:Cap4:

A ordem a alma

Pulava sobre as árvores. O vento fresco batia em seu rosto frio e pálido. Os cabelos azuis esvoaçavam ao vento. Sempre fora atenta a tudo ao seu redor, mas hoje, Konan estava distraída.

Pensava se essa era a melhor maneira de resolver seu problema. Mas, quanto mais pensava, mais se convencia de que não tinha outra solução. Percebendo que a noite já estava caindo, resolveu apressar-se. A vila que pretendia alcançar ainda estava muito longe.

Olhou de relance a lua, que começava a aparecer. Parecia tão brilhante e destemida... diferente de seus sentimentos, desestabilizados e confusos. Sabia que cometera um erro, por isso fugia. Iria para longe de tudo. Para longe 'dele'.

Pensar nele causava duvidas. Como seria sua vida sem o 'amor' de Pain? Teria sido diferente se não tivesse quebrado a promessa? Se não tivesse nem feito a promessa? Corria enquanto se lembrou daquele maldito acordo.

Sua mão direita inconscientemente segurou seu ventre.

FLASH BACK ON

Estavam sentados na sala, ela entre as pernas dele. A moça estava apenas lendo enquanto ele comia uma maçã, ambos com a capa da Akatsuki. O portador do Rinnegan não dava a mínima atenção à posição e à proximidade que os dois se encontravam, apenas aproveitava a sensação acolhedora que o calor vindo das costas da companheira lhe proporcionava.

Konan, por sua vez, sentia-se feliz e até se esquecia de todas as inúteis preocupações com o mundo a sua volta. Mas não por muito tempo. A voz fria de Pain sussurrou em seu ouvido:

-Precisamos conversar.

-Ok. -disse ela enquanto se sentava à frente dele.

-Konan eu quero que você me prometa uma coisa. -ele pediu

-O que é? – indagou a manipuladora de Origamis. – Pode pedir.

-Prometa-me que não ficará grávida!

Konan estava estática. Tinha tantos sonhos. Queria construir uma família, viver ao lado do amado e ter vários filhos. Sonhava em abandonarem a organização para cuidar das crianças. Mas assim que viu o olhar de Pain, percebeu que a coisa era séria. Não era nem um tipo de brincadeira.

-Por quê? -perguntou ela trêmula.

-Apenas prometa. A não ser que, além de namorar escondido, você vá querer ter uma família. É isso? -perguntou ele frio e impaciente.

-Pain.- ela não entendia onde ele queria chegar.

-É simples: filhos não. Isso atrapalharia nossos planos.

-Pain. . . - ela olhou para o chão -. . . E se acontecesse?

Ele a encarou, firmemente.

-Você conhece o shitaiji no justu? - perguntou ele.

Konan afirmou que sim com a cabeça. Claro que conhecia esse jutsu, era um dos mais ensinados durante o treinamento das kunoichis. Um justu de infertilidade, mas, se usado em mulheres grávidas, causa aborto. Era um jutsu terrível. E Pain estava ali, na sua frente, falando aquelas coisas como se fosse normal. Ele continuou.

-Eu não quero ter que aplicar esse jutsu em você, por isso quero que prometa que nunca vai ficar grávida, entendeu?

-Hai...eu entendo... -Ela concordou desanimada. Não porque ela não ficaria grávida. Porque, mesmo que não soubesse, ela já estava.

Ele a abraçou. Ela se sentiu um pouco desanimada e até desapontada. Se sentiu fraca.

FLASH BACK OFF

Aquilo a fez soltar uma lágrima. Como ele poderia fazer isso? Não deixaria. Não deixaria que ninguém machucasse seu bebê. Era um pedaço de vida, era fruto do amor deles. A prova viva de que um dia os dois dividiram a mesma cama e alma. Mas logo esqueceu, mesmo que momentaneamente, o assunto, pois percebeu que precisava parar e montar um acampamento. Estava escurecendo e ela ainda tinha que comer.Avistou uma caverna e se dirigiu até lá.

--''--

Pain e Madara chegavam à casa. Ela estava escura. Parecia vazia solitária. Estranho... Quantas vezes isso tinha acontecido? A dona dos cabelos azuis sempre acendia as luzes. Provavelmente havia saído.

Pain não se importava onde estava Konan. Mas ela devia o ter obedecido e permanecido em casa. Madara achou aquilo um tanto suspeito, afinal, Konan sempre obedecia Pain.

Os dois membros da Akatsuki entraram em silêncio. Ligavam as luzes de cada aposento pelo qual passavam. Chegando à sala, Madara sentou-se a frente de Pain.

-Cadê a Konan? Disse que ficasse em casa. - Pain estava impaciente.

-Vá ver. -disse Madara em sinal de ordem.

Pain se levantou e começou a se dirigir ao quarto dela. Encontrou a porta aberta e entrou.

Amava o cheiro daquele quarto. Ele cheirava as noites em que eles tinham passado juntos. O cheiro dos dois misturados. Parecia que o cheiro dela cada vez mais se fundia ao dele.

No momento não era hora de lembrar de cheiros e noites de insônia.Era hora dele simplesmente a encontrar.Olhou o quarto vazio.

Foi ao guarda-roupa onde pode ver que ela abandonou o uniforme básico da Akatsuki. Mas ainda estava com o sobretudo.

Procurou algum vestígio e nada. Ao se virar deparou-se com uma flor de origami em sua cama. A tinha sido feita recentemente e com certeza por ela. Colocou a flor em um de seus bolsos.

Caminhou em silêncio até a sala. Não havia mais o que procurar, estava claro Konan havia ido embora. O Ruivo sentiu-se incompleto, como se o arrancassem a única coisa que poderia suprir seus desejos e necessidades.

Ao chegar à sala se deparou com Madara encostado no batente da porta, olhando a Lua. Ficou em pé no meio da sala.

-O que houve? -perguntou Madara, sério.

-Konan não está aqui, provavelmente fugiu. -disse ele friamente.

-Ela é muito veloz? -Madara perguntou sem o olha-lo.

Pain o olhou. Quieto.

-Responda-me.

-Ás vezes, quando não está com algum problema de saúde. -se lembrou que ela andava com tonturas.

-Então a deixaremos ir.

-Assim, sem mais nem menos? -perguntou Pain frio.

-Não, somente está noite. - esclareceu - Ela sabe muito da Akatsuki. Deixe a ir hoje. Mas amanhã quero que a encontre. E se ela não quiser voltar, mate-a. – ordenou Madara. – Mas ela é mais valiosa viva. Traga-a de volta, não importa como! Mas lhe dê uma lição antes!

-Que tipo de lição?

-Você sabe muito bem de que tipo estou falando.

Pain sorriu no canto dos lábios.

--''--

Konan começou a montar seu acampamento. Com alguns galhos, fez uma fogueira que acendeu com um Katon. Pescou uns peixes em um pequeno riacho não muito longe, atrás de umas árvores e começou a assá-los; estava com fome e nem notara o quanto.

Começou a olhar para si, enquanto devorava os peixes.O corpo estava com curvas maiores e acentuadas.Tinha muita fome e sonolência.E também uma certa ponta de desejo,por comidas exóticas.Teve algumas tonturas. E sua menstruação estava atrasada quase um mês e nem notara. Sorriu singelamente. Não olhava para si e sim para a fogueira. Se abraçou e sussurrou:

-Será que eu estou grávida mesmo? - Levou a mão direita à barriga.- Se for eu vou ter um bebê de Nagato.-começou a olhar fixamente a barriga.

Se levantou alguns minutos depois. Apagou a fogueira e foi se deitar na caverna.

Estendeu o sobretudo da Akatsuki e deitou por cima dele. Paz e liberdade. Há tempos não se sentia assim. Mas uma ponta de melancolia permanecia em seu ser. Sentia falta dos braços fortes de Pain em volta de sua cintura. Amava-o, mas nunca poderia construir uma família com ele.

Dormiu.

--''--

A manhã logo caiu e com ela o peso de cumprir ordens. Pain já estava à frente do hotel onde Madara estava. Ambos se dirigiram a um bar. Sentaram-se em uma mesa qualquer. A capa da Akatsuki fora descartada para evitar chamar atenções indesejadas.

Pain não pediu nada e Madara um café da manhã. Enquanto os cozinheiros se ocupavam, a criminalidade e os piores pensamentos começaram a rolar a mesa dos dois.

-Ela não voltou, certo? -perguntou Madara tranqüilo.

-Não. Eu não sabia que ela podia ir tão longe. - disse Pain seco.

-Será que ela não quer se casar com alguém de fora?

-O que você quer dizer? -Pain perguntou com desconfiança e ciúmes.

-Eu quero dizer que o que você deveria saber. Motivos sentimentais. Mulheres são típicas dessas coisas.

-Por que essa idéia?

-Você não está mais pensando direito Pain?! -perguntou Madara.- Mas vá, recupere-a ou mate-a.

-Certo. -disse Pain se retirando do bar.

Saiu da vila e começou a se dirigir a floresta. Seu coração dizia a ele que não poderia fazer isso. Matar a mulher que fora sua companheira. Sua mulher. Não poderia dizer sua amada. Começou a pular entre as árvores em silêncio.

--''--

O sol nascia, mas se mostrava um pouco escondido. Konan acordava com a tímida luz por ele emitida. Ela parecia mais bonita aquela manhã. Levantou-se para se arrumar. Primeiro iria tomar um banho nas águas do riacho.

A água era morna. Não gélida. Um calor tomou conta de seu corpo assim que caiu na água com o corpo nu. O cabelo solto, livre de armas, livre da Akatsuki. Relaxou. Sentia-se nas nuvens.

Após terminar sua higiene matinal, voltou para a caverna, onde viu seu antigo uniforme: A capa da Akatsuki. A peça estava suja com grãos de areia. Não usaria mais aquela peça, em seu lugar, escolheu um vestido.

O vestido branco lhe deu um ar mais alegre e vivo. Esperança e paz invadiram seu coração e sua alma. Perfume diferente, alma diferente. Nos últimos tempos acordava com o perfume de Pain em sua pele. Mas hoje não. Cheirava ao que sempre cheirara: violetas.

Logo seu corpo começou a pedir comida. Significa que o bebê precisa comer.

-Bom dia bebê! -disse ela para si mesma. – Nós já vamos.

Arrumou as bolsas de armas em sua cintura. Pôs a flor entre seus cabelos. Olhou para a capa da Akatsuki em suas mãos. Tantas lembranças. Largou a peça no chão e fez uma fogueira.

O fogo consumia a capa. Morte. Ódio. Fora tudo que conseguira na Akatsuki. A única coisa boa que conseguiu foi permanecer ao lado de Pain. E também o bebê.

Konan olhava o fogo. Quente. Ardente. Lembrava a paixão, o desejo. O amor que deixara para trás. Logo que o sobretudo se queimou o fogo se apagou.Ela começou a caminhar.

Começou a pular entre as árvores, procurando alguma árvore frutífera. Logo achou uma árvore com maçãs muito vermelhas. Pegou uma para a viagem e outra para comer ali. Fez menção de ir correndo enquanto comia. O vento soprava. Estava feliz. Sorria. Planejava seu futuro com seu filho. Ou filha.

Sentiria falta dele. E a criança também, pois toda criança precisava de um pai. Mas não se arrependeria. Tinha certeza de que seria o melhor a se fazer. Mais uma vez, esquecia-se do mundo ao seu redor para perder-se em devaneios.

Estava tão distraída que nem percebeu a aproximação de alguém. O estranho, um shinobi maior, pegou-a pela barriga e arrastou-a para uma clareira na floresta.

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Yo!

Sem atrasos desta vez!

Bjus!

Agradeço as reviews!

-Yze-chan,

Thami,

Daianelm,

Gu3Mii!Un! -Deidara disse.