Disclaimer: Twilight não me pertence, mas essa história, assim como a filha da Bella e do Edward sim, portanto respeitem!

Obrigada a Cella, a beta que além de escrever mais sobre crianças, precisa também voltar para o Rob de Janeiro.


Capítulo 3: Mudanças

Bella

O jantar acontecia no terraço de um hotel, em um restaurante francês reservado e lindamente decorado para os cento e poucos convidados da Readers, a nossa editora. Eu não podia negar que me sentia um peixe fora d'água no ambiente, mas olhava com curiosidade àqueles homens e mulheres de negócio de Nova York, todos impecavelmente bem vestidos de grifes exclusivas e joias que custavam mais que minha casa.

Carmen havia me puxado assim que entrei, sem que eu tivesse tempo de cumprimentar os amigos que avistei. Ela clamou que queria me apresentar a gente que importava de verdade - nas suas palavras. E assim eu fui, seguindo-a como um cachorrinho de estimação para dentro de uma rodinha de pessoas, bem como seu taciturno marido Eleazar, com quem eu nunca troquei mais que duas palavras.

- Com licença, Peter. Você precisa conhecer a minha nova pupila, Isabella Swan. - Carmen anunciou para um homem de terno azul.

Ligando o nome à pessoa, eu percebi que aquele era o infame Peter Smith, co-fundador da editora e maior acionista da empresa. Me preparei, pois sabia que ele adorava colocar pressão nos funcionários. Teria que ser mais simpática que o habitual. Infelizmente, uma puxada de saco nesse ramo era bem-vinda, como eu havia aprendido com o tempo.

Ele estendeu uma mão e sacudiu a minha usando mais força que o necessário. Seu uísque estava firme na outra. Eu mantive a cabeça erguida.

- Como vai, Isabella. Já ouvi falar muito de você. Peter Smith, muito prazer.

- O prazer é todo meu, Sr. Smith. Meus parabéns pelo aniversário da editora. Tenho imenso orgulho em trabalhar para a Readers.

- Obrigado, Isabella. É nossa sorte ter funcionários tão competentes como você. Carmen andou me contando coisas ótimas sobre a senhorita. – disse com uma expressão amigável.

Por uns instantes, senti-me realmente surpresa em saber que minha chefe tinha falado bem de mim. Carmen não era de soltar elogios a qualquer um no dia-a-dia da nossa relação profissional. Mas depois do que havia acontecido hoje de manhã, com toda aquela confusão de Liam, eu sentia que ela estava grata reação de gratidão me mostrou que eu parecia estar no caminho certo para ganhar sua total confiança e aprovação.

Eu lancei um sorriso sem jeito para minha chefe, e ela não retribuiu pois a atenção da roda em que estávamos voltou-se toda para o casal que se aproximou, de mãos dadas, deixando a todos sem palavras – Jessica Stanley e Aro Volturi.

Após quase dez minutos de um bate-papo um tanto recheado de puxa-saquismo e elogios exagerados, decidi que minha parte já estava feita naquele grupo, e pedi licença quando começaram a falar sobre a situação política do país. Pelas minhas contas, o jantar seria servido em cinco minutos, e eu queria encontrar com outros colegas antes de sentar à mesa.

- Garrett! – chamei assim que avistei seus cabelos loiros arruivados, sentado em um dos conjuntos de sofás perto de uma sacada. Ao seu lado, estavam mais outros dois antigos colegas que haviam estagiado comigo na New York Week, Riley e Alec; além de Mary, que fora minha companheira em um jornal de bairro para onde escrevíamos enquanto ainda estávamos na faculdade.

- Bella! Meu Deus, quanto tempo! Você nunca mais apareceu lá em casa. – Garrett exclamou, levantando para me dar um abraço forte. Dessa vez, me deixei ser abraçada e apertada, aproveitando toda a demonstração de afeto do meu querido amigo. Repeti o mesmo ritual com todos os outros três.

- Eu sei, me desculpe. O trabalho está uma loucura ultimamente. – expliquei, sorrindo com sinceridade. Nós já havíamos passado por tantas experiências juntos, e eu sempre ficava alegre como criança quando encontrava com as pessoas que me ajudaram a enfrentar todo tipo de percalço no início da minha carreira. Não sei se estaria aqui sem eles hoje.

- Posso imaginar. Se os boatos estiverem corretos, logo logo teremos a primeira editora-chefe do nosso grupo? – ele falou. Senti meu peito acelerar.

- Bem... Só o tempo dirá. E seria apenas subchefe. – falei sem jeito. Não queria ficar vangloriando o bom ano que eu estava tendo na revista, embora todos eles tivessem cargos ótimos em outras revistas da editora.

- Bella, Bella. Nunca vai perder essa mania de humildade? – Riley ralhou, mas eu ri.

- Sabe como é, tenho que manter as aparências. – brinquei, dando de ombros.

- Aparências? Não se preocupe com elas, você está cada dia mais bonita. É a mais linda dessa festa. – Riley falou, piscando um olho exageradamente e eu ri mais ainda, mesmo ficando lisonjeada com o comentário.

Na juventude, nós dividíamos um cubículo no estágio, nos tornando parceiros de matérias, por isso eu acabava sempre quebrando galhos para Riley. Toda vez que eu resolvia um pepino, ele me agradecia com um pedido de casamento, e brincava dizendo que compraria uma mansão para mim e Claire se eu largasse Edward.

- A mais linda da festa? Você já olhou bem as mulheres daqui, aquelas três esposas ex-modelos ali? Riley, se você ainda usasse aqueles óculos, eu diria para procurar seu oftalmologista urgente. – zombei dele. - Mas agradeço o elogio. Você também não está nada mal nesse terno.

Desde o estágio, Riley havia feito uma cirurgia corretiva de miopia, se livrado dos óculos fundo de garrafa e se tornado um homem muito atraente. Mas nosso flerte nunca passou da brincadeira.

Ele deu de ombros e sorriu encabulado. Virei-me para os outros.

- E vocês, como estão?

- Melhores do que nunca. – Mary sorriu colocando uma mão sobre o ombro de Garrett. – Já marcamos a data!

Os dois haviam começado a namorar depois que eu os apresentei, anos atrás em um bar. Eu não podia estar mais feliz de bancar o cupido.

- Isso é ótimo, parabéns! Vocês não sabem o quanto eu torço por vocês. – falei segurando a mão livre de Mary. O anel do noivado brilhava discretamente sobre o ombro de Garrett.

- Bom, e tem mais. – Mary começou a falar entreolhando o noivo. Ele assentiu a cabeça uma vez.

- A gente ia esperar mais um tempo, e íamos mandar o convite formalmente, mas... você aceita ser uma de minhas madrinhas?

- Claro que aceito! – exclamei.

A última vez que tinha sido madrinha fora no casamento de Angela e Ben, e eu guardava boas recordações; ver a felicidade dos meus amigos era uma ótima sensação.

Continuamos conversando sobre o casamento, que seria em outubro, e sobre as últimas novidades de todos, até um sino tocar e o chef avisar que o jantar seria servido. Carmen me chamou para sentar a seu lado, já que havia lugar marcado nas mesas. Fiz um pouco a social de praxe com os executivos e demais jornalistas, mas antes que servissem a sobremesa, consegui esgueirar e fugir para a mesa dos meus amigos. Apesar de eu ter a oportunidade que conhecer pessoas muito interessantes nessas festas, era sempre muito mais divertido ficar com amigos, do que gastar sorrisos falsos na mesa de gente "que importava de verdade".

Ao final da refeição, a música ambiente cessou, e todos viramos para ouvir Peter Smith fazer seu discurso de agradecimento, sendo ovacionado pelos presentes. Seguiram-se uma série de discursos, uns verdadeiramente emocionados, outros nem tanto, e muitos aplausos para quem falava.

Ao ver Carmen levantando-se da mesa, visivelmente mais alcoolizada do que no início da confraternização, comecei a sentir uma ansiedade que nem sabia explicar. Talvez eu estivesse esperando pelo momento em que ela falaria alguma besteira e eu teria que aguentar o seu arrependimento no dia seguinte.

Ela bateu na taça com uma força exagerada, mas firmou sua postura.

- Primeiramente, quero felicitar meu amado Peter, e brindar à memória de nosso saudoso Caius Albertoni, seu parceiro de tantos anos, que juntos foram capazes de criar todo essa grande família que é a Readers. Família essa que só tem a crescer e se multiplicar pelo mundo afora. Tenho muita gratidão por vocês terem acreditado em mim, quando ainda era tão moça e inexperiente, e por me fazerem crescer e estar onde estou nesse momento, tendo a honra de reger a New York Week. E é por isso que hoje me espelho em vocês, e acredito no potencial dos meus melhores funcionários. – ela fez uma pausa, sobrevoando o olhar pelo público que a ouvia. E voltou a falar. - Sendo assim, gostaria de anunciar e pedir uma salva de palmas a mais nova editora-subchefe da New York Week... Isabella Swan!

Eu tive determinados momentos na minha vida em que não conseguia ter um impulso de demonstrar uma reação sequer; Quando descobri que estava grávida. Quando Edward me pediu em casamento. Quando Claire me disse que estava menstruando.

E agora, esse era um desses momentos.

Por alguns instantes, eu apenas ouvi os aplausos do salão e as felicitações dos amigos, como se eu estivesse de fora assistindo as imagens dos acontecimentos em uma tela.

Eu saí do meu transe e me levantei, indo de encontro a Carmen.

- Trate de não me desapontar, garota. – falou ao me abraçar de uma forma que eu nunca esperei. Seu tom de voz parecia tão sério e cheio de esperanças, que na mesma hora, o receio de decepcioná-la me invadiu, mesmo não fazendo sentido.

- Darei o meu melhor, Carmen. Muito obrigada pela oportunidade. – garanti, e ela deu dois tapinhas em minha bochecha.

Claro, eu não estava tão surpresa com a notícia, pois os boatos corriam aqueles corredores. Porém, só o fato de ela ter anunciado no meio da festa, era suficiente para me deixar atordoada e ansiosa. Foi a confirmação de que aquilo estava, de fato, acontecendo e agora eu teria que dar conta da responsabilidade.

Já passava da meia noite quando os convidados começavam a ir embora, e eu aproveitei para ir também. Me despedi dos amigos com a promessa de uma comemoração no fim de semana pela minha promoção, e dei um singelo boa noite às pessoas que havia conhecido hoje.

O trânsito da madrugada parecia mágico para uma cidade como Nova York, e nunca dirigi tão tranquila. Durante todo o percurso, a sensação de felicidade e expectativa me acompanharam, volta e meia trazendo um sorriso ao meu rosto enquanto a ficha caía. Meu coração palpitava só de pensar em tudo o que poderia mudar para melhor agora na minha vida. A começar pelo salário.

Entrando silenciosamente pela porta de casa, retirei os saltos logo no hall e subi as escadas tentando não fazer barulho para não acordar Claire.

Abri cuidadosamente sua porta, e a encontrei dormindo e ressonando em sua cama. Ela dormia como um anjo; em nada lembrava a menina espevitada quando estava acordada. Fui até sua cama na ponta dos pés. Penteei para trás o cabelo que encobria sua testa, e me inclinei para deixar um leve beijo ali.

Ela se mexeu, virando-se para o outro lado e eu me levantei para sair, mesmo que tivesse vontade de abraçá-la e contar a novidade da noite.

- Até que enfim você chegou, já ia ligar. – de repente, eu ouvi. A voz abafada dela me pegou de surpresa.

- Eu ia te ligar antes de sair de lá, mas achei que já estaria dormindo. – falei parada em frente a porta. Vi um de seus ombros subir e descer enquanto murmurava 'hm'. – Durma, meu amor, já está tarde. Até amanhã.

Fechei a porta e segui para meu quarto, para finalmente dormir após um dia tão intenso.

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Saltei da cama dois minutos antes do despertador tocar. Apesar de ter dormido pouco, eu estava com tanta disposição que era estranho até para mim. Não via a hora de chegar ao escritório e conversar com Carmen sobre a minha nova função. Tomei um banho rápido, e passei no quarto de Claire para acordá-la. Enquanto ela tomava banho, eu desci para preparar o café.

Empolgada, resolvi fazer torradas francesas – um dos nossos pratos preferidos, que eu quase não tinha tempo de fazer ultimamente. O rosto sonolento de Claire apareceu pela porta, e ela já vestia o uniforme. A curiosidade preencheu suas feições assim que viu o que eu estava fazendo.

- Torrada francesa? – perguntou com ceticismo na voz.

- Sim. Fiquei com vontade.

Ela pegou o leite e suco na geladeira, e encheu meio copo ao sentar à mesa. Terminei as quatro fatias de torrada, colocando duas em cada prato.

- Por que você está com essa cara? – inquiriu me examinando.

- Que cara?

- Parece criança em dia de Natal. – ela falou e eu ri.

- Estou feliz. – disse, dando de ombros. – E acho que você também vai ficar.

- O que você está aprontando, hein, mãe?

- Nada, Claire, é só uma boa notícia. Ótima.

- Ok... Desembucha.

- Lembra daquela promoção que eu falei? – perguntei e no mesmo instante seu rosto se iluminou.

- Você comprou meu laptop? Foi aquele da liquidação da Apple Store? – perguntou esperançosa. Balancei a cabeça, rindo levemente.

- Não, filha. Não esse tipo de promoção. Não se lembra do que eu falei, que iria mudar para um cargo melhor na revista? Então.

Ela me olhou suspeitosa por um instante, mas assim que compreendeu o que eu dizia, pulou da cadeira para envolver os braços em torno do meu pescoço. De onde essa menina tira tanta força nesse corpinho magro e a essa hora da manhã?

- Que notícia ótima, mãe! Parabéns. – falou, me apertando como se eu não fosse de carne e osso. Passei minhas mãos por suas costas, mas logo desafrouxei seu aperto.

- Eu sei, filha. Obrigada.

- E quando você começa? Já sabe quanto vai ganhar? Já sabe seus horários? Vai ter uma sala só pra você? – ela disparou perguntas sem respirar ao sentar-se.

- Calma, Claire. – interrompi com um sorriso no rosto. – Ainda não sei dos detalhes, vou conversar com Carmen hoje.

- Finalmente você vai se livrar dessa chata! – exclamou, e apesar da minha intenção de repreender o que ela havia dito, eu não consegui segurar a gargalhada.

- O que acha de comemorarmos amanhã à noite?

- Por que não hoje?

- Porque quero chegar em casa e dormir bem. Tem uns dois dias que não descanso direito. – falei, e Claire deixou escapar o terceiro bocejo desde que descera. – E pelo visto você também. Ficou mesmo me esperando ontem?

- Mais ou menos. Fiz um chat ao vivo no site. O McSky foi a uma premiação ontem, fiz a cobertura até o fim. – explicou.

Ah. Estava aí algo que eu jamais entenderia: toda essa sua dedicação fervorosa por uma banda de pop rock. Na adolescência, eu só me dedicava a namorar meu ex-marido e ler milhões de livros, e mais tarde meu tempo foi totalmente ocupado pela pessoinha à minha frente. Eu conseguia entender, porém, que ela estava na idade de fazer tais coisas, e eu aceitava, contanto que fosse uma adoração saudável sem atrapalhar os estudos.

- Certo. Trate de dormir cedo hoje, viu? – eu disse e ela assentiu.

Enquanto cortava as torradas no meu prato, refleti sobre alguns eventos de ontem, e me recordei de como o clima estava tenso entre nós quando cheguei em casa. Com certeza tinha sido por conta da ligação que Claire me fez antes que eu saísse, e eu queria me chutar por ter sido tão indelicada.

- Filha.

- Hm. – falou entretida com sua torrada.

- Me desculpa por ter falado daquele jeito com você ontem, tá? No telefone...

Ela ergueu os grandes olhos esverdeados para mim e sua expressão transitou de calma à dureza, até suavizar-se novamente. Tudo em questão de segundos.

- Tá. – ela assentiu complacente, e nenhuma palavra mais precisou ser dita. Era nosso jeito; eu sabia pelo seu olhar que ela havia me perdoado, e ela devia saber que eu tentaria não repetir mais esse erro.

Terminamos o café, e eu subi para colocar minha roupa, pegar a minha bolsa e a mochila dela. Quando voltei, Claire estava cochilando no sofá.

- Acorda, garota! Vamos. Vê se não vai dormir na aula, hein?

- Relaxa. – falou enquanto esfregava um olho. - Ah, mãe.

- Sim?

- Hoje vou ensaiar na casa da Rachel depois da escola, ok? Prometo que não vamos demorar.

Eu assenti, concordando.

Ano passado eu havia permitido que ela tivesse sua banda, com a condição de permanecer com boas notas. Ela levou tão a sério esse trato, que não me restava dúvidas que ela realmente amava essa banda. Eu nutria um orgulho imenso pelo seu lado artístico aflorado, assim como pela boa aluna que ela era.

Às vezes eu me sentia fascinada pela pessoa que a minha filha estava se tornando. A pessoa que eu havia criado.

Ao sairmos de casa, demos de cara com Kate, nossa vizinha e também professora de Claire, que por acaso já tinha sido sua babá muitas vezes quando minha filha era criança. Ofereci uma carona, e Kate aceitou na hora. Colocamos as notícias em dia durante o percurso, e quando chegamos na St. Patrick eu me despedi das duas, desejando-lhes um bom dia. Segui para o trabalho um pouco mais apressada que o normal, tomada pela ansiedade que senti quando acordei.

Assim que entrei na redação, percebi o quanto as notícias voavam dentro de um ambiente de trabalho. Vários colegas vieram me parabenizar pela promoção. As exceções, porém, foram Laurent Carrier, um repórter que integrava a equipe de Jessica e não via a hora de sair dessa posição que ele considerava inferior, e Victoria Simmons, a mulher que havia perdido a vaga de assistente de Carmen para mim, e desde então me odiava gratuitamente.

E eu achando que Vicky já havia se vingado quando a flagrei enganchada no quadril do meu último namorado, James, ano passado na escada do prédio. Ledo engano.

No fim das contas, as convenções sociais venceram e os dois me desejaram um frio "parabéns" – não sem muita inveja no olhar. Tudo na linguagem corporal deles me deixava desconfortável, porém eu não me deixei abalar, e continuei de cabeça erguida. Eu tinha merecido chegar até aqui, com muito trabalho, dedicação e talento. Não havia porquê me intimidar agora.

Quando Carmen me recebeu em sua sala, apenas me cumprimentou com um bom dia e um aceno de cabeça. Fria e profissional, diferente do abraço apertado que me deu ontem à noite. Passado o efeito do champanhe, eu não esperava nada mais do que isso vindo dela.

- Então, Bella, sente-se. Vamos acertar tudo para preparar a sua mudança. – ela falou objetivamente, e começou a me mostrar o novo contrato que eu deveria assinar. Conversamos sobre o novo valor do meu salário, e ela me informou que eu mudaria para a sala de Jessica assim que ela a esvaziasse. Começaria a trabalhar já na segunda-feira.

Meu novo escritório tinha uma bela vista do Central Park, e eu não podia estar mais feliz de ter uma sala como aquela. Jessica e Carmen me instruíram sobre minhas principais tarefas, e me apresentaram à nova equipe do departamento de reportagens especiais, oito pessoas, e dois que estavam fazendo entrevistas fora dali. A minha equipe.

Eu me senti tão bem na posição de controle em que estava, e não via a hora de começar a colocar tudo em prática.

- Obrigada, Jessica. - falei, quando paramos para um café. - Estou muito animada com isso tudo. Só de imaginar as possibilidades de pautas para trabalhar, já fico ansiosa pra botar a mão na massa.

- Claro. Acho que você vai adorar. Mas já aviso, não é um trabalho fácil. São muitas decisões importantes a serem tomadas. Essa é a sessão que mais recebe cartas dos leitores, sabia?

- Sim, já me contaram. Eu sei da responsabilidade. Só espero continuar com o nível elevado das reportagens. São chamadas de especiais por um motivo. – eu disse firmemente, sentindo uma incrível segurança em mim mesma.

- Eu acredito em você, Bella. – ela falou, e me senti extremamente contente por ter sua aprovação.

Pelo resto dia, fiquei acertando todos os detalhes da minha mudança, já que passaria o resto da semana envolvida com os meus últimos afazeres como editora-assistente de Carmen Denali.

Ao chegar em casa, me permiti um longo e relaxante banho de banheira, com direito a velas e música suave. Quando terminei, pedi comida chinesa de nosso restaurante preferido, e Claire e eu jantamos em frente a TV, em perfeita harmonia silenciosa e contentamento de apenas estarmos na companhia uma da outra.

Em determinado momento, enquanto eu sentia minhas pálpebras pesadas e piscava sem parar para a televisão, Claire passou a mão em meu ombro para me acordar, e subirmos aos nossos quartos.

Naquela noite eu deitei muito contente, embora um sentimento agridoce tivesse me mantido acordada por mais um tempo.

A memória veio sem eu pedir. Edward tinha me presenteado com o meu primeiro computador pessoal, há mais de dez anos, quando eu ainda estava na faculdade e tinha começado a estagiar na New York Week. Quando eu apenas fazia os diagramas do índice nas páginas iniciais e finais. Que longo caminho eu havia percorrido…

- É para você treinar sua escrita e produzir muitos artigos sobre qualquer coisa que der na telha, a qualquer momento. - ele me falara, entregando o grande embrulho verde, ao qual eu abri com curiosidade. Assim que vi a embalagem, meu sorriso ficou imenso, e eu me taquei em seus braços.

- Um laptop? Isso é demais, Edward. Deve ter sido tão caro. Não precisava. - falei quase com lágrimas nos olhos.

- Claro que precisava. Não se preocupe, eu estava economizando há um tempo pra fazer essa surpresa... Agora você não precisa mais ficar usando aquela joça. – ele apontou para o computador de 1994, que costumava ficar em seu quarto e hoje adornava a sala do nosso pequeno apartamento.

- Eu te amo. Obrigada, obrigada, obrigada. - falei, dando um beijo em sua boca para cada obrigada que eu falava, fazendo-o rir.

- Quero que lembre de mim quando estiver comandando a maior revista desse país. E quando publicar o seu primeiro livro… Eu vou saber que fui o primeiro a te dar uma boa ferramenta pra você escrever.

Eu não deixei que a memória prosseguisse, porque após aquilo, tudo ficava íntimo demais, e doía lembrar desses momentos. Adormeci pensando no que aquele Edward diria se soubesse de tudo que tinha acontecido na minha carreira nas últimas 24 horas.


N/A: Tradução dos nomes estrangeiros que apareceram até agora

Editora Readers = Editora Leitores (bem criativo... not rs)
New York Week = Semana de Nova York
St./Saint Patrick = Instituto São Patrick
McSky = é McSky mesmo, mas existe uma banda parônima a ela que vcs devem conhecer ;)
Hotel Le Printemps = Primavera

Só falta mais um capítulo pro Edward aparecer. Güentem firme aí!
Mudanças, mudanças... Estou quase tão ansiosa quanto a Bella pra ela começar logo esse emprego! hahah

E aí, o que acharam desse capítulo?