen pensou alto e, então, sorriu com a perspectiva de enfrentar alguém que fazia realmente a disputa valer a pena.
J2~J2~J2~J2~J2~J2~J2~J2~J2~J2~J2~J2~J2~J2~J2~J2
Nota¹: O fim de semestre está terrível. Sério, eu não vejo a hora de férias, realmente férias. Mas, consegui arranjar um tempinho para escrever este capítulo. Sei que ficou um capítulo mais a banho-maria, culpa da falta de criatividade, mas vai me possibilitar aprofundar mais nos próximos capítulos.
Nota²: Bom, mas o que acharam? Nunca é tarde para dizer que eu devo desistir da história. Enfim, reviews são mais que bem-vindas, me digam o que estão achando.
