John moveu seu olhar de Sam e deu um passo para trás para olhar para Dean. Seu irmão tinha um sorriso enorme no rosto.

"Pai..." Ele falou com a voz rouca. "Eu... hummm... não pensei que você tinha recebido as mensagens." Dean disse. Os lábios de Sam se curvaram. Ele não sabia que Dean também tinha deixado mensagens para o pai. Isso fazia sentido. Seu irmão sempre o matinha informado. Dean sentou na cama e continuou. "Eu quero dizer… eu sabia que você as tinha ouvido. Mas eu não pensei que você teria uma pausa no trabalho para ligar ou vir. É bom ver você." Ele parou de novo e apontou para Sam. "Sam anda muito mandão."

"O que?" Sam bufou em surpresa. "Eu estou sendo mandão? Sério?" Ele foi até a cama e se sentou ao lado do irmão. Sam decidiu deixar os problemas com o pai de lado por um momento. "Ele não quer tomar suas pílulas, pai. Ele precisa de descanso e comida e ele faz tudo o que pode para não dormir ou comer... oh.. e ele quer caçar fadas."

"Desculpe." Dean sorriu pra ele. "Deixe-me mudar isso. Sam anda sendo uma cadela mandona e barulhenta."

John colocou a mão no queixo de Dean. Ele levantou a cabeça do filho, o estudou, franziu o cenho. Dean se mexeu na cama. John parecia concentrado.

"Okay." Ele disse em um tom calculado e calmo. "Então Sam não está fazendo um bom trabalho cuidando de você?"

"O que?" O rosto de Dean empalideceu em choque. "Não, não é isso. Sam está.." Seu irmão suspirou e desviou o olhar. "Sam está sendo ótimo, pai. E eu estou tentando comer e dormir, okay? É só que tudo isso…" Ele voltou a olhar para o pai e apontou para o quarto. "As 'férias', e a doutora... é tudo desnecessário. Eu não preciso de tudo isso."

"Dean…" John se sentou do outro lado de Dean. "Você não está parecendo muito bem, filho. Você precisa ouvir seu irmão."

Dean se virou pra ele, tremendo um pouco porque estava sem as mantas. John pegou uma manta e colocou em volta dos ombros dele.

"Eu ainda tenho o meu cabelo."

John passou a mão pelas costas dele e assentiu. "Cabelo não é tudo. Você está parecendo acabado, filho." Sam percebeu o tom de culpa na voz do pai, mas ele duvidou que seu irmão tivesse notado. "Pior do que antes."

"Olha." Seu irmão o interrompeu defensivamente. "Da última vez, eu continuei caçando. Eu estava pela minha conta na maior parte do tempo. E eu estava bem. Porque eu tenho que ficar enviado nesse quarto? Eu deveria estar lá fora fazendo meu trabalho. Eu me sentiria melhor desse jeito."

"Certo." Sam sacudiu a cabeça. Ele tinha agüentado o suficiente. "Você não precisa descansar e ficar melhor. Você deveria estar lá fora no mundo frio e perigoso." Sam sentiu sua raiva voltar a ferver, volátil e efervescente. "Eu quero dizer... para o inferno com o fato que seu sistema imunológico está frito. Ou que a quimio deixa seu sangue mais fino. E por que começar com fadas? Porque não vamos caçar um poltergeist ou um lobisomem ou algo assim? Ou..."

"Garotos." John grunhiu.

Sam sentiu a velha rebelião de adolescente passar pelo seu sistema. Seu corpo ficou tenso e ele cruzou os braços. "Ele precisa tomar cuidado, pai." Ele disse alto e firme.

"Eu tomo cuidado."

"Yeah?" Sam gritou sentindo a exaustão, preocupação e a frustração tomar conta dele. "Então talvez o pai e eu deveríamos os dois ir embora? Huh? Assim você ficaria feliz?"

Sam fechou a boca. Ele sabia que tinha dito a coisa errado pela expressão do seu irmão, parecia que ele tinha levado um tapa na cara. Sam o olhou com um pedido de desculpas nos olhos.

"Dean... eu não quis dizer..."

"Tanto faz, Sam." Seu irmão deu um sorriso sem graça. "Não é como se fosse a primeira vez." Dean se esforçou para levantar, deixando a manta cair. "Vocês dois podem ir pra onde diabos quiserem." Dean foi até o banheiro com mais rápido do que tinha feito durante dias. "Não é como se qualquer um dos dois quisesse estar aqui."

Sam se levantou para segui-lo. "Dean..." Ele ouviu a porta ser trancada. Sam levantou uma mão para bater na porta, mas seu pai o impediu. Sam olhou para ele confuso.

"Deixa ele esfriar a cabeça, Sam."

"Ou..." disse Sam. "Eu poderia abrir a maldita fechadura e arrastá-lo para cama."

"Sammy... dê a ele alguns minutos. Ele está doente, cansado, e frustrado. Deixa ele se acalmar."

Sam sentiu sua raiva se dirigir para seu pai. É mesmo. Ele estava bravo com ele, não com Dean.

"Isso é o que você faz, não é? Dar a ele alguns minutos e ele vai ficar bem. Isso nem sempre funciona, pai."

John o encarou com uma expressão que deixava claro que não tinha gostado do tom, mas ao invés de comentar, ele foi até a porta do quarto.

"Eu acho que nós precisamos conversar lá fora, Sam. Depois disso, nós conversaremos com seu irmão."

Sam olhou para porta do banheiro e para porta do quarto. Ele passou a mão pelo cabelo. Talvez Dean precisasse de alguns minutos. Sam sabia que ele precisava. Mas Sam não teria esse direito. Ele seguiu John até o lado de for a.

"Você sabia…" As palavras de Sam saíram da boca de Sam assim que eles saíram do quarto, duras e sem perdão. Eu achava que Dean pensava que você era invencível. Que ele nunca consideraria que você pudesse se ferir, não um ferimento mortal. Mas ele nunca pensou dessa forma." Sam levantou as mão. "Eu tinha entendido errado. É ao contrário, não é pai. Você que pensa que el epode agüentar qualquer coisa e que ele ficará bem. Bem, ele não está okay, pai."

"Eu sei disso, Sam." John invadiu o espaço de Sam, uma careta no rosto. "Mas eu posso ficar aqui. Não agora. É muito perigoso. Especialmente com seu irmão doente."

"Ele precisa de você, pai." Sam suavizou a voz. "Outras coisas ale de monstros pode levá-lo embora. Você sabe disso, certo? Ele tem câncer."

"Ele tem você." John se encostou na parede do motel. "Olha, Sammy. Eu queria poder ficar aqui pelo seu irmão. Eu quero. Está me matando deixá-lo…"

"Mas você vai fazer isso, não vai..." Sam murmurou.

"Olha, filho." John tentou tocá-lo. Sam se afastou. "Eu vou ficar até amanhã de manhã. Mas seu irmão, ele é forte. E eu confio em você para ajudá-lo a passar por isso. Seu pai respirou fundo. "Eu sei que não é justo, Sammy. Não com você. Nem com ele. Mas essa é a nossa vida. E é como as coisas são."

"Pai..." disse Sam, ele se sentia, exausto, e ferido e com raiva.

"Não discuta comigo, Sam." A raiva voltou ao tom de voz de John. "Eu passei tudo isso com ele da última vez. Eu sei como é isso."

"Sério, pai?" Sam grunhiu. "Você quer dizer que deixou ele sozinho da outra vez também, não é?"

"Não foi assim que aconteceu, Sam." John parou. "Além disso, você estava na escola. Você, por acaso, se importava com o que acontecia conosco?"

Isso era golpe baixo. Sam sentia o rosto queimar.

"Ninguém me contou."

Seu pai voltou a respirar fundo, a tensão deixando o rosto dele. Os dois sabiam que aquela briga era para outro dia, outro momento.

Sam mordeu o lábio. "Ele acha que você não quer estar aqui, pai." Ele disse isso num tom gentil. John cruzou os braços e desviou o olhar. Sam não sabia se John acreditava nisso, mas ele parecia culpado.

John endireitou os ombros. "Você garanta que ele melhore." Ele apontou para a porta do quarto. "E eu vou garantir que seu irmão teimoso entenderá que é você quem manda." John suspirou. "Mais uma coisa, Sam."

Sam segurou a respiração. Alguma coisa no tom de voz de seu pai o deixou nervoso.

"Yeah, pai?"

John deu um passo na direção dele, fazendo Sam encostar na parede do motel. "Você nunca mais, nunca faça algo como isso de novo. Eu não me importo o quanto você pense que eu sou um bastardo egoísta." A voz de John falhou. "Eu não posso passar por isso. Não de novo. Eu fui claro?"

Sam queria discutir. Se seu pai tivesse atendido o maldito telefone, ele não precisaria ter feito o que fez. "Pai..." Ele começou zangado. "Nós precisamos de você e ..."

"Nunca mais, Sam." John o interrompeu. "Você. Entendeu?

Sam voltou a sentir a rebelião esquentar em seu âmago. Sam tinha sido condicionado a obedecer aquele tom, tanto quanto ele tinha sido condicionado – por ele mesmo – a lutar contra ele. E ao mesmo tempo, que ele sentia que sua mentira era justificável, ele também se sentia culpado por ter feito seu pai acreditar que Dean estava morto. Mas ele não ia se desculpar. Sam tinha razões para fazer o que fez. E a maior deles era seu irmão mais velho.

"Eu fiz o que eu tinha que fazer." Sam cruzou os braços. "Você deveria entender isso…"

John torceu os lábios. "Nós deveríamos verificar como seu irmão está." O recado implícito 'essa conversa terminou' estava no ar. John se voltou para a porta do quarto e Sam foi atrás dele.

Dean estava sentado na cama quando eles voltaram. Ele tinha a cabeça nas palmas da mão. Sam ergueu as sobrancelhas. Ele pensou que Dean ainda estava no banheiro.

"Você está bem, Dean?" John o questionou preocupado.

Dean olhou para eles, assustado. O olhar dele era uma mistura de surpresa e alívio. E Sam entendeu de repente, Dean tinha pensado que eles o tinha deixado. Ele franziu o cenho. Essa reação mostrava o quão fora de si seu irmão estava, afinal as coisas de Sam e a chave de seu pai ainda estavam no quarto. Sem mencionar, que de jeito nenhum Sam deixaria Dean sozinho, ainda mais com o maldito câncer. Dean se levantou e John andou até ele.

"Sam e eu precisávamos conversar lá fora." Ele explicou. "Eu tenho que ir amanhã cedo."

A expressão de Dean ficou triste, mas ele assentiu. John continuou. "Você vai obedecer o Sam, Dean, sobre os remédios, e você vai ter que fazer o que ele dizer nas próximas semanas. Isso é um ordem." E, talvez, John tenha entendido muito mais do que Sam tinha dado crédito a ele, por que ele soava seguro. "Você entendeu, filho?" John disse gentilmente.

"Dean olhou para ele e sorriu. A voz dele saiu fraca. "Claro, pai... eu... ah..."

O rosto de Dean empalideceu. Os olhos rolaram e ele desmaiou nos braços do pai dele, que estava horrorizado.

Sam correu até eles.

"Dean!" John o sacudiu. "Dean? Você está comigo, filho?"

Os olhos de Dean piscaram algumas vezes até abrir. "Heh... um pouco ... tonto." O irmão dele parecia estar com dificuldade para respirar, mas John o segurou no lugar.

"Calma, filho." John disse, virando para Sam. "Pegue o carro, Sam."

"Yeah. Okay." Sam correu para fora, pegando as chaves. Ele pulou dentro do carro, e ligou o motor, parando em frente a porta do quarto.

John saiu do quarto com Dean jogado sobre seus ombros. Ele foi até o carro, abrindo a porta de trás. John colocou Dean com cuidado no banco de trás e então sentou ao lado dele.

"Podia ter... andado, pai..." Dean murmurou.

John o ignorou. "Sam. Hospital."

"Sim, senhor." Sam acelerou saindo do estacionamento. O PS ficava a apenas uma milha de distância.

"Não... preciso do hospital." Dean falou roucamente. "Não é… a primeira vez…. que desmaio..."

Sam olhou para ele pelo retrovisor. As lábios de John estavam pressionados. Ele tinha colocado Dean de encontro a ele. Os braços de Dean estavam jogados ao longo do corpo, e a cabeça dele estava descansando no peito de John.

"Shhh..." John disse suavemente. "Dean você precisa relaxar. Apenas descanse até nós chegarmos ao hospital. Respire de forma calma e devagar. Respire como eu." Ele acariciou o cabelo de Dean e o abraçou apertado.

Dean se mexeu fracamente. "Não ... sou um ….maldito… cachorro, pai."

John riu. Sam voltou a olhar para frente. O som das respirações preenchia o carro. Ele ouviu o pai clarear a garganta assim que ele parou o carro na entrada do hospital.

"Nós estamos quase lá, Dean." John disse. "Eu vou ficar com você, filho, de ajudar a passar por isso." Ele adicionou quietamente.